Existia uma facilidade; algo como um dom que o garoto tinha com eletrônicos, tanto que resultou em uma paixão por ciências computacionais, código binário e eletrônica em geral. Sua mente trabalhava e trabalha de uma forma absurdamente rápida, desde muito novo consegue aprender o que quer que lhe ensine com mais praticidade que um ser humano normal, possui uma memória quase fotográfica e ele estava ciente de sua inteligência. Não se chamava de sábio, mas jamais chegou a duvidar de sua capacidade e/ou potencial na área de informática.
Bom, ele não tinha chegado a questionar suas habilidades até encontrar o verdadeiro desafio, o mistério por trás das ameaças, da falsa morte de eloise, e o pior pesadelo de Héktor era saber que não era capaz de hackear a pessoa por trás de tudo isso e descobrir com tanta facilidade como fazia das outras vezes. As inúmeras tentativas frustradas, deixavam-no insatisfeito, e quase nulas as vezes que tinha êxito, êxito esse que durava no máximo um minuto. Ele não sabia como o maldito conseguia se safar com tanta ligeireza, ele não aceitaria jamais que o outro era de alguma forma melhor que ele. Era simplesmente impossível para que aquilo entrasse na mente do Mandrapilias. De certa forma ele se sentia responsável por solucionar o caso, talvez, somente talvez, se ele não tivesse descoberto sobre a festa e explanado, as coisas não estariam assim hoje.
A parede do quarto de Héktor estava repleta de papéis, cada um com informações dos acontecimentos, quase como um diário. Relatos dos pontos mais importantes nos post-it vermelhos. Era um mapa mental para que ele não fosse capaz de esquecer qualquer mínimo detalhe, ele não poderia deixar passar nada, tudo era importante e por muitas vezes se sentiu incrivelmente próximo da resposta, da solução; tornou-se mais uma frustração para o rapaz da mente brilhante e QI invejável. Tinha que ter algo faltando, algo que ele deixou passar sem querer, um fato importante que ele não viu o valor, mas o que era? Independente do que fosse, não o impediria de desvendar, pelo menos, uma parte importante daquele caso que vinha deixando todos nos nervos. O celular vibrando no bolso da bermuda, indicava a chegada de uma nova notificação; uma nova mensagem, de um número desconhecido foi a que apareceu diante da tela do dispositivo, assim que o garoto pôs a mão no aparelho e o levou próximo de sua face. Seus olhos levemente saltados diante das palavras escritas ali.
[📱desconhecido às 21:22]; Olá, Héktor.
[📱desconhecido às 21:23]; O que acha de mudar de lado? Eu vejo muito potencial em você, no que poderíamos fazer juntos. Um talentoso hacker merece o devido reconhecimento, não acha?
[📱desconhecido às 21:24]; Você ganharia muito mais comigo, na verdade; você não tem nada a perder e nem eu. Espero ansiosamente sua resposta.
[📱desconhecido às 21:24]; Do seu, talvez, futuro amigo, -E.
Héktor estava intrigado, o suficiente para correr para seu computador e começar a fazer seu trabalho. Ele iria descobrir o número desconhecido e automaticamente de onde a mensagem tinha sido enviada. E, para alguém com tamanha facilidade e conhecimento no campo, não demorou muito a conseguir sua resposta. De alguma forma, não conseguiu o local exato - mesmo sendo sua intenção principal -, ele conseguiu uma nova pista. Uma descoberta que poderia mudar totalmente algumas de suas teorias. A mensagem não havia sido enviada de Cannes, e aquilo levou-lhe a pensar que nenhuma das outras tinham sido enviadas da cidade. Logo, decidindo em sua mente que o -E não estava em um lugar próximo, ele não fazia parte da cidade e se uma vez fez, foi muito provavelmente antes disso tudo começar.