In truth, you like the pain. You like it because you believe you deserve it.
Marya Hornbacher (via lsabelas)

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rubxnotelsa
Ruby não fora capaz de evitar que se sobressaltasse e que seus batimentos cardíacos se acelerassem com a revelação do garoto, e tivera que se controlar para não demonstrar o susto que tomara com seu aparecimento quando virou-se para encará-lo. Aquele cenário obscuro tornando a cena mais dramática do que realmente era. Analisou o rosto do rapaz, e não demorou muito para que constatasse que jamais havia o visto antes e que isso provavelmente significava que ele se tratava de um membro da Human Crew. Mas é lógico! Como se fosse possível se ter uma noite tranquila naquele maldito lugar. Observou a arma que ele trazia empunhada e lutou contra seu instinto de sobrevivência, que lhe sussurrava ao ouvido que destruí-la com seus poderes naquele momento seria sua melhor cartada. Bem, se ele realmente quisesse a matar, provavelmente já teria o feito. Talvez ele devesse leva-la até seu superior, ou talvez ele tivesse aprendido tudo que sabia sobre assassinatos ao assistir filmes nos quais o vilão escolhia fazer uma palestra longa, monótona e emocional sobre os motivos por trás daquela decisão tão árdua ao invés de simplesmente eliminar de uma só vez o seu alvo. Secretamente torcia para que a segunda opção fosse a verdade, pois aquele pequeno show poderia até mesmo a entreter por alguns breves minutos.
Bang? Ele está falando sério? Talvez ele deteste o silenciador de sua arma e tenha criado a mania de reproduzir o som da mesma com sua boca para suprir a falta do som de sua disparada. Ela o encarou com uma expressão de descrença e menosprezo. Imaginara que um membro da Human Crew iria se revelar com um simples “adeus” e um tiro diretamente em sua cabeça, mas não uma onomatopeia que parecia ter saído direto de uma série antiga de Batman e Robin. Certo… Com aquilo Ruby estava convencida de que, caso um embate se iniciasse entre eles, ele não duraria muito e que sairia de lá vitoriosa, e com vida. Mas de qualquer maneira, a garota deveria se preparar para ser surpreendida negativamente e defender-se caso fosse necessário. E ainda lhe restava dúvidas sobre a caminha noturna do outro ser solitária, o que lhe soava pouco provável, pois tinha conhecimento sobre a fama dos humanos saírem para caçar em grupo. Por isso, tencionou seu corpo e deixou que seus sentidos se aguçassem, preparando-se para ataca-lo caso ele demonstrasse qualquer sinal de que o faria primeiro, e somente nesse caso. Discretamente olhou ao redor do garoto e de si mesma, à procura de novos indivíduos que pudessem estar também lhe observando. Mas, nada. Aparentemente o homem-morcego preferia trabalhar sozinho.
Quando seu olhar retornara ao rapaz, a morena pôde perceber que o mesmo agora analisava atentamente o desenho congelado diante de suas costas. Merda! Naquele momento ela começara a desejar que ele simplesmente a matasse de uma vez, afinal, não estava interessada em dar explicações a respeito de sua pequena obra de arte. O comentário que ele fizera em seguida lhe soava cômico, e a menina ainda não sabia identificar se o outro se impressionara com seu poder ou com seus dotes artísticos. “O farei com o maior prazer do mundo, mas antes você precisa me pagar um jantar.” Disse, erguendo uma de suas sobrancelhas e lhe lançando um sorriso singelo e malicioso. A imagem de um jantar à luz de velas em um restaurante completamente arruinado e abarrotado de entulhos, no qual os dois se serviam de um grande banquete que consistia em duas latas de feijões enlatados, imediatamente surgira em sua mente e lhe pareceu mais atrativo do que se imaginara. Marshall, então, lentamente abriu uma de suas mãos enquanto encarava o desconhecido com um olhar desafiador, e com a mesma velocidade os traços de gelo começaram a se dissipar pelo ar, apagando aos pouco qualquer vestígio do rosto de Paul. Talvez ela tentasse assustá-lo com uma pequena demonstração de seus poderes, talvez apenas tentasse distraí-lo para que pudesse se livrar de perguntas sobre o homem no retrato, ou talvez os dois. Aquela possivelmente fora a sua sentença de captura ou morte, mas pouco se importava, apenas se certificara de que nenhum vestígio sobre seu passado, sobre sua história, ficaria para trás.
Voltar já não era mais uma saída e não podia se negar a continuar depois de sua entrada dramática no cenário. Rodrick olhou firme para a garota, depositando sua total atenção em cada movimento reproduzido por ela, enquanto tentava formular uma estratégia aqui e outra lá. Os mutantes costumavam ser pessoas comuns antes de tudo, mas deixaram os poderes com que foram agraciados (ou amaldiçoados) lhes subirem a cabeça, o que na visão dos membros da HC os faziam ser tão astutos quanto cobras. As duas raças dividiam o espaço limitado pelo globo, a cidade de New York, e com as rivalidades que surgiram o local se tornou um grande inferno. Todo o tempo Rodrick se manteve em silêncio e com o rosto impassível porque, apesar da personalidade irritante, esse era o seu verdadeiro eu, a forma com que ele funcionava melhor. Observou com cuidado a menina lhe agraciar com uma pequena apresentação dos poderes dela, pouco antes de se comunicar pela primeira vez. Isso pode me matar em um piscar de olhos. Tentou evitar o pânico que por um instante quis explodir em seu âmago com a banal percepção da morte. Decidiu focar-se na expressão no rosto da morena, que lhe parecia um pouco maliciosa e até cômica.
Uma tensão circulava constantemente o raio em que se encontravam. As vestes escuras de Rodrick tinham adquirido uma nobre camada de pó cinzento durante seu deslize entre as presas, inclusive no cabelo, que agora parecia um pouco grisalho, e também no rosto, onde as cicatrizes da infância inexistiam nos cantos inferiores do maxilar e bochechas, como se fossem sombras de marcas do passado que ele já desejou tanto esquecer. Rodrick tossiu, livrando a si mesmo da coceira irritante que se iniciara entre a parte interna do nariz e a garganta. – Um jantar iria ser ótimo. Principalmente se tivesse um pouco de vinho. – respondeu, revelando a superfície de seu desejo interno de querer largar a arma para pegar a garrafa no suporte atrás da cintura e tomar alguns goles de água. – E pelo visto você não tem nenhum com você. – indicou a menina com a ponta da arma – ainda apontada para ela – conforme falava. – Então parece que estamos em uma espécie de cheque mate. – Despejou insatisfeito. Na atual situação era difícil para Rodrick se certificar qual dos dois times estava ganhando e qual estava sendo ameaçado. Ele só sabia que tudo acabaria logo. Ele morreria, provavelmente... E sem um último BigMac.
- Escute, deixo você ir se fizer uma coisa por mim. – os olhos escuros estudaram a garota por inteiro. Ela era baixa e franzina; não fosse pela mutação dela, Rodrick teria acabado com a mesma em um segundo. Ele perdeu mais algum tempo estudando o rosto incomum, fitando os olhos castanhos avermelhados que o olhavam com a mesma intensidade de um reflexo. Era uma figura bem singular ali na sua frente, não poderia negar. Ela tinha um ar místico que o deixou inquieto e curioso. – Apenas responda... De quem era aquele rosto? – estreitou as sobrancelhas. – Você tava fazendo aqueles trabalhos de “trago o seu homem em três dias”? – ainda que não tivesse tempo para gastar, tentou aproveitar o máximo antes que um dos dois acabasse dando o passo que levaria o outro a morte.
Cause we are alive here in death valley. Rodrick & Elenora
justxxlena
A casa do condomínio que fora designada a Lena era uma casa padrão, porém era grande até demais para ela. Era acostumada a viver num apartamento do Brooklin e só recentemente a mãe conseguira se mudar para uma casa maior, ao mesmo tempo que os Kauvanagh. Alguma promoção do ramo imobiliário que Lena não entendia muito bem na época. A casa que estava agora, era espaçosa, acomodaria sem dificuldades uma família inteira e no entanto, a única moradora ali era a moradora de cabelos cacheados.
A casa era mobiliada com praticamente tudo e apenas algumas coisas estavam quebradas. Do lado da cabeceira da cama, o criado mudo sustentava um porta retrato com a fotografia de um casal sorridente que aparentemente vivia ali antes do desastre, do dia do casamento deles. Ela fora uma noite deslumbrante, e Lena passara algumas horas pensando em como ela devia ter se sentido gloriosa em seu vestido de noiva, e como os olhos do noivo deviam ter brilhado ao vê-la entrar pelo corredor. Ela era uma romântica incorrigível, e talvez por isso ela não conseguira tirar aquela fotografia dali. Ela apenas tinha colocado a única foto que levara de sua casa e colocara encaixada por cima da moldura do retrato e costumava olhá-la todos os dias antes de dormir.
Por mais que gostasse da segurança da casa, gostava de pensar que ela era temporária. Que logo as coisas voltariam a ser como eram antes que o casal feliz da foto poderia voltar a viver na sua adorável casa e quem sabe até constituir família. No entanto, aquela partezinha insistente da cabeça de Lena sabia que aquilo não ia acontecer. Era quando ela pensava nisso que seu coração começava a bater rápido demais, e ela se sentia hiperventilando. Ela não veria a mãe, nem o amigo, e aquele casal que parecia realmente legal, nunca voltariam a sua casa. Era como se a casa que era grande demais, agora fosse quase claustrofóbica. As paredes pareciam que iria engoli-la e ela saiu de lá em um rompante, decidindo de súbito que andar ajudaria a colocar as coisas em perspectiva novamente.
Ela andou sem rumo por alguns minutos, até ouvir algum barulho em um beco há apenas alguns metros. Lena pensou em dar meia volta e marchar para casa, mas simplesmente não podia voltar. Então ela forçou os pés, apesar de todo seu bom senso, e encarou a rua que abrigava um jovem que ela vira algumas vezes na HC segurando uma bebida. Ela se permitiu suspirar aliviada por um segundo antes de se aproximar. Lena nunca fora fã de álcool, na realidade nunca experimentara, e não entendia por que algumas pessoas eram tão vidradas na bebida. – Não sabia que era fã de caminhadas noturnas. – Ela comentou, achando graça, maneando a cabeça para o lado, encarando o rapaz. – Alguma busca ao tesouro, eu suponho! – Ela disse apontando a garrafa com a cabeça, e então apoiando as duas mãos no bolso traseiro da calça, antes de colocar os fios cacheados e indomados atrás da orelha.
Os joelhos estralaram quando ele se colocou de pé, após ter a certeza de que o seu esconderijo estava bem disfarçado e que não poderia ser encontrado por mais ninguém.
Aquela mudança no cotidiano deixara-o ainda mais egoísta, Rodrick odiava dividir suas coisas e isso não mudou com a tragédia. Tinha o conhecimento de que os sobreviventes deveriam ajudar uns aos outros caso quisessem continuar sobrevivendo na nova New York City, porém também sentia que deveria continuar tendo suas coisas, o seu espaço. Era difícil para alguém como ele, com sua personalidade difícil e singular, conviver com tantas pessoas desconhecidas – de forma pacifica. Rodrick dava o máximo de si a cada dia para fazer parte daquilo, mesmo que no fundo não desejasse isso.
Quando uma voz soou atrás de si, o sentimento que se apoderou de Rodrick foi uma mistura de susto e raiva, prevalecendo o último, ao qual tentou controlar o máximo que pode após murmurar entre os dentes: - Por que as pessoas acham que devem falar comigo? – questionando a si mesmo. Talvez sua feição demonstrasse que ele era comunicativo, sociável. Ou, ele deveria ter um cartaz na testa escrito “e aí, vamos bater um papo?” Rodrick girou sobre os calcanhares para ter uma visão melhor da recém-chegada. Ela não deveria ser muito mais nova do que ele, tinha os cabelos vastos e cacheados, além de um nariz delicado e – na opinião do mesmo – muito arrebitado. Rodrick já a tinha visto algumas vezes pelo condomínio da Human Crew, mas nunca lhe dirigiu tanta atenção como estava sendo forçado a fazer agora. – Eu sou. – respondeu dando uma rápida olhada no céu e tentando ignorar o lado da garota que achava graça de tudo aquilo. Não acreditava que tinha sido pego no flagra! Será que ela vira o lugar exato de onde ele tirou aquelas coisas? Assim que a menina indicou a garrafa de conteúdo alcoólico, Rodrick olhou para os objetos que carregava consigo - um em cada mão - por segundos. Não tinha explicação para aquilo. Contudo, não achava que devia – e, portanto não daria- nenhuma explicação à garota. – O que você está fazendo aqui? – Voltou os orbes escuros para a imagem pálida da jovem, ignorando seu último comentário sobre a caça ao tesouro. As sobrancelhas agora levemente curvas, demonstravam sua desconfiança. – Essa parte da cidade é muito vazia para você ter vindo tomar chá com as bonecas de alguém. – disse encarando-a. – Por acaso... Você estava me seguindo? – o tom irônico era claro conforme um minúsculo – quase inexistente- sorrisinho oblíquo aparecia sobre seus lábios. Rodrick tentou tirar a atenção da garota de si enquanto guardava a garrafa e a barra de chocolate dentro do casado, segurando-os com firmeza para evitar outra tragédia.
Cause we are alive here in death valley. Rodrick & Elenora
Conforme Rodrick seguia para a área da Human Crew, ouvia seus próprios passos pelo eco que as ruas desprovidas de calor humano produziam. Era horrível saber que ele poderia ter morrido na madrugada que passara fora, como o pleno idiota que estava com medo de admitir ser, mas, no momento em que se dera conta disso durante a noite, onde se encontrou perdido em uma New York devastada e tendo apenas a presença de uma mutante consigo, o lado exterior demostrava ser muito mais perigoso do que arriscar a ficar algumas horas dentro de um salão com ela. Tinha ido buscar suprimentos junto a um pequeno grupo naquele dia, mas devido a um desespero repentino que o pegara em cheio, escolheu se separar dos demais e seguir por conta próprio. Rodrick não contava com o resultado de seus atos: encontrar um dos Cosmic Freaks por lá e acabar perdendo a noção do tempo; atrasou-se para voltar ao local combinado, sendo deixado para trás pelos outros bem em meio ao véu escuro que desabava e trazia consigo as terríveis criaturas noturnas: os verdugos. Ao menos tudo deu certo no final. Ele estava vivo e voltando para a segurança do condomínio dos humanos com uma história para contar.
Pigarreou e cuspiu algo espesso no asfalto seco da entrada, bem próximo ao pé de um dos homens que guardavam o portão. “Pensei que você estivesse morto.” Em seguida um “Olha só como ele tá um lixo.”, que foram ignorados por Rodrick enquanto adentrava ao terreno pisando firme. Ele se senti um lixo. O corpo parecia dar morada a um elefante, tamanho era o peso que vivenciava suas pernas carregando. – Preciso de uma bebida. – anunciou a si mesmo pouco antes de colocar a arma no coldre e virar uma esquina.
Há algumas quadras da entrada do condomínio, onde o movimento era quase totalmente nulo e ainda existiam casas sem moradores, Rodrick parou próximo a um remoto poste de luz e observou que a sua luminária acumulara pó na superfície durante os últimos meses. Era um ótimo observador e, após uma boa olhada em volta, ao perceber que deveria estar sozinho, começou a caminhar de maneira exageradamente lenta para um dos lados da calçada. Os passos eram estreitos, Rodrick os contava como se estivesse medindo algo com os pés. Vinte e um, vinte e dois, vinte e três... Parou de súbito com o rosto bem perto de uma parede de tijolos. Tocou a superfície avermelhada, deslizando os dedos por ela até ser forçado a ficar acocorado, próximo ao chão. Com as pontas dos dedos ele bateu em alguns dos tijolos medianos, encostando a cabeça contra a parede afim de ouvir qualquer som incomum, até finalmente escutar o ruído de uma base oca. Rodrick sorriu, oblíquo. Puxou dois tijolos de uma só vez e, surpreendentemente, eles vieram com suas mãos, deixando um buraco na parede anteriormente sólida. – Tá tudo aqui! – suspirou aliviado enquanto olhava caolho os pertences no interior da abertura. Ele tirou primeiro um pano velho e com furos que estava preso formando uma pequena bolsa, de lá pegou uma barra de chocolate antes de voltar a guardar o tecido. Logo após, com metade do braço sumindo dentro da fissura, ele puxou uma caixa de sapato e, depois de abri-la, recolheu uma garrafa lacrada de vodka Smirnoff. Aquele era o seu esconderijo mais secreto, onde guardava seus suprimentos particulares que conquistara durante suas andanças pela parte neutra da cidade. Ninguém sabia disso, a não ser ele. E pretendia que dessa forma continuasse, afinal precisava de privacidade – Só preciso de gelo. – pensou alto satisfeito, guardando o resto das coisas no buraco antes de lacrá-lo novamente com os tijolos soltos.
Someone has to pay for the little things. | Rodrick and Bianca.
strydent
“Eu sou muito sedentária para correr por aí, Kai!” Ela tentava argumentar, inutilmente. Já havia sido coagida a usar sapatos de corrida - que a machucavam, por sinal - e roupas largas, próprias para exercício. “Não é algo a ser discutido, Bianca, você vai e pronto.” E, com essas palavras, Kyle lhe pôs porta a fora, esperando que a mesma desse algumas voltas dentro do condomínio. Nem pagando, pensou. Passou pela segurança do local, pedindo para contarem que havia saído para correr - pura mentira. Caminhava pelos destroços e chutava algumas pedrinhas, entediada demais para correr.
Não demorou muito tempo fora dos muros da Human Crew - afinal, não havia levado alguma garrafinha de água, e estava ficando com sede. Quando perguntada sobre o exercício, mentia veemente, com um sorriso puro. Usou seu tempo para passear pelo local e gastar mais algumas calorias, até avistar outra pessoa em uma situação parecida. “Você está horrível. Precisa de algo?” A travessura presente no sorriso de Bianca era notável. Estava ali tanto para atentar o rapaz como fazer companhia. “Ou isso tudo é por que está ficando velho? Aposto que não consegue correr mais, Rodrick.”
Antes da primeira gota de água cair em sua língua, a voz espectral da garota surgiu e o fez girar os olhos com tanta força que se sentiu um pouco tonto logo após. – Preciso de paz para meditar. Dá o fora, Stryder. – respondeu, em seguida calando-se com a garrafa nos lábios. Bianca, na sua visão, fazia o tipo de garotinha perfeita dos filmes da Disney (não que ele já tivesse assistido a muitos). Era cheia de cachinhos e covinhas, além de ter uma energia interminável para se relacionar com as pessoas, incluindo aquelas que a dispensavam, como ele. Irritante, no minímo.
Que inferno, pensou quando suas palavras foram ignoradas e a menina continuou dialogando. Ele e a olhou dos pés a cabeça, estudando suas vestimentas e, com uma expressão de confusão, depois de abaixar a garrafa, questionou: - O que você está fazendo fora do castelo? Tá parecendo uma mendiga. Essa camisa é do Big Brother? – a imagem lhe parecia cômica pelo pouco que conhecia da garota.

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Someone has to pay for the little things. | Rodrick and Bianca.
Devido a sua péssima genética Rodrick precisava se exercitar regularmente, caso contrário acabaria ficando mais sedentário que o normal e prejudicando sua saúde já tão horrível. Sendo assim, ainda parecia cedo quando saiu para correr, trajando camiseta e bermuda apesar do tempo frio. Conforme corria a brisa gélida passando pelo contorno do seu corpo parou de incomodá-lo, trazendo frescor ao invés de arrepios.
Rodrick meteu-se pelas ruas com toda a velocidade que seus músculos permitiam. Permaneceu em movimento por trinta minutos contados no relógio em seu pulso, antes de parar para recuperar o ar.
Usou a borda de uma velha pista de skate - parecida com uma grande piscina - para se sentar enquanto retirava a garrafa com água do lacre ao redor do seu corpo. Estava ficando velho e sem prática. Afinal, a última vez que saíra para correr havia sido antes do incidente da redoma que o deixara preso ali, quando ainda estava em Oxford.
Nothing wrong, nothing right. | Rodrick & Call
O fogo lambia os gravetos nas várias fogueiras espalhadas pelas ruas escuras do condomínio, lançando sombras sinistras e bruxuleantes nas paredes rachadas. O vento gelado corria pelas esquinas como se tivesse pernas e um arrepio frígido abraçou o corpo de Rodrick, fazendo-o puxar o casaco para mais perto do corpo. Ainda havia muitas pessoas acordadas e andando por ali, afinal não deveria ser mais do que oito da noite, mas ele não tinha tempo a perder. Com todas as coisas agradáveis já encerradas devido à falta de energia elétrica na cidade, ele fora escolhido a dedo para ser o próximo carcereiro da princesinha do Cosmic Freaks, devendo velar o seu sono durante parte da madrugada.
Agora dei pra ser babá! O Kyle não consegue nada com a menina porque tem o taco podre, então resolve sequestrar ela... Daí “eu” que tenho que ficar de babá. Reclamava mentalmente enquanto entrava em uma das maiores casas da região e, em seguida, se aventurava por seus cômodos.
Ele precisou subir uma escada nos fundos até conseguir encontrar uma alma viva.
- Tô aqui pra cuidar da gatinha do Kyle. – Disse para o outro rapaz cujo – deduziu- estava ali para substituir. Nem se quer deu atenção para a terceira presença que notara no local, enquanto pegava a arma com o outro e a guardava na cintura.
I'm a sucker and this happens all the time. Rodrick & Gwen.
Rodrick estava sentado, apoiando os braços na escrivaninha disposta em um dos cantos do laboratório improvisado. O relógio marcava sete e quatro da noite quando, cansado, soltou um bocejo e esticou os braços para o alto. Trabalhara o dia inteiro naquele maldito reator, desmontando e remontando, o unindo a outros equipamentos e adicionando novas peças em sua composição. A ideia era criar uma lanterna que captasse energia do ar ou de qualquer outra coisa, evitando assim que todos vivessem no escuro ao cair da noite. Deveria ser um projeto com nível de dificuldade mediano, mas devido ao cansaço e as pálpebras que insistiam em se fechar sem a sua autorização, Rodrick sentia estar andando em círculos em sua mente, perdido e disperso nos pensamentos, sem chegar a lugar nenhum. Agora ele tinha obrigações importantes, não se tratava mais de um passatempo ou de deveres da universidade. As pessoas precisavam do seu conhecimento para se manterem vivas o máximo de tempo possível. A exigência em cima de si não o fez baixar a guarda, pelo contrário, lhe dava uma determinação completamente nova. Assim, enquanto trabalhava Rodrick também evitava pensar nas coisas que, não somente ele, mas todos os demais haviam perdido por causa da maldita redoma. Rodrick guardava os sentimentos para si, bem lá no fundo, e tentava não dar ouvidos para todas as coisas que gritavam no seu íntimo, ansiando por irem até a superfície.
Esfregou os olhos energeticamente. Rodrick não queria levantar, ainda havia muito tempo livre para poder completar o projeto, já que ele não possuía nenhum outro compromisso de verdade. Porém, sabia que naquele estado iria ser tão inútil quanto a sua colega de laboratório. Onde ela deve estar? Riu baixo, colocando-se de pé. Depois, juntou as peças que usara dentro de uma pequena caixa e, com os olhos desanimados, procurou algum espaço vago para ela no meio daquela sala abarrotada das mais diversas coisas. Encontrou uma parte vazia em uma das estantes no outro lado do cômodo, então foi até lá para guardar o material. O terreno era irregular, estava cheio de fios e pedaços dos mais diversos equipamentos eletrônicos espalhados por todos os lados. Conforme Rodrick se distanciava das janelas, ele era cada vez mais engolido pela escuridão, deixando que a fraca luz prateada do luar fosse oculta pela própria silhueta conforme andava. Acabou pisando em algo e só percebeu isso quando tentou levantar o pé e este não veio. – Que por... – sua liberdade de expressão foi interrompida quando, dando mais um puxão afim de se libertar, ele perdeu o equilíbrio e despencou em uma montanha de sucata. Sentiu-se ser engolido por aquela massa escura; em seguida, ficou parado por algum tempo, deitado e sem reação, apenas respirando o aroma salgado do ferro velho ao seu redor.
A caixa permanecia firme em seus braços quando ele se colocou de pé. Desta vez não precisou impor mais força para liberar o tênis, pois este já fora solto da armadilha endiabrada durante a queda. Rodrick, ignorando o ocorrido, seguiu até o seu alvo e deslizou a caixa no lugar vago da estante, aliviado.
Pegou o caminho de volta até a escrivaninha, tendo um pouco mais de cuidado no percurso desta vez. Na mesa, Rodrick começou a organizar alguns rascunhos que fizera no dia e, já estava colocando eles dentro da gaveta, quando, por reflexo, percebeu uma mancha escura na lateral de sua camisa clara. Tocou a mancha com os dedos e sentiu que ela estava úmida. Levou as mãos para perto da janela onde pode observar melhor o líquido escuro e finalmente constatar que era sangue. Que novidade! – Motherfucker. – praguejou baixou. Pelo visto, se machucara quando caiu naquela pilha e nem teria notado. Rodrick ainda não sabia a gravidade do ferimento, então (principalmente tratando de alguém no seu caso) precisava dar um jeito naquilo rápido. Limpou as pontas dos dedos antes de vestir o moletom preto e puxar o zíper até o fim; tapando o ferimento de qualquer olhar curioso antes de deixar o laboratório.
Pouco tempo depois, Rodrick caminhava pelas ruas no condomínio da Human Crew. Evitou qualquer tipo de contato com os demais moradores como habitualmente faria; seguindo sem maiores empecilhos até a área da enfermaria. Mesmo contra sua vontade e por causa da organização na HC, precisava ir até lá para conseguir os utensílios necessários à limpeza e ao curativo.
Ele esperou alguns segundos do lado de fora até que não tivesse ninguém na rua além dele.
O interior da casa que resguardava a enfermaria estava silencioso e, após ouvir com mais atenção, Rodrick constatou que seria seguro entrar ali, pois estaria sozinho. Entrou sem pestanejar. A sala onde se deparou logo depois era vasta e fresca, tinha muito espaço livre e poucos móveis. Rodrick procurou por um armário, deduzindo que os responsáveis pelos equipamentos médicos deveriam guardar as coisas dentro dele. Assim que o encontrou, começou com sua nova busca, abrindo todas as portinholas e gavetas; ele recolheu um rolo de pano, algumas gazes e um frasco mediano de água oxigenada. Segurando tudo em um abraço de urso, foi até uma mesa e depositou as coisas em sua superfície. Rodrick olhou em volta decidido a puxar um grande espelho que tinha visto por ali para perto de si e – após retirar o moletom e a camiseta suja de sangue – conseguiu ter uma visão aceitável de si no reflexo reproduzido pelo espelho.
A lateral esquerda das suas costas brilhava coberta pelo sangue fresco. Era impossível conseguir ver o verdadeiro ferimento naquelas condições. Xingando baixo, Rodrick começou a se limpar da melhor maneira que podia naquela posição desfavorável, usando a água e as gazes.
I think I belong right here. Because maybe there’s a place for me in this world. Just as I am. Light cannot exist without darkness. Each has it purpose. And if there’s a purpose to my darkness maybe it is to bring some balance to the world.
(via chasingmaverik)
Hold your breath and count to 10. ↳ evangeline&rodrick
evafliesaway
Primeiro, Evangeline apenas absorveu as palavras dele, sem acreditar no que realmente ouvira. Os globos oculares estavam fixos no corpo do rapaz como se ela fosse um gavião e ele, um ratinho. Ela mordeu o lábio inferior com tanta força, devido a raiva que estava sentindo naquele momento, que não iria se surpreender se eles rachassem e deixassem o sangue vazar por mínimos cortes. Respirou fundo e foi até a cadeira do rapaz, abaixando a cabeça na altura da orelha dele e pousando a mão em seus ombros suavemente, semicerrando os olhos.
—Eu não vim ver sua empregada. Estamos trabalhando juntos e eu não faria o que está fazendo se quiser continuar nisso.—Ameaçou, transparecendo segurança na voz pela primeira vez na vida. Mas é claro que ela não iria deixá-lo simplesmente mandá-la fazer algo e aguentaria de boca fechada. Estava esperando por aquilo há mais tempo que ele, não tinha dúvidas, e não iria simplesmente abaixar a cabeça.
Dando um leve empurrão na cadeira e voltando para o lugar que estava, agindo como se nada tivesse acontecido e envergonhada pela atitude que tomara, ela passou as mãos nos cabelos e pigarreou, tornando a voz suave outra vez. —Então, Kyle pediu para que procurássemos por alguns reatores e ver como podemos usá-los na parte energética e se as funções específicas podem reagir como armamento.
As mãos sobre seus ombros e a aproximação repentina do rosto dela contra a lateral do seu deixaram-no desconfortável. Ele fechou o punho em volta do lápis, tornando os nós dos dedos tão brancos que não parecia ter sequer uma gota de sangue por ali. A voz da garota soou coberta de autoridade, no entanto, não produziu nenhum efeito sobre ele, exceto pela raiva de toda aquela situação.
Mordeu o lábio inferior na tentativa de conter um riso, que mesmo assim acabou escapando como uma espécia de suspiro agudo. Em seguida, sentiu o empurrão suave contra a cadeira, fazendo-o se movimentar alguns centímetros para perto da mesa. — Eu não quero continuar com isso. — disse Rodrick, achando que aquilo já deveria estar óbvio, quando a outra afastou-se e voltou a posição de início; longe dele. — Não preciso de você. Trabalho muito bem sozinho. Então é melhor ir procurar uma vaga na enfermaria ou, sei lá, na cozinha. — movimentou as mãos na direção dela, como se tentasse espantar um mosquito irritante da sala.
Olhou para Evangeline com desafio, percebendo que ela estava decidida a permanecer ali até o final, mas também mostrando que não desistiria em fazê-la desistir daquela ideia. Rodrick ergueu as sobrancelhas ao notar a aparente súbita mudança no humor e no tom de voz da morena. Em seguida, um sorriso misturando escárnio e satisfação tomou forma no canto de seus lábios. — Oh, é sério? Porque é exatamente o que eu estava fazendo antes de você entrar e atrapalhar. Olha só! — pegou a folha que estava usando para escrever e a juntou em um monte com algumas outras — que tirara de uma das gavetas laterais da escrivaninha improvisada. Entregou os papéis para a garota. — Vamos ver quanto tempo vou ter que continuar com isso até você perceber que não gosto de você. — murmurou sem realmente querer disfarçar o que dizia. Afinal, se Kyle o queria como babá de alguém, deveria ter apenas lhe pedido. Rodrick recusaria, claramente. Mas agora ele estava disposto a fazer daquilo um passatempo divertido para os dias tediosos que juntos formavam sua vida.

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Shapeshifter, Mummy, Zombie
What would you change about yourself?
I would erase my scars.
If you were to fall into an eternal sleep, do you think anyone would miss you?
Not even a single soul, bro.
Do you miss anyone right now?
I don’t know. But no, probably not. (o pai dele!)
se vc souber bater siririca numa menina tao bem qnt vc batia naquela bateria vc ta bem hein
Quer testar?
moço pq vc é tão mau humorado assim vamo relaxar vamo só nos make love
.❆. a cold and not so lonely night — ruby&rodrick .❆.
Marshall sentia-se completamente destruída. A enxaqueca martelava sua cabeça com dores constantes que beiravam o insuportável, enquanto seu estômago parecia ser incapaz com o enjoo que já o afligia por horas. A garota sofrera o início de um surto durante aquela noite, e tivera que lutar com todas as suas forças para impedir que os urros que se formaram em sua garganta não se reproduzissem e ecoassem por todo o esconderijo no qual se encontravam os Cosmic Freaks. Sua intuição lhe dizia que o momento em que demonstrasse o mínimo traço de descontrole ou fraqueza, seria o momento em que sua sentença de morte seria decretada. E não podia permitir que aquilo acontecesse. Por isso, aprendera a evitar que aquilo acontecesse. Ou pelos menos optara acreditar que havia aprendido. Não suportava mais permanecer confinada naquele local, e caso perdesse o controle que momentaneamente conseguira reconquistar, desejava que não houvesse nenhuma testemunha presente. Sendo assim, resolveu caminhar por aquilo que restava de Nova Iorque, tendo a esperança que sua mente pudesse ao menos repousar ao admirar aquela paisagem pós-apocalíptica. Caminhava por quase duas horas, quando avistou uma pilha de escombros que pareciam-lhe ser familiar, contudo sua memória parecia incapaz de lhe apontar o exato motivo por trás de tal sentimento. O que lhe causou apenas um suspiro desanimado.
Analisou os arredores, constatando que encontrava-se completamente sozinha. Perfeito. Respirou profundamente, fechando os olhos por alguns instantes, sentindo o ar gélido tocar seu rosto. Perguntava-se quando é que toda aquela tristeza resolveria lhe abandonar de vez, quando é que a culpa lhe permitiria viver com um pouco mais de tranquilidade, e quando é que a saudade se tornaria um sentimento menos dolorido. Sentindo um nó formando em sua garganta, Ruby agachou-se, e com delicadeza pousou seu dedo indicador sobre o chão debaixo de seus pés. Com o mínimo de concentração, subitamente o gelo começou a se formar no local no qual tocava, e logo em seguida principiou a se multiplicar, alastrando-se lentamente em formato de traços que aos poucos se uniam em pontos estratégicos. Se alguém pudesse vê-la ali, provavelmente acreditariam que a garota apenas brincava com seus poderes, mas para ela aquilo era muito mais do que uma simples brincadeira. O significado por trás de seus atos era profundamente emocional e precioso para ela. E não tardou para que se pudesse notar que todos aqueles traços de gelo agora formavam um rosto. O rosto de Paul. A menina apenas admirava aquela visão com pesar, e um sorriso igualmente pesaroso estampado em seus lábios. Deus, como sentia sua falta.
No instante em que ouvira um som oriundo de algum ponto próximo do local no qual se encontrava naquele momento, os traços de gelo velozmente se dissiparam, parecendo serem sugados pela ponta do dedo da morena, que instintivamente recolheu suas mãos. Internamente torcia para que não se tratasse de um Verdugo preparando-se para ataca-la, ou qualquer outra criatura grotesca que pudesse ter surgido desde a última vez que se atualizara sobre os acontecimentos bizarros que atingiam a cidade nos dias atuais. Não estava em condições e muito menos tinha o interesse de travar uma batalha contra qualquer pessoa ou coisa que se intrometesse em seu caminho, até mesmo duvidava ser capaz de correr para salvar sua própria vida, o que lhe soava ser absurdamente incomum, afinal, tinha consciência de seu interesse pela luta corporal e qualquer outra situação que pudesse colocar sua vida em risco, que fizesse com que a adrenalina corresse pelas suas veias. Talvez aquilo simplesmente fosse algum desejo suicida que frequentava sua mente, finalmente emergindo até a superfície. Mas o real motivo por trás de sua atitude diante da possível ameaça pouco lhe importava naquele momento. “Apareça onde quer que esteja. Não estou com ânimo para procurar por você.” Disse com indiferença, enquanto se levantava e procurava pela origem do som.
O peso dos últimos acontecimentos parecia finalmente ter despencado sobre ele e de uma única vez. Um aperto indescritível tomou conta de seu peito durante aquela busca infindável e sem sucesso por suprimentos. O gosto amargo em sua língua acoplado com o desespero que só crescia poderia leva-lo ao ponto culminante da loucura se ele não desse um jeito nisso. — Vamos nos separar. — foi tudo o que disse para aqueles que o acompanhavam, antes de seguir para uma direção qualquer, afastando-se.
Rodrick olhou para o céu e constatou que dispunha de alguns minutos antes da escuridão se abater sobre as ruínas de Nova York. Havia tempo o suficiente para ir aonde queria e também voltar antes que os animais fossem soltos das jaulas. Virou algumas ruas que, pela sua pouca experiência na cidade, julgou serem familiares. Conseguiu caminhar por alguns minutos, até que foi interrompido por uma enorme pilha de escombros barrando a passagem. Por fim, decidiu escalar a montanha, mesmo que não fosse muito seguro.
Prendeu a arma com firmeza na correia de apoio em seus ombros antes de começar a subir. Não correria o risco de atirar em si mesmo, já que muito provavelmente nem iria perceber caso o fizesse, pois carregava uma arma silenciosa. As mãos rapidamente acharam apoios nas rochas farelentas do monte; os pés foram em seguida, conforme ele subia. O ritmo era lento, mas estava fazendo um enorme progresso quando, quase chegando ao topo, decidiu parar em uma base solida que encontrou por ali.
Respirou fundo. O nó em sua garganta estava quase a ponto de sufoca-lo que, mesmo sendo pouco, já conseguia perceber uma pressão forte ecoando do interior de seu crânio. Só teve tempo de olhar em volta e sugar mais um pouco de ar antes da explosão inevitável.
O grito rouco e forte se propagou por um tempo, produzindo eco nos quarteirões vazios à frente. Não era um grito de medo ou de alguém que estava em perigo eminente. Era um grito de desespero interno, também era uma forma de aliviar a própria alma da opressão violenta que sofria nos últimos meses. Afinal, o que o perturbava não era apenas a cidade vazia nem o fato de tudo estar úmido e fedorento. Era o fato de que ele estava bem no meio de Nova York e que não tinha ao menos um Big Mac a ser vendido. Oh céus! Como ele queria um desses, e acompanhado por uma porção grande de fritas.
Fungou baixo, ainda acocorado na base de pedra. Rodrick se virou, recomeçando a subida até o topo, afinal de contas não podia perder tempo lamuriando o impossível. Foi quando uma voz fraca atravessou as ruínas e o atingiu. De início pensou se tratar de uma peça que sua mente estava lhe pregando depois do desespero que o havia tomado, porém logo se deu conta de que realmente tinha escutado algo e que, além disso, estava em um lugar alto. Ele era um alvo fácil. Continuou escalando um pouco mais rápido, sentindo seu coração acelerando e as mãos escorregando; elas provavelmente deveriam estar suadas. Droga, droga, droga. Repetia para si mesmo conforme chegava ao topo e jogava as pernas estrategicamente para ir ao outro lado dele. Nesse exato instante, Rodrick perdeu o equilíbrio e se viu deslizando pela pilha de restos de paredes e pedras. Só foi parar de delizar quando seu traseiro encontrou o chão, produzindo um baque surdo.
A primeira coisa que viu no outro lado foi mais entulho. Todavia, havia uma silhueta a pouco mais de dez metros dali, meio escondida por alguns pedaços grandes de pedra. Provavelmente deveria ser quem falou á pouco, quando ele ainda estava lá em cima. Rodrick se colocou de pé em um salto, recuperando a arma e preparando-a para ser utilizada. Ignorou o pequeno zumbido em seus ouvidos e seguiu o mais silenciosamente que pode até a figura desconhecida. A aproximação deixou claro se tratar de uma mulher. Ela parecia bem entediada e estar procurando por algo. Por ele, provavelmente.
— BANG! — apresentou-se Rodrick, saltando de trás de uma das pedras grandes e com a arma em mãos. Sim, ele tinha o título comprovado de idiota. Algo chamou sua atenção, então ele tirou os olhos rapidamente da garota para ver algo imenso brilhando no chão irregular. Um desenho de gelo? — Oh, Fuck me! — Agora tinha a certeza de que aquela se tratava de um membro dos mutantes; mas, ele não se importou nem um pouco com isso antes de se aproximar. Rodrick não se importava com nada daquilo, afinal. Todavia, estar na presença de um super deixava tudo diferente e o risco de morte pareceu subir em sua cabeça como um termômetro atingindo 100° graus.
My muse as other characters
Goldstein as Deadpool.

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A weird meeting ↳Arthur & Rodrick
A cerca alta e improvisada continuava dos dois lados, ininterruptamente, bloqueando completamente a vastidão daquela parte da cidade que era reservada aos humanos. Parecia não haver por onde passar, a não ser pelo portal aberto bem atrás da silhueta alta que meneava de um lado ao outro entre as sombras, impaciente. Rodrick passara as últimas três horas em seu posto de vigia. Estava em uma das entradas na área da Human Crew, observando as filas de casas dispostas de cada lado da avenida central fora dela onde, esmagando cinzas e cascalho, ele se arriscou cautelosamente para a frente.
Avistara um vulto entre as construções próximas e, instintivamente, erguera a arma na direção, segurando-a com as duas mãos e apoiando a parte traseira desta contra um dos ombros. Quando disparada, a arma produziu um impacto e se retesava com força para trás, portanto era preciso ter boa mira e mãos firmes para manejá-la com perfeição, disso ele sabia. — Tudo o que eu precisava. — murmurou baixo, fazendo o palito fino que trazia preso aos lábios se movimentar um pouco. Um mutante idiota para animar o final da minha noite, completou mentalmente enquanto cerrava um pouco os olhos para melhorar a mira.
Inocentemente ele havia cogitado a opção de ter mais uma noite tranquila, mas o universo parecia ter entrado em um acordo com o diabo só para tirar um pouco mais da sua paz a cada dia. O Goldstein notara uma movimentação bem mais próxima de onde ele estava e se movimentou alguns passos para essa direção, sem ainda sair do raio que deveria proteger. — So, three mutants walk into a bar. — começou Rodrick, dessa vez com a voz no tom habitual, na esperança de que o intruso pudesse escutá-lo agora que sua mira estava perfeita. E, enquanto formulava mentalmente uma espécie de piada, deu mais alguns passos para frente, com os ouvidos atentos, até que subitamente a silhueta que secava á pouco conseguiu surgir em seu campo de visão com mais clareza, o que o fez relaxar o dedo no gatilho ao invés de pressioná-lo como faria em qualquer outra ocasião.
Hold your breath and count to 10. ↳ evangeline&rodrick
evafliesaway
Ela franziu a testa em uma reação negativa, escutando as brincadeiras desanexas ao momento com certa amargura, especialmente quando ele praticamente a despachou dali. Apertou os olhos, passando a mão pelos cabelos e então cruzou os braços. — Eu não estou aqui porque quero ser sua amiga. — E duvido que alguém estaria porque quer, acrescentou mentalmente diante da atitude.
Não era algo muito pessoal. Evangeline era observadora e já havia notado algumas coisas que, naquele instante, havia comprovado e Rodrick já estava com o nome vermelho na lista mental da garota. Largou os relatório na mesa, apoiando as mãos na mesma, alternando o olhar entre o pequeno bloco que ele rabiscava e o mesmo.
— Kyle me mandou vir, antes mesmo que você. — Deu de ombros, visto que ela já sabia daquele lugar há quase um mês e ansiava muito para trabalhar nele. Alguma coisa dizia dentro de si que talvez nada seria da forma que ela havia imaginado quando sentiu o humor do seu novo colega de trabalho.
A resposta não o surpreendeu de forma alguma, mas ele ergueu as sobrancelhas ironicamente, mesmo que seu rosto estivesse escondido de Evangeline naquela posição em que estavam. Claramente a menina deveria estar perdida ou apenas curiosa por conhecer aquela parte dos imóveis da Human Crew. Rodrick já se vira recusando inúmeras visitas indesejadas ali com a desculpa de que iriam atrapalhar quem trabalhava no local para salvar a vida de todos os outros. Uma ótima desculpa, ela sempre funcionava.
Murmurando baixo alguns outros materiais, continuou escrevendo-os no papel, ignorando completamente a presença da mulher, que até pensou que Evangeline já tivesse partido. Porém, o vulto turvo captado pela lateral de seus orbes, quando as mãos dela foram apoiadas sobre a mesa, abalando levemente a estrutura, fez Rodrick cogitar a ideia de que ela não sairia tão cedo dali.
Decidido a não abaixar a cabeça para qualquer uma, os olhos escuros, antes fixos nas mãos, subiram lentamente pelos braços até se focarem no rosto de Evangeline. Uma audácia era o que significava as palavras proferidas pela mesma. Por que Kyle a teria mandado até ali? Rodrick já era bom o bastante e trabalhava sozinho. — Kyle, Kyle, Kyle. — Cantarolou de forma proposital e irritante, procurando imitar o tom de voz que a mulher usara há pouco. Sua expressão havia acompanhado a encenação mal feita. — Tá bem. Você pode começar... — deslizou a cadeira sobre as rodas, em um giro de 60 graus, parando quando finalmente ficou de frente para uma prateleira bagunçada e lotada de peças soltas de carros. — Pode começar limpando por ali. — indicou a prateleira ao acaso, logo voltando a ficar de frente para a mesa.