2001: Odisseia no Espaço de Arthur C. Clarke
É muito curioso, este livro consegue ter um enredo quase igual ao filme, mas ser tão diferente em espírito como água e azeite. Kubrick gosta de deixar as imagens falar por si, de deixar as situações manterem o seu enigma. Ora Clarke não é assim, ele gosta de explicar. De explicar como funciona qualquer nave, antena ou base espacial, como é a comida, a gravidade ou as casas de banho(?!), e isto vezes e vezes repetidas. Durante a maior parte do livro questionei-me algumas vezes se ele teria sido mais do que um conselheiro técnico neste projecto. Mas chegamos ao último terço e as coisas alteram-se. A partir do momento que em que Dave Bowman se encontra sozinho e aproximando-se de Saturno vemos outra faceta de Clarke. Pode-se dizer que para Clarke encontrar alienígenas ultra-inteligentes equivale uma experiência religiosa. O relato poderia ser perfeitamente sobre experiências post mortem e de modo ultra-convincente! Pena muito do livro ser tão penoso até aí senão seria uma obra-prima autêntica.
















