“Ah claro, David.” Usou de seu sotaque inglês para sibilar o nome do outro. Com os anos divididos entre Londres e San Diego, a norueguesa conseguia facilmente forçar ambos sotaques. “Nome pomposo para um cara com cabelo rosa. Inclusive, ficou bom.” Apontou para a cabeça do outro. “Foi de bom coração sim, tudo bem? Eu sou uma ótima pessoa e está melhor que vários outros copos por ai.” Pegando o copo da mão dele, bebeu um gole. “E eu não preciso me livrar porque não é um vício.” Acabou tornando a expressão mais séria ao ouvir o outro falar sobre os pais. Deveria ter previsto que o problema naquela noite seria tal. “Yeah, isso me faz lembrar porque a gente combinava. Pais ruins e tudo mais.” Disse fazendo uma careta, arrependendo-se um pouco de dizer aquilo depois. “Quer dizer, sinto muito pelos seus, seja não o que aprontaram dessa vez.” Um projeto de sorriso saiu desajeitado antes que ela baixasse os olhos do rosto alheio. “Bela roupa, by the way. Todo esse estilo combina mesmo com você.”
“Qual é Margot, não faz esse sotaque.” Fechou um olho em uma careta, franzindo o rosto, como se sentisse dor. O sotaque da garota sempre lhe atingira, algo que ele diria ser um ponto fraco ou algo parecido. “Por isso que tem que me chamar de Baz e não de Sebastian, parece que eu tenho setenta anos, não sou legal e tenho cabelo rosa.” Desconversou quanto o elogio, esfregando o cabelo sem ligar se ficou desarrumado. “Uhum, é uma ótima pessoa mesmo.” Por mais que concordasse, usou de um tom de pouca crença, pra manter a brincadeira. “Pensei que tinha me dado.” Mesmo reclamando, deixou que ela tomasse a bebida porque não faria questão, até porque o copo era dela. “Então era só por isso que a gente combinava?” Cruzou os braços contra o corpo e encurvou-se como fazia quando estava nervoso, preferindo olhar o resto dos convidados enquanto era sincero. Acabou dando de ombros, como se não se importasse com eles, mas se importava e muito. “Tanto faz, todo natal é a mesma coisa, eu esperar que... Sabe? Desde os seis eu quero o patinete da Barbie, doze anos e nada.” Até tentou, mas no fim preferiu fazer piada do que se aprofundar no que estava sentindo, no fundo, Margot conviveu com sua família, ou melhor, pouco conviveu, dava pra ligar os pontos da pouca presença dos pais até em festividades. Se não, também não queria falar de como se sentia vendo aquelas famílias ali. “É o que dizem, você não é um punk de verdade até usar saias como os escoceses.”