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@k2wang

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𝐓𝐇𝐄 𝐁𝐈𝐆 𝐏𝐈𝐂𝐓𝐔𝐑𝐄.
Se imaginava que com o anúncio dos nomes escolhidos para o Torneio Tribruxo daquele ano, o ar em Hogwarts ficaria mais leve devido a união das quatro casas torcendo pelo seu campeão em comum. Porém, nem sempre as coisas eram como o imaginado e desta vez também não foi.
Feito um ninho de cobras com o orgulho atacado, os escolhidos de Salazar estavam cheios de veneno para lançar sobre aquela decisão vinda do cálice sempre que tivessem uma chance. Assim sendo, naquela tarde, durante a troca de horários dos treinos no campo de quadribol, era fácil ouvir comentários como: “Certeza de que foi trapaça!”, “Era para um sonserino ter sido escolhido o campeão de Hogwarts!” e “Aquele filhote de trasgo do Longbottom vai colocar tudo a perder na primeira chance”.
Kwangsun, mesmo carregando sentimentos confusos de inveja e alívio por não ter sido o escolhido, não dava a mínima para de qual das casas o campeão tinha saído. Só importava que ele vencesse no final daquilo, oras. Por tal razão, ele deixou os alunos da Sonserina no meio da uma acalorada discussão contra os da Grifinória, lhes dando as costas para que pudesse ir cuidar dos equipamentos que havia usado no treino mais cedo.
Após reunir tudo o que precisava, conjurou um ‘wingardium leviosa’ e saiu guiando o baú de carvalho que levitava na sua frente até o armário de vassoura que ficava aos fundos do campo. Aquele lugar era como um clássico backstage e estava sempre uma bagunça, mas Kwang não queria voltar para o meio da velha luta de orgulhos e decidiu ficar por ali mesmo, cuidando da própria vida. Aproveitou a chance para limpar e lustrar a sua vassoura até que fosse próximo a hora do jantar. Estava entretido no que fazia, concentrado até demais, quando foi pego de surpresa pela porta do pequeno cômodo sendo aberta de supetão. Permaneceu onde estava sentado enquanto lançava um olhar para a recém-chegada, desviando rapidamente com um franzir de sobrancelhas após reconhecer se tratar de @teechang. Mesmo que conhecesse pouco dela, só esperava que a garota não estivesse com o sangue fervendo como o resto de seus colegas e que nem viesse testar sua paciência. Talvez, com sorte, a grifana estivesse ali apenas para pegar algo e então partir.
– Deixei o baú ali ao lado das escovas, se for isso o que você veio buscar.
𝐏𝐋𝐀𝐘𝐄𝐑𝐒 𝐆𝐎𝐍𝐍𝐀 𝐏𝐋𝐀𝐘.
Desde o último incidente no jogo de quadribol, havia se tornado senso comum que deixar Kallie Krum em cima de uma vassoura era sinônimo de perigo. Mesmo que, apesar dos problemas graves de memória, a menina ainda continuasse no time e agora ocupasse apenas o assento de reserva, era desnecessário dizer que a expulsão total não havia acontecido somente em razão do sobrenome que ela carregava.
Ao menos era o que Kwangsun pensava a respeito e o que diria caso alguém se desse ao trabalho de questioná-lo. Afinal, em sua visão @kalliekrum era um perigo para si mesma e um risco desnecessário para o time da Sonserina.
Ainda assim, vez ou outra ele se via pedindo ajuda para a menina Krum durante os treinos que habitualmente fazia separado do restante do time. Era sempre útil ter companhia e não precisar se preocupar com tantos detalhes bobos durante algo simples como um treino de rotina. Por isso, após combinado, tinha reservado o campo de quadribol para eles naquela tarde.
O céu estava limpo e o tempo fresco, assim rendendo uma hora muito produtiva para os dois. Após certo tempo, o suor no corpo de Kwangsun deixou seu uniforme e cabelo úmidos, então o vento fresco acariciando seus contornos era prazeroso conforme ele se aproximava voando da colega de casa. – Ei, vamos parar! Já está quase na hora do jantar. – Avisou antes de inclinar a ponta da vassoura para o chão e descer de uma só vez; pousando os pés na grama com agilidade e já seguindo andando até a lateral do campo, onde havia deixado o equipamento que guardava as bolas. Em seguida retirou a varinha do bolso e conjurou o feitiço ‘accio’ para trazer os balaços até seus respectivos lugares dentro do baú de carvalho. – Você foi muito bem hoje, Kallie! Me deu até vontade de deixar um balaço acertar um dos titulares no próximo jogo só para você substituir ele. Acha uma boa ideia? – Brincou ao final do elogio. – Esse ano o campeonato é nosso!
( crouchcarrow )
Das muitas decisões que Achillia já ponderou a tomar na vida, aquela era, de longe, uma das maiores e piores para decidir até o presente momento; por seu nome no cálice de fogo não era uma coisa que ela via como brincadeira ou até mesmo para sair do tédio. Não, a Carrow via ali uma chance de mostrar que ela sim se esforçava para ser a melhor. Era como seu pai sempre dizia: se não puder o melhor, ao menos se iguale a ele. E de que forma mais ela poderia ser a melhor ou se igualar a tal, se não por o nome no cálice? A fama e o dinheiro não eram o seu objetivo, mas a glória eterna… aquilo ela tentador demais para deixar passar. E ela, é claro, não deixaria.
Naquela noite Achillia esperou que todos esvaziassem o salão principal, e calculadamente minutos antes do toque de recolher ela se dirigiu até o local do cálice; não queria que outros colegas soubessem do seu feito e nem se gabaria por, vez que ela achava que a desmotivação de todos estava enorme para aquele ano e para o que o torneio realmente significava. Ora, medo de outra morte? Já não houve tantas outras? Até chegava a ser estranho ver todos àqueles que se gabavam de grandes feitos nos corredores não feito o mísero que era por seu nome.
Ao entrar na enorme sala, agora livre de mesas depois do jantar, Achillia pode ver já de longe a presença de uma outra pessoa e por perceber ser um colega de casa, apenas avançou até o cálice onde ele estava.
– Não esconda o pergaminho, Kwang. Vergonhoso é roubar e não poder carregar, por o nome no cálice chega a ser motivo de honra – já estava perto o suficiente para ver o rosto pálido dele refletir as chamas do cálice, e permitiu-se sorrir, retirando do seu bolso um pequeno pedaço de pergaminho dobrado.
Estendeu a mão até as chamas quando o outro perguntou se ela colocaria o nome, e então depois de alguns bem pensados e hesitantes segundos soltou o pequeno papel; não em uma tentativa de afronte, mas sim em resposta. – Que a proteção Morgana esteja ao nosso favor. – Citou como uma reza, algo que era muito comum em sua família. – Quantos nomes você acha que já tem? Sinceramente não ficaria triste se não for sorteada. Isso é doideira, não é? Vai por o seu? – agora com os ombros já relaxados, ela sentia o calor da ansiedade subir e invadir todo o seu corpo, e por um momento vacilante percebeu em como aquela não tinha sido a melhor ideia.
Mesmo que na pouca luz das chamas reconheceu Achillia no primeiro vislumbre. A figura dela era familiar como sendo uma das veteranas do clube de poções e, conforme as vestes e brasão que trajava, também monitora da Corvinal. Além disso, nos últimos anos ouvira os inúmeros sussurros pelos corredores a respeito dos sobrenomes que ela carregava; mas, sinceramente, Kwangsun não poderia de importar menos.
Sempre se esforçou para ficar na sua, sob o radar. Por isso, saber que sua tentativa de visitar o cálice de fogo longe dos olhares alheios havia falhado naquela noite deixou ele abalado. Não parecia ser o único a querer esconder a decisão que tomaria, pois mesmo com as palavras de incentivo da garota, sabia que estavam no mesmo patamar a respeito daquilo.
Honra? Pensou em zombaria, duvidando que honra era o que alguém buscaria colocando seu nome ali. Kwang se viu assistindo o sorriso da corvina pelo perfil do rosto dela, enquanto seu questionamento era respondido não em palavras mas por ações e juntos os dois assistiam o pergaminho adicionado nas chamas se incendiar até sumir. – Muitos e muitos. Os alunos do sétimo ano parecem particularmente animados em deixar Hogwarts com alguma coisa de valor carregando seus nomes. Promessa de glória eterna, não é? – Soltou o ar pelo nariz, achando graça. – É doideira sim! São todos um bando de trasgos se pensam que a glória pode ser conquistada sem grandes riscos. Não importa o que a McGonagall e a Ministra tentam se convencer: o Torneio nunca foi jogo de criança e não é agora que vai começar a ser. – Pensou alto, com os dígitos acariciando a textura grossa do pergaminho que mantinha oculto no pulso fechado. O que faria se colocasse o seu nome e depois fosse mesmo escolhido? A sombra não seria mais um abrigo seguro no qual pudesse se manter. Teria que provar seu valor e - muito provavelmente - enfrentar a morte. Valeria a pena? – Eu ficarei triste se não for sorteado, mas... – Levou o punho até o fogo azulado, sentindo o frio acariciando sua pele pálida novamente antes de soltar o pergaminho que segurava e se afastar para assistir. Havia vendido sua alma e recorrer era até mesmo impensável. – Antes você do que eu.
𝐒𝐄𝐋𝐋 𝐘𝐎𝐔𝐑 𝐒𝐎𝐔𝐋.
As chamas do cálice se moviam de uma forma singular: eram lentas demais enquanto queimavam e pareciam esperar pacientemente pelo próximo nome que as alimentaria naquela noite.
O brilho azulado se refletia nos olhos agora azul-esbranquiçados de Kwangsun, que assistia em pé o fogo enfeitiçado queimar. Não pretendia se inscrever no torneio de início, mas após ouvir todos os murmúrios animados dos outros estudantes sobre o evento achou que não custaria muito arriscar. Quais seriam as chances de ser escolhido, afinal? Muito poucas.
Ao se aproximar do objeto mágico, Kwang estendeu a mão para o fogo e tentou contar os segundos enquanto colocava a ponta do dedo nas chamas. Hana. Dul. Set. Net.¹ Notou que elas não tinham o calor esperado, pois - pelo contrário - as labaredas queimavam frias no toque. O coreano franziu o cenho, intrigado. Diziam que a pior morte era pelo fogo, mas não parecia tão ruim. Se o inferno fosse assim, como o inverno que ele costumava ostentar nos ombros em Mahoutokoro, não teria tanto receio de vender sua alma ali e agora.
Kwangsun afastou os dígitos do frio e recolheu um pedaço de pergaminho no bolso de suas vestes. Estava a meio caminho de lançar seu nome no cálice quando o ruído de passos se aproximando por trás fizeram com que detivesse a mão de súbito; em seguida escondendo o pergaminho e olhando sobre o ombro numa mistura de curiosidade e receio.
“Veio colocar seu nome?”

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