Diante de uma pandemia, a palavra “resiliência” ganhou força; A arte e os produtores dela tiveram seu valor reconhecido; Empresas passaram a enxergar os pontos positivos do home office; Colaboradores passaram a reconhecer seu próprio valor e cada vez mais vem priorizando sua saúde mental. Tudo mudou, todos saíram da sua zona de conforto.
Nesse quadro de reinvenção, o Instagram tem se mostrado um grande aliado de empresas, artistas e profissionais de todos os ramos devido a facilidade para criação de conteúdo em diversos formatos e pela possibilidade de expor toda a criatividade e conhecimento em um ambiente que permite alcance de interações surpreendente. No entanto não consigo deixar de fazer alguns questionamentos: Quais conteúdos estão sendo entregues pelo algoritmo do Instagram? Nós estamos realmente valorizando o conteúdo ou a estética? Um perfil organizado, com paleta de cores e tudo mais chama atenção sim, mas ele tem mais conteúdo do que aquele que não segue um padrão?
Diariamente perfis de pessoas que problematizam as mazelas da nossa sociedade heteronormativa patriarcal não tem seu conteúdo entregue para seus seguidores. Algumas pessoas se vêm obrigadas a ocultar letras ou usar de outros artifícios para não ter seu conteúdo bloqueado pelo Instagram. Cansamos de ver comentários despejando todos os tipos de preconceito nas páginas dessas pessoas incríveis (LGBTQIA+, feministas, mulheres negras, pessoas fora do padrão estético, ...) que não se calam diante da opressão e eles ficam lá por muito tempo até que, com inúmeras denúncias, é removido. Mas experimenta comentar “homem lixo” para ver se não vai ser removido em menos de 24 horas! Além disso, a quantidade de conteúdo de qualidade disponível nesses perfis é imensa, mas nem sempre seguem um padrão de organização. Até que ponto isso interfere no número de interações e na nossa vontade de seguir a página?
Esse texto não é uma crítica à perfis padronizados, na verdade é mais uma autocrítica que acredito ser extensível a outras pessoas.
















