Era uma vez no interior do RN
–Bem vindo ao castelo de Castelo Di Bivar! –Falou alegre Marcus aos seus irmãos, tinha prometido fazer um tour no interior do nordeste potiguar, afinal Rio Grande do norte não seria somente praia e mais praia. O garoto apontou para o castelo que se localizava no alto de um morro, tratava-se de uma imitação do estilo renascentista francês construído por um morador da região no ano de 1984, em homenagem a um filme (El Cid).
– No meio… Do sertão você construí um castelo? O que devo dizer? Parabéns! – Falou José de Nassau em um tom provocador e batendo palmas.
–O que foi? Ele é bonito e é uma das atrações da região! –Rosnou o menor.
–Não tem outras atrações no meio da caatinga, macho… A não ser pegar insolação! Arrégua! Esqueci o protetor solar! –Reclamou Ceará.
–Bem… Sem contar que eu soube que a obra ainda está inacabada…- Disse André lendo o guia turístico –Sem falar que é uma propriedade particular…
Marcus range os dentes… Ele tinha organizado aquela viagem, feito reservas, organizado o roteiro turístico e agora aqueles três reclamavam?!
–Eu achei bonito…-Tentou amenizar o clima Alagoas –Dizem que filmaram um filme aqui…”O homem que desafio o diabo”, se não me engano!
–Isso mesmo! – Concordou Marcus sorrindo para o irmão que o correspondeu o sorriso.
–Bem, se é um castelo, necessita-se de uma princesa! –Falou José ainda provocando ganhando olhares mortais de Marcus.
–Eu não vou ser princesa de nenhum castelo! Por que tem que ser princesa? Por que não posso ser príncipe? Ou melhor, rei! – Disse orgulhoso estufando o peito.
–Véi …Não te vejo nunca como um rei! Mas uma princesa? Pronta para ser salva por seu cavaleiro! – Dramatizou o estado do Ceará.
–Seus idiotas! –Rosnou o estado potiguar se controlando para não atacar os seus irmãos ali mesmo no meio da caatinga.
–Isso é meio nostálgico…Não é? –Sorriu Lucas para os irmãos que o encaram e logo entenderam o que ele quis dizer.
–Vamos brincar! –Falou o pequeno Marcus para seus irmãos que estavam observando o mar perto das pedras.
– Vamos! Não tem nada para fazer! –Concordou Lucas que recolhia conchas na areia.
– Podemos brincar de… Já sei! –Diz Antônio já expondo um sorriso brincalhão –De jogar agua nos baixinhos!
–N-não! Isso não tem graça! – Choramingou os menores que corriam fugindo do irmão que jogava água do mar neles, mas nem todos os baixinhos fugiram, havia um que se pois diante de Antônio…
–Já chega deste brincadeira idiota! –Disse André dando um chute no maior e o derrubando no chão.
–Ai! Droga! André! Isso doí! –Resmungou –Vai me pagar…
–Nada de brigas! –Choramingou Lucas.
–Já sei o que vamos brincar…De Monarquia! –Interrompeu Marcus.
–Monarquia? Que brincadeira mais idiota…- Resmungou José.
–Não é idiota! Vai ser divertido! Seremos tal como o tio Afonso e o Tio Francis que vem nos visitar! –Disse o menor excitado com a brincadeira.
–Grande coisa…-Deu os ombros com desdém.
–Eu serei o rei! –Falou Antônio não ligando para o que os outros diziam, sentando no alto de uma pedra – Agora vocês terão que me obedecer! Cortem os paus-brasis! Plantem cana! E ainda massagem meus pés! –Levantou o pé sujo para os irmãos.
–Eca…Antônio! –Choramingou Lucas tirando aquele pé de perto de si.
–Eu que devia ser o rei! –Falou José –Sou o mais inteligente…
–E eu pensei que não queria brincar…-Provocou André –E por que eu não posso ser o rei?
–E eu? –Falou meio tímido Lucas.
–Eu que tive a ideia! Eu que vou ser o rei! – Falou Marcus levanto a mão para chamar a atenção.
Todos se viraram e o encaram, o menor não estava gostando nada daqueles olhares.
–Você será a princesa!! –Falou Antônio como se exprimisse a ideia de todos, Marcus corou de vergonha e raiva.
–Eu não vou ser a princesa! Por que não posso ser o príncipe ou o rei? –Ralhou irritado.
–Não conseguimos te ver de outra maneira…Minha Lady…-Nisso José se ajoelha e toma a mão do menor e a beija, deixado Marcus agora corado de embaraço.
–Ei! Eu também quero beijar a mão da princesa! –Choramingou Antônio.
–Eu já disse que não vou ser a princesa e…- Nem aditou falar pois sua outra mão já foi beijada pelo o outro.
–Seus idiotas! – Rosnou, José e Antônio não perderam o tempo e começaram a correr sendo seguidos pelo o pequeno Marcus furioso.
André e Lucas observam tudo contendo os risos.
– Desde aquela época…Você já era uma princesa! –Enfatizou José se lembrando da brincadeira da infância.
–Já imagino o Marcus com um vestidinho…- Sonhou alto Antônio –Com direito a calcinha e tudo mais!
–S-seu…G-grandes…I-idiotas! –Rangeu os dentes, não contendo mais a raiva e correndo atrás dos dois irmãos que já tinham previsto o seu movimento e já corriam.
–Isso é realmente nostálgico… –Concordou André ao ver o trio correndo pelo a caatinga. Lucas concordou em silêncio contendo o riso.