Not today Justin

❣ Chile in a Photography ❣

titsay

Love Begins
styofa doing anything

noise dept.

Andulka
Misplaced Lens Cap
$LAYYYTER
AnasAbdin

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Discoholic 🪩
RMH

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Lint Roller? I Barely Know Her
Mike Driver

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@k-eepyourdistance

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E para sempre ninguém te toca como eu toquei.
Como não sentir falta disso? Como não sentir falta de todas as vezes que eu ficava com frio na barriga quando aparecia o cenário da casa da Helô, que pulava de alegria misturada com curiosidade quando tocava "I Love You Baby" e eu sabia que vocês apareceriam, de ir pro site de Salve Jorge procurar cenas antigas, e notícias sobre Steloisa...? Simplesmente não tem como não sentir falta de vocês, não tem como não amar vocês. Volta, vai?!
Sinto falta dos beijos, dos olhares, das conversas, das noites de amor, sinto falta até mesmo das brigas, eu sinto falta de vocês.

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❝ A gente não dá certo juntos, e nem separados. Também não damos certo como um casal, nem como amigos e muito menos menos conhecidos. A gente não da certo de maneira nenhuma! Mas temos química. Química em excesso. E talvez seja por isso que eu nunca consegui desistir de nós.
FANFIC DA MARIANA - @JEGASSA - FACEBOOK: GIOVANNA ANTONELLI / HELÔ
Giovanna acordou com calor, estava em sua cama, sabia que o dia já havia amanhecido, mas ainda estava claro pelas janelas. Ela sentiu o corpo do seu marido, Leonardo, repousado ao lado do seu, ele dormia. - Leo. – ela disse, em um sussurro. – Leo. Mas ele soltou um ruído sonolento e virou-se na cama, deixando-a ali. Giovanna levantou-se, cansada, e caiu sobre ele por um minuto, procurando pelo relógio de bolso que o marido sempre deixava na cômoda. Ela mesma não usava relógio. Qual a necessidade de saber as horas, quando a vida em si era tão curta? Por sorte, passava um pouco das oito horas. Giovanna estava de férias, mas havia sido informada de que estaria no elenco da próxima novela da Gloria Perez, a amiga para quem já havia interpretado Jade, há quase dez anos atrás. ‘Incrível como o tempo passa rápido’, ela pensou com seus botões. Giovanna chacoalhou a cabeça rapidamente, e levantou-se da cama, sentindo as juntas dos seus joelhos estalarem por um segundo. Logo depois, levou a mãos aos olhos e espreguiçou-se, como uma gata. Escutou o ruído do celular tocando menos de um segundo depois. - Alô? – disse, com uma voz ainda meio sonolenta. – Oi, Murilo. Seu ex-marido. Gostava dele, apesar de tudo, mas apenas como um amigo. Sabia desde o começo que não daria certo, mas deixou-se apaixonar por ele, mais pelo seu Lucas do que pelo Murilo em si. Mas ele havia lhe dado o presente mais especial de sua vida, seu filho, Pietro. Aliás, era sobre aquele assunto que Murilo queria tratar. - Esse fim de semana? – Giovanna murmurou. – Sim, mas eu queria levá-lo ao... Ela parou de falar por um minuto. Murilo queria levar o menino para Búzios. Giovanna não via problema, adorava o ex-marido e sabia que Pietro era totalmente apaixonado pelo pai. - Tudo bem. – ela disse. – Mas traga ele de volta cedo. Ele tem aula segunda. Murilo concordou, despediu-se rapidamente e Giovanna desligou o celular, sentando novamente na cama. Sentiu a mesma mexer-se por um minuto, e logo os braços de Leo a envolveram pelo pescoço. - Quem era? – ele sussurrou, beijando seu pescoço. Giovanna não se rendeu, sua cabeça estava muito cheia para ela pensar em qualquer coisa que não fosse seu menino. - O pai do Pietro. – ela disse. – Quer levá-lo para Búzios no fim de semana. – ela disse. Leo puxou-a pelas costas, mas Giovanna não deitou na cama. - E você deixou? – ele sussurrou. Ela fitou-o pela primeira vez. - Sim. – disse. – Mas... eu fico nervosa. Quer dizer, ele tem aulas, e... – ela tentou. Leo colou os lábios nos seus, apenas por um segundo. Seu hálito era bom, menta, como pasta de dente, e seus lábios eram quentes. - E qual o problema de deixar o menino se divertir com o pai? – Leonardo perguntou. Giovanna rendeu-se e caiu de costas na cama, batendo os cabelos lisos no travesseiro. - Tem razão. – ela disse. – Mas eu fico preocupada, você sabe. Leo sorriu para ela e beijou a área sob sua orelha, soltando um riso. Giovanna olhou para ele de esguelha. - Não tem graça. – ela disse. - Eu sei. – ele murmurou. – Estou rindo de como você fica linda preocupada. Giovanna sorriu também, e abraçou-o pela cintura, soltando um suspiro. Eles tocaram os lábios novamente, não um beijo real, apenas um selinho, doce e quente. - Vou ver as meninas. – ela disse. - Elas nem acordaram ainda. –ele disse, e beijou-a novamente no pescoço. – Por que não aproveitamos que todos estão dormindo... – ele sugeriu, sorrindo. Giovanna olhou-o por um minuto, e desceu os lábios novamente nos dele. Leo passou as mãos pela sua cintura. Eles levantaram a cabeça quando ouviram um grito peculiar de criança. - Acordaram. – Giovanna disse, e sorriu. - Em dose dupla. – Leo disse também, e sorriu. Os dois levantaram-se juntos, Leo tomou banho primeiro, pois saía de casa mais cedo. Há dois meses, Leo havia se envolvido na montagem da trama da próxima novela das seis, que ainda não tinha nome, mas Giovanna sabia que ele estava muito animado com o projeto. Ela vestiu um robe e abriu a porta, sentindo o ar breve e frio entrando pelas janelas do apartamento. - Bom dia. – ela disse para a babá, que já fazia o café das crianças. - Bom dia, dona Giovanna. – ela disse. - Vou buscar as pequenas. –ela disse, e sorriu. Giovanna abriu a porta do segundo quarto do corredor, que as gêmeas dividiam. Elas não estavam chorando, apenas gritando pela mãe, juntas. Sempre dormiam no mesmo berço, Giovanna ainda não sabia como conseguiam ir de um para o outro. - Bom dia, meus amorinhos. – ela disse, e pegou Sofia no colo. Com o crescimento, as meninas começavam a mostrar algumas diferenças, Sofia, por exemplo, tinha o rostinho um pouco mais redondo, e o cabelo de Antônia era um tom mais claro. Leo dizia que aquilo era coisa de mãe, e que as meninas eram idênticas. - Mamãe. – Sofia disse. Antônia levantou os bracinhos também, e Giovanna pegou uma em cada braço, as duas murmurando palavras desconexas. Giovanna sorriu e levou-as para a cozinha, e as duas pularam ao ver a babá, adoravam aquela mulher. - Bom dia, pirralhinhas! – ela disse, e as duas pequenas logo começaram a rir, como sempre faziam. Giovanna foi para o quarto de Pietro, quase escorregou no skate que o primogênito deixou na porta. Ela sentou-se no pé da cama dele, notando os cabelos loiros que caíam-lhe pela testa. Depois de um minuto, tocou-o no braço. - Pietro. – disse, calmamente. – Acorda, meu amor. O menino abriu os olhos castanhos e fitou a mãe por um segundo. Giovanna não disse nada, pois sabia como ele era mal humorado pelas manhãs. Pietro bufou e ela saiu do quarto. - Ele já tá vindo, Dona Giovanna? – perguntou a babá. - Pietro de Lara. –ela avisou. Era o código que usavam quando o loiro estava mal humorado, ou seja, todo dia. Giovanna sorriu e caminhou até o quarto novamente, reparando que o telefone estava tocando novamente. - Alô? – perguntou. - Giovanna Antonelli? – disse a voz. - É ela. – Giovanna disse. – Quem está falando? - Desculpe. – o homem disse. – Aqui é Marcos Schechtman. Giovanna o conhecia. Era um dos grandes produtores da Rede Globo. - Ah, olá. – ela disse. - Giovanna hoje terá a primeira reunião das filmagens da nova novela da Gloria Perez. – ele disse. – Como você sabe, está no elenco. - Sim. – ela disse. – Que horas? - Bom, agora mesmo. – ele disse. – Já estamos com a Gloria, aqui, só faltam vocês. Eles conversaram por mais um minutos, e Giovanna sorriu. Havia feito o teste para o papel, é claro, mas Gloria a havia convidado para interpretar em sua novela. Giovanna sorriu, Gloria havia dito alguma coisa de que ela seria uma delegada, mas ficou por aquilo apenas. - O Murilo de novo? – Leo saiu do banheiro, com a toalha enrolada nos quadris. - Leo! – ela disse, animada. – O papel é meu! - O quê? – ele disse. Ela abraçou-o no mesmo momento, mesmo ele estando parcialmente molhado, e começou a rir. - O que aconteceu? – ele perguntou, rindo também. - Eu peguei o papel... Lembra? Da Gloria? – ela indagou. - Sim... Gloria Perez? – ela assentiu. – Puxa Gio! Ela riu novamente, e pulou nele, os dois sorriram, Leo deu um beijo nela, de verdade, e ela permitiu-se saborear dos seus lábios por um minuto. - Preciso me vestir. – ela disse. – Tenho que chegar no Projac o mais rápido possível. Leonardo assentiu e deu um último beijo nos lábios da esposa, e logo depois pegando seu notebook. - Nos vemos à noite, então? – ele disse. - Como sempre. – ela respondeu, passou a mão pelo peito dele e dirigiu-se para seu closet. Ela escolheu uma calça jeans e blusa meio larga, com botões. - Tá de saída, dona Giovanna? – a babá indagou, lutava para dar uma banana para Sofia. - Tô sim. – ela disse. – Vou trabalhar. Qualquer coisa, me liga. - Veado? – a mulher perguntou. Giovanna sorriu ao ouvir o código. - Veado. – ela disse. – Continua sendo o código. Ela aproximou-se e Sofia e Antônia a encheram de beijos. - Tchau, mamãe. – elas disseram juntas. - Tchau, amorinhos. – Giovanna disse. – Tchau, meu príncipe. Ela deu um beijo em Pietro. - Tá bom, mãe. Tchau. – ele disse, irritado. A babá riu, e Giovanna a acompanhou. Ela saiu pela porta e dirigiu-se para a garagem, pegando seu carro. Ela não gravava havia alguns meses já, mas sempre estava no Projac. Quando entrou, dirigiu-se rapidamente para uma das salas de reunião. Muitas pessoas já estavam lá. - Oi. – ela disse, reconhecendo muitos rostos. Marcos já falava, apresentando slides atrás. - Giovanna. – ele disse. –Sente-se, por favor. Ela sorriu e encaminhou-se para uma das cadeiras vazias. Havia cerca de oitenta pessoas na sala, mais Gloria, que estava em pé. Giovanna prestou atenção em tudo que Marcos disse, abriu um sorriso quando Gloria apresentou-se na frente, e explicou o enredo da novela, logo dizendo quem seria quem. Ela reconheceu muitos nomes, mas outros ela nunca havia visto. - Giovanna Antonelli. – Gloria disse. – Você representará uma delegada chamada Heloísa, ela lutará contra o tráfico de pessoas. Em outro quadro, viverá uma história romântica estilo gato e rato com Stenio, seu ex-marido. Giovanna assentiu e notou muitos dos seus colegas olhando para ela. Ficou pensando em quem seria o tal do Stenio, e seus olhos pousaram imediatamente em outro colega seu, Rodrigo Lombardi. Seria ele? Gloria explicou o enredo por mais duas horas, e quando todos já estavam entendidos, Marcos passou o cronograma de horários e filmagens, que começariam em um mês. Giovanna recebeu uma pasta grande, abriu-a e leu-a, como já havia feito com muitas novelas antes. O perfil de sua personagem estava detalhadamente escrito, e era isso que ela mais gostava em Gloria. - Heloísa. – disse em voz alta e sorriu. – Helô. Dadas três horas, todos saíram para um rápido intervalo. Sentaram-se em grupos de amizades, a maioria das pessoas lia os roteiros que lhe foram entregues. - Oi. – escutou ao seu lado. Era outra conhecida sua de tempos, Flávia Alessandra. Sorriu e abriu espaço no banco ao seu lado, convidando-a a sentar. - Oi, querida. –disse. – E aí? - Vou interpretar uma militar, acredita? – ela disse. – Preciso começar a malhar. Ela mostrou o perfil de sua personagem, uma tal de Érica. - Militar veterinária. – Giovanna leu, e sorriu. – Incrível! Você vai aprender a montar? Flávia assentiu, revirando os olhos. - Eu, o Rodrigo e outros. – ela disse, e depois sorriu. – E você? - Espera. – Giovanna disse. – O Rodrigo vai ser militar? - Sim, é o protagonista. – ela disse, e falou de um modo engraçado. – Capitão Theo. Giovanna riu ao lado dela, e as duas continuaram conversando sobre seus personagens. - E quem vai ser o Stenio? – ela perguntou, falando o nome com interesse. Flávia olhou ao redor. - Aquele ali, ó. – ela apontou para um homem, sentado, conversando com outras pessoas. – Alexandre alguma coisa. Giovanna virou-se no banco para olhar. Notou que o homem era alto, tinha ombros largos e cabelos grisalhos. Parecia um pouco mais velho que ela, talvez na faixa dos 40 e poucos anos. - Nunca vi. – Giovanna disse. Flávia assentiu. - Ele é bom, pelo menos o Ota me diz isso. –ela sorriu. – São amigos. Giovanna arqueou as sobrancelhas com interesse. - Mas aquela ali... – Flávia apontou para uma menina, não parecia ter nem 20 anos, sentada sozinha. – Nunca vi antes. Giovanna notou os cabelos encaracolados e a postura meio caída da moça. - Quem é? – perguntou. - Fernanda Costa. Todos chamam de Nanda. – Flávia disse. – Vai ser a protagonista. Morena. Giovanna franziu a testa. - A protagonista? – perguntou. - Também estranhei. Nunca tinha visto antes. – elas olharam a menina por mais um momento. – Calada ela, hein? Giovanna deu de ombros. - Talvez seja tímida. – ela disse. – Ou nunca tenha trabalhado como protagonista. Também fiquei meio envergonhada quando fui a Jade. Flávia sorriu, mas logo Marcos chamou-os novamente para as salas. Sentaram-se nos mesmos lugares, e Gloria passou uma lista de workshops e pessoas a serem visitadas para a construção de seus personagens. Giovanna pensou pela primeira vez como seria viver uma delegada. Ela olhou ao redor, e notou que alguém a fitava. Alexandre qualquer coisa, o tal que faria seu par romântico. Ela olhou-o também. ‘É bonito. ’ Pensou ‘Não exatamente lindo, mas tem seu charme’. O homem tinha olhos grandes e escuros, e sua boca estava meio franzida, como se ele a analisasse com interesse. Giovanna voltou-se para Gloria. - Marcos, dê as listas para eles. –ela disse. O homem passou com outras pastas lacradas, entregando-os. Giovanna abriu a sua e encontrou uma lista de delegadas do Rio de Janeiro, e pastas com datas de workshops sobre o assunto, além de vários sobre tráfico de pessoas. Gloria falou mais sobre o tema do tráfico. Já era fim de tarde quando todos foram liberados, mas reuniram-se novamente nas mesas. Giovanna sentou-se ao lado de sua velha conhecida, Claudia Raia. - Vou ser a vilã. – ela disse, e abriu um sorriso. – A terrível... – olhou na pasta. – Lívia Marini. Giovanna riu. - Eu vou prender você. – ela riu. – A terrível Delegada Helô. Claudia riu também, e as duas brincaram algumas interpretações, até que Giovanna sentiu um toque nas costas. - Oi. – uma voz masculina disse. Giovanna virou-se no mesmo momento, e deu de cara com o tal do Alexandre. Ele não sorria, mas seus olhos brilhavam com curiosidade. Era mais alto que ela, uns bons dez ou vinte centímetros. Seu ombro batia no antebraço dela. - Oi. – ela disse. Claudia despediu-se de Giovanna com um sorriso e acenou para Alexandre com a cabeça. - Então seremos um par. – ela disse, sentindo necessidade de puxar um assunto. - Stenio e... – ele falou. - Helô. – ela disse, e sorriu. Ele sorriu também, e ela pegou-se prestando muita atenção em seu sorriso. Ele pareceu notar, e os dois ficaram em silêncio novamente. - Como é o seu nome? – ela perguntou. - Alexandre. – ele disse. – Alexandre Nero. Nero. Não, realmente nunca havia escutado o nome. - Nero. – ela testou o nome em sua boca, e sentou-se. – Nero é ‘escuro’, em Italiano. Ele arqueou uma sobrancelha. - Italiana? – ele indagou, sentando-se ao seu lado. - Não. – ela disse, e sorriu. – Minha família é. Eu sou Giovanna. Giovanna... – começou. - Antonelli. – ele completou, e sorriu. – Sim, eu sei. Sou seu fã. Ela sorriu para ele, admirada. - Jura? – perguntou, e sorriu novamente. – Nunca te vi por aqui. - Nunca nos cruzamos. –ele disse. – Mas eu te via de vez em quando. Quando você filmou Viver à Vida. Ela arregalou os olhos. - Bons tempos aqueles. –e sorriu. – Já trabalhei com a Gloria antes, e admito que os papéis dela são sempre os meus preferidos. Alexandre sorriu para ela novamente, e olhou para baixo. - Nunca trabalhei com a Gloria. – ele disse. – Mas acho que vou adorar interpretar o Stenio. E então focou os olhos nela. Giovanna perdeu o sorriso olhando para ele, mas logo olhou para baixo também. - Eu também. – ela disse. – Nunca fui uma delegada antes. Ele assentiu, e olhou para seu roteiro. - Já viu nossas primeiras falas? – ele perguntou. - Não. – ela disse, e pegou o papel onde mostrava as falas de ensaio. – ‘Helô entra no escritório de Stenio’. – ela riu. – Poxa, vai ser uma relação de gato e rato mesmo. - Uma delegada que prende um advogado que solta. – ele riu. – Vamos ter uma filha, sabia? Giovanna arqueou uma sobrancelha e olhou para seu roteiro. - Drika. –ela leu. – Mariana Rios. Olhou ao redor, reconhecendo a menina, que conversava com outras pessoas. Giovanna e Nero sorriram um para o outro. - Acho que vou indo. – ela disse. – Preciso cuidar das minhas crianças, sabe como é. Ele sorriu, ajudou-a a se levantar. Giovanna notou como a mão dele era quente. - Crianças são mesmo um trabalho. – ele disse, e sorriu. – Faz o teatro parecer fácil Ela riu. - Exatamente. – olhou para ele. – Tem filhos, Nero? - Não. – ele disse. – Não encontrei uma mãe para eles. – e riu. Giovanna o acompanhou. - Então não é casado? – indagou. Ele sorriu novamente. - Não, Giovanna. Ela estremeceu quando ele disse seu nome. Parecia tão único aos seus lábios, como se apenas ele conseguisse pronunciá-lo da maneira correta. - Pode me chamar de Gio. – ela disse. - Gosto mais de Giovanna. – ele falou, e tocou no cotovelo dela. Giovanna sorriu e deu de ombros. - Eu... Vou indo. – disse. – Até. - Até. – ele disse. Ela não sabia se deveria acenar ou dar um beijo na bochecha dele, mas antes que pudesse pensar, ele deu um beijo na bochecha dela, suave. Ela sentiu o cheiro dele, sândalo e couro, tipicamente masculino, mas não como perfume, e sim como se o cheiro viesse mesmo dele. - Gostei de conhecer você. –ele disse. Ela assentiu e relutou-se em se afastar, mas por fim a consciência falou mais alto e ela virou-se. Olhou para trás uma última vez. Ele a olhava. - Tchau. – disse, e acenou com a mão. Ela não olhou para trás novamente.
Giovanna voltou para o seu apartamento e já estava no começo da noite. Quando abriu a porta, logo sentiu os bracinhos das gêmeas tocarem-lhe as pernas, e ela sorriu. - Oi, pequenas! – disse, rindo. Ela pegou Sofia no colo e colocou um dedo nos lábios rosados da menina, o que a fez rir, depois soltou-a e pegou Antonia, bagunçando os cabelos lisos e escuros da pequena. - Cadê o Pietro? – ela perguntou para as duas, sorrindo. - Pi tá no quarto. – Sofia disse, tirando a chupeta da boca. Mesmo sendo gêmea, Sofia já falava um pouco mais que Antonia, ao passo que a outra caminhava melhor que a irmã. Giovanna colocou as meninas no chão novamente e foi até o quarto do primogênito, ele jogava videogame, com um pote de sorvete no chão. - Já disse que não quero comida no quarto. – Giovanna disse, pegando o pote no chão. - Sai da frente, mãe! – ele disse, em um tom meio desesperado. Giovanna não saiu e ele largou o controle do videogame, irritado. - Ei. – ela disse. – Não é assim que se fala com a sua mãe. Ele não respondeu, e ela sentou-se na cama ao seu lado. - Ouviu Pietro? – perguntou. Ele ignorou-a, virou o rosto e cruzou os braços. - Ouviu Pietro? -ela repetiu, em um tom mais alto. - Sim! – ele disse. Ela levantou-se. - Ótimo. – disse. – Ligue para o seu pai depois, para vocês acertarem as coisas da viagem. Ele imediatamente esqueceu que estava irritado. - Que viagem? – perguntou, animado. Ela suspirou. - Você vai para Búzios com seu pai. – ela disse, meio irritada. Ele levantou-se e começou a gritar e abraçar Giovanna, beijando a bochecha dela. - Tá bom, tá bom. – ela riu. – Chega de falsidade. Ligue para o seu pai e venha jantar. Ele concordou e Giovanna voltou para a cozinha, separando massa pronta. As meninas andavam ao seu redor, pegando colheres e aventais. Giovanna fez um molho de tomates caseiro e colocou um pouco de cebola e manjericão, depois despejou sobre a massa fervente. - Vai ter macarrão? – Pietro perguntou, voltando do quarto. Giovanna assentiu, e pintou o nariz do menino com molho de tomate. Ele passou o dedo no nariz e lambeu. - Gostoso. –ele disse. – Me dá mais? - Espere o Leo chegar, mocinho. –ela disse, e sorriu. Pietro ficou debruçado no balcão enquanto a mãe cozinhava, e Antonia e Sofia brincavam no canto. Depois de alguns minutos, a porta abriu-se e Leo entrou, com a bolsa do notebook no braço. - Leo, Leo! – Pietro gritou, animado. – Vem logo, a mamãe fez macarrão! Leo aproximou-se e tirou a gravata. Sorrindo, deu um selinho em Giovanna. - O que aconteceu? – ele perguntou, sorrindo. – Vai chover chocolate, hoje? Giovanna riu. - Consegui o papel. – ela disse. – Merecia uma comemoração. - Jura, meu amor? – ele perguntou. – Isso é ótimo! Leo deu um beijo nela, e Giovanna tirou a mão da colher e apoiou-a no peito do marido. - Eca. – Pietro resmungou. Giovanna sorriu e afastou-se do marido, voltando-se para as panelas. - Vá tomar um banho. – ela disse. Leo fez uma careta sorridente e foi para o quarto. Depois de alguns minutos, ele voltou, vestindo uma camiseta branca, calças de pijama e os cabelos estavam despenteados e molhados. Todos comeram, e Pietro repetiu. - Vai com calma, gringo. – Giovanna disse, e sorriu. Pietro olhou para ela, mas serviu-se de mais macarrão. Giovanna deu de ombros e sorriu. Depois, Leo lavou a louça e ela viu televisão com as crianças, logo as gêmeas dormiam em seus braços. - Mãe. – Pietro disse. – Posso jogar videogame? Giovanna franziu o nariz. - Só por meia hora. – ela disse. – E desligue tudo depois. Ele assentiu e correu para o quarto, fechando a porta. Leo aproximou-se e os dois colocaram as meninas na cama. No corredor, Leo prendeu Giovanna na parede. - Agora a noite é nossa. – ele sussurrou. Giovanna fitou-o. - É? – ela sussurrou. Ele assentiu e baixou os lábios, beijando-a. Giovanna permitiu que sua língua invadisse a boca dela, e logo ele agarrou-a pela cintura. Leo soltou um gemido e agarrou-a, levando-a até o quarto. Pela manhã, Giovanna acordou com os lençóis cobrindo o corpo. Lembrou por um minuto da noite anterior, estava satisfeita, mas não muito. Sexo com Leo parecia uma coisa correta, não apaixonante ou desejosa. Ela suspirou, mas levantou-se. Ele dormia ao seu lado, em um sono profundo. Aquele era dia de folga, mas Giovanna já tinha um workshop intenso com a equipe. Ela tomou um banho e secou os cabelos, vestindo-se rapidamente. Enquanto passava maquiagem, sua mente desviou-se e ela viu-se pensando no tal do Alexandre, o que seria seu par na novela. - Meu Deus! – ela suspirou. – Você está louca! Mas sua mente não conseguia desviar como ele dizia o nome dela, ou como suas sobrancelhas franziam-se lentamente quando falava, ou como os olhos escuros eram brilhantes... - Ai! – ela gemeu. Havia enfiado as cerdas do rímel no olho. – Merda! - Gio? – Leo murmurou do quarto. – Está tudo bem? - Sim. – ela gritou de volta. Giovanna escolheu uma bolsa e um caderno para fazer anotações. - Tchauzinho, delegada. – Leo disse, e deu um selinho em seus lábios. - Tchau, meu amor. –ela disse, mas não conseguiu reprimir um suspiro. - Estou pensando em levar as crianças para um parque de diversões depois da escola. – ele disse. – A senhora permite? - Permito. –ela sorriu. – Mas não deixe o Pietro exagerar no algodão doce, não importa o quanto ele implore. Leo sorriu e Giovanna saiu do quarto, vendo a babá na cozinha, preparando a comida das meninas. - Bom dia. – Giovanna disse. - Manda um beijo pras meninas quando elas acordarem. - Pode deixar, Dona Giovanna. –ela respondeu, e as duas riram. Giovanna saiu da casa e dirigiu até o salão onde seria o workshop sobre tráfico de pessoas, à meia hora de sua casa. Quando chegou no imenso lugar, havia muitas pessoas na fila, mas ela reconheceu o grupo do elenco. - Giovanna! – Marcos disse, animado. - Marcos! – ela sorriu. Eles se cumprimentaram e Giovanna notou que ainda faltavam alguns minutos para o local abrir. Notou que muitos dos seus colegas conversaram, mas seus olhos procuraram apenas uma pessoa. Quando o viu, apoiado em uma das pilastras, lendo um livro, Giovanna não conseguiu reprimir um sorriso. Nero estava vestido com uma blusa preta que ajustava-se bem em seus ombros, e calças jeans. Ela andou até ele. - Oi. – disse, em tom baixo. Ele levantou os olhos e sorriu, imediatamente fechando o livro. O Código da Vinci, Giovanna percebeu. - Affascinante. – Giovanna sussurrou. Ele arqueou uma sobrancelha. - Italiano? – perguntou. - Pensato di non parlare. Giovanna sorriu, e apoiou-se na pilastra também. - Sei um pouco. – ela admitiu. – Só o que meus avós ensinaram. – eles se olharam. – E você? Como sabe? - Sei um pouco. – ele imitou-a. – Apenas o que a Itália ensinou. Giovanna sorriu, e o olhar que trocaram foi mais demorado do que deveria. - Então você viaja muito? – ela perguntou, colocando o cabelo atrás da orelha, envergonhada. - Gosto de conhecer lugares novos. – ele disse. – Coisas novas. – aproximou-se demais do seu ouvido. – Pessoas novas. Giovanna afastou-se. - E você? – ele indagou. – Gosta de viajar? - Sim. –ela admitiu. – Sou apaixonada por... Descobrir lugares novos. –ela riu. – Mas com as crianças é difícil. Nero concordou. - Por essas e outras não quero ter filhos. –ele sorriu. - É a melhor coisa do mundo. – ela sorriu. – Então você não tem ninguém? Ele deu de ombros. - Não sei se posso chamá-la de alguém. – disse. Ela riu. - Poxa, isso foi maldoso. – ela comentou. Ele sorriu também. - Digamos que gosta mais de mim do que eu dela. – deu de ombros. –Pelo menos parece. Giovanna concordou, e os dois foram interrompidos pelas porteiras abrindo. Nero tocou sua mão, e Giovanna encolheu-se por um segundo. - Acho que devemos entrar. –ele disse. - Sim. –ela murmurou. Os dois entraram juntos.
Giovanna entrou com Nero na enorme convenção, além deles, havia muito mais pessoas fora o grupo da novela, e Giovanna sentiu-se meio perdida no meio de tanta gente. Já estava indo para um lado quando sentiu a mão de Nero tocar na sua, quente. Ela retraiu-se, e fitou-o nos olhos. - Venha comigo. –ele disse. Ela deu a mão pra ele, receosa, mas Nero virou-se no mesmo momento e guiou-a, até que chegaram perto do elenco e ele soltou-a, mas continuou ao seu lado, seu quadril roçando na cintura dela, como para lembrar-lhe que estava ali. Giovanna não sabia o que estava sentindo, mas andou reta, sem coragem de olhar para ele. - Vamos sentar. –ele disse. – Vai ter uma palestra, algo assim. Ela concordou sem nem ouvir, e sentiu quando ele conduziu-a até uma das cadeiras e sentou-se ao seu lado, não perto o suficiente para mostrar segundas intenções, mas não muito longe. Giovanna fitou-o. - Por que você fez isso? – ela soltou. - Isso o quê? – ele perguntou, olhando-a com curiosidade. Giovanna chacoalhou a cabeça. - Nada. – ela disse. – Obrigada. Nero sorriu e os dois viraram-se para frente. Giovanna reteve o olhar nele por um minuto, e mordeu o lábio, logo soltando um longo suspiro e pegando seu caderno. A palestra começou lenta, algumas pessoas deram depoimentos lá em cima, Giovanna interessou-se pelo assunto, era realmente instigante trabalhar com o tráfico, mas o homem ao seu lado, ela teve que admitir, era mais interessante de se observar. Ela nem sabia se eles eram amigos ou apenas conhecidos, mas ficou atenta ao que ela escrevia, e copiou a maior parte das coisas. - Você está colando de mim, moça. – ele disse, com um sorriso. Ela levou um susto e saiu do transe, olhando para ele. - O quê? – ela indagou. - Eu escrevi ‘vacas coloridas’ em um tópico. – ele olhou para sua prancheta. – E você também. Ela corou, mas abriu um sorriso leve. - Desculpe. – disse. – Estou desconcentrada hoje. Ele riu. - Está pensando em outra coisa? – perguntou. Ela assentiu. Nero aproximou a mão do rosto dela, e Giovanna prendeu a respiração por um momento, mas ele apenas colocou uma mecha de cabelo atrás da sua orelha. - E posso saber? – ele tocou na mecha por um minuto. – No que está pensando? Giovanna recuou com a cabeça, e Nero soltou seu cabelo. - Nada importante. –ela disse. Nero assentiu e virou-se, olhando novamente para as pessoas que falavam lá na frente. Giovanna soltou um longo suspiro e voltou-se para frente também, tomando suas próprias notas. Depois da palestra, Giovanna separou-se de Nero e foi ver alguns estandes sobre o assunto, interessando-se. - Oi, amiga. – alguém disse ao seu lado. Ela olhou, era uma antiga conhecida, Fernanda Paes Leme. - Oi, Fê. – ela disse, e sorriu. As duas caminharam juntas para o outro estande, e Fernanda sorriu. - Tudo bem? – ela disse. - Tudo indo. – Giovanna respondeu. Elas olharam por um minuto para algumas das plaquetas do estande, mas logo foram para o outro. Nero estava a dois estandes delas. - Conhece aquele? – Fernanda perguntou. Ela olhou de relance. - Sim. – Giovanna respondeu. – É meu par. Fernanda arqueou as sobrancelhas. - Tenho pena de você. – ela disse. – É um galinha compulsivo, pelo que dizem. Giovanna surpreendeu-se, mas não mostrou. - Jura? – ela perguntou. – Me disse que tem namorada, esposa, algo assim. - Duvido muito. – Fernanda disse, e olhou para ele. – Me chamou de gostosa. Giovanna arqueou as sobrancelhas. - Sério? – ela disse. – Nossa. - Pois é. – ela disse. – Me surpreende não ter dado em cima de você. Giovanna deu de ombros. Não sabia como chamar seu relacionamento com o homem. Amizade? Coleguismo? - Não. – ela disse. – Ele está sendo legal comigo. Fernanda sorriu, e despediu-se, indo para o outro lado do estande. Giovanna olhou para Nero, a poucos metros dela, e olhou-o, soltando outro suspiro. Ele virou os olhos e enquadrou-a, logo depois sorriu e se aproximou. - Ei. – ele disse. – Também achando tudo isso um saco? Ela evitou um sorriso. - Sim. – respondeu. – Nunca gostei dos workshops. Nero assentiu. - E depois daqui? – ele perguntou. –Tem algum plano? Giovanna imediatamente pensou no que Fernanda disse pra ela. Não, não iria cair naquilo. Ela era casada, muito bem casada. - Nero... Alexandre... – ela suspirou. – Eu sou casada. Ele fitou-a por um instante. - Eu sei. –ele respondeu. – Estou chamando como amigo. Giovanna fitou-o. - Quer sair comigo? – perguntou. – Tomar um café? Ele encarou-o. A oferta era tentadora, mas depois ela pensou no que a colega lhe disse, e em Leo, levando seus filhos para o parque de diversões. Ela virou-se. - Eu não posso. – disse. – Sinto muito. E saiu de perto dele, decidida a serem apenas parceiros de filmagens, nada além disso. Mas enquanto se afastava, ela sentiu a tentação de voltar. E quase o fez. Quase.
Giovanna caminhou para a saída, procurando pelo seu carro com os olhos. Ela suava, podia sentir os olhos do homem atrás dela queimando-a pelas costas, e pensou por um minuto se não havia sido rude recusar a proposta dele. “É um galinha assumido”, lembrou das palavras de Fernanda “Me surpreende não ter dado em cima de você”. Ela suspirou. Não queria aquilo, aliás, não podia permitir aquilo. Era casada. Tinha três filhos que precisavam dela. Não podia deixar ser amiga de um homem com aquela fama. Mas de nada adiantava, teria que trabalhar com ele pelos próximos nove meses. Giovanna sobressaltou-se quando sentiu alguém bater em seu ombro, e depois segurá-la pelo pulso. O toque era reconfortantemente quente, e ela sabia que era de Nero antes mesmo de virar-se. - Espera. – ele disse. Assim que ela enquadrou seu olhar no dele, Nero soltou seu pulso, como se quisesse tocá-la, mas soubesse que ela não queria. - Desculpe... – ele disse. – Eu não quis te ofender. Giovanna soltou-se e fitou-o nos olhos, que expressavam nada mais do que compaixão. Ela não conseguia remeter àquele homem a ideia de um galinha, e deixou a expressão abrandar. - Desculpe. – ela repetiu. – Eu... exagerei. Nero abriu um pequeno sorriso. - Não, sua reação foi totalmente natural. – ele disse. – Você é casada, tem sua família, e eu respeito isso. Giovanna surpreendeu-se. - Obrigada. – ela disse. – Mas eu fui injusta... você só... Ele ofereceu a mão para ela. Giovanna reprimiu o pensamento de como queria tocá-la, pelo seu calor. - Amigos? – ele sugeriu. Ela relutou, mas apertou-a. O calor transcorreu por todo seu corpo, e Nero percebeu, pois arqueou uma sobrancelha. - Amigos. – ela disse. Ele sorriu, e os dois voltaram juntos para a convenção. Giovanna viu Fernanda saindo, e a amiga lançou-lhe um olhar duvidoso, mas Giovanna ignorou-a. Nero não faria com ela nada que ela não permitisse. E ela não permitiria nada. - Giovanna. –Marcos avistou-a. – Nero. Os dois olharam para o produtor, que os encontrou, esbaforido. - Queria avisar... Semana que vem começam os ensaios. – ele disse. – Apareçam amanhã no Projac, para a descrição do personagem. Giovanna resmungou, Marcos se afastou. - Não gosta disso? – Nero perguntou, e ela teve de olhar para cima para respondê-lo, admirando novamente como era mais alto. Pare com isso, ela pensou. - Não, mas... normalmente isso envolve academia. – ela sorriu. – Eu odeio academia. - Sinto que encontro uma chocólatra. – Nero brincou. - Assumida. – ela sorriu. – Odeio cozinhar, então chocolate pra mim é uma invenção dos deuses. Nero sorriu, os dois caminharam juntos para o estacionamento. - Onde você sugere? – Giovanna perguntou. Ele olhou-a por um minuto. - O quê? – indagou. - O café. – ela disse, e abriu um pequeno sorriso. Nero sorriu também. - Não pensei que fosse aceitar. – disse, assumindo. Ela deu de ombros. - Amigos. – disse. - Amigos. – ele repetiu, em concordância. Os dois sorriram novamente e ficaram se olhando por um segundo, até que Nero desviou os olhos. - Tem um café perto daqui. – ele disse. – Podemos ir andando. - Já quer começar a minha academia? – ela brincou. Ele sorriu e os dois deixaram os carros ali, e saíram pela rua paralela. No começo passearam apenas olhando as vitrines, até que Nero reteve-se. - O que foi? – ela disse, e notou que pararam em uma livraria. Ele olhava para uma das capas da vitrine. - O mundo de Sofia. – ela leu. - Sim. – ele disse. – Eu li isso quando era menino. Não sabia que ainda vendiam. Ela deu de ombros. - Não entendo nada de leitura infantil. – admitiu. – Meu filho prefere o videogame. Nero sorriu. - Minha mãe me deu livros desde moleque. – ele disse. –Mais ou menos na mesma época que comecei a ler, aprendi a tocar violão. Ela olhou-o, surpresa. - Você toca? – perguntou. - Sim... tenho um CD. – ele disse. Ela admirou o modo como disse aquilo, nada orgulhoso, e sim modesto, mas no limite certo. - Jura? – ela sorriu. – Posso pegar um autógrafo? Ele riu, e Giovanna deu um leve empurrão em seu ombro, indo mais para o lado. - E como você, tocador prodígio, virou ator? – ela indagou, sorrindo. - Você faz parecer maldoso. – ele brincou, e sorriu. – É realmente uma boa pergunta. Ótima pergunta. Ela riu novamente, e eles esperaram pra atravessar a rua, sem sinal. - Odeio quando as ruas não tem sinal de trânsito. – Nero disse. – Vamos esperar para passar. - Vamos contar até duzentos. – Giovanna disse. – Daí passamos. - Duzentos? – ele perguntou. - Sim, três minutos. – ela disse. – Um, dois, três... - Gio, duzentos segundos não são três minutos. – ele disse, e ela adorou seu apelido saindo da boca dele. - Ah, além de tudo você é o rei da matemática? – ela ironizou, sorrindo. - Não fica me zoando por causa da matemática. – ele riu. - Tudo bem, vou te zoar pelo conjunto em completo. – ela brincou. Nero não esperou mais, puxou-a pela mão e correu pela rua. Os dois chegaram do outro lado, sorrindo. Eles entraram na cafeteria que ele indicou, estava meio cheia, com metade das mesas ocupadas. Bolos lindos decoravam o ambiente. - Olha que lindo. – Giovanna disse. – Queria saber cozinhar essas coisinhas. Nero riu, e Giovanna aproximou-se, como uma criança diante a árvore de Natal. - Nunca conheci ninguém assim. – Nero disse. Ela olhou-o. - Assim como? – perguntou. - Assim... como você. – ele disse. - Como eu? – ela perguntou, duvidosa. - É, assim... diferente. – ele sorriu. – Você fala de coisas diferentes, não é como as outras mulheres, e... sem querer ofender, você é estranha. - Está me chamando de esquisita? – ela indagou. - Sem querer ofender. – ele sorriu. - Pare de dizer ‘sem querer ofender’ em coisas que ofendem. – ela disse.- Você não ganha anulação obrigatória. Ele sorriu por um segundo. - Ficou brava? – perguntou, e sorriu. - Não. – disse. – Não brava. - Viu, por isso também. – ele disse. – Você é diferente das outras mulheres. Ela aproximou-se dele por um segundo, brevemente. - Como elas são? – perguntou. – As outras mulheres? Quando ficam bravas? Ele suspirou. - Bom, elas ficam irritadas. Não falam mais com a gente. Cruzam os braços e vão embora com as amigas. – ele disse. - E você faz o quê? – ela perguntou. – Quero torta de limão. - Compro flores, claro. – ele disse, ignorando o pedido da torta. - Nossa. – ela disse. – Flores. - É, bom... flores. – ele disse. – Depende do momento. Elas não fazem como você, se a gente fala com elas assim, ficam bravas de novo, e são mais flores. Giovanna arqueou a sobrancelha. - Nossa. – ela repetiu. – Peça minha torta. Nero sorriu novamente, ele gostava do jeito dela. Pediu duas fatias de torta de limão e dois cafés, e seguiu Giovanna em uma das mesas. - Você é diferente, dona Giovanna. – disse, e sentou-se. - Você é estranho. – ela disse. – Fala de flores frescas. Ele corou por um segundo. - Viu só? É isso. Você fala coisas inteligentes, pensa coisas inteligentes. – ele disse. - Você não gosta do jeito que eu falo? – ela perguntou, e a garçonete serviu as tortas. – Obrigada. Ele tomou um gole do café. - Gosto. – ele disse. – Você é só diferente. É como uma comida apimentada que nunca provamos antes. Da Tailândia. Ela sorriu e franziu a testa. - Isso é bom. – ela disse. – Sempre gostei de torta. - Pensei que gostasse de chocolate. – ele disse. - Sim, mas quando eu como torta penso que poderia fazer aquilo em casa, se tivesse tempo, paciência e talento. Chocolate não. – ela sorriu. Ele sorriu também, e foi pegar um guardanapo. No momento em que passou a mão para o outro lado da mesa, os dedos dos dois tocaram-se por um segundo. Giovanna levantou os olhos para ele, e viu-se enquadrada em suas íris escuras, que pareciam ler sua mente, saber tudo o que ela queria seus mais primitivos desejos. - Acho que preciso ir. – ela disse. Nero também comeu a última garfada de sua torta. -Eu te levo. – ele disse. - Estou com carro. – ela respondeu. – Mas obrigada. Nero pagou, antes que ela pudesse fazer a objeção, e os dois caminharam pela rua, que ventava. Quando passaram novamente pela livraria, ele entrou rapidamente e comprou alguma coisa, logo saindo. Giovanna não perguntou. Já estava escurecendo quando voltaram para os carros. - Tchau. – ele disse. - Tchau. – ela respondeu. – Até amanhã. Ele deu a sacola da livraria para ela, Giovanna arqueou uma sobrancelha. - Pegue. – ele disse. – É um presente. E antes que ela pudesse recuar, ele saiu e foi para seu carro. Ela jogou a sacola no banco lateral e dirigiu, com o pensamento vazio, até estar longe dele. Só então pegou o livro, era grande, de capa dura. Ela soltou um suspiro, e sentiu a emoção em seu peito. ‘1001 receitas de torta’
Giovanna chegou em casa exausta, e já era tarde, Leo havia posto as crianças para dormir e estava sentado no sofá, lendo um livro. - Oi. – ela disse, ao fechar a porta. Ele terminou de ler o parágrafo antes de olhá-la, e abriu um pequeno sorriso, dobrando a ponta do livro e colocando-o sobre a mesinha de vidro. Giovanna soltou um suspiro e colocou sua bolsa sobre a poltrona, mexendo nos cabelos brevemente. Ela sentou-se ao lado de Leo e aninhou-se no sofá. Ele fez um breve carinho em seus cabelos. - Como foi o workshop? – ele perguntou. Ela sentiu a culpa sobrecair sobre seus ombros por um segundo, mas depois notou que não havia motivo para aquilo. Ela e Nero não haviam feito nada de errado, apenas alguns olhares mal colocados, presentes fora de hora. - Chato. – ela sorriu. – O assunto é legal, mas você sabe... - Você odeia workshops. – ele completou, e sorriu. Giovanna assentiu, sentindo-se culpada novamente. Leo era um marido incrível, apesar de tudo. Podia não satisfazê-la em alguns quesitos, como o quesito ‘sexo’, ela pensou, mas ele era um bom pai, um bom homem. - Sim. – ela disse. – Tráfico de pessoas é um assunto muito legal. Bem a cara da Glória. Leo assentiu, ele conhecia a autora da novela, já haviam jantado juntos, os três, algumas vezes. - Ela não deu seu nome pra um cachorro? – ele indagou, sorrindo. - Giovanna? – ela perguntou, e arqueou uma sobrancelha. - Jade. – ele disse, e sorriu. Giovanna consentiu com a cabeça, e os dois conversaram um pouco sobre o novo papel dela, Helô. - Amanhã tem reunião para caracterização do personagem. – ela disse, empolgada. – É a parte que eu mais gosto. - Morro de medo que resolvam deixar você careca, ou ruiva. – ele brincou, rindo. - O que é, não gostaria de meus cabelos vermelhos? – ela brincou novamente, e jogou os cabelos castanhos e lisos sobre o rosto dele, rindo. Leo agarrou-a pela cintura e cheirou seu pescoço, e ela riu. - Ai, Leo! – gritou, rindo. – Para! Ele riu e continuou brincando, fazendo cócegas em sua barriga. Giovanna começou a rir alto. - Eu amaria você de qualquer jeito, minha ruiva. – ele riu. Giovanna abriu outro sorriso e deu um selinho em seus lábios, tinha gosto de caramelo. - Hum, caramelo. – ela lambeu os lábios. – Imagino que do parque. Como foi? Leo riu. - Vai me matar se eu disser que deixei o Pietro comer duas maçãs do amor? – ele indagou. Giovanna fez uma cara de brava - Leonardo Nogueira, como ousa entupir meu filho com esses doces? – ela riu. Ele deu outro selinho nela. - Nosso filho. – ele corrigiu. – Eu amo o Pietro como meu filho. Ele sorriu, e aconchegou-se em seu peito. - Eu sei, ele te ama também. – ela disse. – Mas, Leo... - Ele tem pai, eu sei. –ele sorriu. – Não quero pegar o lugar do pai dele. Giovanna sorriu novamente, sentindo uma breve emoção aflorar-se em seu peito. Leo era bom, era seguro. Ela pensava naquilo todos os dias. - Eu te amo. – ele disse. Ele olhou-o por um segundo, e olhou para a embalagem plástica ao lado da porta, o livro de tortas. - Eu também. – ela disse. – Também te amo. Ele sorriu. - Que tal eu abrir um vinhozinho? – ele sussurrou. – Você escolhe um daqueles filmes... e a gente vê no quarto. Ela consentiu, e ele deu um último sorriso e um selinho nela antes de ir para a cozinha. Giovanna ajoelhou-se no armário da televisão e procurou pelos filmes. Haviam muitos livros misturados com eles, que ela leu na faculdade, e alguns que havia comprado há pouco tempo. Ela puxou um dos seus filmes preferidos, O Elevador Desce, e sua mão reteve-se em um dos livros, grosso e de capa azul. Ela puxou-o e admirou-o por um momento. O mundo de Sofia. Uma enxurrada de pensamentos tomou sua mente, lembrando-se de quando leu o livro, e depois de Nero, dizendo quanto o apreciava. Sem Leo ver, ela pegou-o, junto com o filme, e levou-o para o quarto. Alguns minutos depois, Leo chegou, segurava as taças em uma mão, e em seu braço estava a bolsa de Giovanna e a sacola com o livro que Nero lhe deu. Giovanna engoliu em seco, mas disfarçou o nervosismo e bebericou seu vinho, sentindo o gosto aveludado descer por sua garganta. - 1001 receitas de torta. – Leo leu. – Não sabia que gostava de cozinhar. - Eu odeio cozinhar, Leo. – ela disse. Ele fitou-a por um minuto. - Então por que comprou o livro? – ele indagou, e abriu em uma das páginas. – Isso parece delicioso. - Não comprei. – ela disse, e tomou outro gole. – Ganhei. Ele arqueou as sobrancelhas. - Quem te daria um livro de culinária em um workshop de tráfico? – indagou, com um sorriso irônico nos lábios. Giovanna fingiu um sorriso também, e pegou o livro da mão do marido. - De um amigo. – ela disse, ele relanceou um brilho de ciúmes. – Ei, é só um amigo, meu parceiro nessa novela. Alexandre Nero, conhece? - O cantor? – ele disse, com os lábios franzidos. Giovanna arqueou uma sobrancelha. - Você conhece? – ela perguntou, espantada. - Ouvi falar. – ele disse. – Tem a maior fama de galinha. Não quero você com esse homem. Ela revirou os olhos. - Já me contaram isso. – ela rebateu. – E, além disso, já conversamos sobre esse papo de ciúmes das minhas novelas. Ele suspirou. - Tudo bem, desculpa, sei que você é uma atriz, e blá. – ele sorriu. Ela virou-se. – Ei, Gio. Ela ficou virada na cama, e depois sentiu quando ele sentou no colchão. - Desculpa, vai. – ele disse. - Peça desculpas. – ela disse. - Eu acabei de pedir! – ele sorriu. Ela virou-se, e encarou-o. - Você sabe como são as minhas desculpas. – ela falou. Ele suspirou, e saiu da cama, sentando-se na borda da mesma, e pegou um dos pés de Giovanna, massageando-o. - Está desculpado. – ela sorriu, bebericando o vinho. - Posso parar de pegar no seu pé feio? – ele perguntou. Ela olhou-o. - Que audácia! – brincou. – Meu pé não é feio! - É sim, tenho pesadelos com os seus pés. – ele brincou. Giovanna pisou na cara dele, e Leo soltou uma risada, deitando ao lado dela. Eles deram outro selinho, com gosto de vinho, e ele colocou o DVD na televisão e apagou as luzes. Leo dormiu na metade do filme, e Giovanna não assistiu nada. Sua mente rodava os acontecimentos do dia, e não parava de focar-se naquele homem, o único que ela não deveria pensar. Alexandre. Ela se viu sussurrando o nome dele, e fechou os olhos por um minuto. Acalme-se, pensou, é normal amigos pensarem um no outro. Ela suspirou novamente, e colocou a taça de vinho sobre a cômoda. Preciso dormir, pensou, estou ficando louca. Com um último suspiro, ela desligou a televisão e dormiu. Pela manhã, Giovanna despertou com o seu celular. Leo ainda não havia acordado, mas ela precisava chegar mais cedo no Projac do que ele. Ela vestiu-se rapidamente e trançou os cabelos nas costas, notando que estavam mais compridos do que nunca, roçando a cintura. Antes de sair, pegou sua bolsa e olhou de relance para o livro sobre a cabeceira, soltando um suspiro antes de pegá-lo e enfiá-lo na bolsa. Seria errado dar presentes para alguém que você conhece há menos de dois dias? Dane-se, ela pensou. Afinal, ele era apenas um amigo. Apenas. Um. Amigo. Giovanna bufou e prendeu a bolsa no ombro, passando no quarto dos filhos antes e dando-lhes um beijo na bochecha. Antonia e Sofia dormiam de mãos dadas, e ela abriu um sorriso. - Tchau, amorinhos. – ela sussurrou. Antes que as crianças acordassem, Giovanna pegou uma barra de cereais e colocou-a na bolsa, depois desceu os elevadores até o estacionamento, rumando para o Projac. Chegando lá, boa parte do grupo de produção não estava, mas ela encontrou Marcos, de costas. - Oi. – ela disse, e deu um beijo em sua bochecha. – Onde está todo mundo? - Figurinistas, designers, tantas coisas, querida! – ele sorriu. – Vamos, venha. Ela seguiu-o até uma das salas de figuração, e lá estava um verdadeiro salão de beleza, havia cerca de dez atores ali, e no mínimo cinco secadores ligados. Um dos cabeleireiros chegou ao lado de Giovanna. - Querida, você é fa-bu-lo-as! – ele disse. – Sente aqui que vou te deixar uma delegada de primeira! Ela sorriu. Adorava os figurinistas do Projac. Marcos analisava seu cabelo. - Acho que temos que deixar ela com um visual poderoso, um verdadeiro cabelão, de mulher segura. – ele disse. - O cabelo dela é lindo. – o homem disse,com uma tesoura. – Mas muito mocinha pra uma delegada. Marcos concordou, e saiu de perto de Giovanna por um minuto, que suspirou e pegou na ponta do seu cabelo longo. Ela gostava do seu cabelo como estava, mesmo que adorasse mudar sempre. - Venha aqui, querida! – o homem chamou. – Escolhi o visual per-fei-to pra você! Ela sorriu e sentou-se, ele imediatamente começou a lavar seus cabelos. - Vai cortar muito? – ela perguntou. - Quase nada. –ele disse. Ela consentiu, e ele secou seus cabelos. Giovanna fechou os olhos ao sentir as mechas caindo sobre seus ombros. Tchau, tchau, cabelo, ela pensou. Abriu os olhos novamente e notou que ele realmente não havia cortado muito, e os cabelos chegavam na metade das costas. - Vou colocar um aplique em você. – ele disse. – E vamos cachear essas belezas! - Cachear? – Giovanna disse, perplexa. - Você vai a-mar. – ele disse. Acho que vou o-diar, ela pensou, mas não disse nada. Ele pintou seus cabelos em um tom mais claro, quase mel, com mechas castanho escuras, e Giovanna suspirou. Depois, ele usou o babyliss. - Abra os olhos, querida. –disse. – Nasce uma delegada! Giovanna abriu os olhos e soltou um suspiro perplexo ao ver-se no espelho. Os cabelos estavam mesmo lindos, longos e cacheados. Ela tocou em dos cachos cor de mel. - Ficou lindo! – ela disse. - Pra ficar assim sempre, é só passar babyliss. – ele disse. – Deixei sua franja mais comprida, e com uns bobes ela fica di-vi-na. - Obrigada! – ela sorriu. Escutou a porta abrindo. - Nanda, eu... – Nero disse. Ele parou os olhos em Giovanna, e ela viu sua expressão perplexa, mas não sabia como defini-la e sentiu-se simplesmente corando. Nero desviou os olhos e falou com a menina, Nanda Costa, que ostentava uma juba cacheada. - O Marcos está te chamando. – ele disse. Ela assentiu, e depois ele voltou os olhos para Giovanna. Ela sorriu com a boca fechada e pegou a bolsa, agradecendo novamente e saindo. - Você está... uau! – ele disse. Ela sorriu. - Vou interpretar como elogio. – ela disse, sorrindo. Os dois caminharam juntos, mesmo que não tivessem planejado aquilo, e sentaram-se ao mesmo tempo em uma das cadeiras da lanchonete. - Pra você. – ela disse. Ele levantou os olhos, ainda admirava-a. Era linda, ele pensou, observando cada movimento, o modo como piscava, como seu pescoço delineava-se sobre a blusa, o formato do seu rosto. - Nero. – ela disse. Ele olhou-a. - Oi? – disse. Ela sorriu, e ele só então notou o livro em suas mãos, e não conseguiu evitar um sorriso. Pegou O Mundo de Sofia nas mãos e abriu-o. - Blancos e Neros. – ele leu em voz alta. – Branco e preto. Ela sorriu. Não havia pensado em nenhuma dedicatória melhor. - Eu só queria agradecer... por ontem. – ela disse. Ele sorriu e fitou-a por mais um segundo, até que Giovanna sentiu-se desconfortável e desviou o olhar. - Eu... vou para a Produção. –ela disse. – Acho que... preciso ajeitar algumas coisas... Ela ia passar por ele quando sentiu seu toque no pulso dela. Giovanna prendeu a respiração. - Ei. – ele disse. – Obrigado. Mesmo. Ela sorriu novamente, envergonhada, e ele levantou-se. - Você está tensa. – ele disse. Ela desviou o olhar. Sentiu quando ele se aproximou, e sua mente dizia que deveria recuar, mas não o fez. Soltou um arquejo quando sentiu que ele a abraçava, seu corpo quente colado ao dela. Não sentiu mais nada. - Nero... – ela suspirou, sem ar articulado. - Amigos se abraçam. – ele disse. – Certo? Antes que ela pudesse responder que não, amigos não se abraçavam, não daquele modo, ele virou-se e saiu, sem olhar para trás.
Giovanna soltou um suspiro e sentiu os cabelos quentes batendo-lhe nas costas, não sabia se iria se acostumar com aqueles cachos, mas estava adorando-os. Ela sorriu e pediu um suco, bebericando-o enquanto olhava para o caminho que Nero seguiu até a sala de produção. Ela teria que ir para lá depois, pegar o roteiro dos ensaios, que começariam na outra semana. Ela levantou-se rapidamente e caminhou até a sala, seu estômago contorcia-se com a expectativa que Nero ainda estivesse ali. Quando ela abriu a porta, viu que ele dirigiu o olhar para ela, a expressão branda. Ele fitou-a por um longo tempo. - Gio! – Marcos disse. – Está encantadora! Ela sorriu e aproximou-se. - O que achou, Alexandre? – Marcos brincou. - Acho que ela está linda. – ele disse, em tom de brincadeira, mas seus olhos estavam cravados nos dela. Eles fitaram-se por um segundo e Giovanna aproximou-se mais, debruçando-se sobre a mesa de modo que pudesse ver os papéis onde Marcos escrevia. - Chega pro lado. – Nero brincou, e empurrou-a pelo ombro. Ela sorriu e ele abaixou-se também, tocando o ombro no dela, o que a deixou surpresa e chocada, mas não afastou o ombro, por mais que soubesse que deveria fazê-lo. Ele ficou lá, Marcos falava, mas ela simplesmente ignorou tudo que ele disse, atenta ao toque do homem ao seu lado, no fim, ele entregou os papéis e Nero guiou-a para fora da sala, com a mão em seu ombro, que a deixou estática. Quando passaram pela porta, sentiu sua respiração em seu ouvido. - Não estava brincando. – ele disse. – Você está linda. Ela parou por um momento, estática, mas não olhou para ele. Depois de um segundo, virou-se. - Obrigada. – ela disse, sem qualquer outra resposta. Ele sorriu, e logo quebrou o gelo, notando o clima tenso. - E aí? – ele sorriu. – Preparada pra ser delegada? Ela suspirou. - A Helô ainda é um desafio pra mim. – ela riu. – E o seu Stenio? - Vai ser corno. – ele riu. – Sempre tem um corno nas novelas. - Ei, minha Helô é uma mulher muito boa, tá? – ela riu. - Algum de nós dois vai ser corno. – ele sorriu. – Mas aposto que vão ficar juntos no fim. Ela riu, ele também. Os dois caminharam juntos pelo Projac, vendo as pessoas passarem, apressadas. - Está aqui há muito tempo? – ele perguntou. - Mais do que eu lembro. – ela riu. – Eu entrei criança. Ele sorriu. - Eu era seu fã como Jade. – ele admitiu. – Não perdia um capítulo. Ela riu, surpresa. - Você? Sério? – ela riu mais alto. Ele tocou em sua mão, um gesto casual, mas ela percorreu seu braço com os olhos. - Sim. – ele disse. – Era um cantor de merda naquela época, tinha uma banda. – ele riu. – Mas nunca deu certo. - Não consigo te imaginar em uma banda. – ela admitiu. - Por que sou chato demais para ficar em grupo? – ele perguntou. - Não diria chato. – ela sorriu. Eles chegaram em uma das porteiras, e ele olhou para ela, estendendo a mão, de modo que ela pensou que ele iria tocar em seu rosto, mas ele apenas afastou um pouco do seu cabelo do rosto. - Diria o quê? – ele perguntou. - Fascinante... – ela passou os olhos por seu peito. – Exótico. Ele sorriu. - Vou considerar como elogio. – ele riu. Ela olhou-o e arqueou uma sobrancelha. - Eu não faria isso se fosse você. Ele sorriu, e aproximou-se um passo, de modo que Giovanna sentiu-se prendendo a respiração. Não, ela pensou, você não está esperando que ele te beije! Mesmo que sua mente gritasse em protesto, ela não conseguia se mexer, e ficou parada, enquanto o homem à sua frente aproximava-se
Giovanna notou que estava há muito tempo na cama, e Leo já estava soltando suspiros de fim de sono, em pouco tempo iria despertar. Ela suspirou novamente e olhou para ele, virado de costas na cama, com metade de uma perna saindo pela coberta. - Ah, Leo... – murmurou. Ele soltou um gemido e ela saiu da cama, calçando suas pantufas e caminhando até o closet, passando a mão pelos cabelos. Ainda não tinha se acostumado com os cachos, mas havia gostado muito deles. Ela vestiu-se sem pressa, sem querer admitir que estivesse escolhendo algo bonito para usar na casa de Nero. Por fim, optou por uma calça jeans justa e uma blusa solta, com botões. - Bom dia. – escutou, nas suas costas. Leo olhava-a pelo reflexo do espelho, e ela fez o mesmo. Deu um selinho nele, e correu as unhas pelo seu pescoço. - Bom dia. – ela respondeu. – Acordou cedo. Ele consentiu, e pegou a escova modeladora que ela passava nos cabelos. Giovanna abriu o rímel enquanto Leo passava a escova na parte de trás dos seus cabelos longos, ajeitando os cachos. - Obrigada. – ela disse. Ele sorriu. - Tenho reunião hoje. – ele disse. – Quer carona? Ela negou brevemente com a cabeça. - Não estou indo para o Projac. – ela disse. Leo não falou nada por alguns instantes, obviamente pensando que ela iria concluir a frase. Quando notou que ela não intencionava, perguntou: - Está indo pra onde? - Ensaio. – ela disse breve. Não era necessariamente uma mentira. Por sorte, Leo não perguntou mais nada, e ela também não sentiu necessidade de dar mais detalhes. Leo entrou no banheiro e Giovanna ouviu o chuveiro sendo ligado. Ela suspirou novamente e enrolou um bobe na franja, separando alguns roteiros enquanto isso. Escutou Leo saindo do banho, e colocou tudo dentro de uma de suas bolsas, saindo do quarto. Pietro assistia televisão na sala, com um pote de cereal nas mãos. - Bom dia, Pê. – ela disse, e deu um beijo na bochecha dele. Pietro retribuiu o beijo, mas não respondeu, e Giovanna foi para a cozinha, servindo-se de uma xícara de café e uma barrinha de granola. Estava de dieta há algumas semanas, por conta da personagem, além dos treinos de preparo físico e porte de arma. - Vai trabalhar mãe? – Pietro perguntou, sem olhar para ela. - Sim. – Giovanna disse. – Tchau, meu amor. Pietro soltou um beijo para ela e Giovanna sorriu, saindo pela porta da frente e pegando a chave. Ela desceu o elevador e chegou ao estacionamento, pegando seu carro. Ela dirigiu pela Barra, mas sua mente pensava em Nero, em Leo, em tudo que estava cercando sua vida nos últimos tempos. Por fim, chegou ao bairro que Nero descrevera e procurou pelo número do prédio. Não demorou em encontrar, era um prédio grande, em uma área tranquila e arborizada. Ela estacionou o carro fora e saiu. - Olá. – disse para o porteiro. – O andar do Alexandre Nero? O porteiro olhou-a pela guarita. - A senhora, quem é? – ele indagou. - Giovanna. Ele está me esperando. – ela disse. O porteiro discou o número de Alexandre, sem tirar os olhos de Giovanna, e trocou algumas palavras. - Quinto andar, quarto cento e trinta. – ele disse. Giovanna agradeceu com um sorriso e fechou o portão, caminhando pela alameda com arbustos. Ela deu a volta no prédio e viu uma piscina grande, com poucas pessoas dentro, e um pátio. Ela procurou por um elevador e não demorou em encontrar. Em poucos segundos, estava no andar indicado. A porta de Nero era um retalho de madeiras de diversas cores, vidros e imagens. Ela adorou, e tocou a campainha rapidamente. Em poucos segundos, ele abriu a porta, e Giovanna viu-se sem fôlego. - Você veio. – ele disse, com um sorriso. Ela ficou estática, parada na frente da porta, sem conseguir esconder a admiração. Nero estava só de toalha. - Ah... – ela começou, envergonhada. – Não cheguei em boa hora. Os cabelos dele estavam molhados, e evidentemente havia acabado de sair do banho. Ele exibia seu peito, parcialmente molhado também, e ela notou que não conseguia parar de olhar. - Não, chegou sim. – ele sorriu. – Entre. E ela se viu entrando, em um apartamento todo decorado com estampas parecidas com a da porta, seguindo Nero, analisando seu corpo de costas. Ela corou feliz por notar que ele não podia vê-la. Notou os dois sofás claros, com almofadas, e as tapeçarias penduradas nas paredes, além de uma longa escada. Muitas plantas decoravam o ambiente, e havia uma varanda bonita ali. - Sua casa é linda. – ela disse. - Obrigado. – ele sorriu. – Tentei fazer tudo do meu jeito, isso você pode nota pela desordem. Ela sorriu também, e abaixou-se ao sentir algo em suas pernas. Um cachorro. - Nossa! – ela sorriu. – E esse? - Essa. – ele sorriu. – Marina. Giovanna sorriu, e abaixou-a para acariciar a cabeça da cadelinha. - Tenho dois gatos. – ele apontou para a escada, e Giovanna viu dois gatos, um amarelo e outra cinza, descansando. - Heathcliff e Catherine. – ele disse. Giovanna arqueou uma sobrancelha e sorriu. Ainda evitava olhar para ele. - Li O Morro dos Ventos Uivantes na oitava série. – ela sorriu. Ele sorriu também, e virou-se, de modo que ela não pode deixar de vê-lo. Seus olhos enquadraram-na por completo, e ela se viu presa a eles. - Sempre fui apaixonado pela história. – ele aproximou-se um pouco, e ela se esqueceu de como respirar quando ele tocou na bochecha. A primeira vez que a tocava. – Sempre achei uma história de amor... Fascinante. Giovanna fechou os olhos por um segundo, mas a mão dele afastou-se rapidamente, e ela corou. Lembrou-se de como o descrevera certo dia, ‘fascinante’. Ele certamente lembrava. - Bom, quer um café, água...? – ele perguntou. - Você vestido. – ela disse, sem nem perceber, e disfarçou com um sorriso. Ele sorriu também. - Estava tomando banho. – ele sorriu. – Vou ter que fazer você esperar enquanto termino. Ela sorriu também, e admirou-o por mais um segundo. Corou ao notar que queria que ele tirasse aquela toalha. ‘Pare com isso’, sua mente gritou. - Tudo bem. – ela disse. – Eu me viro. Ele consentiu e caminhou até uma das portas de correr, Giovanna ouviu uma porta sendo encostada e depois o chuveiro sendo ligado. Ela suspirou e olhou pela casa, tentando impedir-se de pensar nele, mesmo que tudo ali o remetesse. Ela olhou por cima da mesa, havia uma quantidade infinita de papéis sobre ela, e uma xícara vazia de café. Giovanna sorriu e sentou-se na cadeira, olhando para as folhas. A maioria era de composições e partituras, e ela leu algumas, notando as letras que a faziam sorrir. Depois encontrou poemas, pedaços de livros, algumas folhas amassadas com escritas, até que uma chamou sua atenção. Beije-a Toque-a Ame-a Ela tanto o quer quanto pensa Então por que não para de pensar? Giovanna arqueou uma sobrancelha, e notou que sua mente pensava no pequeno poema, tentando decorá-lo. Ela virou a folha, e encontrou algo preso nela. Uma trancinha de cabelo amarrado em uma fita. Giovanna arquejou ao notar que era o seu cabelo, o mesmo que havia cortado há alguns meses. Ela ficou confusa por um segundo, e tocou a mecha. Nero havia pegado seu cabelo no salão, e ele estava preso atrás de uma folha com um poema indagador. Aquilo não podia significar nada, e podia nem ser o seu cabelo, mas ela suspirou, encostando-se na cadeira. Giovanna pensou naquilo por alguns segundos, até que foi impedida pelo som de algo caindo no chão, abafado, e depois um grito baixo, de dor. Sem nem pensar, ela correu até o banheiro.
Giovanna abriu a porta de correr rapidamente, e logo viu um escritório meio desorganizado, com dezenas de papéis espalhados pelas mesas, meio que dando lugar à um computador com a tela acesa. No canto, ao lado da janela da varanda, um violão estava em pé. Do outro lado, várias estantes carregavam centenas de livros. Mas ela nem se importou. - Alexandre? – seu coração batia pela boca. Ela não escutou mais a voz dele, depois do grito. Notou que o chamou de Alexandre pela primeira vez. Sem pensar, impulsionada totalmente pela preocupação, Giovanna arremeteu-se contra a porta e puxou a maçaneta, ela não esperava que a porta estivesse apenas encostada, e a força que usou para a abri-la a fez cair estatelada. De cara no chão. Só nesse momento percebeu que o chuveiro ainda estava ligado, e só então viu Nero, totalmente nu e molhado, puxar a cortina do boxe, quase arrancando-a do varão. O corpo dele era firme, e a cortina estava tão molhada que, mesmo sem poder ver sua pele, ela pode distinguir os contornos sob sua pele, e, com a preocupação totalmente fora do seu corpo, ela não conseguiu deixar de olhar para ele. ‘Meu Deus’, sua mente pensou, ‘que homem dotado’. A imagem dele nu rodava sua mente, e ela sentiu um misto de calor e vergonha percorrer-lhe o corpo. Quando finalmente teve coragem de levantar a cabeça, viu que ele ainda olhava-a com uma expressão espantada. Ele olhou para Giovanna, caída sobre os ladrilhos do chão, e ela olhou para ele, nu em pelo, ainda segurando a cortina do boxe. - Eu... – Giovanna tentou. – Eu ouvi você gritando e pensei... – O que ela tinha pensado? Um assassino com machado? Um serial killer? Um acidente? Ela não tinha incluído nada em seus pensamentos. Sua única preocupação tinha sido Nero. - Você invadiu o banheiro... – ele disse, incrédulo. - Eu sei. – ela disse, incapaz de continuar, incapaz de despregar os olhos do corpo dele. - Mas... – ele começou novamente, arqueando as sobrancelhas. - Eu sei. – ela repetiu. Sentiu uma leve dor no ombro, por ter caído com ele no chão, e a leve dor a trouxe de volta á realidade. - Você está sem roupa. – Jesus! Tinha mesmo dito aquilo? - Eu sei, costumo tomar banho assim. O rosto dela começou a arder. Ele não parecia nem um pouco preocupado com a falta de roupas, então Giovanna achou que não devia se preocupar, mesmo que não conseguisse parar de olhá-lo, admirar seu ‘tamanho’ e compará-lo mentalmente com Leo. Ela virou as costas para ele, um movimento inútil, pois não a impedia de ver sua nudez. O espelho pendurado na pia baixa a deixava com uma visão privilegiada. Uma visão totalmente incrível, deveria dizer. Ela já tinha visto homens nus antes, mas ele era definitivamente melhor, e, meu deus, estava totalmente molhado, com nada cobrindo-o. Então ela percebeu que, enquanto admirava a vista, ele observava a admiração dela. Os olhos dele, através do reflexo, estavam fixos nela. Ela sentiu o rosto arder novamente e olhou para baixo, ao mesmo tempo que ele pegava a toalha. - Eu... escutei você gritando e fiquei assustada. – ela disse. - É. – ele começou a explicar. – Bati o nariz no batente da pia quando me abaixei. Ela olhou pelo espelho para verificar o rosto dele. - Machucou muito? – ela perguntou. - Só sangrou um pouco. – ele disse. Com a toalha presa ao redor da cintura, escondendo o que Giovanna estava vendo até aquele momento, ele abaixou-se e pegou o jeans. - Vou colocar o jeans, então talvez queira olhar para o chão novamente... Ela fez exatamente aquilo, e enrubesceu novamente. Só quando viu o zíper subindo que olhou para cima. Ele estava mais perto dela, quase sobre ela, com a mão estendida para ajudá-la a se levantar. - Você está bem? – ele perguntou. Ela massageou o ombro. - Sim. – respondeu, corada. Nero olhou para ela por um minuto, e ela não conseguiu evitar fixar o olhar em seu peito, onde pequenas gotículas de água ainda escorriam. Giovanna corou novamente ao perceber que queria secá-lo. Não necessariamente com a toalha. Ele tocou-a na lateral da cintura descoberta, levando-a para fora do banheiro. Seu toque era quente e úmido. Um formigamento percorreu seu corpo, e seu olhar enquadrou-se nos ombros dele. Ela sentiu vontade de beijá-lo. - Desculpe. – ela disse, por fim, em um sussurro. Ele sorriu, e ela prendeu a respiração. - Tudo bem. – ele disse o sorriso que não sumia do seu rosto. – Seu ombro está doendo? Mas a imagem de Nero pelado não conseguia parar de correr pela mente dele, e sua parte mais indecente ficou feliz por finalmente ter algo para compor seus pensamentos mais quentes sobre ele. Ela castigou-se por isso. E de repente pensou que ele poderia tê-la chamado em sua casa por causa disso. Como Fernanda disse, ele poderia estar querendo apenas seduzi-la, e ela caíra. - Não... Só bati um pouco. –ela disse. – Eu estava... Na mesa, quando ouvi você gritar. Mas logo ela corou novamente, pois ele saberia que ela estava lendo seus papéis. - Ah. – ele sorriu. – Mas está tudo bem. Ele tocou-a novamente, no braço, e ela sentiu o formigamento voltar. - Pare. – ela sussurrou, afastando-se dele. Ela tentou evitar olhar, mas seu peito era muito tentador. - Gio... – ele perguntou, afastando os cabelos dela dos ombros. Ela abriu os olhos de repente, e empurrou-o fraco. - É tudo uma questão de sexo, né? – ela disse, irritada. - O quê? – ele perguntou confuso. Giovanna soltou um gemido fraco, sem nem saber se ele havia escutado ou não. - Não, Nero. – ela resmungou. – Pare com isso, por favor. Eles ficaram em silêncio por um segundo, e Giovanna olhava para baixo. - Te chamei aqui por um motivo. – ele disse, e ela teve a impressão de que ele não se referia aos ensaios. Mas ele não disse o motivo, e começou a subir as escadas. Giovanna admirou suas costas e caminhou atrás dele. As escadas deram em uma sala grande de televisão, ao lado de um corredor com várias portas. Ele entrou na última, obviamente seu quarto. A cama era grande, com edredons azuis. Ele tirou uma camiseta azul marinho do armário, e segurou-a rente ao peito forte. Ela pensou que ele estava demorando a se vestir porque sabia que ela estava gostando de admirar seu corpo. Ele parou mais perto dela. - Giovanna... – ele disse. Concentre-se, pare de pensar no corpo dele. - Nero... – ela suspirou. – Eu... Eu não sei por que vim, na verdade. Nos últimos meses, tem tanta coisa estranha acontecendo comigo, e eu não sei realmente o que pensar. Ela não sabia se ele entenderia, mas ele pareceu entender. Sem aviso, ele puxou-a em seu encontro e pressionou-a em seu corpo, no primeiro abraço que eles trocavam. Ela sentiu seus seios roçando no peito dele, e notou que não queria que aquele abraço terminasse, mas por fim, ele se afastou, com um olhar similar ao dela. - A resposta é sim. – ele disse. - Eu... Eu não tenho muita certeza de qual foi a pergunta. – Giovanna disse, inebriada por seu toque. - A última coisa que você disse agora foi se eu queria sexo. Quero deixar bem claro. Eu quero você. Quero tanto que às vezes não consigo pensar em outra coisa, nos últimos dois meses. Em algumas noites eu acordo e estou tão... – ele deixou a frase incompleta e suspirou – O que estou querendo dizer é que, embora eu te queira tanto, a última coisa que eu faria é pressionar você à isso, sabendo que é errado. Giovanna sentiu que poderia cair, mas ele segurou-a pelos ombros, e ela manteve-se estática, admirando os olhos dele, cada palavra rodando sua mente. Como ele havia sido sincero, ela decidiu que deveria ser. - Eu te quero. – Ela pousou a mão no peito dele, e era tão bom tocar seu peito nu... A tentação de pedir que ele fosse em frente, que a levasse para cama e transasse com ela, era quase irresistível. No entanto, algo a detinha. – Eu não posso. – ela tirou a mão do peito dele. – Eu não posso. Ela fitou o peito dele, com receio de que, se o olhasse nos olhos, ela ficaria mais corada. Infelizmente, ele ergueu a mão e inclinou a cabeça dela para trás, forçando-a a olhar pra ele. - Eu sei. – ele disse. – Sei que você tem seu marido. – ele sussurrou. – Mas quero que você saiba uma coisa. Você é uma mulher amorosa, divertida e linda. E generosa com todos, todo mundo gosta de você. E é muito corajosa. Eu admiro quem tem coragem. - Ah... – ela soltou um gemido fraco, inclinando a cabeça. – Mas... - Não. – ele disse. – Não estou dizendo isso pra convencê-la a fazer sexo comigo, só quero que... Que você veja como é especial. Queria que você pudesse ver através dos meus olhos. As lágrimas arderam nos olhos de Giovanna e ela passou os braços ao redor dos dele, e pressionou o rosto contra o peito quente, que exalava sabonete e umidade. - Você que é especial. –ela disse. - Nada disso. – ele respondeu, e riu. – Se eu fosse tão especial não estaria pensando em como fazê-la mudar de ideia e transar comigo agora mesmo. Então vamos sair do quarto antes que eu decida te arrastar pra minha cama. Ela riu e olhou nos olhos dele. Ele sorriu e deslizou a mão por baixo da blusa dela, pelas costas nuas, e enlaçou-as atrás de sua cintura. - Essa coisa de invadir o banheiro foi bem excitante... – ele disse. - E não o fato de você estar nu? – ela disse, e logo arrependeu-se. - Não, definitivamente foi a invasão. – ele sorriu. – Agora, se você estivesse nua... - ele expirou com força – Ok, é melhor a gente parar de falar nisso. Ela deixou que ele o levasse até a sala, ele olhou para o sofá e depois de volta para ela. - Quase tão arriscado quanto a cama... – ele suspirou. Ela riu e ele a puxou para a varanda. Ela sentou-se de costas para a parede, onde o sol batia em seus cabelos. Ele sentou-se ao seu lado, com o joelho tocando o dela. Ela deitou a cabeça em seu ombro. - Obrigada. – suspirou. Ele levantou o braço e passou-o ao redor de seu ombro, estreitando-a em um abraço. - De nada. Nenhum deles disse nada por alguns minutos. Ela ficou sentada ali, ao lado dele, absorvendo a sensação de tê-lo ao seu lado. As perguntas giravam em sua mente, mas o constrangimento a impedia de formulá-las em voz alta.
Nero levantou-se por um minuto e abriu uma porta pequena, entrando na saleta. Giovanna esticou o pescoço e viu outras estantes com muitos livros e alguns CDs, e um pequeno frigobar. Ele voltou com dois copos de uísque. - Qual o sentido de ter um frigobar no segundo andar? – Giovanna perguntou, segurando o copo. Ela escutou os cubos de gelo tilintar no vidro ao mesmo tempo em que ele sentava-se novamente ao lado dela. - Beber à noite. – ele respondeu, sorrindo. – Nada mais desagradável do que descer escadas. Ela entendeu uma segunda mensagem sob aquilo. Será que ele queria dizer que mantinha bebidas ali para usá-las com as mulheres com quem dormia? Mesmo duvidando que ele fosse um galinha como Fernanda disse, tinha certeza de que ele não era um homem sozinho na cama. Não sabia como tinha certeza disso, simplesmente notava. - Vá em frente e pergunte. – ele disse, quase como se lesse os pensamentos dela. Ele bebeu um gole de seu copo. Ela levantou a cabeça no ombro dele. - Perguntar o quê? – indagou. - Seja o que for que te deixa, constrangido e curioso. – ele sorriu pelo constrangimento dela. – Só vi pelos seus olhos. Ele levou a mão direita ao rosto dela antes que ela se desse conta, e sentiu-se esmorecer por dentro quando ele depositou uma leve carícia em sua bochecha. - Você leu exatamente o que eu pensei. – ela sorriu, ao mesmo tempo que afastava a mão dele do seu rosto, com uma relutância que a matava. - Não tenho outra escolha. – ele sorriu. – Não sei como não prestar atenção em você. Ele sorriu, e como em todas as outras vezes em que estavam juntos, Giovanna sentiu-se em um conto de fada, o sol batia perfeitamente no rosto dele, e ela não conseguiu desviar o olhar. - Acho que seu nariz vai ficar um pouco inchado. – ela tocou a lateral do nariz dele. Ele envolveu a mão dela nas suas e beijou o dorso. - Então... O que está deixando você curiosa e constrangida? – ele perguntou. - Eu... – ela pensou. Não dizer poderia deixá-lo pensando mal dela, como se desconfiasse dele ou algo assim, sendo que nem tinham um caso ou algo parecido. - Pode perguntar. – ele cutucou-a no ombro. Ela hesitou, e depois despejou. - Estou curiosa pra saber quantas mulheres você já teve. Eu sei que você estava namorando... – As palavras lhe faltaram. Giovanna tinha certeza de que ele dormia com várias mulheres, e não só porque dissera algo que a fez chegar nessa conclusão, mas também pelo modo como ele a tocava. Ele franziu a testa e ela notou que ele preferia que não tivesse insistido para que ela perguntasse. - Bem... – ele começou. - Bem...? – ela repetiu. – Agora que me fez perguntar, vai ter que responder. Ele hesitou. - Algumas. - Isso é bem vago. – ela arqueou uma sobrancelha. Ele respirou fundo e depois expeliu o ar. - Tudo bem... Quinze. - Não são ‘algumas’. – ela disse. - Tem razão. – ele não negou. – É só que é estranho falar disso com você. - Eu sei. – ela respondeu. – Desculpe por ter perguntado. - Não precisa se desculpar. – ele sorriu. – Posso fazer uma pergunta? - Pode. – uma ponta de nervosismo agitou seu estômago. Ele inclinou-se sobre ela por um segundo, mas logo se recostou na parede. - Você trairia seu marido comigo?
- Você trairia seu marido comigo? A pergunta dele deixou todos os nervos dela à flor da pele. - Que tipo de pergunta é essa? - Obviamente uma bem difícil. – ele dobrou os joelhos e olhou para o copo. Algo lhe dizia que ele sabia o que ele estava sentindo e pensando, mas como ele poderia fazer isso, se nem ela conseguia? - Ele não está aqui. – Giovanna disse. Ele a olhou por cima. - Alguma hora ele vai saber. Ela sentiu o ar preso na garganta. - Não importa. – ela se esforçou a dizer. – Eu... Não gosto mais dele tanto assim. - Ele voltaria a gostar assim. – Alexandre estalou os dedos. – Não é cego nem burro. Ela balançou a cabeça. - Bom, talvez eu não queira ninguém de quem não gosto mais. Ele arqueou uma sobrancelha. - O ‘talvez’ da sua resposta me preocupa mais do que a confusão no seu rosto. Ele franziu a testa ao olhar para ela, e logo a desceu, pousando-a na sua. - Não quero te pressionar, Gio. O coração dela quase se partiu nesse momento. - Eu sei. – ela sussurrou. Ele a beijou suavemente na testa e então se recostou novamente na parede. - É melhor eu ir antes que as crianças sintam minha falta. – ela disse. Ele concordou com a cabeça e ela aceitou a mão que ele lhe oferecia para se levantar. Começaram a descer as escadas quando ele parou. - Ah, eu me esqueci. – ele disse. – Tenho uma coisa pra você. Ele correu novamente para o segundo andar e voltou em alguns segundos com um pedaço de papel. - O que é isso? – ela perguntou quando ele o passou para ela. - É um número de telefone. – ele disse. Como ele não disse mais nada, ela perguntou. - E pra quê? - Você disse que queria ensaiar mais vezes comigo. É o meu celular. – ele pausou por um segundo. – Ligue se precisar. O coração dela se apertou. - Não sei se daria certo. – ela suspirou. Ele olhou-a por um segundo. - Nós vamos atuar juntos. Precisamos treinar. – ele disse. – Apenas amigos. Por enquanto. Ela estremeceu com a última frase, e colocou o papel no bolso. - Obrigada. – disse. – Você tem razão. Ela ficou na ponta dos pés e o abraçou novamente, ele a puxou para mais perto, tão perto, que sentiu seus seios pressionando o peito dele. As mãos de Nero desceram pelas costas dela e envolveram sua cintura. Uma das palmas deslizou por dentro de sua blusa e foi subindo lentamente. Ele acariciou suas costas, parando logo abaixo do sutiã, como se não quisesse ir além do limite. Um limite que ela quase queria que ele ultrapassasse. Quando ela se afastou um pouco, sua respiração estava entrecortada. - Gio... – ele sussurrou. – O que foi isso? Ela soltou um longo suspiro. Queria virar-se e ir embora, mas não conseguia. - Não sei. – ela disse. – Momento de fraqueza? Ele sorriu. - Sempre que se sentir fraca, me procure. Ela soltou um sorriso sincero, e depois lhe deu uma cotovelada no ombro. Quando saiu pela porta, olhou para ele uma última vez, inebriada com o riso dele. Por fim, virou-se e entrou no elevador, com diversas emoções apertando seu peito.
Giovanna pegou o carro do lado de fora do prédio, soltando um longo suspiro ao pensar em tudo o que acontecera naquele apartamento. Por um lado, sentia-se feliz, por outro, triste e assustada, por estar fazendo aquilo consigo própria e com Leo. - Ah, Leo... – ela suspirou. Giovanna soltou outro longo suspiro e dirigiu até sua casa, chegando quando o sol se punha. Era uma tarde de sexta-feira, tudo parecia lindo. Menos para ela. Assim que pisou em casa, sentiu a brisa quente da varanda aberta, e viu Leo e as crianças, apenas com roupas de banho. - Que festa é essa? – ela sorriu. Todos voltaram-se para ela, Leo limpava os chinelos das meninas. - Levei as crianças para a praia. – Leo riu. - E ele me deixou tomar sorvete. – Pietro admitiu, sorrindo. Giovanna sorriu e beijou as crianças, dando um selinho em Leo, que pareceu ficar surpreso. - Hum, vamos ter que conversar sobre isso... – ela brincou, sorrindo. Giovanna pegou Sofia no colo e levou-a até o banheiro, logo sendo seguida por Leo e Antônia. Eles deram banho nas meninas, em perfeita harmonia, sem conversa, apenas alguns sorrisos trocados. Mesmo com o peso da culpa acumulando-se sobre ela, Giovanna sentia-se feliz. Eles terminaram de limpar as meninas e secaram-nas. - Pensei em jantarmos fora hoje. – Leo disse. – Faz tempo que não saímos. Giovanna mordeu o lábio, pensando em dizer que precisava ficar para ensaiar roteiros, mas não poderia mentir daquele jeito. - Tudo bem. – ela sorriu amarelo. Leo sorriu novamente com a concordância e eles saíram do banheiro. Pietro estava sentado no sofá da sala, comendo uma barra de chocolates. - Filho, nem jantou ainda! – Giovanna reclamou. Pietro suspirou, mas Giovanna pegou o chocolate de suas mãos. - Vai se arrumar, nós vamos sair. – ela disse. - Ah, mãe... – ele revirou os olhos. – Não quero sair. - Vamos à pizzaria. – ela disse, sorrindo. Pietro logo deixou sumir a expressão carrancuda e foi para o quarto. Leo estava no quarto das gêmeas, colocando vestidos nelas. Giovanna sorriu. - Não é assim. – ela disse, doce. – Passa primeiro o pescoço... Depois os bracinhos. Leo sorriu e apertou-a pela cintura, depositando um beijo delicado em sua bochecha. Giovanna suspirou e sorriu novamente. Depois de alguns minutos, todos saíram, e foram para a pizzaria preferida deles, meio afastada, onde não iriam encontrá-los. Fizeram os pedidos. - Fazia tempo que não jantávamos em família. – Leo disse, pegando na mão de Giovanna. Ela afastou a mão, sem mostrar reação. - É mesmo. – concordou. Todos ficaram em um silêncio desconfortável. - Mãe, depois posso jogar no fliperama? – Pietro pediu. Giovanna concordou imediatamente, e Leo arrumou qualquer outro assunto de conversa, que se estendeu durante todo o jantar. - Como foi seu ensaio hoje? – ele perguntou, quando ela comia um calzone de molho branco com nozes e passas. - Tudo bem... – ela disse, e olhou para o prato. Leo não perguntou mais nada, e Giovanna não levantou a cabeça até mudarem de assunto. Depois de um bom tempo, quando todos estavam satisfeitos, as meninas dormiram. - Você prometeu me deixar jogar! – Pietro disse. Giovanna mordeu o lábio. - Eu fico com ele. – Leo disse. – Vá com as meninas pra casa. Pegamos um táxi depois. Pietro concordou imediatamente, e Giovanna assentiu, despedindo-se dos dois. Leo ajudou-a a prender as meninas nos bancos, e logo ela estava dirigindo. Enquanto cruzava as ruas, sua mente vagava solta, em Leo, em Nero, em tudo o que estava acontecendo. Ela não sabia se daria certo, e também não estava certa se conseguiria resistir à Nero. Ele era extremamente tentador. Sem nem perceber, dirigiu até a frente do prédio dele, e estacionou ali, suspirando. Ela apoiou a cabeça no volante por alguns segundos, tentando se acalmar, e quando levantou-a novamente, estava pronta para ligar o carro quando viu o movimento no portão. Podia não ser nada de mais, mas ela estreitou os olhos, tanto por curiosidade quanto por reconhecimento. Era ele. Nero. E não estava sozinho. Giovanna notou, com um aperto firme e indissipável no peito, Nero entrando com outra mulher, uma mulher pequena e jovem, que ela não reconheceu, no prédio. Nero ria, provavelmente de algo que a moça falara. Os dois entraram, próximos demais, certamente tinham alguma intimidade. E Giovanna sabia para onde eles iriam. Será que ela entraria no banheiro dele? E ele serviria uísque para ela? E depois a abraçaria, passando a mão sob sua blusa? E depois a levaria para cama. Ela sentiu uma lágrima escorrendo por seu rosto, mesmo que não houvesse motivo para tal. Ela não estava com Nero. Ela o havia negado. Mesmo assim, doía. Seu peito inflava, e as lágrimas custavam em ficarem presas. Giovanna limpou a única gota com a palma da mão, depois olhou para o volante e foi embora.
Giovanna chegou em casa beirando ao nervosismo, não queria pensar em mais nada, quase, inclusive, esqueceu as meninas no carro. Somente quando já estava chegando no elevador interno que lembrou das gêmeas dormindo no banco traseiro. - Merda! – ela gritou para si mesma. Giovanna voltou correndo até o carro e pegou as meninas, uma em cada braço. Antônia abriu brevemente os olhos, mas logo deitou-se no ombro da mãe novamente, e Sofia nem se mexeu. Ela sentiu outra lágrima correr seu rosto, mas enxugou-a brevemente com a palma da mão. Não iria sofrer por ele. Aquilo sim seria o cúmulo da burrice. Se é que ela já não havia sido burra o suficiente por acreditar nele, em suas palavras doces, em suas declarações, em seu toque quente. Ela suspirou, e entrou no elevador novamente, apertando diversas vezes o botão do andar. E agora Alexandre estava lá, com outra mulher. Transando, Giovanna tinha quase certeza. ‘Não importa mais’, ela pensou para si mesma, tentando convencer-se da verossimilhança do que dizia. Quando abriu a porta grande de madeira escura, ela não permitiu-se soltar nenhum ruído de emoção até que colocou as meninas nos berços e fechou a porta. Ela caminhou, vagante, até a porta do seu quarto, e apoiou a mão ali, fechando brevemente os olhos. Ela não estava apenas irritada ou com ciúmes, era algo mais forte, mesmo que não houvesse nada concreto entre eles (sequer estavam transando!) ela sentia que ele a pertencia. Corou com tal concepção, e depois deitou na cama. Ela não permitiu mais lágrimas escorrerem do seu rosto, e apertou as unhas nas palmas das mãos ao ponto delas fazerem grandes vergões vermelhos. - Ah, Nero... – soltou um soluço, mas sem nenhuma lágrima, e mergulhou novamente na cama, tentando perder-se daquela realidade que a oprimia. Ela soltou outro suspiro e virou-se na cama, olhando para o teto. De repente, uma ideia caiu em sua mente. Ela estava julgando Alexandre de a estar traindo, mas ela fazia o mesmo que ele. Ela havia dito que gostava dele, mas não tomava atitude nenhuma em relação à Leo, em relação à nada. A verdade, ela constatou, enquanto suas faces coravam, era que ela não podia julgá-lo por estar com outra mulher, quando ela também estava. Desistindo dos pensamentos desconexos que a perseguiam, ela revirou os olhos e apoiou a cabeça no travesseiro por um segundo, mas no mesmo momento, mesmo julgando que não estivesse cansada, mergulhou em um sono profundo e sem sonhos. ... Pela manhã, ela acordou com Leo ao seu lado, as cobertas inteiras sobre seus quadris, deixando-a apenas com o lençol. Ela sentiu o sol bater em suas pernas, e cobriu-se mais, puxando as cobertas do marido. Leo soltou um gemido, mas não acordou. Giovanna olhou para o motivo de ter acordado, o despertador que tocava incessante ao seu lado. Ela soltou outro gemido e bateu nele, logo depois apertando no botão de desligar. Ela resmungou enquanto levanta-se e despia-se, xingando todos os homens do mundo, Nero e Leo, e conversando sozinha. Por fim, ela vestiu-se, e seu estômago se apertou quando a ficha caiu, a de que naquele dia, seria seu primeiro treinamento de cena com Nero. Ela teria que vê-lo. Teria que tocá-lo. Não que não quisesse fazê-lo. Mas queria demais, mesmo com tudo o que aconteceu. Ela rangeu os dentes e enfiou as unhas novamente nas palmas das mãos, soltando um longo suspiro. Pegou sua bolsa com os dedos e o casaco, colocando as mãos no bolso. Giovanna sentiu algo em seu bolso, e logo reconheceu o papel com o telefone de Nero. Resmungando novamente, ela amassou-o e jogou no lixo. Com o queixo empinado, mas os olhos marejando, ela engoliu o aperto no estômago e caminhou até a porta, mas nem percebeu quando voltou, ajoelhou-se na lixeira e pegou o papel novamente. Uma lágrima pingou no assoalho, e ela passou o sapato sobre ela. Giovanna colocou o papel sobre a cômoda, e virou-se, decidida em sair. - Chega. – ela murmurou para si mesma. – Chega. Fechou a porta rapidamente, soltando outro longo suspiro. Ela foi até a cozinha e pegou uma maçã, mordendo-a enquanto saía pela porta. Ela desceu o elevador e pegou seu carro, dirigindo, sem nenhum pensamento realmente tomando-a. Estava angustiada, mas tentava transparecer o pior dos sentimentos, raiva, que era até um pouco agradável de sentir. Ela estacionou no Projac e desceu, identificando-se rapidamente. Ela caminhou, tentando evitar olhar em todos os corredores, e por fim chegou à sala de testes, onde os microfones, produtores, maquiadores e Marcos a esperavam. Estava ocorrendo uma cena dentro de uma sala, com a atriz Nanda Costa, que não falava com ninguém, e Rodrigo. Giovanna aproximou-se. - Oi. – sussurrou para Marcos. Ela olhou-a brevemente e sorriu. - Olá. – disse. – Muito boa ela, não? Giovanna olhou por um momento para a menina. Ela mostrava tanto as emoções que Giovanna até achou que fossem verdadeiras. Concordou brevemente com a cabeça. - Estão te esperando na produção. – ele disse. Ela assentiu e saiu da sala, indo para a outra, guiando-se pelo ruído dos secadores de cabelo. Várias das atrizes estavam lá, arrumando-se. Giovanna cumprimentou-as, sentindo-se aliviada por Alexandre não estar ali, e sentou-se. Menos de meia hora depois, estava pronta, usando uma das roupas de Helô que achou especialmente linda. - Precisamos de um cinto grande. – uma das produtoras, Célia, disse. Giovanna buscou nas araras. - Não tem nada aqui. Elas procuraram por mais alguns segundos, e logo entrou um rapaz chamando por Giovanna para a primeira cena. - Já? – ela disse. – Preciso de um cinto! Célia mostrou dois cintos pequenos, e Giovanna pegou-os, prendendo um por cima do outro. - Tá feio? – ela perguntou. Célia negou por um momento e sorriu, admirada. Giovanna deu de ombros e seguiu o roadie até o pátio externo e um dos galpões, e ela admirou o cenário. - Que lugar é esse? – perguntou. - O escritório do Stenio. – o menino disse, lendo a prancheta. Ela suspirou. Stenio. Nero. Fechou os olhos por um minuto, e quando abriu-os, ele estava ali. A primeira coisa que notou foi seu cheiro masculino, sândalo e cachoeiras, e depois seus olhos negros. Ela olhou para eles por mais do que deveria, deixando a raiva assumir qualquer sentimento. - Olá. – ele disse. – Você está linda. Ela olhou-o, fria. - Obrigada. – disse. Ela virou-se, precisando reunir toda sua força de vontade, mas conseguiu. Nero não foi atrás dela, mas ela podia sentir seu olhar perplexo sobre as costas. Antes que pudesse pensar sobre o assunto, foram chamados para as posições. Marcos situou-a na cena e logo os dois começaram a atuar, pela primeira vez em ensaio, como Helô e Stenio. Giovanna surpreendeu-se com a calma que Nero transmitia ao atuar, e ele ficou surpreso. Ela era melhor do que ele pensava. Passaram a cena mais duas vezes, Giovanna tentou esconder tudo de ruim que estava sentindo por ele, concentrando-se apenas em Helô. - Muito bom! – Marcos elogiou. – Perfeito! Nero sorriu e Giovanna mordeu o lábio. Eles pegaram mais algumas sequências de roteiros, e por fim, Marcos liberou-os. Giovanna caminhou o mais rápido que pode até a produção novamente, e vestiu-se com rapidez. Quando saiu, estava tirando as chaves do carro da bolsa quando escutou uma voz atrás dela. - Por que está fugindo de mim? Ela estremeceu completamente. Era ele. Ela respirou profundamente, mas por fim virou-se, temendo desmoronar quando fixasse seus olhos nos dele.
Logo sentiu a mão quente e familiar percorrer seu braço, e ela sentiu arrepios. Droga! Por que quando aquele homem a tocava ela simplesmente não resistia? Ele virou-a, mas assim que viu-se frente a frente com ela, soltou seu braço, e Giovanna ficou olhando para sua mão por um segundo. - O que foi? – ele perguntou, meio melancólico. Ela finalmente levantou os olhos, e a onda de emoção que transmitiu com eles fez Nero recuar um passo. - Você está brava comigo? – ele perguntou, reaproximando-se. Giovanna negou com a cabeça. - Estou brava comigo. – ela disse. Ela arqueou uma sobrancelha, e estendeu o braço para tocá-la novamente, mas ela recuou. - Não encosta em mim. – ela disse, em um suspiro. – Por favor. Nero ficou parado, estático, confuso com o modo como ela agia, quando, no dia anterior, parecia estar apreciando tanto sua presença. - Gio... –ele sussurrou. – O que eu fiz? Ela virou-se repentinamente, e ele levou um susto. - Você não fez nada! Nada! – ela gritou. – Eu que fiz, eu fui burra o suficiente para fazer! Ele segurou-a repentinamente e com força, e levou-a para um canto mais afastado, uma das salas de descanso. - Fala comigo, merda! – Nero gritou. Ela desviou-se de seus braços, mas ele segurou-a mais forte e andou, até ela estar presa na parede, a poucos centímetros dele. - Para com isso. – ela disse, tentando sair. – Eu não tenho nada pra falar com você. - Tem sim. – ele tirou uma das mãos da parede e passou-a pelo rosto dela. – Você é a mulher mais teimosa que eu já conheci. - Já conheceu muitas mulheres, não é? – ela espetou, irônica. – Estou lisonjeada. Ele se afastou pela primeira vez, e recuou, Giovanna saiu de perto da parede, com uma expressão profundamente irritada e melancólica. - O que você quis... – ele começou. - Eu fui no seu prédio ontem. – ela disse. – Eu... Eu não sei o que eu tinha na cabeça, mas fui lá. Sua expressão de reconhecimento causou um choque em seus olhos escuros. - E eu vi você. – ela disse. – Vi você com uma mulher. Ele baixou a cabeça pela primeira vez, e ela viu que parecia corado, mas aquilo não a deixava menos triste. - É... É a Karen. – ele disse. – Aquela mulher a quem me referi no dia em que nos conhecemos. Giovanna corou. - Você está namorando com ela? – ela aumentou o tom de voz. – Ao mesmo tempo que disse que gosta de mim? Ele aproximou-se novamente, pressentindo que o próximo ato dela seria ir embora dali. - Me solta! – ela disse. - Não até você terminar de me ouvir! – ele exclamou. - Não preciso ouvir mais nada! - Mas eu preciso explicar. – ele falou, possuindo seus olhos nos dele. – Eu e a Karen não temos nada. Somos só amigos. - Amigos. –ela repetiu. – Amigos como nós? Ele afrouxou os braços em seus pulsos, por perplexidade. - Gio... – ele murmurou. - Você não tem que me explicar nada. – ela disse. – Você é um homem, e nós dois não temos nada juntos. Eu fui burra. Burra por ficar com ciúmes, por acreditar que você esperaria por mim... Por ter me apaixonado por você. Ele soltou-a, e encarou-a por um segundo. - Você está apaixonada por mim? – ele repetiu, chocado. Ela fitou-o por um momento. - Estou, porra. – suspirou. E baixou a cabeça. Nero aproximou-se. - Mas não quero continuar. – ela disse. Ele negou brevemente com a cabeça. Giovanna levantou os olhos uma última vez. - Você dormiu com ela? Ele ficou estático. - O quê? – perguntou. - É uma pergunta bem clara. – ela murmurou. – Vocês transaram ontem? Mesmo que ele não respondesse, a resposta estava estampada em seu rosto. - Não significou nada. – ele disse. - Pra você. – ela completou, irritada. Giovanna começou a sair da sala, quando ele a puxou novamente. Ela voltou com ímpeto próprio, e aproximou-se dele. - E mais uma coisa. – ela suspirou. – Eu não queria ela no seu quarto, não queria ela na sua cama. – ela baixou a cabeça. – Eu queria ter sido a mulher na sua cama. Nero soltou um suspiro, iria dizer algo, mas não conseguiu. Eram declarações demais para um dia só, e ele finalmente notou sobre como estava apaixonado por aquela mulher. - Mas eu não posso continuar com isso. – ela completou. – Eu não posso me permitir ficar tão atraída por você a ponto de... Mas antes que ela pudesse completar a frase, Nero abaixou-se e beijou-a.
Giovanna sentiu seus lábios nos dela, sentiu seu gosto, pasta de dente e chocolate. E por um segundo, sentiu seu mundo inteiro dando uma volta, uma volta da qual ela não queria voltar nunca. Tudo o que ela mais queria era jogá-lo na cama pequena e branca da sala de descanso e fazer amor com ele bem ali, mas uma pontada em sua mente dizia que aquilo não daria certo. Ela sentiu um arrepio quando a língua dele tentou cruzar seus lábios, e imediatamente ela voltou com os pensamentos que a acometiam antes dele fazer aquilo com ela. O beijo de Nero realmente a desconcentrou. Ela soltou um pequeno gemido quando ele lambeu seus lábios, o gosto delicioso de sua língua penetrando-a, mas sua mente não parava de persistir com outro detalhe. Leo. Ela não poderia traí-lo daquela forma. Mas seu corpo dizia outra coisa, o corpo que estava quase entregue àquele homem. Ela aproximou-se um passo, incapaz de se conter. Nero ainda estocava a língua em seus lábios, exigindo de sua língua, mas ela não iria fazer aquilo, não iria beijá-lo com a língua. Com todas as forças que lhe eram permitidas, Giovanna empurrou-o no peito e se afastou. - Nunca mais faça isso! – ela murmurou, ainda grogue. Nero olhou-a de um modo apaixonante, inclinando brevemente a cabeça. - Você não gostou? – ele perguntou. - Não! – ela gritou. – Sim! Não sei! Porra! Giovanna deu voltas pelo quarto, enquanto Nero abriu um sorriso doce. - Para de rir! – ela brigou. - Não estou rindo. – ele respondeu. - Claro que está! – ela apontou para ele. – Não tem graça nenhuma! Ele riu novamente. - Tem sim. – ele sorriu. – É muito engraçado. Giovanna cruzou os braços, irritada, e em um segundo ele estava na frente dela, seus braços percorrendo sua cintura, e mais uma vez ela não conseguia pará-lo. Ela sentiu a língua dele tocando seu pescoço e ele soprou seu cabelo, fazendo-a inclinar mais a cabeça. Nem notou quando os dois caíram na pequena cama, ela sobre ele, e Nero imediatamente correu as mãos suavemente por suas costas, fazendo-a pressionar-se sobre ele. Giovanna gemia, com a cabeça inclinada. Nero pegou-a pelos ombros e a fez sentar sobre ele, e ela logo abraçou-o por trás dos ombros, impulsionando-se, friccionando-se contra ele. - Não, não... – ela suspirou. Ele continuou beijando e mordiscando seu pescoço, e ela tentava buscar nele o que mais queria. - Mais... – ela gemeu, incontrolável, tentando beijá-lo. Mas ele afastou-a, e saiu de baixo dela, esbaforido como ela. - Não quero que seja assim... – ele suspirou. – Não quero que seja na cama da sala de descanso. Giovanna corou. O modo como ele falava parecia dizer que eles iriam sim transar algum dia, de um jeito ou de outro. - Vamos sair daqui. – ela concordou. Mas ele puxou-a pelo braço. - Eu queria ter te dado o ‘mais’. – ele sussurrou. – E você não ia se arrepender. Ela corou novamente, e soltou-se. - Eu e você não temos nada. – ela sussurrou, antes de sair pela porta. Ela fechou a porta, mas ainda conseguiu ouvir. - Não se eu te fizer mudar de ideia, Giovanna.
Nero olhou para ela, por cima do seu ombro, mas antes que pudesse responder, Giovanna já havia se afastado. Ele admirou-a pelas costas enquanto ela caminhava, as belas e torneadas pernas mexendo-se em um ritmo gracioso, e ele soltou um arquejo apenas por olhar. Como desejava aquela mulher! Ela pensava, não queria olhar para trás, ao mesmo tempo em que tudo o que desejava era vê-lo, pois sabia que ele estava olhando para ela. Mas ela soltou apenas um firme suspiro e continuou caminhando, sem nenhum destino em mente. Ela entrou na primeira sala que viu, a de Produção, e deixou-se perder algumas horas nas escolas do visual de Helô. A novela começaria a ser gravada na outra semana. Ela escolheu um conjunto de blusa laranja solta com um colete lindo para usar no primeiro capítulo. Quando saiu de lá, não conseguia parar de olhar pelos corredores, procurando por ele, mas não o viu.Ela soltou um longo suspiro e olhou pelo relógio. Queria ficar mais, mesmo que não admitisse para ela, sua mente sabia o quanto queria vê-lo, tocá-lo, por mais culpada que se sentisse. - Gio. – ouviu, em suas costas. Ela virou-se, esperançosa, mas era apenas Rodrigo Lombardi. - Ei, oi. – ela sorriu, recompondo-se. - Pensou que era outra pessoa? – ele sorriu, caminhando ao lado dela. - Não, eu só... – olhou para a porta, no mesmo momento, Nero cruzou-a. – Eu só... Vou pra casa. Ela sorriu e começou a caminhar discretamente em direção à porta, mas Rodrigo pegou-a pela mão. - Eu queria saber se... Você não quer ensaiar depois. – ele disse. Ela lançou-lhe um olhar de reprovação. Todos sabiam o que ‘ensaiar depois’ significava. Ela queria dizer que era casada, mas corou ao lembrar que aquilo não fazia a menor diferença quando se tratava de Nero. - Deixe... Pra próxima. – ela sussurrou. – Preciso mesmo ir. Ele concordou rapidamente com a cabeça, e ela virou-se. Cruzou as portas rapidamente, e caminhou atrás dele. Não conseguiu vê-lo, e olhou discretamente para os lados. Como ele provavelmente já havia ido embora, ela soltou um suspiro e virou-se para ir até seu carro, e no mesmo minuto o viu, parado às suas costas. - Ai! – ela exclamou. Com o susto, ela quase caiu no chão. - Porra! – ela murmurou, mas ele segurou seu cotovelo. – Você me assustou! Nero soltou um sorriso breve e a colocou de pé. - Procurando alguém? – ele disse, com um sorriso sarcástico. - Não. – ela disse, ajeitando as roupas. - Parecia estar procurando alguém. – ele murmurou, cínico. - Se enganou. –ela sussurrou. Nero deu de ombros, mas não conseguiu evitar outro sorriso. - Quer carona? – ele perguntou. - Eu estou com carro. – ela disse, mostrando as chaves. Nero pegou as chaves das suas mãos e colocou-as dentro da bolsa dela. - Não tem mais. – ele disse. – Vai aceitar minha carona, e o café que você não tomou. Ela revirou os olhos, mas seguiu-o até o carro. Ela sentou e cruzou os braços. Quando Nero entrou no carro, aproximou-se e deu um selinho nela. Giovanna nem pensou quando deu um tapa na bochecha dele. - Mantenha a distância. – ela sussurrou. - Frase legal. –ele disse, e esfregou o rosto. – Pode usar pra Helô. E o tapa doeu. Ela sorriu, mas cruzou os braços novamente. - Ótimo. – disse. – Vamos. Nero olhou para ela com um sorriso nos lábios e dirigiu pelas ruas, parando na frente do mesmo café onde eles foram na primeira vez. Eles entraram, e sentaram na mesma mesa. - Não vou querer nada. – Giovanna disse. Ele deu de ombros, e pediu torta de limão, sem tirar os olhos divertidos dos dela. Logo seu pedido chegou, e ele saboreou garfada por garfada, olhando para ela. - Não quer mesmo? – ele sussurrou. - Me dá logo. – ela sorriu, e pegou o garfo da mão dele. – Isso é bom. Ele sorriu, e pegou o garfo novamente, lambendo-o onde Giovanna o havia feito. - Que nojo. – ela suspirou. Ele estendeu o dedo e passou o dedo na bochecha dela, onde havia um pouco de creme de limão. - É para isso que existem os guardanapos. – ela disse, em um suspiro. Ele revirou os olhos, e os dois comeram olhando um para os olhos do outro. Quando saíram, Giovanna olhou para Nero, e depois para o carro. Aquilo poderia realmente não terminar muito bem.
Giovanna virou-se novamente para Nero, e logo percebeu que ele esteve olhando-a enquanto ela estava virada. - Vamos? – disse, soltando um suspiro. – Estou exausta. Ele sorriu e aproximou-se, o suficiente para andar com o braço roçando no dela. - Nero...! – ela disse. – A gente combinou que... Ele sorriu com os olhos fechados, e tocou no queixo dela com a mão. - Eu sei. – sussurrou. – Desculpe. Ela olhou-o por outro segundo e logo virou-se, pegando no trinco do carro. - Não é uma boa ideia abrir o carro antes? – ele ironizou. Ela revirou os olhos e sentou no carro. - Quando vai perceber que eu sei como te irritar? – ele sorriu, virando o carro. - Quando vai perceber que eu não me esqueci? – ela suspirou, e ele sentou-se, sem ouvi-la. Nero deu a volta no carro, indo para o caminho oposto. -Pra onde estamos indo? – ela perguntou. - Pra minha casa. – ela lançou-lhe um olhar indagador. – Não vou tentar nada. - Não acredito em você. – ela resmungou. – E meu carro está no Projac. - Eu te levo lá depois. –ele disse. Ela soltou um suspiro e cruzou os braços. - Não. – ela disse. – Eu não sou sua namorada, sequer estarmos juntos, e nós combinamos que... Mas ela não teve tempo de concluir a frase, pois logo ele colou os lábios no seus, respirando sob sua boca, e novamente ela sentiu o misto de surpresa ou desejo, mas, assustada, afastou-se e deu um tapa em suas costas. - Eu mandei parar com isso! – ela exaltou-se. Ele não parou de olhá-la. - Ah, Gio... – ele sorriu, e tocou a ponta do cabelo dela. – Não resisto à você. Ela sentiu algo acalentar-se em seu interior, mas apenas tirou a mecha de cabelo dos dedos dele. - Para com isso. – ela disse. – É sério. Ninguém pode ver a gente juntos. Ele assumiu rapidamente uma postura séria. - Tudo bem. – ele murmurou. – Eu entendo. - É mais do que isso. – ela olhou para ele. – E não faz essa cara de criança abandonada, por favor. – ela não conseguiu evitar um sorriso. Ele sorriu também. - Então podemos ir para o meu apartamento? – ele perguntou, olhando para o braço dela à medida que um dos seus dedos percorria sua pele. - Podemos. – ela sussurrou. Mas logo levantou os papéis. – Ensaiar. Ela afastou-se e ele soltou um sorriso, que Giovanna não viu. Ele dirigiu sem conversar muito até o seu apartamento, e os dois saíram juntos do carro. - Primeiro as damas. – ele sorriu, em frente à porta do apartamento. Giovanna revirou os olhos e entrou no apartamento já conhecido, mas que naquele dia exalava uma mistura de condimentos de pinho e terra. - Adoro sua casa. –ela disse, sem nem perceber. - Obrigado. – ele olhou sem demora para a porta do banheiro, e Giovanna corou. Ele pegou um pacote de bolachas na cozinha, e logo os dois subiram as escadas, e Giovanna fitou a sala melhor, tão inebriada por ele estava na primeira vez que foi. - Uísque? – ele ofereceu, abrindo o pequeno frigobar. - Melhor não. – ela disse, e ele serviu-se, indo sentar ao lado dela. Muito próximo. - Sério Nero. Mantenha a distância. – ele sorriu, mas se afastou. – Obrigada. Ela leu o roteiro dos dois, era uma cena antecipada, onde os dois estavam discutindo no quarto de Helô. Ela leu em voz alta, e Nero apoiou-se no sofá, prestando atenção em cada detalhe. - ‘Bora Stenio, levanta’. – ela leu, e depois olhou para ele, franzindo a testa. - O que foi? – Nero disse, mordendo um dos cookies. - Nada. – ela disse. – Aqui diz que vou cair em cima de você. Ele arqueou uma sobrancelha, de um jeito que a tentava. - Pare de fazer isso. – ela resmungou. - Isso o quê? – ele sorriu, como se deixá-la frustrada o agradasse. - Levantar a sobrancelha. Claro que ele continuou o gesto, e com as duas sobrancelhas intercaladas. Ele revirou os olhos, sorrindo. - Você é inacrê... Ditável! – ela sorriu. – Dá pra parar de brincar? Nero deu de ombros, ainda sorrindo. - Então você cai em cima de mim? – ele perguntou. - Não é bem assim. – ela leu o roteiro. – Você me puxa. Vamos brigar. Ele pegou seus papéis também. - Tudo bem. Podemos ensaiar? – ele disse. Ela olhou rapidamente para o sofá. - É muito baixo. – ele disse. – Vamos ao meu quarto, a cama de lá é mais alta. Ela sentiu um arrepio percorrer sua coluna, pois sabia que qualquer lugar que envolvesse Nero e uma cama não seria sinônimo de segurança. Ela levantou os olhos, e viu que ele a olhava, com um olhar divertido. - Vamos. – ela cortou o clima desejável. Ele franziu a testa e logo os dois começaram a atuar, na sincronia e ritmo perfeito que ambos notaram ocorrer logo no primeiro treino. - Você é ótima. – ele disse, sorrindo. - Você não é nada mal. – ela brincou. – Falta a cena da queda. Ele olhou-a sugestivamente. - Deite-se. –ela disse, envergonhada. Ele deitou na cama, apoiando a cabeça nos braços. Giovanna não disse nada, mas não pode impedir de observá-lo por um minuto. E que visão. Logo os dois voltaram com a atuação, mas Giovanna não conseguia se concentrar, sentia como se seu peito fosse explodir. - Bora, Stenio. Levanta. – ela disse. E deu a mão para ele, intencionada a puxá-lo, mas ele puxou-a de volta, e ela cedeu sob seu peso, caindo em cima dele, seus seios haviam batido no peito de Nero. - Ficou bom? – ele sussurrou. - Sim. – ela disse. – Posso me levantar? Mas ele segurou-a na cama, firme, em seu peito. - Nero. –ela disse, irritada. – É sério. Ele franziu a testa. - Precisamos continuar o ensaio. – ela disse. – Daqui alguns dias vem outras cenas... E ele soltou-a, sem dizer nada. Giovanna mexeu nos cabelos e olhou para ele. - Não tente mais nada. –ela disse. Ele sorriu, como se fosse inofensivo. Giovanna reproduziu novamente a cena, tombando sobre o peito firme dele. - Acho que não é assim. – ele disse. Ela olhou-o, ainda sobre ele. - Como é? – ela disse. Ele fez ela se levantar, e depois enrodilhou os dedos nos dela. Antes que Giovanna pudesse dizer algo, Nero puxou-a, e ela caiu sem programação nenhuma em seu peito, e sem menos programação ainda, ele virou-se na cama, de modo a estar sobre ela. - O que é isso? – ela disse. - Nada... – ele sussurrou. – Mas você é a tentação em sua forma mais pura, Giovanna. Ela soltou um suspiro, e já ia empurrá-lo pelo peito quando sentiu sua boca no pescoço, sugando-o lentamente, depositando pequenos beijos. - Nero... – ela sussurrou. Mas ele continuou as pernas não se tocavam, mas ela viu-se cada vez mais desejosa sob a ideia de estar ali, na cama, com ele. Ele beijou sua orelha, e mordeu um lóbulo, percorrendo a trilha do seu pescoço com pequenos selinhos. - Para... – ela gemeu baixo, e ele ignorou-a. - Não gosta? – ele sussurrou. – Eu quero te provar inteira... Quero sentir seu gosto. Ela estremeceu. - Pare. – ela pediu. Mas não conseguiu conter-se quando as mãos espalmadas dele percorreram suas costas, entrando delicadamente por sua blusa, acariciando sua coluna. - Nero... –ela gemeu, olhando para a boca dele, tão apetitosa... Ele tocou o fecho do sutiã, e Giovanna tremeu por completo, mas logo uma de suas mãos saiu dali e percorreu suas costas até tocar-lhe nas nádegas, e ela soltou um gemido longo. - Ah! – ela suspirou. Ele apertou-a ali, e ela sentiu que poderia desmoronar. Quando Giovanna sentiu-se prestes à entregar-se para ele e satisfazer seus maiores desejos, Nero afastou-se abruptamente, e só então ela escutou o som de uma porta batendo. Giovanna olhou para Nero com confusão. - Alexandre? – escutaram alguém gritar, do lado de fora.
Giovanna rapidamente levantou a cabeça e olhou para a porta, e depois para Nero, que mantinha um olhar confuso como o dela. - Quem é? – Giovanna sussurrou. - Não sei. – ele respondeu. Eles ouviram a voz feminina chamar novamente, e Giovanna olhou ao redor. - Eu vou ficar no closet. – ela disse. - Pode se esconder no banheiro. – ele disse, tocando-a de leve nas costas – Eu me livro de quem quer que seja. Giovanna concordou e entrou no banheiro, fechando a porta e apoiando a cabeça nela, tentando escutar. -Alexandre! – ouviu novamente, em tom mais baixo. Arrepiou-se completamente quando a porta abriu, com um rangido suave. - Ah, você está aí. – disse. Ela não reconheceu a voz, mas era doce e feminina, não aparentava mais de trinta anos, pelo timbre fraco. - Ah, oi. – Nero disse, como se não quisesse falar o nome dela, para Giovanna não escutar. Ela pensou em abrir um pouco a porta, mas poderia fazer algum ruído. - Nossa, que desanimado... – a mulher soltou um sorriso doce. Giovanna franziu a testa. Ela o tratava como se o conhecesse. - Só estou cansado. – ele disse. – Estava indo dormir. Ela corou, quando percebeu que não era nada daquilo. Eles iriam transar, chegar aos extremos, se aquela mulher não tivesse aparecido. Giovanna sentiu uma pontada de ciúmes no peito, pois lembrava de Nero ter trancado a porta. Se a mulher entrou na casa, era porque tinha a chave. - Tem certeza? – ela ronronou. Giovanna sentiu outra pontada lancinante no peito, e depois escutou o farfalhar de roupas. A mulher estava abraçando-o. - Agora não, Karen... – ele disse. Karen. Ela já havia escutado Nero falar dela antes, a tal da namorada que não era bem namorada. Mas se não era namorada, por que eles continuavam juntos, obviamente transando? E por que ela tinha a chave da casa? Ela ouviu um zíper ser aberto, mas não sabia de quem. - Tem certeza, meu amor? – ela ronronou novamente. Giovanna pensou na cena. Uma mulher enrodilhando-se no homem com quem ela queria transar há menos de dez minutos. - Eu preciso trabalhar. – ele disse. – E você também. - Saí no intervalo das gravações... – Giovanna ouviu um beijo estalado. – Só pra ver você. Ela soltou um arquejo e sentou no chão, deixando as costas escorrerem pela porta. Ele estava enganando-a o tempo todo, tinha uma namorada, ao mesmo tempo que dizia amá-la. - Obrigado, mas eu... Preciso ir. – ele disse. Ela notou um silêncio rápido, e depois o som de algo pesado caindo na cama. - Você não ia dormir? – ela perguntou, em tom suave. Giovanna olhou para o outro lado do banheiro, tocando no próprio peito, não querendo escutar mais nada. Ela olhou para a pia e viu duas escovas de dente. Sentiu outra pontada no peito e tentou conter as lágrimas frustradas. - É sério, Karen. – Nero disse. – Eu preciso ir. Ela riu baixo. - Tudo bem. – a mulher disse. – Eu volto à noite... Pra gente brincar. Giovanna arquejou profundamente, e não escutou nenhuma resposta de Nero. Mas sinceramente, não sabia por que queria tanto uma resposta, quando tudo estava tão claro. Eles estavam juntos. Quando Karen abriu a porta, Giovanna abriu a do banheiro, a tempo de vê-la brevemente, os cabelos curtos, pretos e lisos, a estatura baixa. Era a mulher que ela o viu beijando na frente do prédio. Nero esperou Karen sair, depois ouviu a batida da porta no andar de baixo, quando virou-se para o banheiro, viu Giovanna na porta. - Gio. – ele sussurrou. – Não é o que parece. Ele tentou se aproximar, mas ela recuou e empurrou-o. Estava cada vez mais difícil conter as lágrimas. - Não tem como não ser o que parece. – ela respondeu. - Eu sei o que você está pensando, mas as coisas entre eu e a Karen não são como pensamos. – ele disse, com um tom arrependido. Giovanna soltou uma risada sarcástica e magoada. - Sem dúvida. – ela disse. – A transa de vocês deve ser realmente inimaginável. Ele olhou-a com uma expressão de condolência, e tentou aproximar-se, mas ela recuou. Vendo seu gesto, ele cruzou os braços. - E como você acha que eu me sinto com o seu marido? – ele perguntou. - Você sabe que é diferente. – Giovanna gritou. – Em momento nenhum eu tentei disfarçar que era casada, ou que tinha filhos. – ela disse. – Mas eu disse que não amo ele, e é verdade. - E eu disse que não amo a Karen. – ele rebateu. - Mas deve amá-la na cama, já que dormiu com ela ontem. – Giovanna espetou. Nero corou. - Gio... – ele sussurrou. – Eu... - Você é um homem. – Giovanna disse. – E vocês são todos iguais. E eu não sei como fui burra o suficiente pra passar por isso de novo. Assim que disse, ela quis guardar as palavras novamente. - Você foi traída? – ele perguntou, em um tom neutro. Ela olhou para ele por um segundo, e depois negou com a cabeça, mas ele notou que era mentira. - Foi o Leo? – ele perguntou. Giovanna encarou-o. - Não é da sua conta. – ela disse. – E se for, eu perdoei. Ele negou com a cabeça. - Como ele pôde? – Nero sussurrou. – Como ele pôde trair alguém como você? Ela negou com a cabeça, as lágrimas escapando dos seus olhos. Giovanna caminhou até a porta. - Eu não sei, mas você deve saber. – ela disse, e antes de fechar a porta, murmurou. – Porque você fez a mesma coisa. A porta bateu, separando-os.
Passou-se uma semana. Depois duas. Na terceira, Giovanna já estava sentindo o quanto a dor daquilo havia difundido em seu ser. Ela queria vê-lo, acima de tudo. Ainda estava com raiva, ainda sentia-se traída, mas queria vê-lo, queria fingir que estava tudo bem, mesmo que se sentisse péssima. Fingir aquilo para Leo estava cada dia mais difícil, ela não conseguia arrumar desculpas para estar sempre cansada, e principalmente pelas duas ou mais vezes em que ele a pegou chorando. - Eu estou bem. – ela disse. – É só estresse. - Talvez você devesse recusar esse papel. – ele comentou. Mas ela negou, estendeu os braços e dormiu com ele, mesmo que pensasse em Nero o tempo todo. Não queria Leo há muito tempo, não conseguia mais desejar o sabor dos seus lábios, ou a rigidez da sua pele. Ela queria Nero, queria seu jeito doce, porém esquivo. Queria ver se ele era tão selvagem à quatro paredes quanto parecia. ‘Ah, meu Deus’, ela pensou. Ela queria aquela selvageria, e sentia-se incomodada por isso. Mas não poderia mais fingir que ele não existia, não podia fingir que não havia nada entre os dois. Mas ela estava decidida a agir com ele apenas profissionalmente, sem nenhum preâmbulo com conotação amorosa ou sexual. Mesmo que tudo que ela mais quisesse com ele era sexo. Pensava tanto naquilo que chegava a corar. - Mamãe? – Pietro tirou-a de seus devaneios. - Sim? – ela virou o rosto dos roteiros, olhando para o filho. - Você está chateada? – ele perguntou. Ela estranhou a pergunta, depois olhou para o filho. - Não, Pê. – ela disse. – Por que eu estaria? - Você parece chateada. – ele argumentou. Ela soltou um suspiro. - É coisa de adulto, meu amor. – ela resmungou. – Um dia você vai entender. Ela analisou a mãe por mais um segundo. - Tomara que não. – respondeu, com sinceridade. Ela sorriu, e bagunçou os cabelos loiros do menino. - Tomara que não também. – ela respondeu. Ele sorriu e afastou-se, e Giovanna soltou um suspiro, voltando-se aos papéis. Ela procurou compulsivamente por cenas suas com Nero, mas não havia nada que realmente lhe chamasse a atenção. No outro dia eles iriam gravar o primeiro capítulo. - Gio? – Leo apareceu atrás dela. Giovanna sobressaltou-se na cadeira, corou completamente, até que percebeu que Leo não sabia de nada que corria em sua mente. - Oi! – ela exclamou assustada. - Desculpe. – ele sorriu. – Eu estava pensando em jantar fora hoje. – ele acariciou seu braço. – Naquela pizzaria que você gosta. Ela olhou para ele por um segundo. Queria negar. - Na verdade... – ela ia negar, mas o olhar dele a deixou com pena, e sentiu que não cuidava bem da família. – Eu adoraria. Leo sorriu, e deu um selinho em seus lábios. Ele foi pedir para a babá ficar com as crianças, enquanto Gio soltou um longo suspiro e arrumou os papéis, colocando-os nas pastas. Ela queria esquecer-se de tudo. Pelo menos por uma noite. Depois de uma hora, ela e Leo estavam prontos para sair, Giovanna pegou sua bolsa vermelha e ajeitou a roupa. Leo a esperava na sala, e quando ela apareceu, ele não disse nada, o que a decepcionou. Nero nunca deixava de comentar como ela estava linda. - Vamos? – ela perguntou. - Bora. – ele respondeu. Giovanna viu-se recuando com o jeito animado dele. Estranho, há menos de um mês achava que seu casamento era bom, e agora, mal suportava algumas atitudes de Leo. Os dois despediram-se das crianças e saíram. - Tudo bem? – Leo perguntou, no carro. - Tudo. – ela disse fria. Ele franziu a testa, mas não comentou nada. - Vamos à pizzaria? – ele perguntou. - Pizza está bom. – ela disse, somente. Leo concordou novamente e os dois ficaram sem falar o resto do trajeto. Ele estacionou na frente da pizzaria predileta de Giovanna, pequena e escondida na cidade, onde os paparazzi não iriam procurá-la. Eles desceram, e Giovanna soltou um suspiro, abrindo a porta ao mesmo tempo que o odor de queijo e orégano abria seu apetite. - Adoro esse lugar. – Leo sussurrou ao seu lado. - Eu também. – ela murmurou. - Antonelli! – o dono da pizzaria chegou. Por algum motivo, Giuseppe, italiano de nascença, a chamava apenas pelo sobrenome. – Há quanto tempo! - Giuseppe! – ela sorriu, e abraçou-o. Giovanna gostava daquilo, conhecer os donos do restaurante, em nada muito cheio. Apenas três mesas estavam ocupadas. A esposa de Giuseppe, Clara, apareceu. - Giovanna! – ela sorriu, era brasileira. – E Leo! Eles trocaram cumprimentos e logo o casal sentou-se. Giovanna permitiu-se sorrir enquanto Leo escolhia o vinho. Eles conversaram com os donos por um minuto, e depois o vinho foi servido. Giovanna tomou um gole da taça de cristal e sentiu-se imediatamente relaxada. Ela e Leo trocaram apenas alguns assuntos, mas logo cada um recostou-se em sua cadeira e bebeu o vinho silenciosamente. Quando seus pratos chegaram, Giovanna enrolou a massa na colher, quando escutou a sinetinha da porta tocar. Ela não iria virar-se, mas algo, talvez o acaso, obrigou-a a virar-se sobre seu próprio ombro e olhar para quem entrava. Imediatamente ela desejou não ter feito aquilo. Olhou para o prato, sabendo que não conseguiria comer mais nada. Nero olhou ao redor, e focalizou os olhos nela, ao mesmo momento que a cor sumia do seu rosto. Ela também não conseguiu tirar os olhos dos dele. Nero estava ali, no restaurante. E não estava sozinho.
Nero percorreu o restaurante com os olhos, e imediatamente focou-os em Giovanna, sentindo o impacto da surpresa relancear sobre ele. Giovanna fitou-o por alguns segundos, o suficiente para ele ver o relampejo de ódio que cruzou seu olhar. Logo, ela voltou-os para baixo. Ele sentiu Karen apertar sua mão. - Alexandre? – ela perguntou. – Tudo bem? Ele olhou para ela, e depois para Giovanna. Sentiu um arrepio percorrê-lo por completo. - Tudo. – disse. – Vamos sentar. Ela consentiu e escolheu uma mesa, por sorte, longe o bastante para que ele não pudesse sentir o olhar fuzilador de Giovanna em suas costas. - Você está tenso. – Karen disse. – Aconteceu alguma coisa? Ele negou rapidamente com a cabeça. - Tá tudo bem. – disse. Ele enfiou o rosto no cardápio, fingindo escolher entre as diversas opções de massas, mas estava olhando para Giovanna, sentada, enfiando garfadas de massa na boca, enquanto tentava não olhar para ele. - Vou pedir spaguetti. – Karen disse. - Peça o mesmo pra mim. – ele sussurrou, sem conseguir desviar os olhos de Giovanna. Ela levantou os olhos por um segundo, tempo suficiente para ele enquadrá-la por completo, e ela não conseguiu desviar-se. Os dois ficaram naquela troca de olhares inquebrável até que o marido de Giovanna chamou-a. Nero escutou os lábios dos dois movendo-se. Giovanna sentia-se profundamente irritada e algo a mais, que ela não queria definir como ciúme, mas para o qual não podia dar outro nome. Ver Nero com aquela mulher a deixava louca, e ela estava contendo-se para não ir até lá. - Gio? – Leo perguntou. – Você ficou quieta. Ela olhou para ele por um minuto. - Só estou cansada. – ela disse. – Vamos embora? - Já? – Leo perguntou. – Você está mesmo muito estranha. - Só estou com sono. – ela disse. – Preciso mesmo dormir. Leo concordou, e os dois levantaram-se juntos. Caminharam até o caixa, e para isso, Giovanna teve que passar ao lado de Nero. Ela não olhou para ele, mas ele não conseguia parar de fitar o modo como ela andava, o doce balançar de quadris que o hipnotizava. Viu Gio e Leo trocarem algumas palavras, e por fim, ela consentiu algo com a cabeça. Karen olhou na mesma direção que ele. Por fim, Leo virou-se, Giovanna já puxava a maçaneta para sair, quando ele tocou-a pelo braço. - Aquele ali não é o Alexandre Nero? – perguntou. Giovanna congelou, mas obrigou-se a virar. Nero aparentemente escutou tudo, pois estava tão tenso quanto ela. - É sim. – Giovanna sussurrou. – Vamos. - Espera. – Leo disse. – Vamos falar com ele, vocês não estão trabalhando juntos? - Vamos, Leo. – Giovanna disse. - Não vai demorar nem um minuto. Ele puxou Gio até a mesa onde Nero estava com Karen. - Olá. – Leo disse, com um sorriso, apertando a mão de Nero. - Olá. – ele respondeu lívido. Karen olhou para Giovanna rapidamente. - Você é a Giovanna Antonelli? – ela sorriu. – O Alexandre fala muito de você Giovanna lançou-lhe um sorriso sarcástico. - Fala, é? – ela olhou para Nero com uma repulsa que apenas ele entendeu. - Sim. – Karen disse. – Falou que você é uma ótima atriz. Giovanna assentiu, e simulou um sorriso. - E você? – ela disse. - Eu sou Karen. – ela sorriu. – Sou uma grande fã sua. - A Karen vai atuar em Flor do Caribe, Gio. – Leo disse. - Ah, você é atriz? – Giovanna fingiu. – Não me lembro de ter te visto. Nero olhou para ela, obviamente entendendo a indireta. - É, sou nova por lá... – ela sorriu. – Entrei assim que comecei... A namorar com o Alê, não foi? Giovanna queria matar aquela mulher. - Ah, então vocês namoram? – Giovanna sorriu, cínica. Nem esperou os dois responderem. - Pois muito bem. – ela sorriu. – Bom, eu e meu marido temos que ir. Tchau, gente. E virou-se, puxando Leo pela mão. Ela queria muito chorar, ou gritar, bater em Nero, mas não fez nada disso. Fez pior. Ignorou-o, virou-se, sentindo seu olhar sobre ela, e saiu. Não demorou muito para Nero sair do restaurante. - Ela é muito bonita. – disse. – Pensei que fosse mais alta. - É. – Nero murmurou. - Ela não pareceu gostar muito de mim. – Karen comentou. - Impressão sua. – ele murmurou. Não demorou muito para ela perceber sua mudança de humor. - Como você está quieto. – ela sorriu. – Vamos pra casa? Pra eu fazer uma massagem? A primeira proposta ele aceitou, mas não queria as mãos de Karen em seu corpo, queria apenas Giovanna. Os dois saíram do restaurante e Karen beijou-o na bochecha durante todo o trajeto, colocando as mãos por dentro da sua blusa. Ele parou na frente da casa dela. - Aqui? – Karen perguntou. –Não vamos pro seu apartamento? - Eu vou. – ele disse. – Você fica aqui. Ela olhou-o, confusa. - Como assim? Não vamos dormir juntos? - Eu estou muito cansado, e amanhã trabalho cedo. – disse. – Mas passo aqui amanhã. Ou não. A mensagem estava subentendida. Karen pareceu decepcionada, mas consentiu e saiu do carro, irritada. Nero suspirou e dirigiu até seu apartamento, assim que entrou, caiu no sofá, suspirando. O que havia feito? Tudo o que mais queria era Giovanna, e havia acabado de perdê-la. Ele suspirou e fechou os olhos. “Eu entrei no apartamento com ela, estava enganchada em minha cintura, senti que podia encaixá-la na minha ereção, tudo o que nos separava eram aquelas roupas. Ela olhou para mim por um segundo, e depois sorriu, tomando os lábios nos meus vorazmente, com desejo, fome. Mordisquei seu pescoço, subindo até sua orelha, sentindo o quanto nosso corpos se desejavam. Ela sorriu também, e não conseguia carregá-la pelas escadas, tamanho era meu desejo, sentei-a em cima da mesa da sala. Ela encaixou-se novamente em minha fonte de desejo, sorrindo, como se apenas um toque a deixasse louca. Agarrei-a, podendo entrelaçar meus braços em sua cintura. Arranquei o elástico dos seus cabelos, e eles caíram sobre suas costas. Eu queria muito fazer aquilo. Ela apoiou os cotovelos na mesa, e arranquei sua blusa, deparando-me com um par de seios perfeitos, cobertos pelo sutiã, do qual me desfiz também. Eles cabiam nas palmas das minhas mãos. Não resisti ao impulso de beijá-los, e ela soltou um gemido, agarrando-se em meus cabelos. Ela deitou-se mais um pouco na mesa de vidro, e desci os lábios até sua cintura delgada. Levantei-me, tirando suas calças com um puxão, e ela retesou-se. Estava apenas com os belos sapatos de salto. - Você é tão deliciosa. – sussurrei. – Quero te provar a noite toda. - Eu sou sua. – ela respondeu. Não precisamos de mais palavras, afastei rapidamente sua calcinha de renda preta, e senti o desejo invadir-me com sua visão. Ela era linda, perfeita. - Você é incrível. – sussurrei. - Eu quero que você me beije. – ela respondeu. – Aqui. Sorri e desci os lábios por sua barriga. Quando toquei-a com minha língua, ela recurou por um segundo, mas depois aproximou-se, colocando os quadris em meus lábios. Suguei-a lentamente, e ela contorceu-se, soltando um longo gemido. - Isso... – ela sussurrou. – Assim... Comecei um movimento circular, e ela acompanhou-me em um movimento dos quadris. Aumentei a velocidade, e ela gritou. - Ah, Alexandre... – gemeu. – Isso! Continuei, até que ela soltou um líquido pré-seminal e jogou a cabeça para trás, gemendo alto. Ela desceu da mesa e apoiou uma perna com o sapato na cadeira, com um sorriso safado. Ela passou as mãos por minhas costas e arrancou minha camiseta, depois desceu a braguilha da calça, colocando a mão ali, apertando-me sobre a cueca. - Ah... – gemi. Livrei-me da calça rapidamente, e ela tirou minha cueca. Assim que vi-me livre daquele pedaço de tecido, ela começou a beijar-me e lamber-me, e senti o desejo invadir meu corpo. Agarrei seus cabelos. - Mais. – sussurrei. – Mais. Ela obedeceu, continuou chupando-me, sem tirar os olhos dos meus. - Fica, fica... – sussurrei, e depois senti o prazer varrer-me. – Ah... Ela sorriu e levantou-se. - Eu quase gozo só de te ver. – murmurei. - Vou fazer você gozar por motivos mais interessantes. – ela respondeu. Sorri e agarrei-a pelas costas, freneticamente, jogando-a em cima da mesa. Suspirei, sentindo o vidro tilintar sobre nós, podia quebrar a qualquer momento. - Quero sentir você dentro de mim. – ela sussurrou. – Agora. Subi sobre ela, as nossas pernas em cima da mesa. Ela abriu as pernas, e coloquei-me entre elas. Quando a invadi, ela soltou um gemido lento, e depois desmoronou. Peguei-a pelas costas e levantei-a, e logo ela começou a se mexer, gritando, com os olhos fechados. - Sim, sim, sim. – gemeu. – Mais! Dei para ela o que queria, saindo e entrando do seu corpo, em uma velocidade e força que a machucavam, mas ela gritava, arranhava minhas costas. - Está doendo? – perguntei. - Sim, porra. – ela gritou. – Não pare! Sorri, aumentando a velocidade, sentindo a mesa tremer sob nós. Ela virou-se, levantando uma das pernas, e consegui chegar onde não consegui antes. O novo movimento a fez urrar. - Sim, isso! – gritou. Movi-me onde ela pediu, dando firmes estocadas. - Aí! – dei uma estocada forte, e ela gritou. – Ah, seu gostoso! - Delícia... – sussurrei em seu ouvido. – Quer mais? - Não pare! – ela gritou. – Não pare! Continuamos no movimento por um bom tempo, até que ela gritou novamente. - Eu vou... Ah! – ela gemeu. Olhei para ela mais uma vez, e ela arranhou meu peito, antes de ambos tombarmos em um orgasmo violento.” Nero acordou de repente, suado, completamente excitado, estava deitado no sofá da sala. - Giovanna! – ele murmurou, antes de cair novamente nos seus desejos.
Giovanna chegou a casa e jogou-se na cama, soltando um longo suspiro. Leo não estava ali ainda, mas as crianças já dormiam. Ela caminhou até o quarto de Pietro e deu uma olhada pela fresta da porta, vendo o menino adormecido, os cabelos loiros aparecendo por cima do lençol azul marinho. Ela permitiu-se abrir um pequeno sorriso, notando como sentia falta das noites tranquilas com seus filhos, em que jantavam juntos, normalmente assistiam televisão até a hora de dormir. Ela sentia-se culpada, culpada por estar se tornando uma mãe ausente, o tipo de mãe que nunca quis ser. Sempre tentou passar o maior tempo possível com as crianças, tanto pelo seu trabalho sem horário quanto pelo prazer de vê-las crescer. Antonia e Sofia ainda não tinham tantos problemas, eram pequenas e passavam a maior parte do dia com a babá, mas Giovanna sentia-se culpada por Pietro, notando que não conversava ou brincava com o filho há dias. Ela soltou um suspiro, caminhou até o seu quarto pé ante pé, tentando reter-se do pensamento em Nero para concentrar-se exclusivamente no seu menino. Ela ligou o notebook e vagou um pouco pelo Twitter, soltando pequenos suspiros, vendo que não conseguia evitar o impulso de procurar o nome de Nero no Google, e depois clicar na opção ‘fotos’. Sentindo mais culpa ainda, ela fechou a página e abriu outra sobre viagens. Procurou por destinos bons para ir com Pietro, e apenas com ele. Queria se afastar de tudo por um tempo, Nero, Leo, até das gêmeas. Queria pensar, curtir seu único menino, o único homem que amava no mundo que não lhe trazia problemas. Quando ela pousou a cabeça na escrivaninha de madeira, ouviu seu celular tocando. - Nero? – disse, em um impulso. Escutou um silêncio do outro lado da linha. - Sou eu, Gio. – disse. – Estava esperando seu parceiro ligar? Ela corou ao reconhecer a voz de Leo. - Oi... Não, quer dizer, sim. – ela suspirou. – Vamos filmar amanhã. - Ah. – ele disse, e ficou em silêncio. Depois de um segundo, falou. - Meu amor, estou embarcando pra São Paulo agora. – soltou. Giovanna levou as mãos ao cabelo. - Você o quê? – indagou. Leo sempre fazia aquele tipo de coisa, sumia, ia para viagens de um dia para o outro. - Estou indo pra São Paulo. – disse. – Coisa da novela, mas é rápido. Amanhã à noite estou de volta. Giovanna suspirou. - Eu não posso levar o Pietro pra escola. – ela disse. - Manda um táxi. – Leo murmurou. - Não vou mandar meu filho de oito anos em um táxi. – ela disse, irritada. Leo ficou em silêncio. - Tá, mas você dá um jeito. – ele disse. – Até amanhã, Gio. Ela desligou, irritada, e bateu o celular com força no tampão da mesa, soltando um gemido. Giovanna encostou a cabeça na mesa, e hesitou por um segundo, antes de fechar o computador e jogar-se na cama, suspirando. Ela ficou deitada, olhando para cima, sentindo a brisa fria que entrava pela janela da varanda, que rodopiava em seu corpo. Ela fechou os olhos por um segundo, pensando naquelas línguas de ar frio, pensando em Nero. O vento comparava-se com suas carícias, ou pelo menos como ela imaginava que fossem. Abriu os olhos repentinamente, lembrando-se da briga naquela manhã. Ela pegou o celular novamente e sentou-se na varanda, suspirando. Discou o número que havia decorado antes que se arrependesse. Discou duas vezes, antes de ele atender. - Gio. – suspirou. Giovanna não conseguiu evitar um sorriso. Ele havia decorado seu número. - Nero. – ela murmurou. – Oi. Os dois ficaram em silêncio, mas não um silêncio desconfortável como o de Leo, era mais um silêncio carregado de expectativas. - Eu quero pedir desculpas. – ela disse. – Toda aquela briga parece meio idiota agora. Ela notou que ele hesitou. - Eu que quero me desculpar. – ele respondeu. – Não deveria ter dito aquelas coisas. Giovanna murmurou, fechando os olhos, inebriando-se com a voz dele. - Eu entendo. – ela disse. - Eu vou terminar com a Karen. – ele sussurrou. – Não que haja algo entre nós, não há, mas não quero deixar nada com pontas soltas. – Giovanna arquejou. – Não quero que você pense que existe alguém mais importante pra mim nesse mundo do que você, porque não existe. Giovanna perdeu completamente o ar e hesitou por um segundo antes de falar. - Ah, Nero... – ela fechou os olhos. - Eu não quero que você tome uma decisão, nem quero te pressionar, mas quero que saiba. – ele disse. – Eu quero te ver, Gio. Ela soltou um curto gemido. - Não é uma boa ideia. – ela disse. - Não diga isso pra mim agora, não dirigi até aqui por nada. Ela soltou uma exclamação, e depois um suspiro, saindo da varanda rapidamente, sentindo o braço eriçar-se pela mudança de temperatura. Ela correu até a porta, e quando abriu-a, viu Nero em pé, apoiado na parede ao lado da porta. Ela puxou-o para dentro. - O que você tá fazendo aqui? – sussurrou. – Ficou louco? Ele sorriu, desligou o celular. Giovanna colocou as mãos na cintura. - Nero, eu moro aqui com a minha família... – levou as mãos à cabeça. – Não faça isso de novo. Ele sorriu novamente. - Por que você não fala nada? – ela perguntou. - Porque pra te admirar não preciso falar nada. – ela sentiu sua expressão abrandar. – Você é perfeita. Giovanna sentiu todo seu semblante esmorecer, e deixou os ombros penderem. - O Leo está viajando. – ela disse. Ele consentiu. - Podemos conversar? – ele perguntou. Giovanna assentiu lentamente, caminhou até a adega da sala. - Quer vinho? – ela disse. – Preciso de uma taça. Nero riu e acenou com a cabeça. - Minha vó dizia que vinho era o calmante para tudo. Giovanna serviu uma taça, trêmula, mas logo sentiu a presença dele atrás dela, Mas não se virou. - Ela estava certa. Ele pegou sua mão na dele, delicadamente, e serviu a outra taça com segurança, levando-a aos lábios de Giovanna. A atriz logo pegou a taça, olhando para ele. Leo nunca fazia aquelas coisas, e mesmo no começo do namoro, ela nunca sentiu-se daquele modo ao lado dele. - Obrigada. – disse. Ele sorriu, levando o vinho aos lábios. - Não tem de quê. – ele riu. Giovanna virou-se e levou-o até o seu quarto, encostado a porta, sentindo-se culpada por trazer um homem para seu quarto com o marido, enquanto ao filhos dormiam nos quartos ao lado, mas tranquilizou-se. Eles apenas iam conversar. Como bons amigos. Amigos. A porta estava encostada, não trancada. Ele caminhou até a varanda, e olhou por ela. - A praia fica linda à noite. – ele sussurrou, sem nem se importar se ela ouvia ou não. – A lua dessa cor... Parece que quer mandar uma mensagem. Giovanna sorriu, e debruçou-se ao lado dele. Os dois levaram as taças aos lábios, e Nero não conseguiu parar de olhar para o movimento dela, o modo delicado como arqueava o pescoço ao beber, como lambia o cristal da taça delicadamente antes de pousá-la na parapeito, seu sorriso, os olhos predadores, de um âmbar cruel. - O que você ia falar? – ela sussurrou. - Eu queria dizer que sinto muito. – ele disse. – Sinto muito pela Karen. Sinto muito por tudo aquilo no meu apartamento, e no restaurante. Ela interrompeu-o. - Eu exagerei. – disse. – Eu sabia desde o começo que você tinha uma namorada, mas era como se a ficha não caísse. Eles hesitaram por um segundo, ficaram em silêncio, até que Nero soltou. - Eu não aguento mais. – ele virou-se. – Eu não consigo ficar assim, próximo de você, sem pensar em arrancar suas roupas e te jogar no primeiro lugar que encontrar, não consigo evitar o desejo só por te ouvir falar. – ele olhou-a. – Eu estou louco por você. Giovanna recuou. - Nero... – ela disse, temerosa. - Não espero que você sinta o mesmo, e estou feliz por sermos amigos, mas eu não consigo estar ao seu lado sem pensar nesse ‘mais’, sem querer te amar, te amar de todos os modos. Ela arrepiou-se por completo. - Eu também. – ela sussurrou, em êxtase. - Você o quê? – ele indagou. - Eu também quero te amar. – ela murmurou. – De todos os modos. Ela nem percebeu como de repente foi parar na parede fria, mas aquilo não importava, pois ele estava mais próximo dela do que já esteve antes, suas pernas se tocando, ele na sua frente. Nero olhou para ela. - Você é a tentação em sua forma mais pura, Giovanna. Ela sorriu e inclinou o rosto, notando que o desejava, que o queria, seus lábios, seu corpo, seu coração. Quando sentiu os lábios dele nos seus, seu mundo deu voltas, e ela sentiu-se estremecer completamente. Nero não abriu a boca, e ela também não, mas compensou a falta da proximidade em seus lábios percorrendo sua pele nua por baixo da blusa. Ela sentiu quando ele apertou sua cintura levemente, e foi subindo, pausando um pouco abaixo de onde seu sutiã deveria estar. - Você está sem sutiã? – ele perguntou, a voz tentadoramente sexy. Ela sorriu, e voltou a olhar para ele. Nero não subiu mais as mãos, como se conhecesse seus limites, mas prendeu-a na parede, forçando seus quadris contra os dela. Giovanna soltou um gemido fraco, e pegou em sua mão, percorrendo-a pelo seu corpo. Nero levantou a mão dentro de sua blusa apenas por um segundo, e roçou um seio, antes de Giovanna gemer e sentir-se a ponto de se entregar. Em um ímpeto, ela afastou-se. Depois de um bom tempo, olhou para ele. Ela chorava.
Nero hesitou por um segundo antes de fixar os olhos em Giovanna. Ela estava virada, com os olhos voltados para o céu, e seu rosto era banhado pela luminosidade fosforescente da lua cheia. - Às vezes você não pensa... – ela começou, após um minuto silencioso. – Não pensa em mudar sua vida inteira? Nero não respondeu, pois sentia que ela não queria uma resposta. - Eu sempre quis mudar, ser diferente, a cada nova época, eu queria virar outra pessoa. – soltou um leve sorriso. – Acho que é por isso que eu sou atriz. – sua expressão fechou-se. – Mas não podemos mudar tudo. Porque algumas coisas dependem mais dos outros do que de nós. Nero ficou atento, escutando cada palavra. - Eu estou apaixonada, Alexandre. – ela revelou, após um longo tempo. – Eu estou louca por você, eu não consigo parar de pensar em você. Ele arquejou, e ia se aproximar, mas ele cruzou os braços de um modo defensivo. - Eu... Eu não queria sentir isso, eu não me queria sentir desse jeito por outra pessoa. – ela suspirou. – Mas não posso fazer nada. Essa minha ânsia por mudar fez eu me apaixonar por você. Nero não evitou a intervenção. - Não. – ele aproximou-se, e ela pode notar uma pontada de raiva em seu olhar. – Não é só isso, e você sabe que não. – ele tocou sua pele, quente e macia. – Você sabe que não é só sua sede por mudança que te faz me querer. Ela hesitou, mas ele continuou. - Nós mudamos muito, Gio, e não há como negar isso. – ele suspirou. – Antes eu queria ser livre, e agora não consigo pensar em outra pessoa além de você sem me sentir culpado. Giovanna baixou a cabeça, e Nero pegou-a, pressionando seu corpo rijo em todas as partes onde ela era macia. Giovanna inclinou a cabeça para trás, em um gesto imediato. - Você não precisa. – ela sussurrou. – Porque nós dois... Nós não temos nada. Ele olhou para ela por um segundo, seus olhares se capturando, as pontas mescladas de raias cor de caramelo nos olhos dela brilhavam, como se demonstrassem mais de seus verdadeiros sentimentos do que ela realmente falava. - Não temos nada? – ele perguntou. - Não... – ela disse, com o tom menos convicto. Antes que Giovanna pudesse fazer algo, Nero baixou a cabeça e beijou-a, e ela sentiu, pela primeira vez, o gosto de paixão que emanava por seus lábios e aquecia-lhe o coração. Ela queria mais, muito mais. Giovanna soltou um curto suspiro em seus lábios, e ele não se afastou como costumava fazer. Pela primeira vez em que o beijou, ela pode sentir a ânsia que tinham um pelo outro, o amor, desejo. Paixão. Nero hesitou e olhou para ela por um segundo. - Não pare. – Giovanna sussurrou. E ele não parou. Levou os lábios novamente até os dela, como um compresso quente, os lábios tinham uma temperatura fogosa que ela sempre quis sentir. Depois de um segundo, ele penetrou sua boca com a língua, e Giovanna sentiu todo seu corpo arquear para trás, enquanto ele invadia sua blusa com uma das mãos. Giovanna sentiu suas costas em chamas baterem na parede fria, e a mescla de temperatura a deixou com ainda mais desejo por aquele homem, aquele homem que a beijava do modo como ela sempre quis ser beijada, tocava-a como ela queria ser tocada. Nero pegou-a em seus braços, e Giovanna não recuou. Não por que não podia, mas sim por que não queria, já que ele não a apertava com muita força. Ela sentiu o baque do colchão leve nas costas, e ele caiu sobre ela, os olhos negros demonstrando tanto desejo quanto seu corpo, rijo e firme. Giovanna soltou outro longo suspiro, quando ele deslizou a palma da mão por sua pele quente, fazendo pequenos círculos com os dedos, que a faziam sentir que desfalecia mais e mais a cada segundo. Ela quase esperava que ele fosse parar logo abaixo do sutiã, como sempre fazia, mas daquela vez, ele subiu, e colocou uma das mãos sobre seu seio esquerdo coberto pelo tecido, fazendo todos os pelos do seu corpo arrepiarem-se. - É melhor pararmos. – Nero sussurrou, mas não parou de tocá-la. Ela tocou-o no rosto, na linha entre a boca e bochecha. - Não. – ela sussurrou. – Eu quero. Ele não precisou de mais estímulo, percorreu suas costas arqueadas com habilidade, massageando-a delicadamente, e logo depois soltou o fecho do sutiã. Giovanna fechou os olhos ao sentir que ele ergui-a um pouco, apenas o suficiente para tirar sua blusa. Quando sentiu-se despida, olhou-o nos olhos. Nero parecia devorá-la com o olhar. - Você é linda! – ele disse, com um sorriso. – Perfeita! Ela sorriu. Era bom sentir-se daquele modo, admirada. Nero abaixou-se, pegando um dos seus seios em concha, e apertou-o com delicadeza, fazendo Giovanna soltar um gemido alto. - Cabe exatamente na minha mão... – ele sussurrou. Ela também soltou um suspiro, e prendeu-se mais ao corpo dele. Nero aproximou-se, e ela pode sentir sua barriga nua colada no peito coberto dele. Quando Giovanna sentia-se a ponto de se entregar, ambos foram interrompidos pelo som alto de um telefone. Giovanna recuou por um momento, e Nero levou uma das mãos ao bolso, a outra ainda capturando seu seio. - É minha mãe. – ele disse, franzindo a testa. – Preciso atender. Giovanna revirou os olhos, mas acabou soltando um sorriso. Só então sentindo que estava nua, ela corou, pegando o sutiã sobre a cama. - Odeio a tecnologia moderna nessas horas. – Nero resmungou. Ela sorriu, mas no fundo, agradecia pelo telefone. Não sentia-se segura para se entregar, mesmo que a poucos segundos pensasse o contrário. Ela estava agindo mais com os estímulos do que com a razão, e aquilo não poderia terminar em nada bom. Ignorou a conversa curta de Nero com a mãe, evidentemente algum problema, mas ela pensava em outras coisas. Depois de alguns minutos, sentiu o toque dele em seu braço. - É melhor eu ir embora. – disse. Ela fitou-o. Mordia o lábio de uma maneira deliciosamente sensual. - É. – ela disse, com dificuldade. Os dois caminharam juntos até a porta de saída, e antes de abrir a porta, ela olhou-o nos olhos. - Desculpe. – sussurrou. - Você não está pronta. – ele sussurrou. – E quando estiver comigo... Não quero que se arrependa depois. Ele tocou-a na bochecha, e ela não ouviu a porta fechando-se com delicadeza e ele saindo, atenta ao calor daquele toque.
Segundos depois de Nero sair, Giovanna ouviu a porta batendo novamente, com um ímpeto feroz, e ela obrigou-se a sair de sua embriaguez pelo toque doce dele, abrindo a porta. - O que foi? – perguntou. Era Nero novamente, seu semblante era de medo e dúvida, e ele recuou quando Giovanna abriu. - Seu marido. – ele disse. – Você não disse que ele estava viajando? Giovanna puxou-o para dentro do apartamento antes de olhar para fora, e viu Leo ali, saindo do elevador, com uma mala nas mãos. Ela fechou a porta e trancou antes que Leo visse, e depois se voltou para Nero, parado. - Ele estava viajando! – ela disse, irritada. Nero olhou para ela por um segundo, e logo Giovanna mexeu a cabeça. - Venha. – ela sussurrou. – Nãofaça barulho. Ela caminhou rapidamente até o quarto, o mesmo quarto onde os dois haviam quase passado a noite juntas, o mesmo quarto onde ela supostamente se entregara para Nero. - Isso foi uma estupidez! – Nero sussurrou, enquanto andavam. - Não foi uma estupidez. – ela desviou o olhar. – Você preferia o quê? Que eu saísse com você à noite e deixasse meus filhos aqui? A briga era em tom baixo, mas Giovanna notou quando ele ficou em silêncio. - Você confia tão pouco em mim que achou que eu ia fazer o quê? Te estuprar no carro? – ele rosnou, irritado. Ela deu de ombros, abriu a porta do quarto e não olhou para ele. - Não sei do que você é capaz, aparentemente, você é bem diferente do que eu pensei. – ela disse. – Não sei se isso é bom. - Você podia ter falado comigo, em vez de me mandar vir pra sua casa de madrugada. – ele disse, entrando no quarto atrás dela. A porta da sala ainda estava fechada. - Eu não tinha tempo pra falar. – ela sussurrou, fechando a porta e passando a chave. - Nós estávamos no telefone. – ele suspirou. – Você não confiar em mim me enfurece. Giovanna hesitou por um segundo, mas não respondeu, e caminhou até o closet, tirando algumas malas do armário. - Eu sei exatamente como você se sente. – ela disse cínica, deixando que ele descobrisse por si só o que ela queria dizer. - Você sabe que a Karen... – ele começou. Ela virou-se repentinamente, olhando para ele, frustrada. - É o quê? É diferente? Não, não é. – um nó formou-se em sua garganta, ela ainda se recusava a olhar para ele. – Nós dois temos uma vida, além disso, Alexandre. Eu tenho meu marido e meus filhos. Você tem sua namorada. – ele ia falar algo, mas ela cortou-o. – E não venha dizer que é diferente, porque a única diferença é que desde o começo eu deixei claro que tinha marido e filhos, enquanto você precisou mentir. Nero olhou para ela. - Você disse que me entendia, e eu expliquei que não amo a Karen, que não quero estar com ela, e que amo você. – ele hesitou. – Você disse que tinha sido exagerada no restaurante, quando ficou com raiva, ou talvez não tenha ficado... Droga! Você me confunde! – ele levou as mãos à cabeça. Ambos ouviram a maçaneta da porta rodar, e Giovanna hesitou por um momento, sabendo que em poucos minutos Leo entraria no quarto. Ela desistiu de abrir um espaço no closet para Nero esconder-se e empurrou-o para debaixo da cama, deitando por cima. Podia ouvir sua respiração fraca sob a madeira. - Eu sei... – ela sussurrou, respondendo-o. – Não sei por que disse aquilo, eu fiquei com ciúmes, mais do que isso talvez. – ela suspirou, vendo que ele não respondia. – Eu entendo, entendo que assim como eu sou casada, você pode ter uma namorada. - Então você está voltando ao argumento de que é mulher, portanto pode mudar de opinião? – ele sussurrou, alto o suficiente para que ela ouvisse. - Isso mesmo. – lágrimas arderam em seus olhos, e ela hesitou por um momento, sentindo quando ele se mexeu sob o estrado. - Gio? – ela ouviu, na porta fechada. Giovanna fechou os olhos e virou-se na cama, cobrindo-se com as cobertas que emanavam uma mescla do cheiro de Nero, ardente e sensual, e o de Leo, neutro. Ela ouviu uma batida fraca na porta. - Gio? Não respondeu novamente, depois escutou quando ele mexeu nos bolsos procurando pela chave, e enfim a porta abriu-se. Giovanna retesou-se ao ver, com a fresta dos olhos, Leo olhando para a cama, mas ela não sabia se estava olhando por baixo dela também. Virou-se um pouco, e depois de alguns segundos, sentiu um beijo delicado na testa. Leo caminhou até a mesinha do centro do quarto e escreveu alguma coisa em um dos papéis de anotação. Giovanna abriu um pouco os olhos, o suficiente para vê-lo abrir uma das gavetas do criado mudo, tirar uma pasta pequena e amarela, onde ela sabia que ele guardava documentos, e sair novamente. - Será que ele já foi? – Nero sussurrou. Giovanna não respondeu, até ouvir o som da porta da sala batendo, e depois se levantou rapidamente, procurando pelo bilhete. ‘Esqueci meu seguro. Volto no sábado. Amo-te, saudades das crianças’. Giovanna suspirou, logo sentindo a presença de Nero atrás dela, quente como sempre, mas naquela manhã, de um modo quase irritante. Ela bateu o pedaço de papel no peito dele, e Nero pegou-o com os dedos, no mesmo momento em que ela batia a porta do banheiro com força, irritada. Queria apenas um pouco de solidão. Depois de uma hora, Giovanna saiu, não vendo Nero no quarto, mas podendo sentir sua presença. O bilhete estava na mesinha, e ela notou a cama arrumada. No tempo que passou no banheiro, Giovanna tomou banho, ou a desculpa que poderia dar para chorar as mágoas que a acometiam sem precisar se importar se alguém a escutaria. Ela suspirou. Vestiu-se rapidamente, as mesmas roupas que comumente usava, e pegou sua bolsa, abrindo a porta do quarto antes que pudesse ver onde Nero estava. Todos ainda estavam dormindo, e ela notou que não passava muito das sete da manhã. Soltou um suspiro e prendeu o cabelo em um longo rabo de cavalo. Sem ver se ele vinha atrás, ela abriu a porta e saiu, fechando-a logo em seguida. Giovanna obrigou-se a andar pelo corredor sem olhar para trás, e não podia escutar seus passos tipicamente masculinos no carpete afofado. Ela suspirou, sentindo as lágrimas aflorarem em seus olhos e tocarem a pele quente pelo banho. Quando ia atravessar o saguão, escutou uma voz atrás de si. - Mais devagar! – era Nero. Ela correu. O ódio que sentia por toda aquela situação não era nem comparada com a mistura de sentimentos que afloravam em seu peito ao olhar para ele. E ela não sabia se conseguiria suportar.
A porta do carro surgiu na frente de Giovanna, e seu coração martelava no peito. Ela rezou para que ele não estivesse com o carro estacionado muito próximo ao dela, que, por descuido, havia parado na rua na noite anterior. Embora ela não sentisse que seu corpo estivesse cansado, seu coração estava. - Porra, Gio! – escutou às suas costas. Tudo, desde o tom ofegante de Nero até o som dos seus passos no asfalto quente conotavam irritação, confusão. - Eu pedi pra parar! – ele gritou, do outro lado da rua, enquanto ela abria a porta do carro com a chave. Justamente quando ela estava prestes a se virar, sentiu-o agarrando-a pela cintura no mesmo momento em que abria a porta. Os dois caíram com tudo, e ele envolveu-a com os braços para protegê-la da queda quando ela bateu a nuca na porta. Assim que viu que estavam seguros, ele fechou a porta onde Giovanna estava sentada e deu a volta, indo para o banco do motorista. Giovanna não disse nada enquanto ele dirigia, sequer sabiam para onde estava indo, as ruas passavam velozes. - O que há com você? – ele perguntou, após um silêncio quase cruel. Ela virou o rosto, fitando a paisagem da praia, quente e envolvente, enquanto passavam, rápidos. Podia sentir o olhar de Nero penetrando-a pelas costas. As lágrimas ardiam em seus olhos. - Gio. – a voz dele soou mais suave. – Olhe pra mim. Ela não olhou, não queria. Continuou fitando a janela, tentando impedir as lágrimas. - Só não aguento mais isso. – ela sussurrou, ríspida. - Isso o quê? – ele perguntou, e ela viu, pelo canto do olho, o peito dele subindo e descendo. - Tudo. – ela respondeu. – Tudo isso. Eu não aguento mais. - Está falando da gente? De nós dois? – ele suspirou. – Por que eu sou capaz de... Ela o encarou. - Capaz do quê? – fitou seus olhos pela primeira vez, surpresa por ver mais melancolia do que qualquer coisa. – Se nem capaz de falar a verdade você é? Percebendo que o contato com os olhos negros e lúcidos dele pioraria tudo, ela virou a cabeça. - É por causa disso que está assim? – ele suspirou. – Droga, Gio, eu já disse, eu já tentei explicar de todas as formas... Ela olhou para ele outra vez, incapaz de impedir o contato. - Que formas? – ela suspirou as lágrimas ardendo em seus olhos. – Eu já entendi, entendi que você tem uma namorada, que você tem uma vida além do... Disso comigo. – ela hesitou. – Mas eu não sei... Eu só queria... Queria que não tivesse acontecido, que eu não tivesse me apaixonado. Ele retesou-se por um segundo, e depois soltou um leve murmúrio. - Você está apaixonada? – ele sussurrou. Ela não respondeu. – Gio? A emoção fez os lábios dela tremerem. - Gio? – ele sussurrou, tocando no queixo dela com o polegar. – Me responde. Ela virou-se abruptamente. - Estou, estou sim. – ela sentiu as lágrimas aflorarem em seus olhos. – Por que, não é? Também não sei. A expressão dele ficou um pouco mais sombria e ele tirou a mão de seu queixo, estacionando abruptamente em uma rua escondida, entre a praia e as primeiras construções. - O que aconteceu? – ela perguntou, assustada. – Por que você parou? - Pra você parar de olhar para essa janela e olhar pra mim. – ele disse, frio. – Fale comigo, Gio. Ela suspirou por um segundo. - Isso não vai dar certo. – ela murmurou, por fim. - Podemos fazer dar certo. – ele respondeu. Giovanna negou com a cabeça, sem olhar para ele. - Isso vai ser uma tragédia, você sabe disso. – ela suspirou. – A mídia, a imprensa... Nero interrompeu-a, pousando um dedo em seus lábios. - Não importa o que você é pra eles. – ele sussurrou. – Pra eles você pode ser até Giovanna Antonelli, a atriz. – ele olhou nos olhos dela. – O importante pra mim é o que você é aqui. – tocou em seu peito, um pouco acima do seio esquerdo. Giovanna sentiu sua pulsação acelerar. - Você me enfeitiçou no primeiro momento que te vi, naquela audiência da novela... – ele sorriu brevemente. – Você chegou atrasada, e assim que entrou, todo mundo olhou pra você... E ninguém desviou o olhar. Ninguém conseguia parar de olhar pro modo como você sorri, como você anda. – ele roçou o dedo em seu cabelo. – Você é perfeita, Giovanna. As lágrimas de Giovanna umedeceram seu rosto, de repente, um delicado odor de sândalo invadiu suas narinas, e ela sabia que era Nero. - E ainda estou enfeitiçado. – ele sussurrou. – E acho que nunca vou deixar de estar. Nero secou uma lágrima na bochecha dela, e Giovanna tocou em suas mãos. - Eu não sou isso. – ela murmurou. – Eu não quero que você pense que eu sou essa pessoa perfeita... E depois descubra que não sou. Nero olhou para ela por um segundo. - Você é. – ele disse. – Você é perfeita. – ele tocou em seu nariz. – Eu adoro o formato do seu nariz, como é um pouco arrebitado na ponta. – subiu para seus olhos. – E seus olhos... Eu podia me perder neles... Tem uma cor que eu nunca vi antes. – Giovanna não conseguia parar de fitá-lo. – Tudo, seu sorriso, o modo como você franze a testa quando não entende as coisas, o jeito que você lambe os lábios pra concluir um raciocínio, quando você apoia o queixo no joelho pra descansar... E você espirra de um jeito lindo. Giovanna sentiu um sorriso crescer em seus lábios. - Você está exagerando. – ela riu. - Não estou. – ele respondeu. – Só queria que você se visse como eu te vejo. – ele aproximou-se. – E mais... O modo como você prende a respiração quando eu chego assim, perto. Ou como prende as mãos nas minhas costas... – ela sentiu a respiração dele, fraca, em seu rosto. – Quando eu te beijo. O beijo tinha sabor de inocência, e ela sentiu como se o conhecesse há muito mais tempo, como se tivesse compartilhado uma vida com ele. Nero tocou-a nas costas, e Giovanna sentiu-se ceder ao seu peso, desmoronando em seu colo, os lábios presos por seus dentes leves, que apenas a pressionavam. Ela soltou um gemido fraco, ao mesmo tempo em que sentiu sua língua enrodilhar-se com a dele. Giovanna sentiu um choque percorrê-la por completo, e afastou-se. - Você sentiu isso? – ela sussurrou. - Claro. – o modo como ele respondeu a fazia pensar se estavam falando da mesma coisa. Ele beijou-a novamente, mas não um beijo inocente. Ela sentiu as mãos dele firmarem-se em sua cintura, e o corpo dele pressionou-a em todas as partes que os diferenciavam, ela escutou o som delicado que ele fazia com o peito enquanto a beijava, que a seduzia por completo, e ela queria cada vez mais estar com ele, presa em seu corpo. Os lábios dele se afastaram e desceram pelo pescoço, quentes, pressionando os pontos exatos para fazer todos os nervos dela amolecerem, e Giovanna sentiu que poderia cair, se já não estivesse sentada. Nero levou as mãos até suas costas, abrindo delicadamente o fecho do sutiã, e depois sua mão voltou a acariciar a pele nua do seio, fazendo-a gemer de prazer. Nero tirou a blusa dela delicadamente, sem descolar os olhos dos de Giovanna. - Não me canso de olhar pra você. – ele sussurrou. Ela sentiu-se bonita, amada, admirada. Ele hesitou por um momento, ao aproximar-se, e Giovanna puxou-o para seu peito. - Eu quero. – ela sussurrou, adorando a sensação da blusa dele sobre seus seios nus. O beijo passou de quente para febril, ela nem reparou que ele tirou a camisa até que sentiu a pele quente do seu peito encostando-se a seus seios. Ele desceu os lábios por seu pescoço, agitando-a de modo que ela sussurrou seu nome. Quando Giovanna iria incitá-lo a mais, ele recuou, olhou-a por um segundo e depois abraçou-a, firmando seus seios no peito dele. - O que foi? – ela sussurrou. – Aconteceu alguma coisa? - Você é a tentação em sua pior forma, Giovanna. – ele respondeu. Ela virou a cabeça, confusa. - Não quero que seja assim. – ele disse. – Quero que nossa primeira vez juntos... – ele hesitou. – Não quero que pense que foi por acaso. Ela suspirou e hesitou por um segundo, mas logo entendeu. Só então percebeu que estava nua, os seios despontando. Olhou para ele novamente. Em que ponto o que sentia por ele havia virado aquilo? Algo que ela nem sabia explicar sem sentir a miscelânea de emoções invadir seu peito e quebrar as amarras do seu coração?
Giovanna olhou para Nero uma última vez antes dele dirigir até o Projac. - Você precisa ficar aqui hoje? – ele disse. – Não temos gravação. - Preciso. – ela respondeu, sem coragem de encará-lo. – Eu... Preciso fazer umas coisas. Nero pegou-a pelo queixo e a fez olhar para ele. - Tudo isso é pra não ficar comigo? Giovanna hesitou por um segundo. - Talvez. – disse. Ele soltou-a, obviamente frustrado, e então abriu sua porta. Giovanna saiu, deixando que ele estacionasse seu carro. - Eu vou esperar aqui. – ele disse. – Você não vai se livrar de mim. Ela olhou-o por um segundo. - Não faça isso. – disse. – Por favor. Ela pôde ver uma ponta de mágoa nos olhos dele, e logo Nero apenas negou com a cabeça, virando-se. Giovanna queria chamá-lo, mas não tinha coragem de fazê-lo. Por fim, virou-se e entrou nas portas de vidro do Projac, que nunca pareceram menos acolhedoras do que naquele momento. Ela caminhou vagante pelas portas que conhecia desde criança, lembrando-se que realmente havia um propósito por estar ali, sua amiga Amora Mautner, havia pedido que ela desse algumas lições de teatro para as crianças novas do grupo, e ela havia concordado. Soltou um suspiro, logo pegando o celular. - Amora? – perguntou, ao terceiro toque. - Gio. – ela respondeu. – Está pronta? - Estou aqui. – ela disse. – Onde você está? - Na minha sala. – respondeu. – Chamei mais alguns atores, vamos sair todos juntos. As crianças vão pirar. Ela sentiu uma pontada de nervosismo. - Quem? - Tiago, Reynaldo, a Paolla... Espero que não se incomode. Peguei só os mais famosos. Giovanna suspirou feliz por não ter escutado o nome de Nero na lista. Ela caminhou até a sala de Amora, interrompendo a chamada ao mesmo tempo. Havia uma meia dúzia de rostos conhecidos na sala, além de Amora. - Oi, gente. – ela sorriu, tentando esquecer, pelo menos naquele momento, o que estava acontecendo. - Gio, já expliquei pra todo mundo aqui. – Amora disse. – Vamos interromper um dos ensaios, para as crianças ficarem surpresas. Giovanna sorriu. - Legal. Quando? – perguntou. Amora olhou ao redor. - Já estamos todos aqui, podemos ir. Giovanna prostrou-se ao lado de Reynaldo, seu amigo de tempos, e ele logo lhe ofereceu um sorriso silencioso e caloroso. Eles caminharam pela grande construção até chegarem ao teatro dos iniciantes. - Agora. – Amora sussurrou. – Vamos. Gio, você fica aqui. Será nossa ‘’professora’’. – ela riu. Giovanna concordou com outro sorriso, e viu todos entrando pelas portas de madeira, onde ela lembrava ter estudado também, no que pareciam tantos anos atrás. Caminhou pela porta de trás, pela cochia, enquanto ouvia os gritos de admiração e espanto das crianças. Ela olhou para trás por um breve segundo, e quando virou-se novamente, bateu o peito contra um homem, logo recuando. Tinha que ser ele. Ela olhou para cima, e viu Nero, com camiseta e calça brancos, mas pintados de vermelho. Vermelho como sangue. Ele segurou-a pelos braços, mas logo soltou-a, quando viu que suas mãos mancharam a roupa dela. - O que é isso? – ela perguntou, e recuou. Nero a fitava com um olhar complacente.
Giovanna olhou para Nero por um segundo, e depois recuou. Sua blusa branca estava completamente vermelha, assim como a mão que ele usou para segurá-la. Giovanna arregalou os olhos, mas antes de pensar em qualquer coisa, estava novamente ao lado dele. - Meu Deus, o que aconteceu? – disse, em um tom preocupado que o fez olhá-la com confusão. – Você tá machucado? - Não... Gio... – ele começou, limpando a mão na blusa. - Vem, vem comigo... – ela hesitou em tocá-lo, mas logo sua mão fechou-se no pulso limpo dele. – Tem uma enfermaria logo ali. Ela começou a arrastá-lo, mais preocupada do que qualquer outra coisa, conseguia ouvir o burburinho das crianças na sala ao lado, mas não se importava mais com aquilo, queria apenas ajudá-lo, mesmo que não soubesse o que estava acontecendo. Quando ia alcançar a porta, sentiu que ele a puxou, e ao mesmo tempo em que virou-se para ele, tropeçou em seus saltos e caiu, batendo contra o peito dele, sujando mais sua blusa. - Ah, merda. – ele disse, logo afastando-a dele. Giovanna suspirou, mas não parecia se importar com a blusa, apenas pegou-o pela mão novamente. - Você está machucado. – ela disse. – Vem, por favor. Ela recomeçou a andar, mas logo ele puxou-a novamente, e antes que ela pudesse cair em seu peito, segurou-a, um pouco afastada. Giovanna começou a se mexer, mas ele a conteve, segurando-a pelos lábios, apertando suas bochechas de modo que ela ficasse com um biquinho. - O que você está fazendo? – ela gemeu. - Você fica linda preocupada. – ele sussurrou, a voz rouca. E então beijou-a daquele mesmo modo, e Giovanna logo recobrou a consciência, sentindo o sabor bem vindo dos seus lábios, mas logo empurrou-o. - Para! – ela disse, afastando-se. – Aqui não, Nero. Ele olhou-a por um segundo, e ela logo notou novamente as manchas em sua roupa e pele. - Vamos. – ela disse. – Não quero que você tenha uma infecção. - Gio, me escuta. – ele sussurrou. - Vem. – ela disse. Ele puxou-a uma terceira vez, e ela virou-se em outra direção, com o intuito de não cair sobre ele, mas ele continuou segurando-a e ambos caíram sobre as cortinas reserva do palco, amontoadas no chão, de um azul escuro. - Ai! – Giovanna gemeu. – Deixa eu me... Ele levantou-se antes, e depois segurou-a. - Você não quis me ouvir. – ele disse. – Não estou machucado. É sangue falso. Para as fotos de uma representação minha. Giovanna, à medida que foi entendendo, franziu a testa. - Representação? – perguntou. - Digamos que vou fazer uma peça de teatro em São Paulo. Ao ouvi-lo, ela corou completamente, e logo afastou-se dele novamente. - Então você não...? - Não. – ele cortou-a. Ela olhou-o por um segundo, as bochechas queimando, e logo afastou-se, virando-se. - Você está toda suja. - De sangue falso. – ela disse, seca. Começou a andar. - Ei, não é justo ficar brava comigo. – ele reclamou. – Você que não me deixava falar. Ela virou-se repentinamente. - Por que você sempre está nos lugares onde eu vou? – ela perguntou. – Você tá me seguindo? Ele recuou também. - Eu nem sabia que você estaria aqui! – ele defendeu-se. – Mas como você me deu um fora, resolvi tirar logo essas fotos... - Eu não te dei um fora! - Então como chama tudo aquilo no carro? Ela hesitou. - Não sei, mas não foi um fora. Nero revirou os olhos, e depois virou-se. - Onde você vai? – ela perguntou, a curiosidade vencendo-a. - Pro meu camarim. – ele disse. – Tem roupas limpas lá. Ela entendeu o convite, mas ficou parada, até que ele entrou por uma porta, sem nem virar-se para ver se ela o seguia, mas Giovanna o fez. - Sem gracinhas. – ela disse. Ele jogou uma blusa branca sem estampa para ela, e Giovanna pegou-a no ar. Nero virou-se enquanto ela despia-se. - Então, o que você veio fazer aqui? – ele perguntou. - Aula para as crianças. – ela disse. – Incentivo, algo do gênero. Ele concordou. - Só trouxeram os melhores. Giovanna deu de ombros, e notou pelo espelho da porta que ele a observava. - Olha pra lá. – ela disse. Nero suspirou. - Promete não ficar com gracinha pra cima de mim? - Prometo. – ele suspirou. Giovanna viu-se apenas com o sutiã preto, e não tinha mais tanta certeza se não queria que ele o visse, mas apenas continuou vestindo-se. Depois de um segundo, Nero virou-se repentinamente, e no segundo que seus olhos se cruzaram, ele devorou-a por completo. - Está muito difícil cumprir minha promessa. E com dois longos passos, cobriu o espaço existente entre os dois.
Giovanna recuou ao perceber o movimento ostensivo de Nero, e ele logo recuou também, ambos divididos por uma curta série de passos. Ele olhou para ele, com a testa levemente baixa, e Giovanna sentiu um arrepio percorrer toda sua coluna. - Pare. – ela sussurrou. Ele olhou-a longamente, ela segurava a blusa sobre os seios cobertos apenas pelo sutiã de renda preta, e ele podia ver as formas ondulatórias sob o tecido. - Eu... – ele sussurrou. Giovanna recuou até suas costas estarem presas na parede, intensificando seu calafrio leve. Ele continuou olhando para ela, sem exercer nenhum movimento, e depois se aproximou novamente, escutando quando ela soltou um leve suspiro, mais de prazer do que por medo. Nero nem pensou direito ao tirar a blusa branca de suas mãos, mas os dedos de Giovanna cederam rapidamente, e ela olhou para ele, os cabelos encaracolados caindo-lhe sobre os seios. Ela olhou de relance para a porta, trancada. - Nero. – ela murmurou. – As roupas. Ele olhou para a blusa em suas mãos, e depois para ela, a barriga delicada e bem formada sendo prensada pelos braços, na tentativa inútil de esconder os seios. - Eu não posso. – ele sussurrou embriagado por seu corpo, seus olhos. Ela soltou um suspiro alto, e aproximou-se dele, a fim de arrancar a blusa das suas mãos, mas ele puxou-a no momento em que ela intencionou fazê-lo, e logo caiu em seus braços. Não havia notado que ele estava sem camisa até então, até sentir o calor pulsante do seu peito. Sua mão estava limpa, cheirava a sabonete, ela sentiu quando ele passou-a em sua bochecha. - Me solta. – ela sussurrou. Ele negou, e apertou-a com mais força, até que Giovanna cedeu completamente, caindo sobre o corpo dele. - Você prometeu. – ela disse. – Prometeu que não ia fazer nenhuma gracinha. Ele negou com a cabeça. - É. – murmurou. – Mas eu nunca disse para confiar em mim. E então desceu os lábios sobre os delas, trocando o primeiro beijo verdadeiro entre os dois, diferente de qualquer outro que já cruzou seus tempos juntos. Nero apertou sua cintura, e Giovanna sentiu que cedia mais a cada segundo, caindo sobre o peito dele. - Eu... Sou louco. – ele sussurrou, antes de morder o lóbulo da sua orelha. – Louco por você. Giovanna gemeu lentamente, sentindo o nariz dele roçar em sua orelha, seu pescoço. Não conseguia ignorar o pensamento de que ele estava proporcionando-lhe apenas com aquele carinho algo que Léo não lhe deu nem em suas melhores noites juntos. - Giovanna? – ele sussurrou. Ela olhou para ele por um segundo. - Continue. – disse, com uma breve pontada de hesitação. E em poucos segundos ela não estava mais no chão, e podia sentir a porta às suas costas, à medida que seu quadril encontrava-se com o de Nero, e ele sustentava-a com as mãos espalmadas em seu traseiro. Ela sentiu quando os lábios dele cobriram os seus novamente, e soltou um suspiro, logo voltando ao chão, o quadril dele ainda pressionando o seu, e ela podia sentir o desejo emanando dele. Sentiu as mãos dele tocarem o fecho do sutiã e passarem por ele, acariciando suas costas com carinho, e logo descendo, tocando-a delicadamente. - Sim. – ela sussurrou. Sentiu algo macio em suas costas, e demorou um pouco para notar que estavam na cama de descanso dos atores, os lençóis brancos combinando com os travesseiros. Sem hesitação, a mão dele abriu o fecho do sutiã, e ela sentiu os seios livres, enquanto ele levantou-se por um segundo. - Você é linda. – disse, em um arquejo. – Quero provar de você o dia inteiro. Ela sorriu, gostando de sentir-se daquele modo. Bonita. Admirada. Ele beijou-a novamente, cobrindo sua língua com a dele, e ela gemeu, prendendo-se em seu corpo. Nero ficou sobre ela, e logo desceu os lábios por seu pescoço, e passou por uma área proibida, que sempre sonhara em tocar, percorrendo a trilha sob seu umbigo com os lábios. Quando ele afastou sua calcinha de renda preta, como o sutiã, e tocou-a com a língua, Giovanna sentiu o quadril impulsionar-se automaticamente para frente, e fechou o rosto dele com as pernas. Nero notou, e baixou o rosto novamente, intensificando o movimento com os lábios.Giovanna soltou um gemido, quando sentiu que ele a penetrava com a língua, gritou. - Ah, Nero! – gemeu. Mas ele não parou, forçou seus quadris para baixo, fazendo-a contorcer-se por completo, em espasmos de prazer. - Nero! – ela gritou. Quando ele soltou-a, ela contorceu-se em um orgasmo violento, virando-se rapidamente na cama, enquanto ele subia sobre ela, reconfortante, até que ela se acalmou. - Meu Deus! – ela gemeu. – O que é você? Ele sorriu, olhou para ela mais uma vez, antes de Giovanna sorrir também, e ele caiu sobre seu corpo com o desejo emanando pelos cantos do quarto, em um amor proibido, escondido.
FANFIC: GIOVANNA ANTONELLI E ALEXANDRE NERO
´´Fanfic: Alexandre e Giovanna, um amor além das telas´´
feito por @whatgiovanna e @thatsgigi
Mais um dia normal de trabalho para Alexandre e Giovanna, eles chegam no projac para as gravações de Salve Jorge.
G: hoje tem cena nossa ein parceiro!
A: tô sabendo (risos), trouxe as algemas?
G: claaaaaaro, imagina se eu ia esquecer (risos)
~ os dois entram no estúdio
Produtor: prontos? AÇÃO! ~
G: matenha distância, stenio
A: não helô
~ os dois se abraçam, giovanna sente algo ´´subindo´´, e como pedido no roteiro, eles se beijam... com a língua .
o clima fica tenso após a gravação, mas os dois entram no camarim pra se trocar.
A: giovanna.. desculpa pelo beijo não-técnico, não pude evitar...
G: tudo bem rs, eu também não
~ os dois se olham por alguns instantes, Giovanna sorri sem graça e Nero fica sem jeito
A: Giovanna desculpa mesmo, a culpa foi toda minha, desculpa de verdade
G: Não precisa pedir desculpas, eu também quis aquele beijo
A: serio?
G: eu não sei explicar, mas eu to g...
~ batem na porta e interrompem a conversa
G: Oi Bruna (marquezine) B: oi, desculpa eu não sabia que vocês estavam aqui G: já estamos de saída A: agente só tava procurando os textos B: ta (desconfiada) ~ Eles saem e vão a o estacionamento, como de costume eles deixavam o carro perto um do outro G: Ei preciso falar com você A: Fale G: aqui não, amanhã eu vou a um evento em SP será que você pode ir pra SP? A: Por que em SP? G: Vai? A: vou G: sozinho A: ok G: então ta, agente se vê lá ~ Eles vão da um beijo na bochecha e acabam dando um celinho
Eles se olham e saem.
< casa da Giovanna >
~ Giovanna chega e encontra todo mundo dormindo, vai logo para o quarto e observa Leo dormindo
G: ai Leo eu to tão confusa
~ Ele se mexe e ela vai para o banheiro
G: amanhã eu vou falar tudo que eu sinto, já não aguento mais
< casa do Nero >
Ele chega em casa e encontra sua namorada sentada no sofá
A: oi <seco>
K: oi, onde tava? demorou
A: eu estava gravando, amanhã eu vou pra SP
K: Fazer?
A: Vou fazer um ensaio
K: ok
Ela tenta beija-lo, mas ele apenas lhe da um Celinho, vai pra o banheiro e pensa em Giovanna
N: o que você tanto quer falar comigo?
< Amanhece >
~ Nero acorda se apronta e vai para o aeroporto. Giovanna se arruma se despedE das crianças e friamente do Leo, segue para o aeroporto. Minutos depois entra no avião e olha para a poltrona do seu lado e abre um mega sorriso quando ve Alexandre que retribuiu o sorriso. Eles trocam mais olhares que palavras
< Em SP >
A: onde você vai estar?
G- em um hotel em Guarulhos
A: vou estar em seu quarto, ou não posso?
G- claro, mas por favor tome cuidado com os fotógrafos porque quero fazer as coisas certas
A: ta bom, tchau.
G- Tchau
~ Giovanna vai para o Hotel e depois vai para o evento. Ela fica pensando o tempo todo o que falaria e como falaria o que esta sentindo. 20:00H Ela vai para o hotel, pega o elevador até seu quarto, entra e procura pelo Nero
G- Nero?
Alexandre sai da varanda
A: oi
G- senta
Nero senta na cama
G- Nero
Giovanna tira os sapatos e senta ao lado dele
A: oi
G- eu…. É, espera vou falar, eu acho … quer dizer tenho certeza que
N- que?
A: eu estou completamente apaixonada por você
Alexandre não aguenta, apenas olha pra Giovanna e a beija com paixão
N- Giovanna eu também estou apaixonado por você, mas você é casada tem filhas com ele
G- Também tenho um filho com o Murilo
A: podemos ser amantes..?
G- não ..
A: e como ficamos?
G- Nero olha pra mim
Alexandre olha bem dentro dos olhos dela
G- você me quer?
A: Te quero mais que tudo
G- posso confiar em você?
A: claro que sim
G- eu vou me separar do Leo, eu não to aguentando ficar com ele pensando em você e..
G- e a Karem?
A: ela não me importa, eu quero você
G- me beija?
Ele a beija com paixão, já sem ar Giovanna quebra o beijo
G- vou tomar banho e já volto
~ Giovanna Vai tomar banho, Demora muito e Nero vai pro banheiro. Fica observando a mulher que tanto queria, Giovanna se vira e o olha pelo Box claro pega a toalha e vem direção a ela
A: desculpa, mas eu não resisti
G- não precisa pedir desculpas
~ Giovanna deixa a toalha cair, Nero olha o corpo dela e sente o volume em sua calça
Giovanna puxa Nero pelo colarinho da camisa preta que ele usa, lambe os lábios e puxa a camisa, Nero segura os pulsos dela
A: tem certeza que você quer?
G- tenho
Nero a beija e ela tira o cinto dele e abre a braguilha dele e passa a mão sobre a cueca o provocando mais e mais. Ele percorre as mãos por todo corpo dela, ela tira a calça dele e sorri safadamente ao ver a cueca Box dele e coloca a mão dentro e o atiça ainda mais. Ele revira os olhos e senti um calafrio em seu corpo com o toque de Giovanna.
G- me leva pra cama
Nero a pega no colo e a leva para cama, a deita e passa sua mão sobre o corpo nu dela fazendo-a arrepiar, ele entrelaça seus dedos no cabelo dela e beija seu pescoço, colo, seios, barriga e virilha. Giovanna se movimenta e fica por cima e tira a cueca Box dele e sorri ao ver que o abjeto dele é grande e grosso ao contrario do de Leo que é fino e pequeno.
G- Muita saúde você tem em? (risos)
A- você ta me provocando demais, chega
Ele a vira
G- o preservativo, tem na gaveta.
Nero pega o pacote e rasga, coloca e volta para cama, penetra e Giovanna geme baixinho em seu ouvido
G- aiii
A- gostosa
Ele intensifica os movimentos e ela tem um orgasmo, mas ele não para e continua se movimentado dentro dela ela revira os olhos e arranha as costas dele o trazendo para mais perto, depois de muiito amor Eles chegam ao clímax juntos e rolam para o lado da cama. Ele a traz pra perto e deita a cabeça dela sobre seu peito
G- que loucura
A- ta arrependida?
G- não, eu te quero
Eles se beiijam
Giovanna acorda e não encontra ele na cama então fica sentada olhando para os lados e Alexandre vem do banheiro.
N- Bom dia dorminhoca
G- Bom dia
N- Que foi?
G- Nada. Que horas são?
N- 8h
G- eu só trabalho mais tarde
N- bom saber
Ele se aproxima e começa beijar o pescoço dela que sorri com as caricias dele.
G- ah < sussurra >
N- Você é tão linda
Eles se beijam e ele tira a blusa dela, a deita na cama e distribui beijos no colo e pescoço.
Giovanna para de beija-lo
N- Ei que foi?
G- Vem?!
Eles vão para o banheiro
G- Quente ou frio?
N- Quente
Eles se amam em baixo do chuveiro, ele a pressiona contra o box embaçado e desliza as mãos sobre o mesmo, e se amam mais e mais
Depois de tanto amor eles se arrumam e conversam sentados na cama
N- Você volta pro RJ hoje e eu amanhã
G- aham, eu vou falar com leo amanhã e..
N- eu vou falar com a Karem, mas acho melhor não falarmos nada ainda
G- você tem razão
N- eu vou vestir minha roupa e...
Giovanna puxa Nero pela cueca box preta
G- não ta esquecendo de nada?
Ele a beija depois veste a roupa e vai embora sem ser visto. A noite Giovanna embarca para RJ antes liga para a sua casa e avisa que ta chegando.
Ela chega em casa e vai ao quarto das gemeas e depois de Pietro, vai para seu quarto e encontra Leo sentado na cama.
G- Oi
L- Giovanna o que você tem?
G- Depois conversamos
Ela toma banho veste uma roupa leve e senta ao lado dele.
L- Giovanna o que você tem? por que ta tão distante?
G- Leo a muito tempo nosso casamento não é o mesmo
L- o que você quer dizer com isso?
G- Eu quero o divorcio
L- COMO ASSIM QUER O DIVORCIO?
G- LÉO EU NÃO TE AMO MAIS (Grita)
(---------------CONTINUA---------------)

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