ella sabia que muitas pessoas precisavam de atenção para que conseguissem sobreviver naquele mundo conturbado em que viviam, não imaginava que fosse uma dessas, mas também não tinha qualquer critério para as julgar, se gostavam de uma entrada em slow motion, que lhe dessem um vídeo, obviamente a parte de causar confusão vinha como uma fusão daquela situação, um pequeno sorriso e um enrugar de nariz fizeram a expressão da novaiorquina, talvez javier fosse o tipo de rapaz que gostaria de tal coisa, ella poderia facilmente o ver fazendo uma entrada triunfal em qualquer ambiente, ele apenas gritava… problemas? o que não deixava de ser sua marca, quiçá sua atratividade. “então você é do tipo que gosta especificamente de confusão? ou você gosta da euforia que recebe?” perguntou um tanto quanto interessada, mesmo que não devesse estar, afinal aquela apenas não era uma pauta tão usual assim. “talvez o ato de causar seja apenas um estado de espírito… não sei.” ella poderia fazer milhões de suposições, mas tinha plena certeza que apenas deixar o moreno com sono, talvez até o deixasse assustado, pois realmente não sabia e seria apenas algum par de teorias, por isso deu de ombros com a suposição. um pequeno suspiro escapou de seus lábios, em um movimento quase frustado de olhos, ella torceu vagamente os lábios com a pergunta, afinal lhe remetia a lembranças, estas que nem sempre tiveram sido boas. “eu fui livrar um ex namorado de ir à prisão por um furto…” rangeu sutilmente os próprios dentes, focando em um lugar qualquer a sua frente, lembrar-se daquela ocasião era apenas nauseante, o cheiro do lugar era insuportável e continuava em seu sistema. “bem, mais tarde ele me roubou, mas daquela vez eu realmente acho que ele era inocente, estava comigo no horário em que afirmaram.” continuou, olhando-o ao finalizar a própria fala, por isso que às vezes era melhor deixar o passado no passado. sua atenção fora magicamente voltada as palavras masculinas, felizmente a livrando de remoer sobre o ex-namorado. “uma caveira mexicana? você é do méxico?” perguntou com certa curiosidade, pois se caso fosse, seria uma boa explicação para sair pixando pela cidade, talvez javier estivesse no lugar certo, nyc era o lugar dos sonhos, das artes, dos artistas, seria singular continuar morando com toda a diversidade. “quem sabe você não ganhe um muro quando sair daqui e possa pintar sua caveira em paz.” comentou despretensiosamente com um sorriso gentil, se ela tivesse um muro, o daria para que fosse pintado por ele, mas talvez o outro tivesse sorte pós-reality, artistas eram sempre mais visados quando possuíam algum certo tipo de fama, por isso talvez fosse bom para o outro também estar onde estava agora. um pequeno, quase sutil rubor se formou nas bochechas femininas, sabia que era uma definição bonita, assim como sabia que dificilmente poderia encontrar algo assim, mas a esperança deveria ser a última que morreria, ella gostaria de acreditar que encontraria algo com tais características, assim como desejava que todos ali também pudessem experimentar, obviamente não seria o primeiro amor, mas seria como se fosse o primeiro, borboletas no estômago, sorriso brilhantes e bons pensamentos aos outros. “não seja bobo, eu apenas usei palavras atraentes para o que todos devem esperar… hm, bem, perdão, eu nem sei o que você espera com tudo isso… então, o que você espera?” ella estava um tanto quanto sem graça com o próprio comentário, tivera perdido a hora de perguntar um réplica, por isso agora estava tentando concertar suas palavras, esperando que o outro lhe comentasse sobre expectativas de amor ou do que quer que tivesse intenção de descobrir naquele programa. a garota acabou dando de ombros com a suposição masculina sobre ele se encaixar em seu tipo, certamente ele era, alguém que parece que quebrará seu coração em um estalar de dedos. “eu diria que estou bastante surpresa comigo por não ter caído nos seus braços no primeiro dia do programa.” ela se divertiu com a própria resposta, deveria estar orgulhosa de tal feito? ela acenou com a cabeça com a possibilidade dele ter atraído tal tipo de personalidade, talvez tivesse uma predileção por aquilo, mas para todas as regras existiam exceções. “eu não sei se contaria muito com isso, por exemplo, aparentemente eu sempre atraí o meu oposto, por isso estou por aqui… mas ao mesmo tempo, se eu encontrasse alguém exaustivamente parecido comigo, eu iria me interessar por esse tipo?” não que ela soubesse qualquer coisa sobre como eram feito os pares, mas tinha plena ciência que se não houvesse certa… atração por tipo de padrões antigos, talvez sequer descobrisse quem era seu par, já que não ocorreria atração. “eu diria que um meio termo poderia acontecer… um meio termo entre a sua salvação e a sua perdição.” brincou, com um pequeno sorriso, seus ombros franzidos sutilmente, estava até envergonhada por falar tais palavras, não era como se estivesse pregando qualquer palavra divina, afinal. “hm, e por que acabou seu relacionamento? ela deve ser uma garota interessante, eu gostaria de me interessar por alguém assim.” a verdade fosse dita, pessoas inteligentes e com senso de diversão normalmente estavam em falta, já que eram deveras interessantes para estarem disponíveis. uma risada acabou lhe escapando com a questão da moto, mais uma vez uma motocicleta direcionando seu destino. “eu especificamente pedi alguém que não tivesse uma moto, o que pode ser uma ambiguidade, pois eles podem justamente me selecionar com alguém que tenha para que eu supere meus… traumas.” divagou ainda se divertindo com a possibilidade, certamente se acontecesse não seria nada divertido. “lembra do meu ex da cadeia? ele me roubou, como já sabemos… depois fugiu para o méxico com uma daquelas motocicletas… então, não, por favor.” agora ela falava até mesmo com um sorriso sutil nos lábios rosados, no entanto, anteriormente tivera sido extremamente doloroso tal fato. “oh, e ele me ligou para que lhe pagasse uma viagem de volta, a ligação eu ainda tive que pagar por ela. sabe o quão caro é uma ligação internacional?” perguntou com certa descrença, ainda não acreditava que pagara por todo o… serviço. rumo à vitória, ella. “eu diria que eu apenas não era uma boa psicóloga e pior ainda em interpretação…” suspirou um tanto quanto cansada, sabia também que a culpa não tivera sido sua, mas como já tivera continuado por lá, não queria que mais ninguém fosse prejudicado além de si… mesmo que envolvesse seu próprio salário. “mas eu planejo sair de lá com o final do programa.” seria uma boa demissão, poderia pressentir, mas com cinquenta mil, boa parte de seus problemas estariam resolvidos, com certeza. “o que você faria se não fosse um tatuador?” perguntou rapidamente, com um pequeno sorriso no canto de seus lábios. uma risada lhe escapou, subitamente ficando mais feliz com a resposta masculina. “eu diria que podemos ser sim um par ideal, essa foi a melhor informação que eu recebi no meu dia.” brincou com a resposta de não saber pilotar motos, era apenas… incrível. assim como ella também acabou se divertindo com as respostas masculinas, ela também não achava que era boa na maioria das coisas que ele tivera falado, mas existiam muitas outras em que era verdadeiramente ruim. “eu sempre fui péssima em esportes, todos eles, sem exceções… hm, eu também sou péssima em tocar qualquer instrumento, às vezes imagino que minha memória seja seletiva, pois nunca fui capaz de aprender qualquer outro idioma por não me lembrar do que tivera aprendido na aula anterior… eu não preciso dizer que tenho dois pés esquerdos, certo? dança, certamente me faria quebrar o tornozelo… bem, isso já aconteceu uma vez.” comentou sobre a própria degradação com diversão, talvez aquele fosse um tipo de problema a ser mencionado também, certo? “você me disse que tinha uma irmã, vocês são próximos? ou quem sabe com sua família?”
Franziu o cenho ao ouvir a pergunta, os olhos semicerrados como se pensassem a respeito do que lhe fora perguntado. Era um aprofundamento em um assunto que ele jamais havia pensado. ❛❛ Eu nunca pensei muito nisso. Mas deve ser isso... Gosto da euforia e a adrenalina. ❜❜ Resumiu o que acreditava ser o motivo para frequentemente buscar estar em problemas. Na adolescência, era inconsciente que fazia para chamar a atenção do pai e irritá-lo, como vingança, e até hoje ele não entendia dessa forma. Claro que, se ele compreendesse, não faria diferença alguma, já que jamais admitiria. Ergueu as sobrancelhas em surpresa pela fala dela, podendo facilmente entrar no assunto e perguntar mais sobre o tal ex-namorado, mas até ele em seu auge de sem noção sabia que aquilo quebraria o clima. Além de dar liberdade para que ela perguntasse sobre seus relacionamentos passados, e ele realmente não queria falar do assunto. Ao invés disso, fez uma pose com um sorriso quase malicioso. ❛❛ Então você gosta de um marginal? ❜❜ Balançou as sobrancelhas para cima e para baixo, sugestivo. O tom misturava o flerte com a diversão, sabendo que poderia ter usado qualquer palavra menos agressiva, mas não se importava muito em ser delicado. Além do que, já havia sido chamado daquilo tantas vezes, que não se importava mais em ser comparado com um - por mais que não fosse verdade. ❛❛ Minha mãe nasceu lá. ❜❜ Justificou, o sorriso quase entristecido no rosto, o que esboçava toda vez que mencionava a mulher. ❛❛ Já pensou? Seria foda! ❜❜ O tom mudou para um mais animado, de imaginar a ideia. Seria realmente incrível ter um lugar para expressar sua arte além dos papéis, e sem precisar de preocupar de ser pego e levado para a delegacia novamente; por mais que apreciasse a adrenalina, como havia acabado de confessar a ela. ❛❛ E você, o que curte desenhar? ❜❜ Sentou-se em uma cadeira livre, relaxando o corpo para escutá-la. Por um momento, até havia se esquecido de que estavam ali jogando e ele havia proposto uma revanche. ❛❛ Com o reality? Espero ganhar o dinheiro. ❜❜ Abriu um sorriso ao mencionar, realmente aquele sendo o seu propósito inicial quando se inscreveu. Agora, entretanto, estava gostando da experiência, embora ainda não tivesse muita fé de que pudesse encontrar o amor em uma das mulheres ali. Não por elas, é claro, mas por ele ser um homem difícil. A cabeça pendeu um pouco para o lado enquanto ria da frase dela, imaginando como teria sido se Ella fosse a primeira garota com quem ele interagisse. Talvez pudessem ter se dado bem, mas aquela altura ambos pareciam enrolados demais em suas relações e sentimentos conflituosos. ❛❛ Ainda dá tempo. ❜❜ Esticou os braços, em tom de brincadeira, como se estivesse abrindo espaço para que ela caísse em seus braços. ❛❛ Brincadeira, não quero te causar confusão. ❜❜ Além do mais, se ela estivesse tentando fugir de tipos como ele, talvez fosse apenas um sinal de que eles não eram mesmo um match. ❛❛ Você é boa com as palavras, sabia? ❜❜ Aquilo era realmente um elogio, visto que Javier era o extremo oposto daquela característica. ❛❛ Mas eu entendi o que quis dizer. O equilíbrio é bom, mas o coração quer o que ele quer, não é? ❜❜ Isto é, ele estava ali em busca de alguém que o mantivesse são, mas ao mesmo tempo sabia que não mandava nos próprios sentimentos. Engoliu em seco com a pergunta dela, suspirando fundo antes de responder. ❛❛ Ah, ela... Ela faleceu. ❜❜ Esboçou um sorriso triste, meio sem jeito de falar do assunto. Ao mesmo tempo em que tinha desejo de falar dela para manter a memória viva. ❛❛ Ela era incrível mesmo. ❜❜ Admitiu, mesmo que a palavra usada por ela tenha sido interessante, não havia outra palavra para descrever Rebecca que não fosse aquela. Ao perceber que ela contaria a história, esticou as pernas e as apoiou na mesa de sinuca, os ouvidos atentos ao que era dito e os olhos arregalados em surpresa pelo que escutava. ❛❛ Wow! Eu achava que eu era babaca, mas esse teu ex... Puta que pariu! ❜❜ Sequer tinha palavras para expressar, então um palavrão pareceu bem adequado. Não queria rir, mas foi inevitável, especialmente ao perceber o sorriso dela de quem tentava não sobrecarregar a conversa. ❛❛ Se um dia eu o conhecer, posso dar um socão no nariz dele? ❜❜ Perguntou com um sorriso divertido, mas não era como se um ‘não’ dela fosse impedi-lo, de qualquer forma. Ella parecia doce demais para ser tratada daquela forma, mas ainda era estranho o instinto que tinha como se quisesse defendê-la. ❛❛ E onde ele está agora? Ainda tem contato? ❜❜ Não conseguiu conter a sua curiosidade, mesmo sabendo que aquilo daria margem para receber perguntas igualmente pessoais. Bom, ele não garantia que responderia, mas se esforçaria para ser honesto como ela foi. ❛❛ E o que você pretende ser quando sair daqui? ❜❜ A curiosidade lhe atingiu, sendo surpresa até mesmo para ele o interesse em conhecer pessoas. Claro que aquilo fazia parte da proposta do programa, mas ele não estava exatamente seguindo aquilo com todas as garotas. ❛❛ Nunca pensei muito sobre, porque nunca me imaginei, sei lá, indo para faculdade, por exemplo. ❜❜ Deu de ombros, repensando sobre a resposta. ❛❛ Talvez trabalhar com desenhos? Imagina eu sendo cartunista? ❜❜ Disse com um sorriso empolgado, sua versão de doze anos estaria vibrando só de pensar na ideia. ❛❛ Quebrou o tornozelo dançando? ❜❜ A risada alta ecoou pelo lugar, não só por achar graça mas por se identificar. Se ele não havia passado por isso ainda, era simplesmente porque não era ousado o suficiente para se arriscar dançando. Fora isso, não podia dizer que se identificava com a inabilidade para tocar instrumentos, porque não era o caso dele. E, bem, sobre idiomas, além do Inglês, falava o Espanhol, mas apenas por o escutava desde criança e isso o ajudou a aprender. ❛❛ Minha mãe não é mais viva, mas a gente era muito amigo. Não me dou muito bem com meu pai, nem madrasta. Tenho uma irmã mais nova, uma mais velha, e um irmão caçula. Eu me dou bem com os mais novos, e a mais velha... Não exatamente. Mas estamos tentando. ❜❜ Resumiu, meio bruscamente, demonstrando sua falta de aptidão com conversas muito pessoais. ❛❛ Me fala da sua família, Ella Compton. ❜❜ Arriscou o sobrenome dela, completamente alheio ao fato de que havia trocado com o participante que, justamente, tinha algum envolvimento com ela.