Ah, sexta-feira⊠Finalmente o melhor dia da semana tinha chegado para Yunho. E nem era porque ele chegava mais cedo do trabalho, mas por causa do boteco num bequinho escondido e esquecido da vila. Um lugar onde poucos iam e, talvez, sĂł os corajosos. Oras, quem quereria a fama de andar num lugar tĂŁo mal frequentado como aquele? Apenas quem gostava de tomar uns copos de soju acompanhado de carne assada na hora e nĂŁo ligava para as mĂĄs bocas frequentavam o estabelecimento do Sr.Kim. O lugar era praticamente uma relĂquia. Parecia existir na vila desde sempre â e talvez fosse isso mesmo. Yunho sabia da existĂȘncia daquele lugarzinho desde que se entendia por gente. Acompanhava seu pai com o copo de refrigerante enquanto o velhote virava a garrafinha verde contra a boca de forma irresponsĂĄvel e, em seguida, despejava conversas engraçadas que arrancavam gargalhadas de quem se dava o trabalho de prestar atenção no Jung. IncontĂĄveis vezes tinha matado aula apenas para jogar sinuca no lugar apertado e quente. Ah, definitivamente quente! O boteco mais parecia uma caixa de fĂłsforo, mas, de algum modo, ainda cabia uma mesa de sinuca e algumas mesinhas velhas e enferrujadas espalhadas pelos cantos. Apesar do lugarzinho ser mal falado apenas por vender bebida alcoĂłlica, Yunho frequentava o lugar sem falta todas as sextas-feiras. Era um dos poucos lugares da vila em que podia relaxar de verdade.
âAhjussi, vocĂȘ viu o jogo dessa semana? Oh⊠Se vocĂȘ nĂŁo se cuidar vai ter que me pagar â©5000 como apostamos, araso?â Advertiu o velhinho que pareceu se irritar e mandar o garoto calar a boca, mas que depois de alguns segundos depositou a garrafa de soju na mesa de Yunho sem que ao menos ele pedisse. Estava levando o primeiro copo aos lĂĄbios quando viu um rosto desconhecido adentrar no lugar. âQuem serĂĄ esse cara?â Se questionou enquanto despejava a bebida na boca e olhava cuidadosamente para a figura nova. PĂŽde reparar de longe que o forasteiro era diferente, talvez parecido com ele. Talvez fossem as tatuagens, quem sabe. Todavia, foi o suficiente para se sentir curioso ao ponto de levantar da cadeira para chamar o rapaz . âYa, loirinho!â chamou o outro em alto e bom som, atraindo a atenção dos curiosos. âVem cĂĄ, vem cĂĄ.â Fez movimentos com as mĂŁos chamando o rapaz, ainda sem sair do seu canto, apenas se mantendo em pĂ©. âVocĂȘ Ă© novo aqui, certo? Vamos beber juntos! Vem cĂĄ.â Continuou insistindo, dessa vez com um sorriso largo. Yunho sentou de novo na cadeira e fez um sinal com as mĂŁos para que o Sr.Kim trouxesse outro copo. âOmo! VocĂȘ nĂŁo vem?!â Questionou arqueando uma das sobrancelhas, os olhos ainda presos na figura nova.
Como explorador oficial da ilha desde a mudança pra vila, Junsu fazia questĂŁo de meter o nariz em cada canto do lugar - ele pretendia passar o resto da vida lĂĄ com sua amada esposinha, uĂ©, entĂŁo valia bastante a ideia de jĂĄ saber o quĂȘ Ă© o quĂȘ e onde Ă© onde. E se o centro da vila tinha suas belezas e atrativos para os turistas, ele esperava tambem conhecer os lugares off the grid, os lugares secretos que vocĂȘ nĂŁo recomendaria para um turista AlemĂŁo chique pra nĂŁo âestragarâ o lugar.Â
Quando Junsu descobriu daquele botequinho de soju e sinuca ele quis logo ir pra tirar a carteirinha de morador da ilha, de residente, de futuro-nativo. Conhecer o povo, dar um tapinha no alcool, sabe qual Ă©, se enturmar. TambĂ©m ia ser legal encontrar um cantinho copo sujo pra desestressar depois do trabalho.Â
Ele mal meteu o pé dentro do estabelecimento com chão batido no concreto e jå foi sendo intimado e bom, por que não? Entre todos os senhores do boteco, aquele rapaz na mesa parecia o mais hospitaleiro e Junsu, com toda sua gana pra conhecer gente, foi ué. Foi, chegou e sentou sem encostar, porque as costas da regata molhada de suor grudavam no couro.
âEu sou novo sim,â O loirinho sorriu, esticando a mĂŁo por cima da mesa pro aperto de mĂŁo. âAcho que tĂĄ meio Ăłbvio nĂ©, essa cara estranha.â