ENSAIO SOBRE A SAUDADE
Eu já fui esquecido por muitos, mas lembro de todos que conheci. E talvez essa seja a maldição que carrego: não guardar rancor. E talvez não seja justo pensar que eu deveria ser especial só porque me sinto merecedor. Que alguém deveria sentir minha ausência nos lugares, perceber que seu amigo não está ali. E talvez cada um que me esqueceu tenha tido seus motivos, suas incertezas em relação à minha pessoa. Mas nunca me disseram, e isso me atormenta. Vejo as conexões genuínas que os outros tem. E sinto inveja de não poder me vangloriar de ter uma amizade tão verdadeira. E quando eu pensava ter achado o pico, o cúmulo do que alguém podia significar pra mim, a saudade veio. E com ela a amargura de dias melhores. E os dias de hoje não são ruins, o contrário. Mas a nostalgia é enganosa, embriaga o coração de tristeza. E agora preciso encontrar o caminho que a saudade não vai estar. Para que ela não chegue a envenenar a minha alegria. E talvez, eu encontre alguém que faça a saudade sumir, e ser simplesmente substituída por uma lembrança leve que não causa mais dor. E olharei para trás uma última vez pra nunca mais olhar de novo. E assim estarei livro das memórias que se prendem na minha mente. Solto do que um dia já senti falta.










