Sentimentos e desabafos
Querida Lilly,
Hoje Ă© 7 de maio de 1985 e estou escrevendo porque estou confusa. Tive uma recaĂda ontem, que foi pior do que imaginei, pois estava com uma imensa dor de cabeça. No entanto, no dia seguinte, acordei melhor, e nunca agradeci tanto a Deus pelo amanhĂŁ. Mas o que mais me aflige sĂŁo meus desejos. Sinto-me sobrecarregada com eles e queria poder realizá-los todos de uma vez, mas minha impaciĂŞncia com a espera torna isso insuportável. Ă€s vezes, penso em ir Ă igreja, mas nĂŁo sei se devo frequentar a catĂłlica ou a evangĂ©lica, pois nĂŁo sei qual Ă© o caminho certo. NĂŁo quero a resposta dos homens; gostaria que Deus me guiasse, mas acho que nĂŁo tenho fĂ© suficiente para ouvi-Lo. Lilly, ainda amo Harry, mas nĂŁo gosto mais dele. Ele nĂŁo Ă© quem eu pensava que fosse. Achava que fosse verdadeiro, mas cada vez que o ouço, parece superficial. Queria que ele me escutasse, mas Ă© tĂŁo egoĂsta as vezes… É notĂłrio que nĂŁo sente mais o mesmo ou talvez eu sempre fui apenas um momento. E para ser sincera, Lilly, acho que todos estĂŁo sendo egoistas comigo. NinguĂ©m que se aproximou de mim atĂ© agora parece ser verdadeiro. Tanto amigos ou parentes. Parece que Ă© sempre para suprir algo que desejam, algo que posso oferecer no momento, mas que partirĂŁo quando conseguirem. Lilly, estou sempre disposta a ouvir todo mundo. Acho que sĂł vocĂŞ me ouviu ficar animada enquanto eu conversava sobre algo que gostava, ou todas as vezes que eu sentia. Escrever foi minha Ăşnica solução para poder desabafar, e Ă s vezes acho que nem lerĂŁo as cartas que escrevo. Mas se, em algum momento, vocĂŞ ler esta, obrigada por me ouvir.
Sinto saudades dos nossos chás da tarde na cafeteria la’bouf
Com amor,
Maria











