Nothing wrong, nothing right. | Rodrick & Call
O fogo lambia os gravetos nas várias fogueiras espalhadas pelas ruas escuras do condomínio, lançando sombras sinistras e bruxuleantes nas paredes rachadas. O vento gelado corria pelas esquinas como se tivesse pernas e um arrepio frígido abraçou o corpo de Rodrick, fazendo-o puxar o casaco para mais perto do corpo. Ainda havia muitas pessoas acordadas e andando por ali, afinal não deveria ser mais do que oito da noite, mas ele não tinha tempo a perder. Com todas as coisas agradáveis já encerradas devido à falta de energia elétrica na cidade, ele fora escolhido a dedo para ser o próximo carcereiro da princesinha do Cosmic Freaks, devendo velar o seu sono durante parte da madrugada.
Agora dei pra ser babá! O Kyle não consegue nada com a menina porque tem o taco podre, então resolve sequestrar ela… Daí “eu” que tenho que ficar de babá. Reclamava mentalmente enquanto entrava em uma das maiores casas da região e, em seguida, se aventurava por seus cômodos.
Ele precisou subir uma escada nos fundos até conseguir encontrar uma alma viva.
- Tô aqui pra cuidar da gatinha do Kyle. – Disse para o outro rapaz cujo – deduziu- estava ali para substituir. Nem se quer deu atenção para a terceira presença que notara no local, enquanto pegava a arma com o outro e a guardava na cintura.
Envolta aos cobertores cor de nevada atribuídos a seu arsenal supérfluo de pertences em sua “estadia” -- se poderia outorgar tal conceito ao que aplicar-se-ia melhor ao termo: ergástulo. -- na Human Crew. A espinha tremula não obstante provocava calafrios que por conseguinte fazia todo o restante da fisionomia feminina sacudir, condição provocada pela baixa temperatura congênita da metrópole que agora, se via no mais profundo sono e não mais acalorava seus habitantes. A tez nívea ruborizava, contrastando as madeixas. Ponderava sobre sua casa. Como estariam Octavius e Seth, se encontravam-se em plena saúde física e principalmente, psíquica. Seth, possivelmente. Octavius... bem, o âmago de Callisto incessantemente estava inquieto por conta de Octavius.
Passos preencheram o remanso. A figura em sua frente emitia pouco barulho, e não trocava uma sílaba sequer com ela. Não que fosse uma surpresa, prevalência dos integrantes do grupo a detestavam somente por sua presença, e por mais que a Mason geralmente não tolerasse tais atitudes, sinceramente, estava de saco cheio de desvelar em soluções diplomáticas em base do diálogo -- não que fosse iniciar à uma rotina de agressões contra os demais de seu âmbito; isto estava longe de seus conceitos e/ou de seu feitio. Calaria-se somente, ou não permitiria que criassem monólogos hostis antes que elas os partisse ao meio.
Outro homem anunciava sua chegada. Ostentava um semblante sisudo, entretanto, aparentemente mais comunicativo do que o anterior. Não hesitou em corrigir o termo que atribuiu à sua pessoa, pois certamente este não lhe cabia: -- Não há ninguém que pertença a Kyle aqui, sinto muito em te informar. -- Os braços antes cruzados agora abertos sugeriam que ele observasse melhor o recinto. -- Não preciso de cuidados, sequer de tutela, não sei o motivo de insistirem nisso, mas sinta-se à vontade em tornar-se meu passa-tempo. Quais seriam suas especialidades? Eu já listei: “encarada obscura porém levemente engraçada por ser muito dramática”, "maluco do isqueiro” e “aquele cara que acha que isso aqui é um filme de ficção científica e tentou um interrogatório ofensivo”. Estou sinceramente inspirada e curiosa pra criar sua categoria. Sente-se. -- Indicou o banco com o queixo, os lábios formando um sorriso genuíno. Naturalmente ela teria recepções mais refinadas, entretanto a paciência ainda decrescia, corrompendo a usual afabilidade.














