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@iemai
Race After Technology, Ruha Benjamin

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O que me incomoda é o que eu não grito.
Qual foi a última vez em que eu chorei de rir? Foi uma gargalhada que soltei no meio de uma call que me trouxe essa pergunta repentina. Com ela veio um chute no coração. Nem lembro a última vez! Apostaria que já está completando um ano.
Lembrei de como era frequente chorar de rir no colégio. Chorar mesmo. A barriga doía. Faltava ar. Hoje em dia só o aperto e a ansiedade trazem a falta de ar por aqui. Que saudade de chorar de rir. Chorar de rir no trabalho, na faculdade, na roda de amigos, no almoço.
Talvez chorar de rir seja intrínseco à presença física. Geralmente vem do que não previmos falar. O digitar barra esse fluxo, diminui o inesperado, falha por antecipação. Não posso negar que dei uma boas gargalhadas trocando áudios, conversando por vídeo. Mas agora lembrando de algumas histórias que trocamos via internet tenho certeza de que elas me arrancariam do chão se estivéssemos juntos.
Saudades de ser feliz.
Vá pisando devagarzinho para não cair no fundo do rio de uma vez e se afogar.
“Maybe the planets Are trying to become the stars And we really came from Mars
The earth is alive And man is a parasite (and) Heavenly bodies make us fight”

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O mais irônico de reler queixas de anos atrás é se dar conta de que você continua reclamando das mesmas coisas - até das mesmas pessoas - e nunca aprende realmente as lições que aprende. Imagine se eu tivesse colocado em prática tudo que já me repeti. Conhecemos os caminhos, mas seguir sem rumo é tão mais fácil, né.
É disso aqui mesmo que eu preciso. Então... Vamos pra valer!
Daniela, quase trinta anos e só uns três sonhos definidos. O resto sempre foi “vamos ver no que vai dar”. Quando percebeu, já repetia livros, ignorava filmes e preferia não pensar no que ainda ia ser. Achava que a vida havia empacado, e empacava quando tentava encontrar maneiras de ir um pouco além. Dani “BFF” tem meu voto de confiança, mas nunca entendeu o porquê. Foi numa dessas madrugadas bêbadas de sono que ela me confessou que tinha se acostumado a deitar para tentar sonhar com soluções. É claro que ri um bocado, eu a entendo. Faço isso também. Só nunca achei que dividíssemos essa pouca razão.
Eu e Dani nos sentamos um dia desses numa mesa de bar e nos prometemos que não conversaríamos sobre o futuro, nossa profissão, tampouco homens e que não cantaríamos músicas antigas. Sobraram séries, livros, e lá estávamos nós duas no mesmo mundinho de sempre. Rimos pela cilada em que havíamos caído. Dani soltou aquela gargalhada tímida dela e me perguntou se eu achava que passaríamos a vida inteira revivendo as coisas do passado. Gargalhei mais alto porque entendi que era óbvio que sim. Mas amanhã o hoje já é passado também.
Há a brincadeira de que cada um antes de nascer passa pela fila de distribuição de defeitos, qualidades e manias. Acredito piamente que a lista vem com um item previamente preenchido para todos – um que por engano já veio impresso com um sim acompanhado de uma porcentagem bem alta. É a capacidade das pessoas de achar que tudo as envolve (menos o que realmente importa).
Acordei de mau humor. Nossa, aquilo que eu falei ontem não foi para te chatear. Estou na TPM. Poxa, não precisa ficar irritada com o que eu disse. Publiquei um texto. Eita, aquele post no seu blog foi uma indireta para mim? Estou economizando dinheiro. Você não quer a minha companhia? Não estou com fome. Putz, você nunca gosta do que eu cozinho.
Digo isso com propriedade. Já fui vítima do humor dos outros tantas vezes que aprendi a lição, é só deixá-lo ali quietinho e dar apoio de vez em quando. Logo passa. Aí veio alguém me perguntar o que tinha feito para eu estar chateada com sua nobre pessoa. Como é que eu vou explicar?..
Olha, meu amigo, abstrai. Eu gosto muito de quase todo mundo, mas o meu inferno astral nunca aprendeu a data do meu aniversário.

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E todo grande sábio há de dizer que é preciso encontrar o caminho por conta própria, mas, fora dos grandes filmes, às vezes as estradas não vêm. Você apareceu em um momento muito circunstancial, e, que irônico, me fez relembrar o que tem me assombrado por dias. Jogou na minha cara tudo o que eu mesma já vinha pensando, mas não entendeu que o meu problema é justamente não ter ideia de um como.
Você me deu mais perguntas, mas, quem sabe um dia, possamos trocar mais respostas?
E eu me agarraria a qualquer coisa que pudesse nos salvar da mediocridade.
Nada sobrepõe a saudade. Não há experiências que preencham o vazio, nem conquistas que encubram o querer agora. A saudade desperta toda a ingratidão que pode existir – não se importa com o que desejávamos ou até onde chegamos, prefere simplesmente o que não está aqui.
Com a nostalgia aprendi a lidar. Evito as fugas da mente com técnicas de distração. Mas a saudade me persegue mesmo quando a música toca alta e feliz dentro de mim… E só acalma saber que há solução. Engulo qualquer sinal de lágrima com a certeza de que no futuro a ponte será ainda mais curta:
- Espere, alma, um dia não vai haver mais nada disso apertando a gente.
Não adianta levar a vida seguindo a crença dos outros, e nem sempre vale tentar aplicar suas próprias convicções às vidas de outrem. Aceito conselhos de bom grado, olhares tortos não. Quero aprender o que me ensinam, mas fazer com as lições o que couber ao meu caminho. Vou contar minha conclusão, e que cada um decida se levará consigo: vocês podem até viver no mesmo mundo, mas ninguém é igual perante às leis do destino.

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Não importa o quão confuso ou indeciso você é, sempre carrega sonhos e metas que guiam sua vida. Mas, parece até cômico, alguns deles você já nem lembra por que estão lá. São tantos os quereres que você não consegue mais identificar como muitos deles se integraram com o que você é: são mais parte do que você sempre foi do que são parte do que você realmente quer ser. Seus sonhos contam suas histórias, contam as coisas que você não pôde alcançar… Falam sobre a distância que havia entre você e os seus desejos.
É triste, mas, se você pensar um pouco, talvez perceba que tem sonhos que não fazem mais nenhum sentido. Eles não se encaixam mais na sua vida, não correspondem mais à sua realidade. Talvez até estejam aquém do que você realmente pode agora. E só quando tiver a chance de realmente realizá-los, vai se perguntar se queria mesmo aquilo. Se realmente precisa disso. E você vai ter medo de deixá-los para trás e se sentir frustrado para o resto da vida, mas vai dar de cara com a preguiça de quem quer viver o hoje. O risco é grande… Tão grande.
Afinal, a grande dúvida talvez seja: o que importa de verdade? O que vivemos agora ou que sempre quisemos viver?
A vida vai te dando opções muito cômodas e, quando você percebe, já esqueceu quais eram mesmos os seus sonhos. Só um incômodo qualquer lá no fundo da consciência continua te puxando, como um bebê puxa a barra da calça do pai. De vez em quando você percebe uma falta de vontade qualquer que se relaciona com o fato de que você não quer nada daquilo, mesmo que não se lembre disso.
E os dias passam lentamente, com a sensação angustiante de que algo está muito errado e que nada está exatamente no lugar onde deveria - mesmo que as arrumações atuais estejam muito boas.
Talvez seja apenas após longos finais de semana, voltas das folgas ou quando você tem que fazer aquilo que mais odeia… O fato é que cedo ou tarde você se lembrará que não era nada disso que você queria. E você não queria com tanta força que apenas o fato de não ser tão ruim te deixou até bem.
Por favor, não caia nessa. O futuro vai te frustrar, e um dia o incômodo vai te enlouquecer.