NOME: Joaquim Campos de Almeida Vries; FC: Renato Goes; APELIDOS: Joca, Jojo; IDADE: 31 anos; OCUPAÇÃO: médico neurologista; NATURALIDADE: Recife - PE;
ANIVERSÁRIO: 16/01; ALTURA/PESO: 1,82m / 82kg; FORMAÇÃO ACADÊMICA: Ensino Médio ( Colégio GGE); Bacharelado em Medicina (Universidade de Pernambuco); Residência de Neurologia (Mayo Clinic); QUALIDADES: prestativo; confiável; discreto; dedicado; DEFEITOS: fechado; inseguro;
BIOGRAFIA
Tão misturado quando todo brasileiro, os Campos de Almeida Vries poderiam escrever um livro de história pernambucana, como gosta de dizer o senhor Manoel de Almeida, avô paterno de Joaquim. Sentado em sua poltrona charles eames preta enquanto toma um bom whisky, o velho mestre poderia passar horas lhe contando do romance quase shakespeariano lá por meados do século dezesseis nas terras do “rio comprido”, como deriva do tupi. E, se lá na Itália os Montechio e Capuleto tinham suas desavenças de anos, levando seu filhos a morte trágica, aqui o ousado comerciante recifense conhecido como Bento de Almeida não arredou o pé ou buscou meios termos para conseguir o coração e a mão de sua adorada Joana Campos, mesmo sob o desgosto do patriarca Campos, que além de perder sua única herdeira, teria de ver um maldito mascate assumir suas largas fazendas açucareiras. Reza a lenda que o coronel lamentou tidas e noites, mas, não teve jeito, a solução foi aceitar e pedir perdão a todos os ascendentes, desde que viveram nos primórdios da fortuna, literalmente plantada desde o início da exploração ainda pela ilha de Itamaracá. Ô, seu Manuel adora contar histórias. Menciona ainda quase toda semana, especialmente aos domingos quando encontra com Henrique Vries e outros conhecidos, a passagem dos Vries, desde a chegada a cidade de Vitória, até a “surra” dos holandeses no monte das Tabocas, primeiro embate da Ressurreição Pernambucana. Seu Henrique – avô materno de Joca – conta algo diferente. Jura de pé junto que lutaram bravamente no conflito, bem como anos depois na Batalha de Casa Forte, onde formaram seu lar, isso claro, passados anos após a expulsão dos Holandeses e da fulga para o interior, onde Mauricio Vries arrumou um bom casamento com um das comerciantes mais antigas de Caruaru. Na verdade, se você tiver com tempo, os dois velhos lhe contam tudinho, como uma ficção histórica digna de livro, durante um bom vinho de domingo lá no restaurante do pai da Camila Coutinho, isso, a blogueira. Lhe contariam ainda do romance quase de adolescência vivido por seus filhos, que lhe renderam os netos, sendo um deles, o xodó, Joaquim C. A. Vries.
Inclusive, se quiser pedir detalhes é para os velhos! Que podem dizer, sem chance de errar, que o unigênito do casal de médicos nasceu dia 16 de janeiro, as 15:02, lá no Real Hospital Português. Que o pai dele, mesmo sendo intensivista que de tudo já viu, amoleceu como se tivesse sido a primeira vez que vê o mundo, e coube a psiquiatra recém puerpera, estabilizar as emoções do marido. Contariam que enorme apartamento que cresceu, num dos prédios mais caros de Casa Forte, já pelo Poco da Panela, Joaquim nunca deu trabalho, sempre foi daquelas crianças boazinhas que prestam atenção nas histórias contadas, como as que seus avôs lhe faziam escutar de Noronha a Petrolina. Aqueles milagres que mesmo ganhando o bom e o melhor, aprendem limites. Entendia até os limites paternais, que por vezes lhe deixavam faltar presença, mesmo se esforçando para compensar. A desculpa eram as outras pessoas, tinham vários compromissos, é claro e Joca, apesar de por vezes odiar não ver os pais em alguma apresentação escolar, entendia e se contentava com a presença do fã clube formado por Manoel, Henrique e Catarina. E até mesmo dona Luzia, que corria de sua casa nova no Rio só para paparicar o neto favorito. Senti a falta dos pais, claro. Mas, sentia calado porque que direito tinha de incomodar com saudade quando eles estavam por aó ajudando tanta gente? Ele tinha tudo. Ele sempre teve tudo. Reclamar para que? Oxe, nunca foi uma infância ruim não. Tirar “leite de pedra” nunca precisou, porque como todo bom burguês nesse pais, sempre teve boas oportunidades, que para a sorte de dos Almeida Vries, foram aproveitadas pelo rapaz. Reclamava não…E ao longo dos anos talvez isso o tivesse feito se fechar em si um pouco, tornando-o um melhor ouvinte que narrador, embora não fosse ruim de prosa. Com o passar dos anos, tomou gosto pelo oficio dos país, escolhendo o seguimento da vida já no ensino médio, ainda que história, arquitetura, licenciatura tivessem permeado sua cabeça por um tempo. No colégio, primeiro de turma. O vestibular lhe garantiu acesso a Universidade de Pernambuco sem dor de cabeça, se formado dois anos mais tarde que o previsto apenas pelo estágio na Universidade de Oregon durante dois anos, como se gaba seu Manoel. Bem encaminhando, bonito, rico, laureado de turma. O que mais podia querer?
Vixe, queria o mundo. Queria demais. A vontade de fazer residência fora surgiu assim, nesse querer. Um ano se dedicando a pesquisas e projetos fez o currículo bom já melhorar, adicionando alguns outros cursos aos artigos, PIBIC e monitorias e lhe rendeu uma vaga num dos centros de referência em neurologia nos EUA. Porém, enquanto se dividia entre trabalho e pesquisas, quis mais coisas. Até chegou a querer uma moca bonita, daquelas que os compositores costumam falar sobre, numa cruzada de olhares que havia deixado seus nervos de aço no chão. Janaina era a coisa mais linda que ele lembrava de ter visto, até então. No entanto, o interesse mútuo acabou ficando no platônico, pois ela tinha compromisso com outra pessoa. Até achou que ia dar certo e ela mudaria de ideia mas, tempos depois qualquer um podia ver andar cabisbaixo do moreno dos plantões exaustivos aos bares da orla de Boa viagem a Praia dos Carneiros. Teve de se contentar com isso e é tudo que seu Manoel sabe contar. Para mais, teria de conseguir arrancar lamúrias de um Joca embriagado. Até aconteceu uma vez, sabe… com uma colega de residência durante os anos, se especializando em neurologia, ela jurou de pé junto nunca fofocar para ninguém. E disso não se falou mais. Seguiu a vida, o trabalho e o coração, com alguns romances esporádicos no exterior durante o tempo que lá passou. Nada sério demais, estava focado no trabalho, a carreira ia bem, parecia promissora. Era promissora mesmo quando ele decidiu voltar para o Brasil.
No tempo que passou lá? Você me pergunta. Sim, voltou. Voltou? Sim…Voltou. Dia desses, lá para o Rio, a pedido de vó, Dona Luzia, que mora na capital carioca desde o divorcio na década de noventa. Pedido de vó não se nega, ainda mais um que vem numa ligação carinhosa, embalada em tragédia. Aparentemente a mulher foi diagnosticada com uma neoplasia avançada, já passível de paliação. Os tratamentos até foram feitos, até não se ter mais o que fazer. Mas, se você me perguntar…Sei não, ela parece tão bem…De toda forma, por mais que tivesse um novo marido e os filhos desse, queria o neto favorito por perto, para o caso de algo lhe acontecer. Queria o neto perto nos seus últimos dias de vida, como dramatiza. E como se nega um pedido desses? Não nega. Joaquim jogou a carreira do exterior quase para cima e retornou o mais rápido possível, instalando-se no apartamento próximo ao da idosa, num condomínio bonito lá
ao lado num tal condomínio caro no Leblon. Claro que não foi das coisas mais difíceis, arrumar um emprego na cidade, afinal, ele era até bem especializado. Iniciou num centro hospitalar renomado. No entanto, precisou quebrar um galho. Por que afinal, já viu brasileiro sem ter de quebrar galho para ninguém? No caso de Joca foi para Percival, enteado de sua avó que inventou de se canditar a vereador prometendo que ia enfiar um neurologista no ambulatório de um hospital popular lá em Copacabana. Joaquim até chiou, não pelo SUS, já que entrou também na equipe de um hospital escola da UFRJ mas, pelo susto mesmo. No entanto, como hábil discursista que sua vó sempre foi, acabou convencido e respondendo tá bem, depois do “você nào vai deixar seu tio pagar de mentiroso, vai?”. Não deixou e assim, Joaquim acabou as tercas e quintas, das 8 as 12 no Hospital Santa Clara.
PERSONALIDADE
Apesar da frequentabilidade em festas e eventos, Joaquim sempre foi um cara reservado ou pacato, caso você prefira chamar. Mesmo com todos dos anos fora do país, faz questão de manter o sotaque e diversos costumes preservados, sem mostrar qualquer tipo de soberba sobre os diplomas acumulados ou a generosa conta bancária. Ainda que fechado quanto as suas peculiaridades, consegue ser uma pessoa comunicativa, desde que não tenha de ficar falando horas sobre si, assim, pessoas que costumam variar assuntos tornam-se de mais fácil convívio para si. E, se por vezes pouco fala, em muitas é um excelente ouvindo, inclusive por ser bastante discretol. Muito competente em sua área, além da inteligencia que lhe é iminente sabe que isso veio de bastante esforço, embora claro, as oportunidades que a vida lhe deu desde o berço ajudaram e ajudam muito. Não é de arrumar briga a troco de nada mas, quando perde a paciência, meu Deus…sai de baixo. A cara fica logo fechada e fica tão vermelho que poderia literalmente explodir mas, poucas vezes explode.


















