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@ioankrum

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Tudo bem, eu admito, vocĂȘ tem razĂŁo e eu sou paranoica. Ainda nĂŁo sei muito de vocĂȘ, entĂŁo nĂŁo me desaponte me matando no final, pode ser? Estou dando um voto de confiança aqui porque vocĂȘ me parece realmente uma pessoa legal. Esquisito, mas legal. Foi uma escolha errada sua, mas tambĂ©m foi muito errado da minha parte ter sido rude com vocĂȘ daquele jeito. O que importa Ă© que foi divertido, como vocĂȘ disse, algo que eu nĂŁo esperava ter quando acordei naquele dia. Linda, entĂŁo. Aceitado. NĂŁo sei lidar com elogios, mas acho que isso vocĂȘ jĂĄ notou, Sr. Perceptivo e Observador.
Ei, eu tambĂ©m quero um desafio! Na verdade, os dois sĂŁo formas de calor iguais. O que acontece Ă© que, com a presença de outra pessoa por perto, se Ă© que me entende, os batimentos cardĂacos costumam acelerar e Ă© isso que faz a diferença no processo de⊠aquecimento. Realmente, quem trocaria uma pessoa por encantamento? De qualquer forma, anotei o conselho do anĂŽnimo de nĂŁo ir sozinha para a BulgĂĄria.
Eu acho que vocĂȘ tem uma mania muito estranha de se auto ofender. Estamos conversando hĂĄ menos de cinco minutos, e Ă© a segunda vez que se insulta. Prometo que nĂŁo te matarei, nĂŁo sĂł uma promessa como uma garantia tambĂ©m. NĂŁo tenha medo de mim. Ă a segunda vez que vocĂȘ me elogia tambĂ©m, a conversa estĂĄ ficando cada vez mais interessante. Muito obrigado. Acredito que seja melhor nĂłs dois esquecermos aqueles primeiros momentos e focarmos somente em quando tudo deu certo e meu intento de te fazer sorrir foi alcançado. Talvez eu tenha notado, srta. Inglesa, mas vocĂȘ deveria aprender a lidar. Tenho certeza que merece todos os que recebe.
VocĂȘ tambĂ©m quer um desafio? Vejamos... Tem alguma ideia? VocĂȘ entende muito de muita coisa, nĂŁo deveria levar tudo para o lado cientĂfico. Prefiro pensar que um abraço, por exemplo, Ă© muito mais confortĂĄvel do que uma porção de casacos. NĂŁo sĂŁo iguais, de jeito nenhum. NinguĂ©m trocaria ma pessoa por um encantamento, a nĂŁo ser que essa pessoa de fato repudiasse o toque de um semelhante - o que eu acho um verdadeiro absurdo, pessoalmente. E a senhorita pretende visitar meu paĂs de origem um dia? Poderia te desafiar a ir comigo um dia, mas isso se encaixa mais no meu desafio do que em um novo para vocĂȘ. Preciso pensar mais um pouco.
O que queria que eu fizesse, sinceramente? Um estranho senta na minha mesa e começa a puxar papo comigo em um bar. Por favor, fui criada no pensamento ânĂŁo fale com estranhosâ. AtĂ© onde sei, vocĂȘ podia ser um assassino em sĂ©rie procurando indefesas sozinhas e depois quando vou notar estou em um lugar que nĂŁo conheço e faltando ĂłrgĂŁos internos ou picada em pedacinhos, mas nesse caso eu nem notaria porque jĂĄ estaria morta. Achei melhor nĂŁo arriscar. AlĂ©m disso, meu humor nĂŁo estava dos melhores depois de passar meia hora com aquele idiota inĂștil. Enfim. Louca seria o Ășltimo? Meus amigos discordariam disso. E qual seria o primeiro?
Veremos, bĂșlgaro. Veremos. Talvez isso seja um desafio. Sim, foi um elogio disfarçado, aceite e nĂŁo me faça repetir. Ah, droga. Ficou tĂŁo evidente assim? Bem⊠Disseram que eu precisaria de alguĂ©m para me esquentar. Ou esquentar alguĂ©m. NĂŁo lembro mais, mas o resumo era uma pessoa esquentando outra. Cada pergaminho estranho que recebo, sĂł Merlin pra me dar paciĂȘncia.
Algumas pessoas conversam com as outras pelo simples fato de gostarem de interagir, sem qualquer plano macabro de morte absurda por trĂĄs disso. Afinal de contas, o que eu ganharia te matando? Para mim, vocĂȘ Ă© muito mais interessante viva, com todos seus ĂłrgĂŁos internos no lugar. Sim, a respeito do humor eu devo concordar. Talvez tenha sido uma escolha errada minha ter invadido seu espaço pessoal justamente naquela hora, mas como eu iria adivinhar? De todo modo, nĂłs dois saĂmos ganhando no final. Acho que isso Ă© o que importa. Por que a surpresa? Talvez seus amigos sejam os loucos, na verdade. Linda, eu diria, mas aceite e nĂŁo me faça repetir.
Um desafio, Ăłtimo para mim. Gosto de ser desafiado. Aceito de muito bom grado, nĂŁo farei vocĂȘ passar pelo constrangimento de admitir que achou minha voz e sotaque agradabilĂssimos. Bem, um pouco. NĂŁo seria tanto caso eu nĂŁo fosse bom em observar as coisas. Interessante a observação desse anĂŽnimo? ao enviar a coruja. Dizem que o calor humano Ă© muito mais eficaz do que cobertas ou agasalhos. A Ășnica coisa que o supere, talvez, seja algum feitiço aquecedor. Mas quem trocaria uma pessoa por um encantamento?
NĂŁo acho que exista uma definição universal socialmente de âencontroâ. Mas tudo bem, teve seus mĂ©ritos, eu chamaria de encontro incidental. Porque nĂŁo foi planejado, vocĂȘ nĂŁo pediu, sĂł deu sorte de eu estar precisando de alguĂ©m para me salvar de um encontro terrivelmente desastroso. Ou azar, considerando que sou incapaz de calar a boca por um minuto e vocĂȘ deve me achar uma louca.
PrĂłxima vez? O que te garante que vai existir uma? Ahh, bĂșlgaro. Realmente, o sotaque Ă© algo a mais. Hoje me falaram da BulgĂĄria, coincidentemente, que Ă© muito frio e eu deveria⊠Me agasalhar quando fosse lĂĄ. Weird.
Ah, eu quase tinha me esquecido desses pequenos detalhes. Foram o que mais me divertiram, para falar a verdade. Caso precise de alguĂ©m de emergĂȘncia novamente, saiba que pode contar comigo. Apesar de vocĂȘ me tratar com... Bastante... Grosseria no inĂcio, aquela tarde foi bastante agradĂĄvel. principalmente por nĂŁo ser eu o Ășnico a falar. Considero nosso encontro incidental algo de sorte. Para nĂłs dois. E louca seria o Ășltimo termo que pensaria para te descrever.
PrĂłxima vez. O que te garante que nĂŁo vai existir uma? NĂŁo me subestime. BĂșlgaro, sim. Isso foi um elogio? De fato, o paĂs de onde eu vim faz muito mais frio do que vocĂȘs ingleses estĂŁo acostumados. Mas eu duvido muito que tenham escrito exatamente isso em seu pergaminho. Ainda mais depois dessa hesitação antes de concluir a frase. Vamos lĂĄ, o que eles realmente disseram?
E nosso encontro não foi um encontro propriamente dito, senão⊠Merlin, que diabos estou falando? Esquece.
Sim, britĂąnica e completamente desconhecedora do âcostumeâ que te falaram. VocĂȘ nĂŁo Ă© daqui, isso eu percebi, mas estou em dĂșvida pelo sotaque.
Bem, considerando que tomamos algumas cervejas amanteigadas juntos e te fiz rir algumas vezes, aquilo pode sim ser considerado como um encontro. SenĂŁo o que? Existem outras exigĂȘncias alĂ©m dessas? Prometo me redimir da prĂłxima vez.
Deveria ter desconfiado desde o inĂcio, Ă© evidente agora. Estranhei, realmente, o tal costume. BritĂąnicos sĂŁo conhecidos pela extrema educação, afinal. Sou da BulgĂĄria, e acho que nunca perderei esse sotaque. Dizem que Ă© meu charme.

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itsmindover-matter replied to your post:britĂąnicos tĂȘm costume de fazer sexo no primeiro encontro. sĂł avisando
Na verdade, é mentira deslavada. Até onde sei.
Fico aliviado em saber que o problema nĂŁo sou eu.
EntĂŁo quer dizer que vocĂȘ Ă© mesmo britĂąnica?
britĂąnicos tĂȘm costume de fazer sexo no primeiro encontro. sĂł avisando
Das duas, uma: Ou isso Ă© uma mentira deslavada, ou aquela garota que encontrei dias desses em Hogsmeade nĂŁo Ă© britĂąnica.
Claro, porque me recuso a pensar que eu sou o problema.
GATO. se tivesse em hogwarts, te levava pra qualquer armĂĄrio de vassoura sem pensar duas vezes
Isso Ă© um problema, porque nunca sequer visitei Hogwarts. De todo modo, lugar para ser levado nĂŁo Ă© problema. O que Ă© um armĂĄrio de vassouras comparado Ă toda Inglaterra.
VocĂȘs, crianças, pensam muito pequeno. Quem sabe apĂłs a formatura?
boatos que curte as novinhas
Apesar de nĂŁo parecer, tento ser o mais responsĂĄvel possĂvel.
Dou valor ao meu emprego e liberdade. NĂŁo pretendo abrir mĂŁo de nenhuma dessas coisas.
senhor essa sua jawline *n lembra o nome em pt* Ă© completamente ofensiva fico encarando e nĂŁo paro
NĂŁo querendo ser grosso nem nada, mas descobrir que existe alguĂ©m com o hĂĄbito de encarar minha jawline com tanta frequĂȘncia me perturba.
Principalmente quando eu não faço ideia de quem seja.

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desde que eu te conheci, todos os meus sorrisos sĂŁo sinceros
Isso era pra ser um elogio? Uma cantada?
Fico feliz, de qualquer forma, por ser o grande causador da... Sinceridade... Em seus sorrisos.
nĂŁo faz isso krumigo, iolindo
A cada dia que passa me surpreendo mais com a criatividade de vocĂȘs, anĂŽnimos.
I remember it well the first time that I saw â Ioan & Glenda
JĂĄ se passava de cinco anos desde que havia deixado a BulgĂĄria para viver no Reino Unido. Cinco anos que convivia diariamente sob o mesmo teto que sua melhor amiga, e cinco anos que conquistara o que almejava desde os onze: liberdade para fazer o que desejava.
Existem alguns momentos na vida de jovens adultos em que Ă© necessĂĄrio realizar escolhas que irĂŁo auxiliar no carĂĄter e personalidade de seu âeuâ no futuro. Ioan Krum lidava com essas escolhas a muito mais tempo do que qualquer um de mesma idade. A primeira importante escolha que lhe fora dada foi ter Anna Ivanova como melhor amiga. Aquela foi a mais fĂĄcil, porĂ©m, mesmo tendo ganhando junto com a amizade da morena alguns hematomas e a pior detenção de toda a sua vida estudantil. Nunca valera tanto a pena. Outra escolha que marcou o jovem rapaz, certamente, foi ter coragem o suficiente para confrontar os pais quando o desejo de sair de seu paĂs natal e largar a velha tradição familiar o tomou. Uma escolha que causou grandes conflitos dentro de sua famĂlia, mas se tornou mais fĂĄcil de suportar somente por causa do apoio de Anna.
Muitas dessas escolhas, além de transformar as pessoas, também podem dar um sentido totalmente diferente à vida de quem a fez. Essa escolha crucial foi feita por Ioan no alto de seus quinze anos, dotado de uma expressão tão séria que poderiam até acreditar que ele era como todos os outros estudantes de Durmstrang. Contudo, a decisão que tomara contrariava a impressão dada por seu rosto naquele momento. O fato é que Ioan sempre fora uma pessoa muito entregue, e naquele momento ele decidiu dedicar os próximos anos de sua vida em prol da morena que conhecera e aprendera a amar como uma verdadeira irmã. E ali estava ele, em um pequeno bar do Reino Unido, afastado apenas poucos minutos de Ivanova em uma folga de seu trabalho como Curse Breaker. Claro que não era como se o rapaz formado tão recentemente tivesse tanto respeito em meio aos veteranos na årea, mas como jå fora dito antes, ele era entregue.
O fĂĄcil e o complicado. O bom e o mau. O certo e o errado. Cerveja Amanteigada ou Firewhiskey? O balcĂŁo ou uma mesa afastada de todos? Caminhava com uma capa preta, as mĂŁos escondidas no bolso fundo a fim de se proteger do frio. Os ombros encolhidos, ainda indeciso. O lugar estava cheio, provavelmente devido Ă visita dos estudantes de Hogwarts ao vilarejo vizinho Ă escola de magia. NĂŁo tinha muito que decidir, de qualquer forma, e decidir nĂŁo decidir qualquer coisa foi uma dessas escolhas importantes que Krum iria se lembrar pelo resto da vida.
Havia apenas trĂȘs mesas com lugares vazios onde o bĂșlgaro poderia se acomodar e se servir da bebida que tanto ansiava. NĂŁo pensou muito antes de caminhar cegamente enquanto se desviava de algumas adolescentes atĂ© um lugar onde apenas uma mulher ocupava. NĂŁo viu o seu rosto quando murmurou um âCom licença, posso me sentar?â, tampouco aguardou resposta no momento em que se arrastou atĂ© o fim do banco largo do lado oposto ao dela. Aguardaria seu pedido jĂĄ feito no balcĂŁo ali, tentando ignorar a bagunça que os mais novos protagonizavam no estabelecimento. â EstĂĄ esperando alguĂ©m? â puxou assunto tentando ser amigĂĄvel, afinal, a morena nĂŁo desviara os olhos da porta desde que a vira.
Sensory.
sensorial | adj. 2Â g.
sen·so·ri·al (francĂȘs sensoriel) adjetivo de dois gĂȘneros Relativo ao cĂ©rebro ou Ă parte do cĂ©rebro chamada sensĂłrio.
Desde que vocĂȘs começaram a viver juntos nessa bagunça que era a guerra, morte e a responsabilidade de pessoas adultas, essa foi a primeira vez que ela foi dormir sem falar com vocĂȘ. Antes disso, suas noites e madrugadas eram repletas de discussĂ”es e conversas que ambos sabiam que nĂŁo os levariam a lugar nenhum, mas faziam questĂŁo de ter. Se tinham algum medo ninguĂ©m saberia, mas a preocupação e receio eram evidentes quando qualquer um dos dois ameaçava cruzar a porta daquele apartamento cuja arquitetura nĂŁo se comparava Ă mansĂŁo de seus pais. No entanto, ouvir a voz do outro era uma confirmação de que vocĂȘs dois estavam ali, estavam vivos e tinham mais uma chance. Uma chance que surgia diariamente assim que vocĂȘs abrissem os olhos e percebessem que o outro estava ali ao lado. VocĂȘ nĂŁo dormia direito desde que deixara Hogwarts, e aquela parecia ser a primeira noite de sono tranquila dela apĂłs a discussĂŁo que tivera com o pai e a abdicação da profissĂŁo que deveria ser uma certeza em sua vida.
Glenda possuĂa olheiras sob os olhos escondidos pelas pĂĄlpebras, e vocĂȘ podia ouvir a respiração regular que era interrompida de tempos em tempos por um suspiro mais profundo. A cama de solteiro onde ela repousava parecia diminuĂ-la devido Ă posição que ela escolheu, mas isso nĂŁo fazia dela alguĂ©m frĂĄgil ou delicada. Ela era forte, e foi justamente isso o que te chamou atenção desde o começo.
audição | s. f.
au·di·ção substantivo feminino
Ato e faculdade de ouvir ou de escutar.
Barulhenta. Hogwarts era barulhenta. Em todos os seus anos em Durmstrang, vocĂȘ nunca tinha presenciado tanta confusĂŁo de sons, vozes e pessoas por todos os lugares. Sussurros, risadas, pequenas discussĂ”es, passos, penas arranhando em pergaminhos, ali tudo parecia muito mais intenso. VocĂȘ nĂŁo via problema algum naquilo, porque era mais fĂĄcil para observar e conhecer as pessoas sem precisar se apresentar. A voz dela era baixa, moderada e soava ainda assim, imponente aos seus ouvidos. Aquele foi o primeiro contato real (porĂ©m ainda distante) com ela, algumas brincadeiras e tentativas de fazer vocĂȘ falar. Certamente uma ideia da garota que a acompanhava nas provocaçÔes, e que nĂŁo tinha sua menor atenção.
Ela falava, ria, te provocava. Nos corredores passavam tantas pessoas que vocĂȘ nĂŁo era capaz de especificar de quem era a dona daquela voz, mas era evidente sua curiosidade acerca dela. VocĂȘ nĂŁo respondeu Ă dona dos cabelos longos e escuros cujo o rosto ainda era uma incĂłgnita, e a voz gravou-se em sua memĂłria.
Aquela voz, ao contrĂĄrio do que vocĂȘ pensou quando entrou na sala correspondente a aula que teria naquele dia, nĂŁo se fez presente durante o ensinamento das disciplinas nos dias seguintes. No entanto, lhe fora uma grande surpresa ouvi-la da ravenclaw nervosa prestes a participar de uma disputa que juntaria os dois de uma maneira que ninguĂ©m havia cogitado. VocĂȘ, principalmente.
"EstĂĄ falando comigo?"
visĂŁo | s. f. | s. f. pl.
vi·são substantivo feminino
Ação ou efeito de ver.
InĂșmeros rostos passam atravĂ©s de seus olhos diariamente. Em escolas como Hogwarts ou Durmstrang esses rostos tornam-se familiares com o tempo, devido o convĂvio. VocĂȘ jĂĄ havia a visto antes. Em um ou dois esbarrĂ”es nos corredores, encontros rotineiros no SalĂŁo Principal, aulas em conjunto e atĂ© mesmo alguns olhares trocados em horĂĄrios vagos nos jardins ou na grande biblioteca da Instituição. VocĂȘs definitivamente jĂĄ tinham conhecimento um do outro ali, contudo, vocĂȘ sĂł a viu realmente, pela primeira vez atravĂ©s daquele sorriso aliviado e olhos que pareciam te procurar de algum modo apĂłs a vitĂłria no clube de duelos.
VocĂȘ jĂĄ sabia o nome dela e tambĂ©m sabia que era a dona da tal voz que te instigou. Glenda. Glenda Chittock.
Ela era diferente das garotas que vocĂȘ costumava brincar que tinha dificuldade em distinguir na BulgĂĄria, era diferente das garotas de Hogwarts. A aparĂȘncia e personalidade totalmente distintas de tudo o que vocĂȘ vira antes. No entanto, quem tivesse apenas uma impressĂŁo dela era incapaz de vĂȘ-la como vocĂȘ via.
As mechas escuras de seu cabelo escorriam pelas costas formando pequenos ondulados em suas pontas, moldando o rosto alvo e sĂ©rio que ela detinha. O sorriso era raro, mas vocĂȘ nunca gostou que eles fossem desperdiçados. Ela era alta, talvez fosse uma das garotas mais altas de seu ano. VocĂȘ gostava disso, Ioan, e nunca demonstrou o contrĂĄrio.
E foi ali, a partir daquele momento que vocĂȘ soube que nĂŁo teria mais volta.
olfato | s. m.
ol·fa·to substantivo masculino
Sentido com que percebemos os cheiros.
Adicione a pele de ArarambĂłia picada no caldeirĂŁo e ferva por 20 minutos. Depois tire-a do fogo, coloque um acĂŽnito e mexa no sentido horĂĄrio e ela vai ficar com uma cor lilĂĄs. ApĂłs isso, devolva ao fogo e coloque o bezoar. Deixe-a ferver por 30 minutos, assim quando ferver, ela vai ter um aparĂȘncia vermelha. Retire do fogo novamente e coloque o segundo acĂŽnito. Mexa no sentido anti-horĂĄrio. Quando terminar ela vai ter de ficar de cor azul bem escura ou um verde brilhante.
HortelĂŁ, mar, cigarros e madeira.
Amortentia sempre foi a poção que mais lhe despertou curiosidade. A madeira lhe remetia ao lugar onde vocĂȘ cresceu; os mĂłveis antigos â em mogno na sua maioria â foram testemunhas de uma grande parte da sua vida. VocĂȘ nĂŁo fuma, nĂŁo frequentemente, mas a fumaça dos cigarros trouxas que vocĂȘ mantĂ©m escondidos no fundo do seu malĂŁo sempre foi uma maneira de canalizar suas preocupaçÔes, te fazendo pensar com mais clareza. O mar rodeava Durmstrang, e o cheiro fraco de maresia nunca te deixava, por mais que vocĂȘ nĂŁo o visse hĂĄ meses.
VocĂȘ se perguntava se o cheiro da poção que tanto te causava estranhamento havia modificado com essa mudança. O fato, Ioan, Ă© que vocĂȘ nem sequer sabe a razĂŁo de sentir tais odores quando se aproxima do veneno, tampouco porque alguĂ©m usaria aquilo para ter alguĂ©m por perto. Afinal de contas, o amor para vocĂȘ sempre foi algo muito contraditĂłrio. A maioria das pessoas que vocĂȘ conhecia e se apaixonavam acabavam infelizes, afinal. VocĂȘ nĂŁo acreditava nele. VocĂȘ preferia nĂŁo acreditar nele, porque vocĂȘ sempre prezou demais a felicidade, mesmo que ela fosse momentĂąnea ou falsa.
Hogwarts cheirava doces, livros e ar puro.
Glenda tinha um perfume distinto. NĂŁo era doce ou floral, Tinha um toque de canela que combinava perfeitamente com o aroma de maçã de seus cabelos. NĂŁo que vocĂȘ se preocupasse com os cheiros que ela emanava, nĂŁo seria necessĂĄrio para coisa alguma. PorĂ©m, de todo modo, mesmo que inconscientemente, aquela informação ficou gravada tanto em seu olfato quanto na sua mente. Isso poderia te incomodar, em alguma outra ocasiĂŁo, mas vocĂȘ estava ciente de que nĂŁo tinha absolutamente nada a ver com Amortentia. Nada a ver com amor.
tato | s. m. tato | adj.
ta·to (latim tactus, -us, toque) substantivo masculino
Sensação produzida por contato.
VocĂȘ sempre detestou coisas clichĂȘs. Gostava de surpreender e ser surpreendido, embora isso soasse completamente clichĂȘ aos ouvidos de alguns. Ainda assim, vocĂȘ fugia disso. VocĂȘ era um estudante de uma das mais importantes instituiçÔes bruxas, que prezava pela pureza de sangue e a importĂąncia dos sobrenomes das famĂlias que tradicionalmente educavam, mas foi expulso para defender a melhor amiga. Mudou-se para a Inglaterra e ingressou em Hogwarts, sendo selecionado para a Slytherin. NĂŁo tinha as principais caracterĂsticas do grupo de acordo com o que o ChapĂ©u Seletor pregou antes de gritar o nome da casa verde e prata, mas isso foi completamente ignorado. VocĂȘ era bom, Ioan. Genuinamente bom, e sempre fora.
Ela tambĂ©m fugia de tudo o que vocĂȘ conhecia. NĂŁo parecia se preocupar com a aparĂȘncia, mas mantinha uma beleza natural. Ela era espontĂąnea, te fazia rir. Ăs vezes era negativamente impulsiva. Parecia gostar de iniciar ou dar continuidade Ă s suas pequenas discussĂ”es. Era inteligente e repleta de argumentos que quase te deixavam sem palavras. Quase. VocĂȘ tinha esse instinto de proteger as pessoas de quem e quando achasse necessĂĄrio, e ela nunca precisou da sua ajuda. VocĂȘ apenas queria fazer alguma coisa. Qualquer coisa. Queria ficar por perto.
A expressĂŁo que ela havia assumido enquanto conversava com um colega que vocĂȘ nem se preocupou em identificar nĂŁo era uma das melhores. O rapaz, de costas para vocĂȘ gesticulava demonstrando uma possĂvel frustração. Ela estava irritada, e vocĂȘ sabia disso porque o cenho estava enrugado assim como quando encarava Avery no dia em que duelaram. VocĂȘ, com essa mania de super herĂłi e um impulso nada tĂpico entre seus colegas de casa, decidiu defendĂȘ-la do que quer que fosse. E pela primeira vez naqueles poucos meses de convĂvio, a tocou. Sua mĂŁo fechou sobre o braço fino e pĂĄlido interrompendo por fim a conversa que parecia chegar a lugar algum. VocĂȘ nĂŁo a olhou, mas poderia imaginar nitidamente a expressĂŁo chocada e talvez ofendida que tomou conta da face alheia. A sua intenção era tira-la dali, mas vocĂȘ se encontrou mais preocupado com a sensação que poderia passar desapercebida se vocĂȘ nĂŁo fosse tĂŁo observador. Havia acontecido algo ali, porque vocĂȘ ainda sentia seus dedos formigarem dias depois do ocorrido.
E ainda faltava um.
paladar | s. m.
pa·la·dar substantivo masculino Sentido do gosto.
Chegou um momento em que vocĂȘ nĂŁo se sentia mais satisfeito em apenas olhĂĄ-la, ou tocĂĄ-la superficialmente, ou sentir o perfume de seus cabelos e pele de longe. VocĂȘ queria mais, e nĂŁo era capaz de contradizer o fato evidente. VocĂȘ sabia Ioan, que o cheiro instigava a provar, sabia tambĂ©m que era apenas questĂŁo de tempo para que a Ăąnsia desse sentido fosse despertada.
Foi em uma tarde comum, em um lugar e momento comuns, mas era aconchegante e certo. Ela parecia querer isso tanto quanto vocĂȘ, e a quem vocĂȘs queriam enganar evitando por tanto tempo aquilo que todos jĂĄ tinham notado? VocĂȘ nĂŁo precisou pensar antes, tampouco buscar coragem em qualquer lugar. Fora espontĂąneo e muito natural.
VocĂȘs se olhavam com uma seriedade que hĂĄ muito tempo nĂŁo tomava conta de suas expressĂ”es, e entĂŁo vocĂȘ foi se aproximando. Devagar, quase com medo de ela se afastar assustada, mas ela nĂŁo o fez. Deixou que os lĂĄbios se encontrassem em um contato sutil.
E Ă© com base na crença de muitos que dizem nossas vidas tĂȘm um ponto que separa um antes e o depois, que te transforma e faz com que ela seja melhor ou pior. VocĂȘ, Ioan, nunca acreditou em nada. Deus, destino, sorte ou azar, nĂŁo era real para vocĂȘ atĂ© que fossem verdadeiramente provados. Entretanto, a junção de seus lĂĄbios, o toque Ănfimo de suas bocas causou uma linha invisĂvel e tĂȘnue que separava sua vida no antes e depois desse episĂłdio. Porque depois que vocĂȘ experimentou os lĂĄbios de Glenda, teve a certeza que nĂŁo viveria mais sem eles. E pela primeira vez naqueles recentes dezoito anos, vocĂȘ desejou acreditar em qualquer coisa que fosse, pois sentia uma grande necessidade de agradecer.
And so itâs The shorter story No love, no glory No hero in her sky
O quarto era pequeno. PossuĂa apenas uma cama de solteiro, uma cĂŽmoda onde vocĂȘs guardavam as poucas roupas que carregavam e uma poltrona onde vocĂȘ fingia dormir. VocĂȘ fechava seus olhos primeiro, e se perguntava se ela te observava naqueles minutos (ou horas?) antes de por fim pegar no sono. Sempre que vocĂȘ abria os olhos, ela estava virada em sua direção. No entanto, essa noite em que ela parecia descansar verdadeiramente, em algum momento de sua divagação ela se virou. VocĂȘ sĂł podia ver entĂŁo a silhueta delineada sob os lençóis, constatando seu sono profundo devido Ă respiração que remexia o corpo alheio eventualmente.
O cabelo solto cobria quase todo o travesseiro, e vocĂȘ sentiu uma vontade enorme de entremear seus dedos pelos fios escuros. Tentando reprimir o desejo, vocĂȘ passou as mĂŁos pelo prĂłprio cabelo, vendo imediatamente que o gesto fora inĂștil. Portanto, tentando ser o mais silencioso possĂvel, vocĂȘ se levantou largando as cobertas sobre o assento e caminhando vagarosamente atĂ© a cama que ficava a poucos metros de distĂąncia.
VocĂȘ se deitou ao lado dela, Ioan, porque sentia falta de todos os seus sentidos, sentidos que somente ela era capaz de despertar. VocĂȘ fechou os olhos quando se viu muito prĂłximo do corpo feminino, porque somente olhar nunca mais seria o bastante. Ela se movimentou sobre o colchĂŁo estreito se aproximando um pouco mais, e o cheiro, aquele cheiro, era a Ășnica coisa que vocĂȘ era capaz de sentir.
A sua mĂŁo moveu-se inconscientemente atĂ© a cintura esguia de Glenda, virando-a por fim para vocĂȘ. Ela permanecia afogada no sono, e vocĂȘ deitou a cabeça dela em seu peito. Outro suspiro fora ouvido, e esse era seu. Um suspiro confortĂĄvel e aliviado, porque era aquilo o que vocĂȘ precisava sentir para que pudesse repousar. VocĂȘ beijou aquela bagunça de fios que era a cabeça dela naquele momento, e aconchegou-se sob o corpo alheio sentindo pela primeira vez a paz que a guerra havia roubado de ambos.
VocĂȘ nĂŁo a amava.
Mas sentindo o sono chegar gradualmente expulsando todos os problemas de sua mente sĂł porque ela estava dentro de seus braços, vocĂȘ precisou reconhecer o que quer que fosse que vocĂȘs tinham, estava longe de ser insignificante.

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