dimitribeau.
“muito engraçado.” revirou os olhos, fechando a cara. arrependeu-se de tocar no assunto na hora. estaria mentindo se dissesse que não havia pensado muito nos acontecimentos daquele dia. quando chegou em casa, sua cama parecia não querer acolher ele e seus pensamentos viajaram por horas até o encontro de hugo. era irritante e desconcertante. achou que pelo menos não teria que aguentar o francês por alguns dias, pois não era muito otimista. porém, nem todo pessimismo que ele tinha no corpo poderia imaginar a situação de ter o outro dentro de sua própria casa. e ainda ser exigido que fossem produtivos. “não sei. no teto não é um bom lugar para destruir elas.” dimitri deitou-se na cama, enquadrando o teto com os dedos. “talvez se eu tivesse uma arma.” disse, fingindo repentino entusiasmo. “planejando como poderia acabar com a sua vida.” brincou, mas logo caiu na risada com a idiotice daquilo. risada de verdade. não sorrisos falsos e risos de deboche. estava genuinamente rindo de si mesmo. deixou-se levar pela brincadeira e o falso sentimento de conforto perto do outro. o modo desleixado que havia adotado por míseros segundos fez dimitri se assustar. e tão rápido como caiu no riso, deixou ele ir embora lentamente. pegando o telefone de novo e fingindo analisar as obras que aparecer na tela, porém seu cérebro estava longe dali. um zumbido pareceu ensurdecer ele até o momento que escutou as palavras de hugo. muito bonito. mesmo com o xingamento vindo logo a seguir, o russo ficou sem jeito com a simples menção de um elogio. “você acha que demônio é um xingamento?” atuando muito bem, dimitri escondeu cada instinto que ele teve e voltou a ostentar seu sorriso de falso. “se for um tipo o tom ellis, hey, eu agradeço.” nem assistia a série, mas sabia que o ator que fazia o papel de lúcifer era considerado muito bonito. agora, mas calmo e longe de ter outra recaída daquelas, dimitri chegou um pouco mais perto de hugo e estendeu a obra wheat fields with cypresses, de van gogh. “seus olhos… são bem mais claros que starry night. combinam mais com esse céu.” apontou para obra enquanto falava. tantas vezes que encarou e perdeu sua sanidade naqueles olhos serviriam de algo, pelo menos. quis decifrá-los tantas e tantas vezes. em momentos de raiva e em momentos de questionamentos, mas talvez eles fossem o único tipo de arte que dimitri jamais entenderá.
&. ━━ ❛ novamente a negação de dimitri não deveria incomodá-lo tanto, porém incomodava. achar que era o único afetado pelos últimos encontros o incomodava de maneira que achava que estava enlouquecendo. era dimitri ali. uma das pessoas que mais odiava. por que diabos estava pensando nele daquela forma durante uma discussão? e mesmo após estarem separados. quase não conseguiu se concentrar no jogo naquele dia por ter ficado preso naquele momento curioso. olhou assustado e confuso para o russo, vendo como ele parecia entretido e animado com o que dizia, por mais perturbador que fosse. porém qualquer medo se esvaiu quando dimitri explodiu em uma risada, arrancando uma expressão surpresa de hugo que não soube o que dizer, apenas observando aquilo e, mesmo sem perceber, guardando em sua memória. quando ele parou piscou algumas vezes, algo indecifrável em seu rosto. “ não sabia que você conseguia rir assim. ” soltou sem notar, então desviou o olhar para o caderno, incomodado com algo. com ele mesmo. mordiscou o lábio inferior, se acalmando. “ sei que não é, mas não acho educado xingar alguém na casa da pessoa. ” deu de ombros, soltando então uma risada em uma lufada de ar com o comentário dele. revirou os olhos em divertimento. “ não estou te elogiando. não se empolgue. ” se contradizia, porém fingiria não perceber. a aproximação do russo não era esperada a primeira reação de hugo foi chegar um tanto para o lado, só se acalmando quando notou a intenção dele. não fazia ideia do que tinha passado por seu inconsciente para agir daquela forma, seu rosto queimando tirando sua atenção de tal. não esperava que ele notasse diferença entre os tons e seus olhos, encarando o outro enquanto escondia sua surpresa. então se pegou encarando os olhos dele, tão claros que lhe lembravam o oceano. e hugo afundava cada vez mais naquele azul. “ ah... os seus olhos também combinam... com esse quadro. ” umedeceu os lábios com a língua, encarando o celular do rapaz novamente. sentia-se cada vez mais estranho. “ podemos usar esse. é um bom quadro. ”












