O mais velho riu e concordou com um movimento de cabeça. Pelos céus, quanto tempo que eles não conseguiam ter um momento descontraído daquele jeito? Nem conseguia se lembrar. Era sempre tanta carga nos dois. Suspirou, olhando envolta na busca de uma bebida, mas os garçons passavam muito longe para qualquer sinalização. “aah claro que tem, podemos tirar o plural de vocês e deixar no singular, assim parece que é para alguém e não uma instituição. mas eu sinto que ficaria claro em nossa voz, em algum ponto mostraríamos o quanto isso é real”, deu de ombros, não que se importasse tanto, mas ainda não estava pronto para arriscar uma vida na incerteza de não ter uma equipe cuidando de si. Hipócrita não? Mas Hunter nunca disse que não era. Ele odiava ter a vida controlada, e ao mesmo tempo, agradecia por não ter que tomar todas as decisões em sua vida. “deixe-me adivinhar, tristes, muito pessoais, melancólicas…e mais uma série de outras coisas? É, já estive aí. Mas eu cometi o erro de mostrar algumas pra eles, e simplesmente riram da minha cara. ‘somos uma boyband de musica pop, não música emo pop… bla-blá-blá”, gesticulava com a destra ao final, como quem realmente imitava uma terceira pessoa ali. O revirar de olhos veio logo em seguida, mas não foi dos mais longos, pois logo que começou, conseguiu identificar um garçom vindo ao encontro deles. Pegou uma das taças para si e ainda pensou em oferecer uma para Maze, mas guardou o impulso. Ele poderia ser uma péssima influência para Cecília que claramente não queria largar aquela vida, mas não para o colega que havia lutado por tantos meses para continuar limpo. E era admirável. “tiraram das fanfics, das milhares de cartas que recebemos todos os dias na agência, perguntando e falando que adorariam nos ver juntos, dos fãs clubes com nossos nomes em um ship”, seu tom era divertido e ele ria durante as sentenças. Não era como se ele não achasse Maze bonito, atraente ou interessante. Pois ele o considerava todas essas coisas e um cara incrível. O problema morava talvez nele, que não era uma boa pessoa, que não pensava em viver uma relação assim e tudo mais. Tomou um gole de sua bebida, constatando que era um champanhe, como boa parte do que serviam aquela noite. Sentia falta de bebidas quentes, talvez fosse a necessidade de aquecer o corpo. “é, acho que conseguimos nos unir mesmo depois da primeira turnê. Ficar em ônibus por tanto tempo, ter tantas cidades pra ir e pessoas gritando nossos nomes, nossas músicas. É uma sensação única que partilhamos”, a voz voltava aquele tom saudoso e ele sentia a garganta secar por isso, como se um nó começasse a surgir. Sentia falta do que viveram, sentia falta das expectativas que criou sobre a banda e eles serem essa grande família que não se escolheu, mas que fazia funcionar. Agora só eram quatro garotos desajustados e traumatizados ao longo dos anos. “claro que daríamos, mas você sabe que eu ia roubar seus fãs pra mim, não sabe?”, brincou, pois claramente eles tinham os mesmos fãs.
⏭⏮ ❝ sim, e acho que eles saberiam também, seria constrangedor. ❞ fez uma careta. as músicas que tinham donos específicos, maze sempre guardava para si. escrever sobre sentimentos e sensações era bem mais seguro do que escrever sobre pessoas; a ideia de alguém que tinha servido de inspiração para si ouvir as músicas era... inquietante. ❝ sim! exatamente assim! e ah, bom saber então que minhas suspeitas de que guardar seria melhor estavam certas! ❞ eles nunca iriam ter acesso aos seus cadernos, eram uma parte privada que preferia manter assim. provavelmente a única coisa que tinha apenas para si. ❝ com eles eu não acho que a gente consiga fazer alguma música do tipo, qualquer uma que foge da regra não encaixa na nossa temática. ❞ revirou os olhos ao falar a última parte com um certo desgosto. o britânico cruzou os braços contra o peito em uma postura mais defensiva ao vê-lo começando a beber. precisava sempre prender suas mãos quando estava assim tão perto de uma bebida a tendência era se encolher por ter receio de ceder àquela imensa vontade de beber. não o faria, não ali na frente de todo mundo. ❝ uma coisa é eles quererem dar corda nisso, outra é eles nos forçarem ao ponto de deixarem as coisas desconfortáveis. ❞ enrugou um pouco o nariz em uma careta. não fazia ideia de como seria se tivessem continuado espontâneos como no início, se não fosse empurrado de maneira mecânica para o outro mesmo quando antes já gravitava em torno dele procurando os sorrisos e brincadeiras divertidas. os fãs tinham enxergado e isso e ampliado, fazendo a agência aumentar ainda mais e tirar todo movimento sincero que antes maze podia ter para hunter. agora via-se sempre com medo de sorrir demais, encará-lo em momentos errados e deixar as coisas mais esquisitas. uma merda. sequer conseguia agora por exemplo oferecer sua capa para ajudar o rapaz com o tal frio que ele alegava sentir por saber que tornariam isso diferente do que realmente era. ❝ era muito bom. seria muito mais fácil se tudo fosse como antes. ❞ mas agora a diferença era gritante e eles precisavam lidar com a realidade que tinham. brigas e desacordos de novo. a última vez que aconteceu, a banda diminuiu. dizer que mason estava com medo era um eufemismo. mas acabou rindo com a provocação pois infelizmente aquilo era uma tremenda verdade. ❝ ah qual é! e você acha que eu desistiria deles assim facilmente? sem uma luta? embora eu ache que se eles conseguem adorar quatro de nós juntos, dois separados não seria tão difícil assim. se um dia isso acontecer, o único consolo é que vamos ter uma nova agência. ❞ e caramba! por isso maze ansiava.