“Foi a forma que minha mãe achou de tentar me convencer a vir no encontro que eles queriam. Dizer que era alguém do colégio significaria que talvez eu estivesse apenas saindo com um amigo e não com um desconhecido. Sem ofensas.” Ela riu baixo em seguida ao perceber como aquilo havia soado mas ele não aprecia o tipo de cara que se importaria com a forma ruim de se expressar da garota. Percebeu os olhos dele sobre ela e se ajeitou na cadeira, corrigindo a postura, ficando sem graça, provavelmente com as bochechas coradas, esperava que a pouca iluminação do restaurante disfarçasse isso para ela. “Bom, definitivamente eu não sou nada disso. Eu sou só uma aluna dedicada que consegue respirar melhor longe dos pais e está aprendendo a aproveitar um pouco sem ter que manter a postura de filha perfeita vinte e quatro horas por dia. ‘Juliet, não faça isso, não é bom para a nossa imagem’, ‘Juliet tire as melhores notas e seja destaque’, ‘Juliet, Juliet, Juliet’.” A garota havia mudado o tom de voz para imitar os pais enquanto fazia caretas, voltando sua atenção para o rapaz a sua frente, observando-o chamar o garçom. “Eu não tenho a menor ideia do porquê eles decidiram nos juntar em um encontro as cegas. Você suspeita de algo?”
“Tudo bem, não ofendeu.” Tranquilizou a garota quanto ao que foi dito, ele não sendo um tipo de cara que se incomoda quando alguém o ofende, propositalmente ou não, visto que ele próprio acaba fazendo isso algumas vezes. Ou simplesmente sendo grosseiro sem que a pessoa mereça. “De qualquer forma, não é como se tivesse saindo com um amigo, porque a gente mal se conhece.” Comentou sincero, dessa vez sem intenção de ofender ou magoar, mas também não se desculpando caso ela interprete errado. Não era típico dele fazer algo assim. Escutava ela explicando-se, e franziu o cenho conforme percebia ela falando continuamente, e não se conteve em comentar ao final do que ela havia dito. “Você fala bastante, não é, Juliet?” Falou em tom sério, e embora sua intenção não fosse deixá-la sem graça, no fundo sabia que isso era possível. Mas, novamente, não se desculpou ou se explicou, apenas pegou o menu que estava sob a mesa e começou a passar com os olhos vendo as opções, e falava com ela sem fitá-la diretamente. “Pais que pegam no seu pé, então. Eles devem ter algum interesse comercial pra querer juntar nós dois. Não vejo outro motivo pra pensarem em juntar a filha de reputação impecável com um cara problemático e mau humorado que nem eu.” Largou o menu, voltando a fitá-la. “Já sabe o que vai pedir?” Perguntou, percebendo o garçom que ele havia chamado antes se aproximando, para que os dois fizessem seus pedidos. O homem cumprimentou-os sorridente, e Grayson continuava com sua cara fechada sem forçar simpatia, apenas respondeu. “Ok, boa noite. Eu quero esse Fettuccine com champignons, tomates frescos e cortes de filet mignon, refogados com um toque de vinho e blá, blá, blá.” Falou enquanto apontava para o menu onde estava escrito o prato que pediu. Virou seus olhos para a loira, esperando que ela fizesse o pedido para o homem sair dali.