L'orage et le Symphonie | Acte un "Allegro" | Ch. 5 - Entrez dans L'orage | Essência Amarela
17 de Maio de 2023, 05h45, Essência Amarela Departamento de Pesquisas Melodistas, Tercreta
As luzes nanométricas dos emissores de luz sequer ativaram cem por cento a função de dia. Os aerocarros e outros aeromóveis permanecem na função fiel de transportes em meio ao trânsito silencioso, mas caótico. Os primeiros civis, androides, máquinas e Pokémon auxiliares saem para trabalhar ou realizar funções importantes. Tudo parece dentro do normal, mas algo inesperado acontece, determinando o tumulto que parece impossível de ocorrer numa cidade tão perfeita como Tercreta: uma explosão. As chamas vazam para fora da lateral de um dos prédios mais antigos e seguros do centro. As janelas feitas de um tipo de vidro que evita acidentes desse tipo se mostram úteis quando o material, ao invés de se espatifar, se esfarela, não oferecendo risco a quem passa embaixo. Ainda sim, as labaredas são colossais, alimentadas pela mistura de compostos químicos que entram em reação devido ao que ocorreu num dos laboratórios mais importantes. Era ali onde a Drampa de cor laranja estava sendo mantida desde que ela e Madeline chegaram em Tercreta. De alguma forma, ao acordar do sono que foi submetida forçadamente, utilizou toda sua força para romper a prisão de vidro que estava submersa, acessando sua fúria. Os trabalhadores que ali estavam, foram pegos de surpresa, assim como seus auxiliares Rotom, que se escondem na sala lateral.
— Estamos em número baixo. É fora do horário comercial! — Um dos pesquisadores de plantão se esconde atrás de uma das bancadas do laboratório. Assim como ele, há outros pesquisadores que monitoravam a Pokémon desde a sua chegada. No momento, eles estão em três, o que se torna uma situação de alto perigo.
— Cha-chama os reforços! Ela vai destruir tudo! — Afirmou a mulher do trio. Enquanto ela tenta se esconder, Drampa ruge, disparando movimentos escaldantes contra as vidrarias, que quebram e explodem quando as substâncias entram em contato umas com as outras. Devido ao horário, eles sequer haviam acendido todas as luzes. Ninguém esperava que ela fosse despertar e sequer sair do invólucro de observação, que rachou, quebrou e dispersou uma grande quantidade do líquido interno ao redor de todo o laboratório.
— Vamos sair daqui! Eu dou cobert... — O outro pesquisador tenta puxar os colegas para fora do local, mas Drampa fixa o olhar nele, mirando um poderoso Pulsação do Dragão em sua direção. Ele empurra os colegas na direção de outra bancada, se jogando para que nenhum dos três seja atingido. O movimento rápido os protege, mas mais janelas do laboratório explodem, expondo a visão externa do prédio. As chamas começam a expelir fumaça e odores perigosos.
É então que em meio ao acesso de fúria, Drampa tenta encontrar uma forma de se colocar para fora daquela situação. As chamas e o calor a assustam. Do lado de fora, policiais androides isolam a área com fitas holográficas para que ninguém fique nos arredores do prédio. A população que passa pelo local se surpreende com o fogo, parando para ver o que acontece enquanto os bombeiros ainda não chegam por ali. Dentro do laboratório, Drampa se agita, buscando fugir ao conseguir identificar o buraco formado por um dos seus poderosos movimentos. No entanto, um dos pesquisadores age.
— Não podemos deixá-la fugir! — O pesquisador que havia salvado os colegas puxa uma Poké Bola, se colocando no caminho da Pokémon furiosa, que ruge vorazmente, tentando sair daquela situação.
— Deixe ela ir! Não vale a pena! — A pesquisadora nota que um dos colegas desmaiou por aspirar demais dos gases tóxicos da explosão. Ela sabe que eles precisam sair do local o quanto antes.
— Se deixarmos ela escapar no nosso turno vai ser pior. Podemos perder o nosso emprego. Eu não estou aqui só por mim! — Afirmou o pesquisador, jogando sua Poké Bola para cima, revelando seu Sceptile. Do crachá preso em seu jaleco já sujo pelos resíduos da fumaça, ele expõe sua Pedra-chave, tocando-a enquanto ela se conecta com o coração de seu parceiro, que brilha, revelando sua Megaevolução.
Uma batalha começa dentro do laboratório já em estado deplorável. Drampa luta contra Mega Sceptile, tentando escapar do local, mesmo com o próprio corpo com algumas escoriações, além de estar atordoada devido aos gases do incêndio alimentado pelos compostos químicos. O pesquisador faz de tudo para impedi-la. Sua colega de trabalho escapa quando tem a chance, levando consigo o outro parceiro que havia desmaiado. Ela tem noção de que a escolha feita pelo colega não foi a mais inteligente, mesmo que isso pudesse lhes trazer qualquer prejuízo no futuro.
— Você é muito forte... — O pesquisador, já sozinho, sussurra enquanto sente a vista ficar turva ao mesmo tempo em que fica difícil respirar. Atordoado, não consegue dar os comandos para seu Pokémon, que também começa a dar sinais de cansaço. Drampa aproveita-se do descuido do oponente, colocando seu longo pescoço para fora do grande buraco que se abriu na lateral do prédio, rugindo tão alto que foi possível ouvi-la em todo o centro de Tercreta.
Quando ela projetou seu corpo para fora do prédio, uma nova explosão aconteceu, empurrando o pesquisador por um dos buracos em chamas. Ele caiu em queda mortal enquanto seu Sceptile desmaiou na beirada, fraco demais para conseguir ajudá-lo ao perder a força da Megaevolução. Drampa, por sua vez, não foi atingida, voando para a parte Sul da cidade. Ao sobrevoar e alcançar os céus, seu rugido ganhou um tom melódico diferente, formando nuvens que ocultam não só o seu corpo, mas também os emissores de luz da metrópole, que ficam ocultos como se o dia tivesse sido cancelado. Dentre as brumas cinzentas ela ruge imponente, trazendo uma torrencial chuva que banha Tercreta: Dança da Chuva. Raios e trovões começam a assustar os civis, atrapalhando todos.
17 de Maio de 2023, 06h27, Essência Amarela Laboratório da Academia Melodista, Tercreta
A tempestade amedronta os muros de Tercreta, mas enquanto isso a aula de Maddy e dos demais cadetes continua como se nada estivesse acontecendo. Apesar do ruído do lado de fora, a voz do professor se projeta alta, chegando a ficar meio abafada em alguns momentos. Ele dá os detalhes finais para que possam fazer a visita, utilizando seu Kabutops para indicar os comandos certos que devem ser feitos aos Pokémon parceiros na hora de eliminar adversidades durante as operações de reconhecimento e varredura, mas internamente se questiona se será possível fazer isso hoje devido às condições de tempo. Na própria cabeça, Maddy observa a Poké Bola de seu mais novo Pokémon mesmo que seu pensamento esteja distante, pensando em seus outros parceiros que ficaram para trás. Agora, ela está apenas com sua confiante Rhyperior, seu fiel Dudunsparce e sua destemida Aerodactyl, que lhe ajudou a enfrentar a batalha contra Nikolai, que por alguma razão não consegue deixá-la em paz e criou uma espécie de rivalidade ou implicância com a sua presença. No entanto, isso não a deixa preocupada, pois as palavras de Susan foram muito mais marcantes e incisivas, mesmo que ela não tenha sido grosseira. Não hesitar. De alguma forma ela ter vindo para Tercreta pode ter sido algo bom. Quem sabe crescer fosse aquilo que ela sempre precisou. Talvez esse novo mundo em ruínas não sejam para pessoas como ela.
— [...] Criem esse vínculo com os Pokémon que receberam hoje. Eles serão um dos que ficarão ao lado de vocês durante toda a vida de Melodista. Eles precisam estar adaptados às adversidades dos ambientes cavernosos. Rochas, rios, lagos, neve, outros Pokémon e recentemente as Estalagas, que vocês, como cadetes e futuros Melodistas deverão encontrar mais cedo ou mais tarde. Como sabem, é nosso papel desbravarmos o mundo exterior e mantê-lo distante dos muros, assim como o pânico que essas criaturas podem causar. — Afirmou o professor, projetando a voz para que ela não seja abafada pelo ruído da forte chuva e seus trovões. Mas de repente, um auxiliar de laboratório adentra e vai até ele, falando algo em seu ouvido que o faz concordar, respondendo também em voz baixa.
Em seguida, ele dá um aviso importante para a turma:
— Devido às condições do tempo, hoje vamos permanecer no laboratório e vocês poderão desenvolver o vínculo com os Pokémon de vocês enquanto eu vou estar aqui para tirar dúvidas. Próxima aula faremos a visita e eu quero que vocês me tragam um relatório com a quantidade de movimentos que seu Pokémon possui. Eu quero que o relatório tenha pelo menos algumas palavras-chave escritas no dialeto natal. — Assim que ele dá o aviso, toda a turma se movimenta para a parte mais espaçosa do laboratório, mas antes que Madeline também vá, o professor a chama: — Senhorita Lefrebvre, por favor, arrume suas coisas. Está liberada, mas passe na biblioteca central que fica no corredor à esquerda, saindo do laboratório. Alguém vai encontrá-la lá.
— Oui. — Maddy pega suas coisas e se despede de Susan, Luigi e Catherine com um sorriso, mas ao passar pelo professor, sua expressão muda, afinal, ela não sabe quem a liberou mais cedo.
— Parece que finalmente vão pegar a loirinha de jeito por usar ressonância na nossa primeira batalha de treinamento. — Disse Nikolai, dando um risinho enquanto Maddy passa por ele.
— Ela na verdade teve um pico de ressonância, o que significa que ela pode ser bem mais sensível às emoções do que você que nem coração deve ter. — Susan retruca o rapaz, dando outro risinho enquanto Maddy ainda escuta a defesa da amiga, dando outro sorriso enquanto mostra os dentes.
— Cadetes, deixem as questões das outras aulas pras outras aulas. Vocês não foram liberados. Hora de trabalhar! — O professor chama a atenção de todos, que continuam as atividades enquanto Maddy sai da sala, seguindo pelo corredor vazio enquanto ainda ouve e se arrepia com a tempestade. Apesar das luzes acesas, o ambiente está cinzento e um pouco obscuro demais. Os relâmpagos chegam vez ou outra, antecedendo a chegada dos trovões. Como uma tempestade seria capaz de assustar tanto e mudar tanto a atmosfera de um lugar?
Seguindo a recomendação do professor, Maddy continuou seguindo através do corredor até encontrar uma única sala identificada na porta. Apesar de não entender o que está escrito por provavelmente estar grafado no idioma local, ela entra, afinal não existe outra sala ali. Ao adentrar, ela se fascina com a biblioteca que existe ali. A grande janela no fundo é tão ampla que é possível ver os detalhes do vidro, que deixa transpassar a luz dos relâmpagos. No entanto, a tempestade não a assusta tanto ali, pois os livros a chamam como num feitiço. Da mesma forma, as lâmpadas que iluminam o local acabam reduzindo a falta de luz que estava no corredor. A jovem caminha lentamente, apreciando os corredores e suas estantes abarrotadas de livros, artigos e documentos. É então que seu corpo paralisa quando ela percebe um livro de cor escarlate, em cima de uma birô de madeira de lei, cercado por outros papeis e exemplares.
— O livro escarlate... — Maddy sussurra ao tocar a capa do livro antigo. Ao abri-lo, folheia e segura próximo aos seus olhos. De repente, ela se assusta ao ouvir uma voz que chega suave, mas com presença.
— Conhece os paradoxos? — Perguntou Celestus, fazendo a garota se virar num súbito susto, mas sem deixar o livro cair.
— Eu tinha começado a estudar pra ser uma arqueóloga, assim como meu avô é. Antes disso eu já havia ouvido falar desses Pokémon que transcenderam o passado e o futuro. Todos esses mistérios sempre me atraíram, mas nunca os havia visto de perto. Pelo menos até aquele dia que eu pensei que significaria o início da minha estrada pro mon plus grand rêve. Valentia Férrea me atacou. Asas grandes feitas de uma fumaça escura. O corpo totalmente petrificado. Não era como nos livros. Não era o início da estrada que eu queria. Na verdade, foi o início de todas as piores mudanças da minha vida. Minha família, meus amigos, meus Pokémon, minha casa, minha vida... tudo escorreu pelas minhas mãos como areia. E agora eu estou aqui, mais uma vez sem ter a capacidade de ter escolhido estar. — De alguma forma, Maddy sabia bem quem estava diante dela e isso sequer tem a ver com a posição que Celestus ocupa dentro de Tercreta. Sua ressonância traz memórias corporais sobre quem está diante dela. Em seguida, ela coloca o livro de volta no birô, não olhando nos olhos do superior que fica calado.
— Também estudamos o mistério dos paradoxos bem aqui na Academia Melodista. De toda forma, eu fico surpreso que você saiba quem eu sou. Quer dizer... que saiba que fui eu quem a resgatou. Você estava inconsciente, assim como a Drampa de cor laranja. Eu e a minha equipe as trouxemos pra cidade. A superfície só pode ser acessada por Melodistas diplomados e ficamos disfarçados desde os primórdios, buscando proteger o segredo. Vocês poderiam ter morrido se tivéssemos hesitado. Sinto muito que tenha passado por tudo isso. Ainda também é um choque pra todos nós. Estamos preocupados com o avanço disso tudo nos Pokémon e também nas pessoas. — Afirmou Celestus, ouvindo o som da tempestade que não cessa.
— Se você se sente tão preocupado, por favor, me deixa voltar pra casa. — Maddy retorna a olhar para o superior, aguardando sua resposta.
— Sinto muito, Madeline. Eu não posso fazer isso. Você e Drampa são importantes pra Tercreta de uma forma que ainda não posso falar. — Celestus explica enquanto os olhos da garota se enchem de lágrimas.
— Você quer que eu assuma as batalhas de pessoas que eu sequer conheço? Eu fui sequestrada por aquele Pokémon e agora você fez a mesma coisa. Eu pensei muito e até cheguei a encontrar significado nisso tudo, mas je ne comprends pas. Eu não quero virar as costas pra quem eu amo! Eu não quero mais ficar distante de quem precisa de mim. — Maddy afirma em um tom firme, derramando uma lágrima.
— Então torne-se a melhor Melodista de Tercreta. Dê tudo de si pra proteger esses muros e eu dou a minha palavra que quando você estiver pronta, eu irei com você defender os seus com a minha vida. Tercreta detém segredos que podem ajudar não só este mundo. Sua vida e a vida daquele Pokémon são importantes pra que essa chance se mantenha. Eu preciso que você me tenha como eu superior, Madeline, e não como uma pessoa que terminou de jogar uma pá de areia no seu caixão. Eu não quero te destruir. Eu quero fortalecer você, mesmo que ainda não me conheça ou confie em mim. Pode fazer isso por mim? Confiar em uma pessoa que não conhece, mas que sabe que tem potencial pra se tornar alguém muito maior? Eu preciso que você não hesite! — Celestus despeja uma carga de determinação com as palavras. A última frase faz Maddy lembrar do que Susan lhe disse.
Um forte trovão é ouvido pelos dois, então Celestus diz:
— Quem trouxe essa tempestade foi a Drampa que estava com você. Hoje ela escapou do local onde nós a colocamos em observação. O poder que ela tem de causar isso tudo só pode ser parado por você pois você também é uma tempestade, mas diferente dela você também sabe ser calmaria. Eu a chamei aqui pra que você acompanhe a nossa equipe mesmo que você ainda não tenha experiência em campo. De toda forma, ainda será uma batalha e eu sei que você não precisa ser uma Melodista pra isso. Eu preciso da sua resposta: você é capaz de entrar na tempestade? — Perguntou Celestus, olhando nos olhos de Madeline.
— Je vais affronter l'orage. — Alguns segundos se passam e Madeline responde Celestus, fazendo a saudação que aprendeu. Ela não tinha mais dúvidas na própria mente. É como se mesmo em meio à tempestade ela estivesse serena, tendo acalmado a tormenta que havia se formado dentro de si. As dúvidas haviam acabado. Ela agora sabe que de alguma forma, seu propósito está em passar por Tercreta e tornar-se uma Melodista. Com o poder que conseguirá aqui, poderá voltar algum dia e ajudar quem ama, mesmo que suas lágrimas sequem e seu coração se torne mais firme como uma rocha fria.
Celestus também faz o mesmo gesto característico, vendo a lágrima que escorreu do rosto de Madeline permanecer imóvel na lateral da sua bochecha. Ele sabe que ela luta contra o próprio coração para assumir um objetivo que seu íntimo não deseja. O futuro a moldará de forma única, mas ele também está disposto a honrar a própria promessa. É assim que os dois partem do local, se dirigindo pra encontrar a equipe que se dirigirá pro centro da cidade, onde a tempestade está mais forte. Lá, as duas rivais se encontrarão mais uma vez desde que chegaram por aqui.















