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thxrealmate:
Menos do que você imagina, isso posso te garantir. Uma namorada no colégio, mas não acho que isso conta muito? Não foi por muito tempo, pode-se dizer que eu era mais focado nos estudos. Ainda sou, mas não da forma que eu era.
Doe anda com a Ivy na medida do possível, ela ia no dormitório antes com mais frequência. Mas, com a vida ocupada, se encontram pelo caminho. Sem falar que é muito mais fácil agora, já que são vizinhas de quarto. Mas, é uma opção… visitar ela pode ser a solução… particularmente não estou reclamando de ver minha namorada mais vezes e te ajudar por tabela. Mas, nesse caso… posso pedir ajuda para ela. Não é como se eu fosse expert no assunto.
Ok, talvez eu esteja preocupado agora. Vamos deixar esse assunto pra lá.
Fine by me. Podemos levar alguns de seus jogos para lá e se nada der certo podemos ficar jogando... Ou eu deixo vocês a sós e vou procurar o Gid.
thxrealmate:
Você fala como se eu fosse o melhor numa situação dessas, não tenho nenhum problema em admitir que tive sorte ou o que seja que tenha acontecido para estar onde estou.
Eu conheço por conta do passado, além do fato dela ser amiga da Doe, não que eu seja muito íntimo ou coisa do tipo com ela. Se troquei uma ou duas palavras com ela esse tempo todo, foi muito. Mas, não leve para o lado pessoal, isso aconteceu no passado. Mas, nesse caso sou suspeito para dizer que a sorte foi da Ivy. Mas, isso não significa que você não tenha chances. Se quiser posso pedir algum tipo de dica, para a Doe? Mas, seria bom especificar antes, ou ela vai pensar que estou afim da Ivy.
Augustus, com quantas garotas você já ficou? Garanto que você deve ter mais experiência do que eu.
Hm. Doe anda frequentemente com ela? I mean. Eu por acaso veria a Ivy se visitássemos mais vezes a Doe? Eu devo estar ficando louco de pensar que isso daria certo. Forget it. Mas se você quiser conversar com a Doe sobre isso fique a vontade. Se a resposta for algo positivo você pode me falar, se não deixa pra lá.
thxrealmate:
Quase fiquei ofendido com essa afirmação. Posso ser um pouco desligado, às vezes, mas conheço algumas pessoas do campus. C’mon, mate. Tenha um pouco mais de fé em si mesmo, não tem ninguém mais realista do que eu. Só estou tentando ajudar um amigo.
Até que conheço alguém que bate com essas características… você ao menos sabe o nome dela, ou isso é algo mais platônico? Se for quem eu estou pensando… pode ser que seja a Ivy. She’s pretty, yeah. I know that, Doe knows that too. If you get what I mean.
Dude, eu tenho muita fé em mim. Como uma garota daquela poderia resistir a tamanho charme de um cara como eu? Impossível.
Sim, é a Ivy. Não sabia que você a conhecia...
Like I already said: Doe is better than anyone. Ela até mesmo já beijou a menina mais linda que eu-. Ok.
thxrealmate:
Ele pode tentar, não sei ao certo se vou conseguir acompanhar.
Não quis ofender, Jake. Estava apenas confuso com tudo isso. Então, você conheceu alguém e está mantendo segredo? Somos colega de quarto, gosto de estar preparado para eventualidades. Não vai doer se me contar, acho que até vai aliviar os pensamentos. Pense no quanto isso me pouparia se fossemos amigos na época que estava, ou melhor dizendo, não estava com a Dorcas. Isso é uma coisa que vou ter que concordar, sem ser tendencioso.
Não é segredo algum. Só acho que você não deve conhecer a garota. E eu adoraria que tivesse alguma eventualidade para você estar preparado. Mas acho que você, como meu amigo, deve ser realista.
Ela bem... é bem baixinha, tem o cabelo castanho e o olho... bem azul. She’s fuckin’ pretty and really nice. Ok. It’s never gonna happen.

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thxrealmate:
Acho que ele não vai gostar de mim se disser que não sei quem é Kim Kardashian. Se for realmente importante para ele, mas posso compensar no jogos eu acho.
Então ela é imaginária ou realmente existe? Estou um pouco confuso aqui, mate. Você tem que me ajudar. Vai contar quem é a garota misteriosa? Se conhecer, posso te ajudar. Ou a Doe pode, ela é mais articulada nesses casos do que eu.
Não se preocupe, ele te explica toda a história de vida dela e da família.
Ha-ha-ha. Funny. Eu sei que sou patético nesse assunto, mas uma garota imaginária é demais até pra mim. Mas eu meio que conheci alguém. E é basicamente isso. Porque na verdade não passou disso. Então é isso. Doe é muito melhor que nós dois juntos. Em qualquer coisa.
thxrealmate:
Só isso mesmo? Feliz por saber que sua família vai vir aqui, olha… dependendo do que você acha legal, tem uma sorveteria perto do café, e um pequeno parque não muito longe. Mas, acho que se fosse o caso ele podia vir aqui? Aqui não é nenhum arcade, mas seria legal. É claro que isso não seria muito interessante para a sua mãe. Não estou com muitas ideias, mate.
I thought it was some kind of girl trouble.
Você pode conhecer o Adam, aposto que você vai gostar dele. Vocês podem conversar horas e horas sobre jogos e ele provavelmente vai querer te mostrar o instagram da Kim Kardashian.
Seria um girl trouble se existisse algo com alguma girl. Quer dizer, existe uma girl. Não necessariamente um trouble, porque para isso teria que existir algo.
thxrealmate:
Yeah, mate. Qual o problema em questão? Parece meio nervoso… ia terminar de revisar um trabalho, mas pode esperar. Alguma coisa grave aconteceu?
Problema nenhum. É que nesse final de semana... Minha mãe e meu irmão virão para o campus, Adam tem uma consulta na ala de psicologia... E eu estava pensando se você sabe um lugar legal para levar eles depois?
Just it.
Hey, dude. Tá ocupado?
where the party at?
@jake-atw
Guadalupe só precisava de um lugar para sentar e entregar as provas antigas que tinha prometido a Jake. Depois de muito procurar pelo rapaz, o encontrou na biblioteca, estudando como sempre. Lupe não era lá muito esforçada nos estudos, sempre conseguia notas pouco acima da média com algumas horas de estudos antes das provas. Se lembrava do pai lhe falando “corazón, you are not book smart, you are street smart, just like your papi” e sentia orgulho daquilo. Rafael Martinez tinha uma empresa de transporte marítimo que havia começado com um conteineiro minúsculo, comprado com um empréstimo e agora contavam com uma frota de pelo menos cinquenta embarcações enormes.
Parecia ser uma realidade bem diferente dos amigos que a latina tinha, inclusive Jake. Mas não se sentia melhor do que qualquer um deles por ter um cartão sem limites e não ter de morar em um dormitório de faculdade. Se sentou ao lado do loiro e deixou sobre a mesa um fichário enorme. “Pronto, gatinho. Tudo que eu tenho de Cálculo 3, duvido que ele mude as provas.” Ela comentou, baixinho. Passou os olhos pela mesa e encontrou um folder de festa, uma que parecia bem interessante com suas tintas neon. “Então, onde é essa festa? Vamos? Preciso de um homem forte para me carregar para casa.”
Devido sua condição de bolsista, Jake estudava o máximo que podia todos os dias em seu período livre de aula. O rapaz dava muito valor a oportunidade que havia recebido da universidade, e de forma alguma queria colocá-la em risco. Seu futuro dependia exclusivamente de seu esforço inserido ali. Sendo assim, sua presença era quase que certeira na biblioteca da universidade.
Estava tão compenetrado em seus estudos que não notou a chegada de Lupe, sua amiga. Ainda que ambos fossem polos opostos, haviam criado uma forte amizade, superando qualquer diferença que existia em suas personalidade e suas vivências. — Hey, pretty girl. — A cumprimentou enquanto apanhava as inúmeras folhas rabiscadas das mãos pequenas da morena sentada ao seu lado. — Não estava contando com ele manter a mesma questão, mas acho que seria bom revisar as provas antigas. — Comentou enquanto seus olhos claros passeavam pela prova a sua frente. — Mas muito obrigado! — Agradeceu exibindo um sorriso sincero em seus lábios. Quando a amiga comentou sobre uma possível festa, Jake deixou de prestar atenção na prova a sua frente e apanhou o panfleto sobre a mesa de madeira. “Festa a fantasia.” Diziam as letras garrafais de forma mais chamativa o possível. — Eu não tenho nada a ver com isso. Nem sei como isso apareceu aqui. — Respondeu apontando para o panfleto. — Adoraria te fazer companhia, mas não tenho fantasia. Acho que fica para a próxima. — Completou enquanto dava os ombros. — Mas espero que você não chegue ao ponto de ser carregada por alguém.

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MacGyver, episode 217
Misery | The Maine
Start of something new @Ivy Mars
psycomars:
— Praticamente quase todos os dias durante a primeira semana. O declínio vem com o aumento de responsabilidades com trabalhos. Ainda que você vá passar por alguns outros alunos que continuam da mesma forma. De onde tiram tanta energia você provavelmente está se perguntando… nem eu sei ao certo. Confesso que até sinto um pouco de inveja dessa parte. — Ela brincou com o loiro, ainda que aquela frase tivesse sido verdade. Apenas por estudar e cumprir tantas tarefas, se sentia sufocada. Ainda que fosse muito pior em outros caso quando era preciso trabalhar para se manter. Ou quando a carga horária era extremamente densa, no caso de Dorcas.
A morena prestou atenção no que o rapaz dizia, parte aliviada ao saber que o problema não era algo que tinha começado, ao menos foi o que ela tinha entendido. — Acho que entendi o que você quis dizer. Ele precisa de uma ajuda extra, alguém de fora do círculo da família. — Disse fazendo uma pequena pausa. — De qualquer forma eu acredito que isso é bom, quero dizer… o papel da família de um jovem ou simplesmente de qualquer pessoa; é muito importante. É possível se evitar muitos problemas quando a via de comunicação é grande. E isso sem dúvidas é algo que o seu irmão tem. Eu realmente fico feliz em saber disso. — A morena disse com sinceridade, uma vez que sabia que qualquer tipo de vínculo forte com a família era bastante benéfico. Ela mesma gostaria que as coisas fosse mais diferentes com a própria família. Ainda que tivesse uma madrasta, não era exatamente o mesmo do que ter a mãe. Aquele papo antigo de que ‘mãe é quem cria’ não era dos melhores.
Quando Jake deu a entender que seria um problema para ela, Ivy fez logo questão de balançar a cabeça negativamente. — Não tenho problema nenhum em ajudar o seu irmão, Jake. — Disse em um sorriso leve. — Quando for possível e melhor para você e sua família eu estarei aqui disposta a ajudar. Só estou fazendo o que eu posso para melhorar a qualidade de vida das pessoas. A não ser que tenha algum problema para você? Se for o caso eu posso ver o que posso fazer. Até visitá-lo, para evitar o impacto de um ambiente um pouco fora do habitual dele. — Completou, analisando o loiro a frente em busca de algum sinal. Positivo sobre a proposta, ela esperava.
Por mais que Jake realmente se esforçasse, era difícil não se sentir intimidado com a garota a sua frente. Os olhos azuis pareciam cada vez mais intensos e brilhantes conforme ela falava, e Jake sentia que de alguma forma, ela poderia enxergar toda sua alma se assim quisesse. Pigarreou, tentando sair do transe causado pela beleza morena a sua frente. — Falta muito para você se formar? — Perguntou um pouco sem jeito, tentando puxar assunto com a garota. — Acho que ninguém consegue manter o mesmo ritmo do que no começo da faculdade. Quero dizer… acho que sempre satura depois de um tempo. — Completou conforme deixava os olhos acompanharem o grupo barulhento ao longo do corredor.
— Exatamente. Alguém fora do círculo da família. — Repetiu as palavras de Ivy, parecendo mais uma vez um idiota. Até quando ele agiria dessa forma? — Adam é um garoto especial com um coração muito bom… e as pessoas se aproveitam dele, porque enxergam isso como uma fraqueza. Além disso ele está tentando mostram quem realmente é. Digo, deixando claro pro mundo sua orientação sexual, então acho que dá pra imaginar o que ele vem passando. — Passou a mão no cabelo em um gesto nervoso. Só de lembrar de algumas situações que o irmão passou, sentia uma grande inquietação, uma sensação de que poderia fazer qualquer coisa para defendê-lo. Porém quando morena voltou a falar, Jake acabou se distraindo dos próprios pensamentos. Ela acabará de o conhecer e parecia estar totalmente disposta a ajudá-lo com seu irmão, e isso não era o tipo de situação que o rapaz estava acostumado a lidar. — Você realmente iria até o outro lado do estado para ajudar meu irmão? Não passou pela sua cabeça que talvez eu seja um louco assassino? — Questionou intrigado. — I mean. Of course I’m not. But I could be. Of course I am not. But I could be. — Riu de si mesmo. Talvez ele sempre seria assim, sem jeito perto da garota.
I think you’re my roommate
thxrealmate:
Sentira que Jake tinha se sentido desconfortável com a situação quando perguntou sobre o relacionamento de Gus com a loira. Ainda que não tivesse sido uma pergunta má, ele sequer tinha falado na verdade o que tinham passado, mas era como o colega de quarto tinha dito. O importante era que estavam juntos naquele momento. Águas passadas não movem moinhos como dizia o ditado. — Acho que você está certo. — O australiano disse, dando os ombros pela segunda vez, ainda que tivesse um pequeno sorriso no canto dos lábios. — O importante é o presente, eu acho. O passado só está lá, como uma pedra no caminho que não pode ser mudada. Eu não sei, não sou muito bom com esse tipo de metáfora. No final das contas deve ter feito algo certo, não? — Ele questionou, ainda que tivesse sido mais para ele do que para o outro loiro no recinto.
O loiro viu que o assunto do trabalho tinha tomado a atenção de Jake, ele mesmo sabia o quanto aquilo era difícil, conseguir algo seu. Um dinheiro mesmo que fosse pouco, mas que fazia a diferença para quem precisava. Contudo, não deixou que uma expressão confusa se formasse no rosto quando o outro mencionou sobre opções nada legais ou até mesmo possíveis para Gus sugerir para ele. Parte dele sabia, no entanto, que alguém faria isso em algum momento, mas ele não sabia dessa realidade com toda a certeza. — Não, mate. Nada disso que você possa ter pensado. — Ele comentou, ainda que tivesse entendido um pouco depois que aquilo tinha se tratado de uma brincadeira do outro. — Você diz isso hoje, mas garanto que isso vai mudar. — Gus brincou, ainda completando o pensamento logo depois. — Eu trabalho lá, é um trabalho honesto acima de tudo. E sempre tem algo que precisam. Especialmente agora que parece que se instalou uma maldição lá, difícil de parar alguém no cargo. — Disse ainda refletindo se era somente uma questão de azar ou os outros colegas de trabalho anteriores apenas não correspondiam às expectativas. — Não é muito, mas deve ajudar. — Augustus falou de maneira sincera, ainda que tivesse conhecido o colega a pouco tempo, sempre tivera essa preocupação e vontade de ajudar os outros.
A reflexão do loiro parecia ainda confusa na própria cabeça, mas estava aprendendo um pouco mais com a conversa do colega. Não pareciam tão diferentes, notando que ele também teria perdido alguém. — Somos dois, eu acho. — Disse sem querer que o sentimento triste se perdurasse no momento. O que não foi difícil uma vez que Jake perguntou algo sobre a festa. — Meu pouco tempo livre é usado para estudar, e quando não tenho a orelha puxada pela Dorcas, passo tempo com ela. Até vou em festas com ela, mas você definitivamente não está falando com o cara certo. Alguma festa de fraternidade? Essa pessoa era do sexo feminino ou masculino? — Disse sem pretensão, ainda que estivesse brincando com o outro.
A forma que Gus reagiu a sua sútil piada o fez perceber que talvez devesse prestar mais atenção nas coisas que fosse brincar com o rapaz, talvez ele não entendesse em primeiro instante o humor de Jake. — Dude, I’m in. I need money, so... I’m in. — Disse dando os ombros simplesmente. A ideia de ter um salário, ainda que baixo, faria de Jake um pessoa mais tranquila e mais feliz. Ele já conseguia se virar com o pouco de qualquer forma. — Se você puder me indicar, ou precisar que eu vá até lá, é só me dizer. Vou quando precisar. — Se prontificou em deixar claro que estaria livre para quando a vaga surgisse. Independente do que fosse, Jake toparia.
Por muito tempo Jake diria que não era uma pessoa de sorte, afinal a vida o fez acreditar nisso por muito tempo. A perda do pai, as complicações na família, os apertos vividos em casa o dava impressão de que a vida não era exatamente justa com todos, com alguns menos do que com outros. A resposta em tom triste do roommate deixou claro que talvez a situação de ambos era muito similar. — Andar sem rodinhas, certo? — Disse em um tom mais leve, tentando lembrar o outro do que haviam falado a pouco tempo. — Acho que preciso me policiar para não passar o tempo todo no quarto ou na biblioteca estudando também. — Deu os ombros, parecia que ele e Gus eram mais parecidos do que achavam. — Eu tenho quase certeza que de era uma garota. — Riu conforme respondia o questionamento do rapaz. — Era uma morena baixinha, olho castanho. Ela falou meio rápido pelo corredor… eu não entendi muito bem. Era algo sobre uma festa a fantasia. Não faço a menor ideia. — Passou a mão pelos fios loiros enquanto se tentava lembrar do que a garota havia falado. — Não sou realmente o maior fã de festas. E eu nem tenho uma fantasia.
make me choose: macgyver edition | short hair or long hair

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Clube da Luta
g-ingerhead:
Assim que o rapaz perguntou se ela estava falando com ele, assentiu com a cabeça. Ele tinha um rosto um tanto quanto familiar, talvez ela já o vira antes pelo campus, mas não familiar a ponto de ela reconhecer seu nome. Ficou imaginando o que o levara àquela sessão do Cinepsicologia, mas quando ele comentou que assistira àquele filme pela segunda vez, já conseguiu montar uma motivação em sua cabeça. — Foi a terceira vez que assisti, para falar a verdade. — Respondeu, lembrando-se das outras vezes que assistira ao filme. — Tive impressões tão diferentes cada vez que eu assisti, é um filme cheio de camadas. — Constatou. — Assim que montei o Cinepsicologia eu sabia que esse filme deveria ser trazido. — Falou, lembrando-se de quando esse projeto estava apenas no papel. Demorara um pouco para conseguir as autorizações e verba necessárias para a realização desse tipo de evento, porém a lista com os filmes que queria exibir sempre existiram.
Jessica sempre fora uma grande fã de filmes, seu pai tinha o hábito de levá-la muito ao cinema e alugar filmes cults para que eles assistissem juntos. É claro que ela não era uma grande entendedora dos termos técnicos cinematográficos, porém a psicologia dos personagens era algo que lhe interessava muitíssimo. Ela adorava entender por que as pessoas faziam o que faziam e como pensavam, além de perceber os padrões de comportamento, e achava que os filmes traziam casos de estudo excelentes para isso, quando bem escritos. O primeiro filme que Jess se lembra de intrigar-se com a psicologia dos personagens foi Persona, do diretor sueco Ingmar Bergman, um dos filmes estrangeiros em preto e branco que ela assistira com Jeremy quando tinha cerca de 17 anos.
— Sabe que da primeira vez que assisti a esse filme eu achei que era só uma desculpa para mostrar mais masculinidade tóxica em uma tela de cinema. — Começou seu raciocínio. — Mas depois eu entendi que é justamente uma crítica a isso. E que crítica bem feita! — Completou.
Ao olhar com atenção para a garota a sua frente, Jake poderia afirmar com veemência que jamais havia visto cabelos com uma coloração tão viva. E isso era apenas um detalhe que complementava a toda a extroversão de Jess, que falava com tamanha eloquência que o deixava admirado com sua inteligência. — Foi você que organizou tudo isso? — Perguntou um tanto impressionado com o tamanho do evento que garota havia realizado. — Você vai exibir só esse filme ou terão mais? — Questionou interessado. Havia gostado tanto dessa sessão que com certeza marcaria presença nas próximas.
— Eu assistia esse filme com meu irmão, mas hoje digamos que o gosto dele mudou um pouco. — Disse suavemente com um tom cômico. Jake e Adam sempre foram muito próximos. Lembrava-se de todas as vezes se que os dois se sentavam no sofá de sua humilde casa e assistiam esse filme. Também era vívido na mente de Jake todas as vezes que sua mãe implicava com o filme, dizendo que não era apropriado para ele, tampouco para Adam. — Hoje ele prefere Clueless e Mean Girls. — Riu suavemente conforme a imagem do irmão organizando todo o guarda roupa para que todas as quartas-feiras usasse uma peça de roupa rosa.
— No começo eu assistia principalmente pelas cenas de luta, não vou ser hipócrita e negar. — Deu os ombros conforme confessava a verdade para ruiva. De alguma forma, se sentia muito à vontade para conversar com ela, mesmo que havia acabo de conhecê-la. — Hoje já me sinto diferente a isso, principalmente depois de ler o livro. — O loiro havia se interessado tanto pela história que assim que soube da existência da obra na literatura, correu até o loja de livros no centro de sua cidade e adquiriu seu exemplar. — “Trabalhamos em empregos que odiamos para comprar porcarias de que não precisamos.” Faz muito sentido por aqui, né? — Citou conforme olhava para um grupo que andava distante deles, exibindo roupas de grifes e celulares caros em suas mãos.
I think you’re my roommate
thxrealmate:
O loiro ficou refletindo por um tempo até sair do transe de memórias que vieram com a pergunta de Jake. Sabia que o novo colega de quarto nem imaginava o que teria ocorrido com ele até que ele e Dorcas finalmente tivesse oficializado o que tinham. E que até mesmo, depois do festival na Austrália e as conversas que trocavam enquanto ele ainda morava a uma grandiosa distância entre ela, nem de longe ele mesmo pensava que algum dia teria chance com Dorcas. — Na verdade, não. Quando nos conhecemos foi durante um curto espaço de tempo na Austrália. Ela tinha viajado para lá. Pode até parecer coisa de filme, mas nos conhecemos por um acaso. Depois disso, ainda tínhamos contato, mas nada além do que uma conversa normal entre amigos? Acho que demorou para cair a ficha, mesmo depois de chegar aqui. — Ele deu os ombros, ainda lembrando do ocorrido. Dos primeiros dias, dos olhares não correspondidos. Mas, a única recordação que tinha firme na mente, era o dia que tinha tomado coragem de assumir o que sentia. Embora tivesse feito um gesto tolo, fora a única maneira que tinha encontrado para se expressar sem ser interrompido. E foi num simples copo de café que ele tinha feito o pedido.
Um olhar perdido ainda insistia em permanecer, quando o rapaz ainda estava perdido em pensamentos, despertando com a fala de emprego. Sabia o quanto isso era difícil, se manter sozinho e ajudar os outros. — Tem alguma ideia pelo que está procurando? Trabalho tem um certo tempo, mas não sei se seria o ideal para você. Meu vício em café aumentou exponencialmente, embora não acreditasse que isso fosse possível. — Comentou em um tom suave. Ao que tinha entendido, Jake era a base de apoio da família, e sabia o quanto aquilo era importante para ele continuar sendo aquela figura mesmo que a distância.
— É verdade, ainda que tenha sido mais complicado não querer dividir tudo. Nem sempre é o peso o problema, é não ser algo a mais na vida de outra pessoa. — Ele falou, admitindo não ser fácil para ele falar de problemas com pessoas no geral, mesmo Dorcas ainda tinha certo problema em passar pela muralha que ele tinha erguido. Não por orgulho, apenas por ser… bem também era por orgulho. — Infelizmente andar não é algo sobre a teoria da bicicleta, tem que se fazer sozinho, e uma hora você não tem mais o apoio das rodinhas para continuar. A não ser que as rodinhas sejam nossos pais. Aí, talvez faça sentido. — Falou, colocando uma das mãos no queixo em um gesto pensativo.
A hesitação da resposta de Gus e seu cuidado nas palavras fez com Jake soubesse no mesmo instante que aquele era um assunto delicado e talvez não devesse ter perguntado sobre isso, ainda que não o tivesse feito por mal. — Mas o importante é que agora estão juntos, não?! — Disse tentando contornar o clima pesado e mostrar o que realmente deveria importar para o novo colega de quarto. Talvez esse pensamento deveria ser válido até mesmo para Jake, tentar enxergar o lado bom das coisas e não ser tão pessimista, mas era difícil ter uma visão de mundo mais otimista, uma vez que veio de onde veio.
Quando o assunto sobre emprego surgiu na conversa, Jake voltou sua atenção completamente para o garoto a sua frente, deixando para trás todos os demais pensamentos que flutuavam em sua mente. — Não sendo prostituição ou tráfico de drogas, aceito qualquer coisa que possa me dar uma renda a mais. — Brincou conforme dava os ombros e exibia um sorriso sem graça. O fato de Gus ter lhe oferecido uma sútil ajuda o deixou extremamente contente. Afinal, mal se conheciam o outro rapaz estava disposto a lhe ajudar. Não era algo muito comum de se encontrar por aí. — Não tenho muito problema com vício em café, acho que posso lidar com isso. Você trabalha nesse local? — Perguntou conforme se recostava na parede atrás de sua cama.
Se deixou pensar por alguns instantes após Gus colocar seu ponto de vista na conversa. Era fácil de se notar que a vida do rapaz não havia sido nada fácil até o presente momento e de alguma forma sentia empatia por ele, sem nem ao menos saber a história do outro. — Bom, depende dos pais. Se for meu caso, tenho uma rodinha só. — Disse brincando, ainda que sentisse seu peito apertar de saudade do pai, que havia falecido no último ano. — O que você costuma fazer no tempo por livre aqui? Porque hoje mais cedo fui convidado por uma pessoa que nunca vi na vida para uma festa que não tenho menor ideia de como seja.