. "HĂĄ metafĂsica bastante em nĂŁo pensar em nada. O que penso eu do mundo? Sei lĂĄ o que penso do mundo! Se eu adoecesse pensaria nisso. Que idĂ©ia tenho eu das cousas? Que opiniĂŁo tenho sobre as causas e os efeitos? Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma E sobre a criação do Mundo? NĂŁo sei. Para mim pensar nisso Ă© fechar os olhos E nĂŁo pensar. Ă correr as cortinas Da minha janela (mas ela nĂŁo tem cortinas). O mistĂ©rio das cousas? Sei lĂĄ o que Ă© mistĂ©rio! O Ășnico mistĂ©rio Ă© haver quem pense no mistĂ©rio. Quem estĂĄ ao sol e fecha os olhos, Começa a nĂŁo saber o que Ă© o sol E a pensar muitas cousas cheias de calor. Mas abre os olhos e vĂȘ o sol, E jĂĄ nĂŁo pode pensar em nada, Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos De todos os filĂłsofos e de todos os poetas. A luz do sol nĂŁo sabe o que faz E por isso nĂŁo erra e Ă© comum e boa. MetafĂsica? Que metafĂsica tĂȘm aquelas ĂĄrvores? A de serem verdes e copadas e de terem ramos E a de dar fruto na sua hora, o que nĂŁo nos faz pensar, A nĂłs, que nĂŁo sabemos dar por elas. Mas que melhor metafĂsica que a delas, Que Ă© a de nĂŁo saber para que vivem Nem saber que o nĂŁo sabem?" CAEIRO, A., HĂĄ metafĂsica bastante para nĂŁo pensar em nada. đ·: InterpretaçÔes da lua đ. (at Bairro Campestre, Santo AndrĂ©) https://www.instagram.com/p/CZGMHGHsvo5OxIno9SM2RiniWPM3T534kmT7zU0/?utm_medium=tumblr
















