Se vocĂȘ podia convidar Jesus para jantar na sua casa hoje, vocĂȘ faria?
Ăs vezes, recebemos pregadores de outras congregaçÔes na igreja onde congrego.
JĂĄ notei que sĂŁo sempre bem recebidos.
Mas, imagine se Jesus visitava as igrejas.
Se ele chegava na sua congregação, vocĂȘ o convidaria para sua casa depois do culto?
VocĂȘ o chamaria a jantar com a sua famĂlia?
Eu imagino que qualquer um de nĂłs o convidaria.
No inĂcio do seu Evangelho, Mateus diz que o Messias seria chamado âEmanuelâ que quer dizer? Deus conosco. (Mat 1:23)
Jesus disse aos discĂpulos em Mateus 18:20 â... Onde estiverem dois ou trĂȘs reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.â
Jesus prometeu no final do Evangelho de Mateus âEstarei convosco, todos os dias atĂ© a consumação do sĂ©culo.â Mat 28:20
Jesus prometeu estar conosco.
Falamos com Jesus em oração como se ele estivesse aqui conosco.
Mas, nĂłs nĂŁo vemos ele.
Evidentemente, hĂĄ pessoas que nĂŁo vĂȘem Jesus, embora estejam olhando diretamente para ele.
Mateus 25:31-46 âQuando o Filho do homem vier em sua glĂłria, com todos os anjos, assentar-se-ĂĄ em seu trono na glĂłria celestial. Todas as naçÔes serĂŁo reunidas diante dele, e ele separarĂĄ umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocarĂĄ as ovelhas Ă sua direita e os bodes Ă sua esquerda.
âEntĂŁo o Rei dirĂĄ aos que estiverem Ă sua direita: âVenham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo.
Pois eu tive fome, e vocĂȘs me deram de comer; tive sede, e vocĂȘs me deram de beber; fui estrangeiro, e vocĂȘs me acolheram; necessitei de roupas, e vocĂȘs me vestiram; estive enfermo, e vocĂȘs cuidaram de mim; estive preso, e vocĂȘs me visitaramâ.
âEntĂŁo os justos lhe responderĂŁo: âSenhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber?
Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos?
Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?â
âO Rei responderĂĄ: âDigo-lhes a verdade: O que vocĂȘs fizeram a algum dos meus menores irmĂŁos, a mim o fizeramâ.
âEntĂŁo ele dirĂĄ aos que estiverem Ă sua esquerda: âMalditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos.
Pois eu tive fome, e vocĂȘs nĂŁo me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocĂȘs nĂŁo me acolheram; necessitei de roupas, e vocĂȘs nĂŁo me vestiram; estive enfermo e preso, e vocĂȘs nĂŁo me visitaramâ.
âEles tambĂ©m responderĂŁo: âSenhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e nĂŁo te ajudamos?â
âEle responderĂĄ: âDigo-lhes a verdade: O que vocĂȘs deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, tambĂ©m a mim deixaram de fazĂȘ-loâ.
âE estes irĂŁo para o castigo eterno, mas os justos para a vida eternaâ.
Segundo Mateus, esta Ă© basicamente a Ășltima pregação de Jesus.
SĂŁo as Ășltimas palavras da exortação final do Cristo.
Ă notĂĄvel o que Jesus enfatizou e o que ele deixou de enfatizar.
Jesus nĂŁo deu como critĂ©rio do julgamento a igreja que as pessoas freqĂŒentavam.
Ele nĂŁo falou em pontos de doutrina.
Ele nĂŁo falou na concepção deles da autoridade da BĂblia, do louvor autorizado, ou se eram premilenialistas, ou nĂŁo.
Jesus deu um critĂ©rio profundo, mas que estĂĄ ao alcance de cada discĂpulo:
- Como vocĂȘ tratou seu prĂłximo quando ele precisava de vocĂȘ.
Jesus desprezou a importĂąncia da sĂŁ doutrina ou das Escrituras?
- NĂŁo. Ele eliminou o batismo ou o arrependimento de pecado?
- NĂŁo.
Mas, ele deu uma alerta para todos e sobretudo para os CristĂŁos.
A doutrina certa na cabeça, a crença certa na hora do batismo,
A presença certa na igreja certa,
A gente pode ter tudo isso e ainda estar longe de Jesus.
NĂŁo Ă© isso que Jesus estava dizendo Ă s pessoas condenadas?
âEu estava aqui, mas vocĂȘ nĂŁo quis se aproximar.â
âEu estava ali e vocĂȘ fugiu de mim.â
âEu clamei e vocĂȘ fez de conta que nĂŁo ouviu.â
âEu precisava de ajuda e vocĂȘ deu as costas.â
Alguém escreveu:
Eu estava faminto
- e vocĂȘ formou um grupo para discutir a fome.
Eu fiquei preso
- e vocĂȘ se retirou para a capela e orou por minha libertação.
Eu estava nu
- e na sua mente vocĂȘ debateu a moralidade da minha aparĂȘncia.
Eu estava doente
- e vocĂȘ se ajoelhou e agradeceu a Deus pela sua saĂșde.
Eu estava desabrigado
- e vocĂȘ pregou para mim do abrigo espiritual do amor de Deus.
Eu estava sĂł
- e vocĂȘ me deixou para ir orar por mim.
VocĂȘ parece tĂŁo perto de Deus;
- mas, eu ainda estou com muita fome, sozinho e frio.
HĂĄ muita coisa boa e certa que nĂłs podemos fazer, mas, que nos deixa cada vez mais distante de Jesus.
Aquilo que Ă s vezes a gente valoriza tanto,
a doutrina certa, a prĂĄtica certa,
o motivo certo, a igreja certa, etc.âŠ
Jesus nĂŁo tocou em nada disso na sua Ășltima pregação.
O que Ă© difĂcil Ă s vezes Ă© as coisas do dia a dia.
O que a gente faz fora da reuniĂŁo da igreja.
SĂŁo as coisas que acontecem em casa, na rua, no trabalho que muitas vezes revelam aonde estamos e quem estĂĄ reinando.
As diferenças entre os dois grupos no grande julgamento são notåveis.
Direita / esquerda
Ovelhas / bodes
benditos / malditos
Salvos / perdidos
Céu / inferno
Um grupo ministrou a Jesus
na forma das pessoas necessitadas que encontraram.
Outro grupo nĂŁo ministrou, nĂŁo ajudou, nĂŁo visitou â ignorou.
As diferenças entre os dois grupos são enormes.
Mas, hĂĄ uma coisa que ambos tinham em comum.
NinguĂ©m dos dois grupos, tanto as ovelhas, como os bodes, tanto os salvos, como os perdidos â ninguĂ©m reconheceu Jesus nas pessoas necessitadas.
v.37 âEntĂŁo os justos lhe responderĂŁo: âSenhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber?
v. 44 â(os malditos) tambĂ©m responderĂŁo: âSenhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e nĂŁo te ajudamos?â
O que chamou minha atenção nesta passagem, foi justamente o fato de ninguém reconhecer o Mestre no meio da multidão.
Ninguém viu Jesus no rosto do morador de rua, do estrangeiro, do desabrigado, do doente, do preso.
Ninguém viu Jesus.
Mas, ele estava lĂĄ.
Compreendemos que Jesus estĂĄ dizendo que ele estava lĂĄ num sentidofigurativo.
Ă como se aquela pessoa fosse Jesus. Ajudando o homem com fome, a famĂlia desabrigada, o homem preso, Ă© como se a gente estivesse ajudando Jesus.
Ou serĂĄ que Ă© sĂł isso?
Serå que o próprio Mestre não desce aqui de vez em quando e anda aqui no nosso meio só para ver se alguém o reconhece?
A coisa mais difĂcil Ă© enxergar Jesus.
Ele estĂĄ aqui.
Talvez parte do problema Ă© porque nĂłs nĂŁo estamos buscando.
NĂŁo estamos atentos para Jesus no nosso meio.
Pelo menos, nĂŁo estamos atentos para vĂȘ-Lo numa pessoa suja, doente ou mendigando.
Os pobres e os excluĂdos, como pessoas doentes ou com deficiĂȘncias nĂŁoagradam a nossa vista.
Elas nos incomodam.
Por isso simplesmente deixamos de vĂȘ-las.
JosĂ© Comblin descreveu a dificuldade que muitos tem de enxergar os excluĂdos assim: âO pobre sempre foi o outro. Hoje parece que Ă© ainda mais âoutroâ â mais alheio do que nos sĂ©culos anteriores. A presente divisĂŁo social faz do pobre um ser ainda mais distante. Ele fica excluĂdo tambĂ©m geograficamente â para comprovar sua rejeição, basta ver o lugar onde ele mora.
O excluĂdo Ă© o outro perfeito. Foi eliminado da vista. Tudo foi arquitetado para que ele nĂŁo possa sequer olhar para os que contam na sociedade. Por isso o amor ao pobre começa por um movimento em direção a ele. Pode acontecer que a conversĂŁo se dĂȘ de modo imprevisto, motivada pelo olhar de algum pobre que conseguiu furar a barreira de proteção existente.
Para a conversĂŁo acontecer, apĂłs alguĂ©m deixar-se atingir pelo olhar do pobre, Ă© necessĂĄrio que ele dĂȘ o primeiro passo de ir ao encontro desse pobre. Sem esse passo nĂŁo haverĂĄ libertação. NĂŁo se articula a libertação num escritĂłrio, diante de um computador. Para iniciar esse processo hĂĄ necessidade de contato pessoal.â
- âO Olharâ do livro âO Caminho â Ensaio sobre o seguimento de Jesusâ de JosĂ© Comblin, Editora Paulus, 2004.
VocĂȘ consegue ver as pessoas realmente necessitadas?
VocĂȘ estĂĄ atento para pessoas pobres e doentes ao seu redor?
E Ă© lĂĄ onde nĂłs vamos servi-Lo.
VocĂȘ pode nĂŁo convidar uma destas pessoas para jantar em sua casa.
Mas, com um quilo de arroz e feijĂŁo vocĂȘ pode assegurar que Jesus terĂĄ sua janta hoje.
Com um cobertor ou uma camisa e calça que vocĂȘ nĂŁo usa mais vocĂȘ pode vestir o prĂłprio Rei.
Com uma visita ao hospital vocĂȘ pode garantir que O Senhor se sentirĂĄ amado esta semana.
HĂĄ muitas pessoas ao nosso redor que precisam de ajuda.
Se temos olhos para ver â lĂĄ estĂĄ Jesus esperando uma visita.
NĂŁo basta a gente reconhecer o que deve ser feito.
Temos que agir.
Temos que enxergar onde as pessoas necessitadas estão e ir até lå para ajudå-las.
O visitante para um hospital pĂșblico viu uma voluntĂĄria tratando as feridas de um paciente com lepra. O visitante declarou "Eu nĂŁo faria aquilo por mil reais"! A voluntĂĄria respondeu, "Eu tambĂ©m nĂŁo. Mas, eu faço para Jesus por nada".
VocĂȘ gostaria de ver Jesus?
Segundo ele mesmo, vocĂȘ jĂĄ o viu.
Ele estava sentado naquela lata debaixo do viaduto ontem Ă noite.
Ele estava pedindo esmola na calçada ontem à tarde.
Foi ele quem lavou o para-brisa do seu carro agora de manhĂŁ no sinal...
Ele estĂĄ aqui, diante dos nossos olhos, apenas esperando para ver se vamos reconhecĂȘ-lo.
"Quando foi que te vimos, Jesus", perguntaremos um dia.
"Ah, vocĂȘ me viu todos os dias..." Jesus dirĂĄ.Â