DEAR READER
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@however94

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Fim
- Um ano e meio?
- Isso.
Quando ela se inscreveu para essa bolsa de estudos do outro lado do mundo Ă© claro que a apoiei.
E embora quisesse de verdade que ela fosse aprovada nunca me permiti pensar no que aconteceria se ela realmente fosse para a China.
E agora que a situação se materializava precisåvamos lidar com ela.
- ParabĂ©ns! - Ela sorriu tĂŁo feliz que todas as questĂ”es e dificuldades futuras sumiram: dezoito meses passam rĂĄpido. - E quando vocĂȘ vai?
- No inĂcio do prĂłximo semestre.
E desde entĂŁo todos os dias foram uma tentativa de reter o mĂĄximo possĂvel dela comigo para compensar o tempo em que estivesse ausente.
Os primeiros meses foram relativamente fĂĄceis: partilhar mesmo que de longe de sua felicidade, descobertas e sucesso atenuava a saudade absurda, o vazio na casa que parece gigante sĂł para mim, a cama nunca suficientemente quente sem ela.
Ver sua escova ainda no armĂĄrio, as fitas de cabelo espalhadas pela casa e cada pequeno testamento de que ela vivia aqui e voltaria a viver tornavam tolerĂĄvel.
Lembro da primeira ligação em que fui um incÎmodo.
Era difĂcil conciliar os horĂĄrios e criamos um calendĂĄrio para saber quando nos falar. Mas quando atendeu estava com pressa, sua cabeça claramente longe de mim, mais atĂ© do que seu corpo.
Na segunda vez que ignorou uma chamada e perguntei se nĂŁo precisava atender, me explicou.
- Ă sĂł o pessoal me chamando para o aniversĂĄrio de um colega de classe.
- E por que nĂŁo vai? Podemos nos falar outro dia.
- Vai começar semana de prova, vai ser muito difĂcil encaixar na agenda⊠NĂŁo tem problema.
No momento nĂŁo soube como me sentir ao notar que tĂŁo distante de sua rotina virei apenas um encaixe. Mas o mais difĂcil foi entender que ela estava construindo toda uma vida da qual nĂŁo podia fazer parte e que a estava obrigando a escolher, e nĂŁo queria fazer isso.
Afinal⊠SĂł um ano e meio, faltavam poucos meses. Depois ela voltaria inteira para mim, tendo vivido todas as experiĂȘncias que a bolsa oportunizava. Por isso, fui eu a desligar.
- Pode ir, amor. Ă uma chance Ășnica, aproveita.
Abriu o sorriso que compensava tudo ao se despedir, mas me machucou notar que sua expressĂŁo estava mais aliviada que feliz mesmo que tenha sido sincera ao dizer que me amava.
Talvez tenha sido o pior, nunca duvidar disso.
Os contatos se tornaram mais escassos e era fĂĄcil entender a razĂŁo: a proximidade do prazo para finalizar seu projeto tomava boa parte do seu tempo.
Ao invés das ligaçÔes passamos a nos deixar mensagens que passaram a ser insuficientes para suprir a saudade. E quando minha mãe ficou doente e ela não esteve ao meu lado foi devastador de uma forma que nunca imaginei que poderia ser.
Toda a nossa relação passou a se basear na espera do momento em que ela finalmente voltaria.
- VocĂȘ sumiu.
Petra tinha a melhor das intençÔes, sempre soube disso. E essa é a razão pela qual passei a fugir dela: não queria que abrisse meus olhos para o que estava acontecendo.
Mas quando bateu na minha porta para ver como eu estava nĂŁo tive como me esconder mais.
- Tenho andado ocupado.
Qualquer pessoa que me conhecesse perceberia a mentira Ăłbvia, ainda mais ao ver como meu apartamento sempre tĂŁo organizado e limpo estava bagunçado, o pĂł antes inexistente visĂvel, muitas das plantas totalmente secas, mais caixas de congelados e sacolas de fast food do que o saudĂĄvel.
Petra olhou em volta e sua expressão me comunicou toda a preocupação que sentia. Mas quando verbalizou se limitou a perguntar.
- Quando ela volta?
- Daqui duas semanas.
- Fico feliz de verdade por vocĂȘ.
E eu tambĂ©m estava: dormir se tornou impossĂvel e amanheci no aeroporto no sĂĄbado de seu retorno.
- Faz tempo que estĂĄ aqui?
Seu Ășnico irmĂŁo e a bem dizer, sua Ășnica famĂlia desde que seus pais morreram, se aproximou quando me avistou e sentou-se ao meu lado.
- Cheguei faz pouco tempo.
Menti constrangido de admitir que estava hĂĄ horas ali e felizmente ele iniciou uma conversa leve que ajudou a suportar os minutos atĂ© vĂȘ-la no desembarque.
E quando a abracei de novo depois de tanto tempo longe meu mundo voltou a fazer sentido.
- Meu Deus, como senti saudade de feijoada!!
Tudo, absolutamente tudo nela me encantava, atĂ© mesmo vĂȘ-la comer seu prato favorito enquanto contava todas as coisas que fez e aprendeu durante sua estadia na China.
Quando chegamos em casa entrou como se nunca tivesse passado tanto tempo fora; não reparou na bagunça nem em nada além de mim: seu abraço foi sincero; seu beijo, sua entrega. Tudo que eu sentia entre nós era saudade e desejo.
Talvez tenha sido bom nĂŁo saber que era uma despedida porque nenhum traço de incerteza ou medo manchou nosso reencontro. O Ășltimo.
Parecia surreal vĂȘ-la ao meu lado depois de tanto tempo, acordar sentindo seu cheiro.
Mas quando despertou seu olhar estava totalmente diferente do da noite anterior.
- Me convidaram para estender o projeto.
Sua voz saiu calma mas evitou me olhar quando disse. Tomei mais um pouco do café me permitindo pensar a respeito do que acabei de ouvir.
- Quanto tempo?
- TrĂȘs anos, inicialmente.
Senti o  knockdown na hora: duvido muito que seu salĂĄrio fosse o suficiente para nos manter atĂ© que eu me estabelecesse em um paĂs no qual nĂŁo sabia nada do idioma, ainda mais tendo uma profissĂŁo burocrĂĄtica e dificilmente atrativa fora daqui.
E o frio na barriga se alastrou pelo corpo todo quando percebi que seus planos nĂŁo me incluĂam mais. Foi difĂcil colocar para fora a pergunta que selaria nosso destino.
- Aceitou?
Os olhos dela estavam vermelhos e só balançou a cabeça afirmativamente.
Mais para mim do que para ela, repeti uma frase que se tornou um mantra em minha boca desde que foi embora a primeira vez.
- Vai dar tudo certoâŠ
Ela concordou e se aninhou no meu abraço, e não tocamos mais no assunto o resto do dia.
Ela passou duas semanas comigo antes de embarcar de novo; esperamos ainda nove meses de desencontros para nos convencer que precisåvamos ter coragem de seguir separados. De formalizar uma separação que jå era fato.
- O que faço com suas coisas?
- Pode doar? Ou posso pedir para meu irmĂŁo buscarâŠ
Trocamos nosso Ășltimo adeus.
Desligou a ligação e fiquei segundos inteiros olhando para a tela, tentando entender como reestruturar minha vida fora dessa relação que foi morrendo de forma tão sutil que quando menos percebi jå estava apodrecida.
Levantei e fui até o armårio do banheiro tirar o pouco dela que ainda restava e jogar no lixo.
No guarda-roupa, dezenas de peças que atestavam nosso cotidiano juntos e agora eram apenas um amontoado de panos; um vestido pendurado junto a uma camisa social minha e que lembrou da noite em que fugimos de uma festa para poder vir para casa fazer nossa própria comemoração, a jaqueta que ela gostava de usar e dizia combinar com meus olhos.
Passei a colocar coisas minhas na caixa: o par de canecas que usĂĄvamos para tomar chĂĄ nos dias frios; o livro que me deu e se tornaria insuportĂĄvel ler: a dedicatĂłria tinha um âpara sempreâ que agora sĂł me machucaria.
O abajur que insistiu em comprar mesmo nunca usando, as plantas jĂĄ mortas que sĂł ela que cuidava.
Seu perfume foi o mais difĂcil de me desprender: em muitas das noites mais difĂceis dormi sentindo seu cheiro.
Tantas coisas que compunham o nĂłs que jĂĄ nĂŁo existia.
Desci do apartamento e coloquei as caixas no carro. Dirigi atĂ© o primeiro abrigo onde poderia deixĂĄ-las e voltei para casa me sentindo vazio de tantos anos subitamente roubados de mimâŠ
Pedi uma pizza e cerveja e escolhi uma série qualquer para ocupar minha mente e não precisar pensar que ela não fazia mais parte da minha vida.
E entĂŁo percebi que era exatamente o que vinha fazendo hĂĄ mais de um ano e todo o peso desse tĂ©rmino arrastado que parcelamos em tantos meses dolorosos me atingiu de uma Ășnica vez.
E cobrou juros.
A sorte de ter esquecido que escrevi isso skakskaksksksk
NĂŁo consigo sentir saudade de forma abstrata. Sinto falta do cheiro dela, da pele dela, do toque, do gosto, do sexo, nĂŁo consigo esquecer e cada maldito minuto do dia Ă© essa merda.
Ă difĂcil te ver pisar no freio em uma histĂłria que hĂĄ tempos quero acelerar. AtĂ© entendo do que tanto se preserva, quais sĂŁo os senĂ”es que te tiram da reta, fazem recuar; sĂł que nĂŁo tenho como aplainar a estrada, tirar os obstĂĄculos, sumir com outros carros, interromper a chuva. No mĂĄximo posso ajudar no caminho, dividir a direção e melhorar as placas. Aceito atĂ© bem que prefira a distĂąncia sempre que precisa parar pra pensar; meu problema Ă© sĂł o motivo, o que tanto falta para confiar que quero mesmo viajar contigo, jĂĄ estou envolvido, nĂŁo vou desembarcar. Sempre que estĂĄ perto Ă© tĂŁo simples, vocĂȘ mesma diz que os problemas sĂł aparecem ao se afastar. EntĂŁo nĂŁo Ă© mais fĂĄcil ficar do meu lado, aceitar de uma vez que nĂŁo faz sentido teimar? Sua cabeça dura reluta, distorce a lĂłgica, te faz recusar, sĂł que nĂŁo consegue alinhar outras partes porque acaba sempre voltando pra cĂĄ. E Ă© sempre Ăłtimo, a gente combina, faz bem um pro outro, faz bem um com o outro e Ă© o momento onde nunca tem briga. SĂł quero que volte de vez pra minha vida, reine alĂ©m do meu quarto, ocupe meu mundo, aceite ficar.

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ĂŽ saudade de dormir com a infeliz
Ă surreal a falta que sinto dela e o tesĂŁo absurdo resultante disso. Ăs vezes atĂ© mesmo me pergunto se Ă© normal ou minimamente saudĂĄvel.
O inferno Ă© que ela grĂĄvida mexeu comigo e me fez pensar como seria se fosse meu, se fosse eu.
Philia 5
Tanto fez que trocou a estação,
despertou a atenção que queria,
passou dos limites, Ă© inĂștil negar
que vocĂȘ virou minha fantasia
e por mais que eu resista invadiu
meu sistema, me fez imaginar
como seria se vocĂȘ fosse minha
se além da amizade eu tomasse
teu corpo, virasse a cabeça e
fizesse pra sempre lembrar
que nĂŁo foi boa ideia mexer com
o que tinha espaço tão certo,
emoção tão perene e segura.
Começo a odiar o seu jogo, abandono
a partida que no fim nunca quis jogar
E mesmo que nĂłs dois percamos
nĂŁo consigo lidar com a ideia que no fim
eu perdi muito mais.
Se nutre de minha seiva e sorri ao me ver dominado A boca abandona minha pele, peço "Faz seu show" e ela brilha, espalha as pernas pela cama, abertas.
As rosas contornam sua coxa dentro se abre em pĂ©talas molhadas; rosas? Do deserto, roxa escura; orquĂdea? Tantas cores, sabores prometidos que desejo.
Seus dedos dançam sob a chuva, brincam se movem ao som dos seus gemidos, lindos; E admiro enquanto orquestra seu prazer.
"Posso?" ela permite; ajoelho, agarro suas coxas bebo toda, sigo a correnteza que ensina para a minha lĂngua atĂ© eu aprender a navegar com a boca.
EnraĂzo em seu corpo, solo fĂ©rtil de tantos prazeres tantos versos; suas unhas aram minhas costas; Grita? Quero saber tanto, sentir mais...
Geme em meu ouvido uma melodia sussurrada, rouca Imploro: "Monta"; viro palco e minha musa dança em mim até desabrochar.

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If love had a song...
Nude Reclining In A Hammock, obra do italiano Antonio Frilli em mĂĄrmore.
à péssimo como um espaço em que eu gostava tanto de escrever e reunir minhas subjetividades acabou estragado porque cai na besteira de falar com algumas pessoas e agora simplesmente me sinto exposto quando vou escrever e acabo não postando. Que merda.

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As vezes me sinto um pouco obsessivo até, escrever é uma forma de canalizar esses impulsos de forma mais produtiva e até mesmo falar dela mesmo que os leitores pensem que estão falando de uma história genérica.
Gabriela
Fantasio com seu cheiro
canela, chocolate?
suas cores, matizes
cravo, anis estrelado
no céu da sua boca
seus sabores molhados
mel, cardamomo incende,
melaço; pensei nisso
mais do que posso contar.