Your father… He’s dead. He’s dead. DEAD. (part I)
O silêncio do quarto foi quebrado com o som de três batidas na madeira de sua porta, seguido de uma tentativa de abrir a maçaneta trancada. “Jamie?” Um voz feminina e doce perguntou, mas James simplesmente ignorou e se manteve no silêncio absoluto. Outra batida; outra voz; outra pessoa preocupada, e novamente o silêncio foi a resposta do garoto. Ele não iria falar com ninguém, não queria falar com ninguém - e talvez nem tivesse forças para o ato.
No pé da janela, sentado abraçando os joelhos e olhando para o céu nublado era onde o filho mais velho de Harry Potter se encontrava; não se deu ao luxo de ficar na cama e nem mesmo cogitou pegar uma cadeira, apenas existiu durante toda aquela manhã e o máximo que fez foi lavar o rosto com um feitiço, recusando-se a sair o quarto de sua casa; os acontecimentos recentes obrigaram ele a sair de Hogwarts, e não havia outro lugar no mundo que James Sirius Potter queria estar se não em seu dormitório do colégio agora. Minto, na verdade, havia um só lugar: nos braços do pai.
“Ai! Está doendo.” O pequeno James dizia, com lágrimas no rosto enquanto Harry, preocupado, levantava levemente o braço da criança para olhar o machucado. “Eu sou muito burro.” Emburrou-se o menino, fazendo uma leve careta.
“Você não é burro, filho. Você é corajoso.” Consolou o pai, sacando a varinha e fazendo um curativo no braço do garoto. “Está melhor? Merlin, sua mãe vai nos matar.” Harry riu por fim. sentando-se ao lado do menino e passando um de seus braços pelo ombro dele em forma de abraço. “Agora me conta, o que você estava querendo fazer?”
“Eu queria ser igual você, papai. Eu vi os gnomos tentando morder o Bicuço e tentei protegê-lo, mas acho que esse hipogrifo bobão é um mal agradecido, é isso que ele é.”
“Igual a mim?” Harry riu baixo, balançando a cabeça em negação. “Filho, você não precisa se por em perigo para se comparar a mim; você não tem que se comparar a mim. És uma criança única e especial, James Sirius, e eu tenho certeza que você um dia vai salvar o mundo.’
“Mas papai, você é um herói. Você salvou toooodo o mundo bruxo. Eu nunca vou poder salvar o mundo se ele não tem mais perigo por sua causa.”
“E quem disse que você também não é um herói, James? É o meu herói. Sabe qual o motivo do papai estar lá fora, todos os dias, salvando o mundo? Você, a mamãe, o Albus, a Lily... E é por vocês que eu volto para a casa no fim do dia, é em vocês que eu arranjo forças para lutar e para derrotar as pessoas más. Sabe, filho, por trás de um grande herói sempre tem àqueles que são o motivo do ato heroico; eu diria que somos os últimos na fila dos covardes, se quer saber. Não acho que precise ser um herói, você só precisa ser você, e só de estar vivo e seguro já me salva.”
O barulho de mais uma batida na porta interrompeu os devaneios de James, que continuava imóvel, inerte, apenas respirando com dificuldade e de forma pesada. “James? Você pode abrir, por favor?” a voz agora era masculina, e ouvi-la fez com que as lágrimas que ele tanto segurava finalmente molhassem seu rosto. Era Teddy. — Go away. — foi a primeira palavra que disse durante todo o dia, e com muito esforço ele conseguiu falar. “James, I'm here if you need to. And I know you need it, so don't pretend not to. And we need you, too. I need you, so please open the door." O peso daquelas palavras causaram no Potter uma dor dilacerante, como se uma mão de ferro estivesse apertando seu coração, sua garganta e seu estômago; ele não poderia ser tão egoísta a ponto de achar que era o único que estava sofrendo, mas em nenhum momento pensou na dor dos irmãos e da sua mãe; aquilo foi um soco. Um soco para que ele caísse na real. Foi com muita dificuldade que ele levantou e foi em passos lentos e pesados até a porta, os cabelos cacheados grudados na testa soada, a cara inchada e vermelha, e os olhos tão marejados que tudo ele via embaçado; inclusive a cara de Edward Lupin, que estava parado na porta com um ar tão triste e pesado quando o do mais novo. — I can't stand to see his dead body, bro. — assumiu com a voz falha, engolindo em seco os soluços que estavam prestes a sair; mas não sairiam. Não. James não saiu do quarto para se lamentar, e sim para ser forte, para ajudar - não queria ele, desde sempre, ser igual o pai? Mas seu pai estava morto e sua família quebrada, todos precisavam de alguém que não poderia mais estar ali. O porto seguro dos Potter já não era mais seguro agora. “I know.” Respondeu o metamorfo e James entendeu naquele momento a dor que o irmão mais velho sentia e tudo que pode fazer foi abraça-lo. Abraçou o Lupin de forma tão forte que parecia que ele era a única coisa sólida em um chão prestes a ruir e aquilo era a única coisa que o segurava, e deixou-se chorar por alguns minutos. Um choro envergonhado, mas lotado de dor e agonia. e enquanto sua cara estava enfiada no ombro do mais velho para que ele não o visse chorar, James sussurrava “why?” “why did he die?” e ninguém tinha a resposta, ninguém entre os dois sabia dizer.
Demorou alguns minutos para James se recompor, limpar o rosto com as mãos e então descer para a sala de sua casa, e cada passo que dava, cada degrau que seus pés tocavam, o seu estomago embrulhava; a visão de um enorme caixão no meio do cômodo e com todos em volta fizeram-no falhar nos passos e travar no meio, e só continuou a sua trajetória quando olhou para a mãe - também devastada - e seguiu até ela. Ou tentou seguir. No meio de seu trajeto foi parado incontáveis vezes para ouvir as condolências e o pesar dos presentes, mas James não queria e não aguentava ouvir aquilo. Sabia que aquela era uma cerimonia apenas para a família e para as pessoas próximas, mas Harry tinha pessoas muitas pessoas próximas e, mesmo que o clima pesado e mórbido tomasse todo o local, ele só conseguia sentir raiva ao ver aquela multidão.
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