Nickel:
Ostentar privilégios pode causar inveja e foi assim com você. Nasceu em berço de ouro, as melhores roupas, os melhores relógios, tudo do melhor sempre. Você esbanjava sua fortuna pelas ruas londrinas. Aos poucos você foi se perdendo, o mundo das apostas o ganhou e você se tornou um problema para a sua família. No entanto, seu nome e seu status nunca perderam o valor. Talvez você gastasse tanto dinheiro para esquecer que seu pai o odiava por não ser o primogênito perfeito que ele queria. Nunca quis ser comum, sempre quis o extraordinário. Será que os privilégios seriam eternos? Seu pai está a beira da morte, a responsabilidade bate a sua porta com urgência, cobrando uma responsabilidade que você nunca teve. Chegou a hora de mudar? Ou deveria jogar tudo para o alto? Quem você quer ser afinal?
Grim Reaper
♕ Nome do Skeleton: Nickel
♕ Nome do personagem: Griffith Montague Torquhil Price
♕ Idade: 29 anos
♕ Label: the supernova
♕ Local de nascimento: Sussex, Londres
♕ FC: Ben Barnes
♕ Headcannon:
Há quem diga ser uma história muito difícil de contar. Uma colcha de retalhos debaixo da costura incessante de uma velha mal-humorada. Outros garantem ser uma viagem única e sem precedentes, cheia de reviravoltas e itens preciosos? Eu? Não tenho nada a dizer além de uma única frase: desgraça vem sempre em três.
A primeira desgraça: Toda criança nasce chamada de bênção. Uma criaturinha perfeita em nome de Deus e em frente aos homens, com o potencial de dominar o mundo e derrubar montanhas. Um homem? O primeiro varão de uma família cujo histórico era recheado de mulheres? Deveria ser comemorado com festas, uma semana inteira dedicada à felicidade dos pais. Então por que o Marquês Price parecia tão descontente ao segurar o filho pela primeira vez? O que tinha no rosto da criança, que nem chorava, para causar tamanho desconforto? Os amigos e familiares davam os parabéns, a mãe em prantos de felicidade, e o Marquês se fechava cada vez mais. O mistério se prologando na infância e adolescência. A incógnita no rosto do filho quando percebia as irmãs nascendo e ganhando mais do que ele jamais tinha visto na vida. A mãe, responsável por tudo, buscou ajuda dos grandes homens do seu lado da família. Griffith não ficou abandonado, esbanjando tudo do melhor e mais caro, só faltando o carinho e atenção de um pai que não lhe dirigia a palavra. Talvez seja porque sou parecido demais com mamãe. O histórico no internato era perfeito, o comportamento exemplar. E naquele último ano voltaria para casa formado e com recomendações para a excelência da universidade.
A segunda desgraça: As irmãs estavam reunidas para receber o irmão ausente, a mãe com um sorriso de orelha a orelha. Depois de beijos e abraços, de risos sufocados pela histeria feminina, Griffith foi ter com o pai no escritório. As mais atrevidas grudaram a orelha na porta maciça de madeira, sob o olhar repreensor (e curioso) da marquesa. Silêncio. Nada. Minutos não se transformaram nem numa hora completa. O trinco rompeu com a força do chute do primogênito, explodindo na bomba sonora ao bater na parede ao lado. Quebrando vasos, destruindo a decoração, derrubando quadros das paredes. O rapaz não chegou a ver as feições do Marquês transformarem a indiferença em fúria, porque estava mais preocupado em dar o tom do primeiro dia do resto dos que estavam por vir. Nessa noite, nessa fatídica noite, a bebida alcoólica virou água. Copos virando jarras, ao ponto de ser expulso das casas requintadas e encontrar uma pocilga que permitisse enfiar a cara embaixo da torneira de um barril de cerveja. Noite após noite, desaparecia nas ruas escuras e amanhecia entregue às portas de casa. A Marquesa colocando moedas brilhantes nas mãos de que o trazia com tamanha discrição. Um briga preencheu o casarão de gritos, envergonhando os dois envolvidos de tal modo que ele partiu para a universidade mais cedo. O pai? Vocês são loucos? Foi com a Marquesa, angustiada pelo caminho que o filho seguia. Péssima ideia, eu digo.
A terceira desgraça: A esperança em vão. A liberdade novamente adquirida, patrocinada pela mesada generosa da marquesa, foi usada da pior maneira possível. E com tanto dinheiro sobrando, porque os bares queriam um Price como cliente, o que poderia fazer além de não resistir aos encantos de um jogo? Coloque qualquer um na frente, dê três segundos e Griffith se torna o especialista. As primeiras rodadas ganhadoras para sustentar a sucessão de derrotas pelo uso descontrolado dos lícitos. Cigarros, copos sempre cheios e mulheres embaixo dos braços. Roupas em desalinho, um deus perdido derrubado dos céus para atormentar a inocente terra. A educação tão batalhada e refinada colocada em vis forma de ludibriar, de irritar e trazer o pior dos oponentes. O que importava era o jogo, o prazer de apostar tudo, ganhar ou perder eram detalhes. A universidade passou-se num borrão, as notas e o diploma conseguidos pelo título e poder da família Prince. Reprovar ou manchar o futuro conselheiro da Realeza? Vocês sãos loucos, de novo? Acho que foi porque esqueci de contar. Prince é uma família antiga, cheia de prestígio, a principal fornecedora de sábios homens e inteligentes pensadores. O nome sempre associado à realeza, de alguma forma. Bem, talvez tenha sido esse infortúnio (sendo muito gentil) que o trouxe correndo para Londres, na residência local da família.
Redenção?: Três desgraças e nada muito dramático, vocês me dizem. É porque eu fui muito bonzinho. Ou fui comprado para não expor todas as peripécias do inocente Griffith. Nunca se sabe. Só o trágico desenrolar da doença do Marquês e fatalidade de seus sintomas, acamando-o de tal forma que cada suspiro podia ser seu último. A família tinha permissão de adentrar no quarto, bem... Nem se fizesse parte da lista seleta, o primogênito passaria da porta. A atmosfera entre ambos tão repulsiva que a tolerância era daquela distância. Estatuesco, os olhos negros brilhando em ódio, porque precisava seguir os costumes e velar por sua saúde. Fazer o papel de Marquês quando queria sair por aí, encher Londres de si, matar a saudade que sua ausência tinha deixado. Oh, essa sobriedade foi grotesca e pontuada com tanto rancor que o rosto ficou deformado, de certo modo, na expressão que era difícil de explicar. Ainda assim, os olhos negros gêmeos, de pai e filho, travavam uma batalha silenciosa e secreta, um desafio para quem desistia primeiro. Me perguntem quem ganhou! Me perguntem! O Marquês! O diabo tinha tudo planejado, a frase saindo prontinha dos lábios moribundos. Acerte o ninho e derrube o pássaro. O dinheiro seria cortado se não garantisse casamento para todas suas irmãs. As joias sumiriam se não assumir o cargo com maestria. O nome lhe seria arrancado, com provas forjadas e mentirosas sobre seu nascimento, se não fosse um homem decente. A Marquesa não poderia saber desse detalhe, era uma promessa, e assim que leu no tal jornalzinho de Lady Whistledown que as vagas estavam abertas, tratou logo de se inscrever nesse pareamento.
Ao ter o questionário em mãos, a tentação de responder levianamente foi enorme. Responder em curtas linhas, menosprezar o máximo, levar aos amigos para responderem juntos. Mas... Assim ele ganhava. A participação tinha que vir do próprio Griffith, de seu punho e convicção. Bem, o sorriso endiabrado e o copo de conhaque e especiarias eram sinais mais do que óbvios do teor de suas intenções.
Agora me vem a pergunta que não quer calar e que estou muito indeciso se deveria contar ou não. O que aconteceu naquela sala de reuniões vai continuar um mistério, não adianta insistir para mim. Mas eu tenho algo que possa aplacar essa curiosidade. Por que o Marquês odeia tanto o filho? O primogênito não fazia questão nenhuma e levantar brindes em vangloria própria. Dizer que era melhor que o falho Marquês, o filho sempre supera o pai, que era mais homem do que ele jamais foi. Egocêntrico e cheio de si, sendo inconveniente para reforçar isso, de que tinha sido colocado nesse mundo para ofuscar o polido e famoso Marquês.
O que Griffith pensaria que tudo o que o Marquês fez foi por isso mesmo... inveja? Ressentimento por trazer ao mundo o seu sucessor, o medo do que poderia se tornar, a raiva por ele ser excelente em tudo. E que seu plano sempre foi empurrá-lo e provocá-lo para o pior, se tornar o pior de si? Ainda bem que o Marquês nunca vai confessar a verdade e a levará consigo para o túmulo, não é mesmo?
♕ Alguma observação?
♕ É acompanhado por oito homens armados, que se revezam em turnos. Não impedem o herdeiro de nada, só garantem sua proteção e o levam para casa ao final da noitada.
♕ Por mais taciturno e revoltado que seja, tem um respeito enorme pelas mulheres de sua família. Somente elas. A ponto de usar a violência para expulsar os pretendentes que a olharem num grau diferente.


















