Dou voltas e voltas na praia E vou sempre bater na mesma pedra. Eu sei que ela está lá, Mas vou sempre bater nela. Um mar de areia, Mas sei bem onde está. Por mais que me tracem caminho novo Ou a tapem, Ela estará lá sempre E eu sempre irei lá.
Tenho os pés doridos E as costas cansadas De naquela pedra tanto bater. Que nem sei quem é mais teimosa Se eu ou ela Se ela ou eu. Só sei que ela está lá sempre E eu com Ela estarei. Talvez um dia, quem sabe Transformar-me-ei eu em pedra tbm
Com a subida do mar, Vou me afogar. Deixar uma onde levar E com ela o meu corpo. Perder o fôlego e desaparecer na espuma do mar Para todo o sempre Como um qualquer conto.
Júlia Varela, 26/08/2022









