talvez fosse por ser escritor, Damien via beleza em tudo, nos menores gestos e mais simples situações, se estivesse em seu estado normal teria reparado melhor a beleza delicada do rapaz à sua frente, os trejeitos de emoções que perpassavam aqueles olhos. no entanto, uma coisa o mais velho percebeu, o fechar do cardápio. apesar da percepção continuou sua explicação, era melhor resolver aquilo de uma vez e depois focar no bem estar do outro, se havia algo que incomodava e até doía no francês era justamente causar algum tipo de sensação ruim em alguém, principalmente por uma pessoa que estava começando a desenvolver certa afeição. “não, não seria e não vou negar que me ajudaria muito o seu depoimento, o lado bom é que não há motivos para combinarmos o que iremos falar, não estamos mentindo e podemos contar nossa versão sem que isso nos comprometa perante a lei” declarou em tom sério, porém, muito mais aliviado. queria tocar a mão do outro como um sinal de agradecimento, infelizmente nenhum de suas mãos estava ao alcance dos olhos ou do toque. “desculpa por te trazer para essa situação e… não entendi muito bem o que quis dizer com essa sorte”. um sorriso mínimo sem mostrar os dentes se fez presente, não estava em seu melhor momento de condições mentais, algumas coisas lhe estavam escapando e não era algo que o agradava. teve a impressão de que Jonie estava fazendo pouco caso da gravidade de seu problema e isso o magoou um pouco, não que Damien fosse um homem super sensível, mas ele mesmo admitia que estava num momento de fragilidade, reconhecia que isso poderia estar confundindo seu julgamento e percepção. resolveu deixar a sensação de lado e dar de ombros, o garçom estava se aproximando com seu café. “sim, é isso… peça alguma coisa, por favor, eu me sentiria melhor se o visse comendo algo”. pediu de modo gentil, após agradecer ao garçom pelo cafe e tomar um gole. “se houver algo que eu possa fazer por você em troca, não hesite em me pedir e…” as palavras foram suspensas no ar porque só naquele momento percebeu uma coisa, o choque era nítido em seu olhar, os lábios se curvaram num sorriso mais desenhado, achando graça de sim mesmo e do que estava sentindo. “não quero parar de te ver, mas irei respeitar se assim o quiser depois de tudo isso”. disse por fim, perguntando se o rapaz aceitaria um beijo de despedida se quisesse parar com o que estavam tendo.
Jônatas não queria que ele entendesse as coisas erradas, deveria demonstrar apoio e sabia que qualquer movimento mal interpretado poderia coloca-lo em uma situação complicada. Damien precisava dele, era isso que ecoava em sua mente e tinha um lado justiceiro que não conseguia entender de onde veio, porque dos seus pais é que não foi. “Exatamente por isso que você deveria relaxar, porque só vamos contar o que estávamos fazendo… sem muitos detalhes, eu acho” O rapaz não conseguia se imaginar contando os detalhes do que faziam para qualquer pessoa, óbvio que tinha as dúvidas que preenchiam a sua cabeça naquele momento, principalmente sobre o porquê dele ter se tornado um suspeito?! Mas sentia que não tinha esse direito. “Ah…” Começou em um tom baixo, voltando a colocar as suas mãos sobre a mesa para usar de apoio, pois o influencer lançou o corpo um pouco para a frente, para que pudesse falar em um tom mais baixo. “Essa história toda tomou uma proporção muito grande na ilha, então de alguma forma, essa informação vai se tornar pública…” E mesmo que não estivesse preocupado, havia o adendo que era uma morte e o homem que estava com a mão dentro de suas calças, agora, era um dos principais suspeitos. “E quando é com alguém que tem um número bem grande de seguidores, acaba ultrapassando os limites da fronteira, então de alguma maneira, os meus seguidores vão acabar sabendo disso” Explicou pacientemente, mas tentou ao máximo não demonstrar nenhum tipo de temor, ele realmente não tinha problemas que soubessem que estava em uma relação casual com um homem.
Sim, é isso. Foi o que fez Josie desviar o olhar para o cardápio, pegando-o novamente para olhar o que tinha ali, apesar de seu cérebro estar em um bug constante, travando diversas vezes enquanto os olhos corriam pelo o que tinha ali. “Pode me trazer waffles, só que sem o sorvete, porque sou alérgico... E capuccino” Disse, enquanto devolvia o cardápio para o garçom que se afastou, sendo o momento certo em que ouviu o mais velho dizer o lance de não se verem mais, Jonie não estava em posição de recusar a companhia daquele homem, era impossível dizer não pra ele e isso lhe arrancou um riso nervoso, levando a mão até os cabelos antes de responder. “Se você for preso, vou ficar bem puto se tiver outro nome pra visitas íntimas” Brincou, deixando claro pela forma como sorriu e finalmente ele viu uma oportunidade de levar uma das mãos para bem próximo da dele e tocou com a ponta dos dedos, o seu indicador, apertando de leve contra a mesa. “Desculpa pela brincadeira, mas é impossível que eu me afaste de você agora... não ligo pra nada disso”