Helena apenas retribuiu à reclamação de Agatha com um leve aceno. Não perdeu tempo se questionando se tal afirmação podia ser uma crítica a ela, pois por mais que trocassem farpas, o respeito que cultivavam uma pela outra na liderança da ZBZ não podia ser negado. Preferiu continuar sua missão, concentrada no que deviam fazer para não ceder lugar ao nervosismo. Odiava perder tão cedo o controle de algo que estava até então completamente em suas mãos. “Eu não discordaria de você nessa questão.” Retribui ao suspiro da morena. “Thalia é inigualável para organizar uma festa épica, mas nós deveríamos ter poder de veto sobre a lista de presença na próxima vez. Há rostos aqui que não sei se já tinha visto na Godness até essa noite, além de muitos que eu preferia não conhecer.” A Singer jamais escondera sua preferência por um certo tipo de pessoas para conviver, o que deixava ainda mais evidente ao se tratar de ocasiões que envolviam o nome de suas irmãs. Mantê-las no topo era sua absoluta prioridade, a qualquer custo. Por mais que já as esperasse, as palavras da Collins foram reconfortantes. Se tinha que se infiltrar na parte mais sombria do labirinto enquanto deveria receber seus convidados ou simplesmente aproveitar o baile, que o fizesse em companhia de alguém à sua altura, igualmente preocupada e decepcionada com a necessidade imediata de remediar os danos.
Concordou internamente com cada sugestão de Agatha, as mesmas que já tinha considerado. O raciocínio tão próximo de ambas no assunto lhe trouxe um leve sorriso, apesar da ansiedade para terminar logo aquilo. “Sim, tenho três números, mas um só está disponível em horário comercial, o chefe deles está ocupado - não quero nem imaginar com o que - e o terceiro não me atende. Quero muito descobrir o que diabos esse último está fazendo que o impede de ouvir o chamado. De qualquer forma, não me surpreenderia que o sinal tivesse parado aqui dentro.” Apontou para as paredes altas ao seu redor. Já tinham previsto tal possibilidade, mas decidiram que valia o custo. Não estava em suas prioridades precisar contactar alguém o tempo todo enquanto estivesse lá dentro, fora a aura extra de risco que fornecia ao local, mesmo que os celulares funcionassem ali em alguns momentos. Podia ser irritante, mas não compensava repensar toda a ideia apenas por isso. Todas aquelas considerações a faziam andar mais e mais rápido, parcialmente movida pela frustração de tantos detalhes inadequados se juntarem contra elas. Muitos deles estavam em sua lista de possíveis falhas com as quais lidar, quando concluíram a organização da festa, mas não imaginavam que tudo pudesse se unir tão facilmente. As exigências das Zeta precisariam subir mais um nível antes de um novo baile.
Nesse momento, o caminhar firme de Helena foi interrompido por um objeto que saltou diante de si, saído da parede ao lado. Sempre com a mente à frente de seus pés, a cada minuto invocando imagens da próxima parte do caminho, se permitiu distrair do local presente. Esqueceu completamente a discreta armadilha daquela área. Só um galho solto que era lançado quando algum desavisado pisasse em outro ponto logo atrás, mas foi o suficiente para assustá-la. Deu dois passos em falso para trás, quase um pulo, o que a colocou muito próxima de sua companhia. Ao se recuperar e perceber a futilidade da interrupção, notou sua mão esquerda agarrada ao pulso de Agatha com firmeza, e se afastou de imediato. Recomposta, ajeitou o detalhe do vestido que se virara e riu nervosa. “Perdão, me concentrei tanto em chegar ao obstáculo que não me lembrei de algo tão bobo, acredita?” Explicou, com um sorriso amigável para a morena. Não estavam mais em contato direito, mas a proximidade ainda era considerável. “Vamos, pelo menos isso indica que já estamos bem perto.” Completou, com um gesto para o local atrás de si, um dos últimos detalhes antes de seu alvo. Prosseguiu, sem se permitir reparar quanta distância preservavam entre si. Tinham andado mais rápido do que notou, em meio a todos os devaneios, e agora estava extremamente ciente da pequena largura daqueles últimos corredores. De fato, viraram à direita uma vez e apenas mais uma à esquerda quando seu avanço foi interrompido bruscamente pelo que procuravam. Parou bem diante da passagem impedida, incrédula. Alguém tinha agido propositalmente ali, não era possível. A região logo à frente de seus pés tinha entulho até a altura de sua cintura. “Não é possível, teremos que procur...” Antes que terminasse sua reclamação, porém, foi cortada por um ruído alto logo atrás de si.