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Eu venho tentando escrever faz uns dias, tentando botar meus pensamentos aqui, de forma lógica ou coesa e eu não consegui. Tentei várias vezes. Eu to tão confuso que eu não sei nem o que eu quero escrever. Tantos sentimentos ao mesmo tempo que eu simplesmente não consigo expressar nenhum. Uma bagunça, uma zona. Pouca coisa mudou mas ao mesmo tempo parece que bastante aconteceu, sabe. Eu continuo na mesma, acho. Com um pouco mais de culpa que antes. Bastante, na verdade.
As vezes eu só queria me permitir sentir as coisas. Dizer o que penso, chorar o que eu devo. Mas tudo isso fica preso em mim, em algum lugar, longe, difÃcil de chegar. A bebida ajuda nesses momentos mas faz tanto tempo desde a última vez que eu não tenho certeza se é isso que eu quero. Aliás, eu nunca quis nada. Nunca tive ambições, sonhos ou expectativas. Quase metade da minha vida foi passada simplesmente tentando chegar ao próximo dia e ao próximo e ao próximo. Eu continuo indo, mas eu não tenho destino.
Quando o pensamento de futuro me ocorre eu não quero nada. Eu não sei fazer nada que seja útil, não me vejo em nenhum tipo de profissão ou emprego. Completamente a deriva, é como eu me sinto a maior parte do tempo. Existem dias piores que outros e no meio desses existem dias onde a minha própria presença não é um incomodo e mesmo nesses dias, eu não vejo nada.
Eu continuo indo, até deixar de ir.
Eu estou decidido e isso me assusta. Não é um ato impulsivo. Eu andei pensando nisso, meio que sem querer, meio que tentando fugir do pensamento, já fazem umas semanas. Eu estou com medo de mim mesmo, pra ser bem sincero. Já passei por isso uma vez. Antes de tudo. Antes de ter algo. Sinto que já vivi o bastante, já tive o meu auge. Fui bem mais longe do que jamais achei que iria. Mas a verdade é que eu cansei de estar cansado. Cansei de dizer que estou cansado. Talvez eu acabe mudando de ideia, eu até meio que queria mas me falta perspectiva, falta achar que iria mudar algo. Sem expectativas e sem ambições, vivo por viver.
Muito tempo eu passei vivendo um dia de cada vez. Não era tão ruim. Mas eu tinha algo, eram tempos melhores. E eu perdi o que eu tinha. Eu me perdi no meio disso, na verdade.
Há alguns dias atrás eu recebi uma mensagem, contando sobre os acontecimentos recentes. Não era pra ser assim, sabe. É injusto. É cruel. E eu me importei. Foi um choque, tudo isso. E o meu egoismo falou mais alto que o meu bom senso. "Eu não quero ter que lidar com isso" foi o que eu disse. Irônico, não? Eu achei. Eu vou me despedir adequadamente de algumas pessoas. Meio que só faltou uma, na verdade. Espero que as pessoas superem fácil.
É isso.
As eststÃsticas mostram que a maioria dos suicÃdios são atos impulsivos, que são momentos rápidos onde a pessoa se vê sem saida. Mas as vezes eles são pensados, por um longo tempo, até. As vezes só falta coragem, já está tudo esquematizado, esperando pelo momento certo. Dizem que o suicÃdio é o ato mais egoÃsta que alguém pode ter, chamam de saida fácil e tantas outras coisas semelhantes. Que tipo de saida fácil é essa onde a pessoa se sente tão mal de viver que morrer é a única solução? Quão mal alguém tem que estar pra se matar de forma impulsiva? Bom, não é como se eu não soubesse responder. Eu e muitos outros sabem bem.
Alguns dias são piores que os outros, é o que eu sempre digo. Isso significa que não existem dias bons, só existe a fossa e, as vezes ela está um pouco mais funda. Existem bons momentos, de vez em quando boas memorias. Vez ou outra sonhos bons. Mas eles são escassos, duram pouco. Nada disso é o suficiente pra tirar essa sensação de irrelevancia, de insuficiencia, de agonia.
Essa é a minha visão otimista, romanceada, até. A que eu me permito compartilhar.
Alguns dias atrás eu tive meu primeiro caso de saudade. Tinha uma menina vindo na minha direção, uma desconhecida. E era uma cena que já fora tão comum a mim. Tantas vezes que eu te busquei no ponto de onibus a noite. Me doeu um pouco, sabe. Eu senti sua falta, em todos os aspectos. Senti falta da gente, de ter algo com alguém, de ser especial ou de me sentir relevante.
Talvez isso só queira dizer que eu ainda sinto, e bem, talvez isso seja um bom sinal. Eu sei que é mesquinho da minha parte, afinal, eu que acabei com isso. Mas era inevitável. Já tava tudo desmorando mesmo antes de acabar. Já tinha acabado muito antes de terminar, pra ser sincero. Eu me perdi no meio de tudo, como sempre. Não é culpa o que sinto, é apenas a ciência de que sou o responsável. Tanto por termos ficado juntos quanto por termos terminado. E também, não foi de todo ruim, eu consegui tirar algumas poucas coisas boas e outras nem tanto assim. Mas uma coisa nunca vai mudar: eu sempre serei eu. E isso significa que eu vou me cansar em algum momento ou talvez eu estrague tudo de alguma forma. É complicado.
O destino é inexorável, já diria Uthred. Mas eu continuo tentando, não sei bem o que, mas continuo. Essa merda de esperança de que as coisas talvez mudem algum dia, supera por pouco a vontade de abandonar tudo. Nem sempre, é claro. Muitos dias são mais escuros do que deveriam. O céu é mais vermelho do que deveria em muitos outros. E eu continuo sendo eu em todos eles. E esse é e sempre será o meu maior problema. Ser eu cansa.

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Alguns textos são escritos com a intenção de serem lidos por alguém, outros são escritos pela necessidade de serem escritos. Nem tudo precisa fazer sentido ou ser bonito e poético, algumas coisas são confusas, estranhas e as vezes até nojentas. E, os textos também seguem essa lógica.
Meu jeans manchou hoje novamente, após um longo perÃodo de seca, hoje molhei os lábios novamente. O chão do banheiro ficou outra vez vermelho e minha pele aberta, esvaziando os problemas e preocupações que passavam pela minha cabeça. Era um bom dia, chovia uma chuva leve, que gerava um som apaziguador. E mesmo assim, eu não aguentei. A sensação de adicção é real. Parece um vicio e de fato, é um.
O primeiro corte sempre dói mais. Acho que isso se aplica a qualquer coisa na vida, se for parar pra pensar. O segundo dói um pouco menos e, quando você percebe, já não sente mais nada. Eu já não sinto dor faz tempo. Não essa, pelo menos. Minha pele é grossa e pouco sensivel, fruto de muitas noites em claro. Eu gostaria de deixar claro que eu não digo isso com orgulho, é apenas uma constatação, afinal. Acho que novamente eu perdi o foco e acabei divagando. Enfim.
Minha memória é péssima mas eu me lembro das pessoas. Eu lembro dos nomes de todos que ja passaram na minha vida e tiveram algum impacto. Eu lembro até de quem nem me conheceu. Algumas pessoas que só estavam no mesmo lugar que eu, eu também lembro. Aquela menina que não aceitou meu presente quando eu tinha cinco anos. Aquele amigo que eu fiz no treino de artes marciais com sete. O ponto é, eu me lembro. E isso é péssimo. Eu gostaria de não me lembrar, pois nenhuma dessas pessoas que me marcaram continuam na minha vida. Por culpa minha, na maior parte das vezes.
Eu afasto as pessoas, tenho crises que elas não sabem lidar, e nem deveriam, pra ser sincero. Mas elas continuam comigo. Algumas pessoas eu levo na memória, outras eu levo no corpo, marcadas para sempre. As vezes eu choro por causa delas, as vezes eu sorrio, com as recordações boas que ainda existem. Mas tem ficado cada vez mais difÃcil sorrir. Ultimamente tem sido difÃcil até sair da cama, pra ser sincero. Acho que eu só queria dizer que eu ainda me lembro de você. Desculpe.
Ontem eu acordei decidido a mudar minha vida, meus hábitos e tudo que me faz mal. Planejei, pensei até em raspar a cabeça pra ver como ficava. Iria cuidar melhor da minha saúde mental, me dar prioridade e dar um jeito na minha higiene, voltar a ser um humano completamente funcional. Voltaria a falar com alguns amigos qus ficaram esquecidos pra engrandecer meu circulo social e deixar me sentir sozinho e isolado. Deixaria de ter crises de ansiedade sem motivo algum durante o dia e também iria evitar ficar acordado até tarde, pra finalmente ajustar meu sono e ter menos problemas ao dormir. Eu fiz tantos planos em um dia só, fiquei meio chocado com essa habilidade recém descoberta de conseguir planejar algo e levar até o fim.
E hoje já estou diferente de ontem. Já não quero mais mudar, já abandonei essa ideia. Pelo menos eu tentei.
As vezes eu tenho tanto pra dizer que não consigo dizer nada. Pensamentos vem e vão e eu permaneço em silêncio. Quieto e sozinho, sem querer me expor ao ridiculo de falar comigo mesmo não me sobram muitas opcões. Eu estou sempre sozinho nesses momentos e acho que ficarei assim por algum tempo. E assim continuo. Parado, respirando lentamente, tentando não ficar mais ansioso e falhando miseravelmente. Em algum momento eu perco o controle e a minha respiração dispara, minha mente dispara também, é claro. Eu ainda estou parado mas já não encontro conforto na minha cama. As vezes eu suo frio e tremo um pouco. E, tão rápido quanto começou acaba. Já perdi o sono e sei que será uma noite conturbada, visto que quando eu finalmente dormir é que virá a pior parte. Os sonhos. Alguns chamariam de pesadelos, sonhar com algo tão ruim que te faça acordar com o coração pulsando, com os olhos embotados de lágrimas. Mas sabe, eu já passei por tanta coisa que chamar isso de pesadelo me soa apenas como uma ingenuidade. O verdadeiro pesadelo não é o sonho mas sim acordar.
Oi. Eu sei que eu sumi da sua vida, talvez num perÃodo importante dela, e eu sei que é egoista eu querer voltar agora, assim, do nada. Muita coisa aconteceu. Eu me perdi várias vezes e pra ser honesto, eu continuo perdido, talvez mais hoje do que ontem. Mas o que eu queria te dizer é que eu sinto muito. De verdade, desculpe. Não tenho como me justificar e por isso nem vou tentar. Eu me sinto mal por isso ainda. Dentre tantas coisas que me incomodam e tiram meu sono, você é uma delas. Não era só isso que eu gostaria de dizer mas hoje é tudo que eu consigo. Talvez eu tente novamente outro dia e quem sabe então eu te envie essa mensagem.

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Eu tenho um vazio dentro de mim enorme e ele me consome sempre. Meu corpo é cheio de cicatrizes e todas elas foram deixadas por mim, literalmente. E sempre que chega a madrugada, quando eu supostamente deveria dormir eu me pego pensando nas coisas que fiz de errado. Eu não sou uma boa pessoa, eu não me importo muito com os outros e não faço muita questão de me importar também. Nunca fiz, pra ser bem sincero. Não que isso signifique que eu queira o mal de alguém, eu só não consigo me importar mesmo. Com poucas exceções, é claro.
São 05 horas da manhã e eu estou triste, mais uma vez. Parece um ritual. Parece que eu escolho todas as noites ficar assim. Talvez por ser o momento que eu mais me sinto sozinho? Talvez eu só sinta falta de ter com quem dividir minha cama. Seja qual for o motivo, é sempre igual. Toda noite é sempre assim.
E em seus olhos, tão profundos quanto o mar, eu via tristeza e dor. Eles me diziam mais do que você jamais poderia. Eles carregam ódio, amor, arrependimentos e tantos outros sentimentos. As vezes só resquicios, pois o que mais vejo hoje é, de fato, a tristeza. E a beleza deles é real, verdadeira, assim como você. Eles não são azuis, mas poderiam ser confundidos, pois assim como o mar, eles mudam todos os dias, seu jeito de olhar imita as ondas, arrastando tudo que vê pela frente e depois voltando, pra mostrar o estrago que faz.
Ela andava pela rua, voltando mais uma vez por um caminho já tão conhecido. Seus pés cansados e descalços iam num ritmo lento, quase cadenciado, em busca de seu lar. Ela sentia medo. A rua era mal iluminada, a luz dos postes quase não alcançava o chão, apenas criava um sombra, contornando a silhueta de quem andava por ali.
Virando uma esquina ela percebe que ela não está indo para seu lar. É só uma casa qualquer onde ela dorme depois de um dia cansativo ou de uma noitada. Sua cama não é um refúgio. É uma prisão. Seus sonhos são sempre nebulosos, com muito mais incertezas do que qualquer outra coisa.Â
Ela da meia volta e muda seu trajeto, se sentindo cansada e sozinha ela conclui que não tem porque voltar agora, sabendo que não irá descansar, mesmo se dormir a noite toda. Uma ideia, há muito esquecida, volta a sua mente e ela se decide: hoje será seu último dia.Â
Em meio ao caos da cidade ela finalmente encontra repouso. Ela se sente aliviada por finalmente ter encontrado uma solução para os seus problemas e vai em direção a ponte, pronta para saltar. Fica na beirada, olhando para baixo. Alguns carros passam na avenida, rápidos demais para serem identificados. E enfim ela pula. A queda é longa, o tempo passa mais devagar e ela observa sua queda por um momento, até fechar os olhos. E assim acaba, toda uma vida, sonhos e esperanças que talvez fossem ser alcançados, talvez não. Em um simples momento, anos e mais anos se foram. Algumas pessoas se chocam, outras ficam tristes, mas não ela. Ela já não existe mais e é tudo que ela quis, durante muito tempo.
Ela é você. Ela sou eu.
As vezes você acorda e percebe que nada tem muita relevancia. Nada importa.
Eu tenho andado com muita coisa guardada ultimamente, muitas palavras não ditas e também muitos medos. Acho que era mais fácil lidar com a dor do que com a culpa. A dor passa depois de um tempo, ela é simples e da pra lidar, as vezes ela é até mesmo boa. Já a culpa, ela é errática e confusa. Ela te leva pra lugares que você já tinha saido e não achava que iria voltar. Ela impede você de fazer algumas coisas, falar certas coisas. Ela é intángivel.
You know those days that everything you do just feel meaningless? When you wake up and do the same routine and you are tired of it? Yup, today is one of those days. I'm coming more and more to the conclusion that I'm just tired of everything. What used to make me distracted isn't working anymore. There aren't many people who I can talk to either. And the few (or one) to whom I can just, I don't know, maybe they'll get tired of me complaining the same shit to them, over and over. And I can't really afford to bore anyone who still talk to me. Actually, I can't afford to loose anyone, or anything, to be honest.

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Eu estava pensando em você esses dias. Em como eu sinto sua falta, seu toque frio em minha pele, a sensação de alÃvio que você me proporcionava. Era tão indescritÃvel. Nós passamos várias noites em claro, só se olhando, sem fazer nada, apenas lá. A sós, eu e você e mais nada. As vezes eu não conseguia resistir e acabavamos dançando a nossa dança sem música. De um lado para o outro, de cima para baixo. Se for pensar, era até bonito, tinha uma sincronia só nossa. Mas ao mesmo tempo era uma relação doentia, depois sempre tinha culpa. Durante sempre tinha medo. Você foi a minha única companhia por tanto tempo e, por mais que continue por perto, agora você anda longe de mim. E eu não sei dizer ao certo se eu me sinto melhor ou pior com isso. Faz falta, como eu já disse. E eu não te abandonei, saiba disso. Ainda sinto vontade de te ter e sentir o seu toque. As vezes minha pele anseia por isso, queima, até. E é engraçado, eu estar te tratando como uma pessoa nesse texto, tendo em vista que você é apenas um objeto que eu uso quando sinto vontade. Um objeto que deixou várias cicatrizes em meu corpo, eternas. Mas eu ainda sinto falta. Ainda preciso de você, por mais que eu tente dizer que não, eu preciso.
Tenho andado meio mórbido nos últimos anos, talvez há mais de dez. Escrevo muito sobre a morte, especificamente sobre a minha e bem, nunca aconteceu. Talvez demore pra vir, mas ainda continuo falando sobre. É quase que uma relação tóxica que eu tenho comigo mesmo, sabe? Sei que nem todo mundo entende, só quem passa ou passou por isso consegue se identificar. Mas as vezes eu queria conseguir ser positivo, olhar no espelho e dizer que tudo vai acabar bem, que as coisas vão melhorar. Porém, eu estaria só mentindo pra mim mesmo. E eu não tenho o costume de mentir.