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Casa dos Hardy, 6:27 p.m.
As madeixas, ainda molhadas após o banho, balançavam sob o toque da brisa a adentrar seu quarto. E aquele ligeiro toque sobre sua pele era o suficiente para distraí-la da tarefa de química — algo não exatamente difícil, verdade fosse dita. Então, quando o celular vibrou ao seu lado, Barbie sequer hesitou ao checar as mensagens. O sorriso alargou-se ao dar-se conta de quem era seu remetente, este sempre capaz de trazê-la um sentimento de calmaria e divertimento. Naquele dia, contudo, foi a surpresa que arremeteu-lhe. Ele estava do lado de fora de sua casa, aguardando-a. A única outra vez em que tivera a oportunidade de vê-lo de perto daquela maneira fora na festa de Halloween, algumas semanas antes. E agora ele estava ali. Não é preciso dizer que Barbara desceu as escadas de casa correndo, chegando ao portão para encontrar @grdnr-chrxs.
A pintura parecia gritar no canto do quarto toda vez que os olhos de Christopher batiam sobre a mesma e a lembrança da promessa que havia feito de entrega-la a quem havia sido sua musa e também era dona do quadro. Não era nada grande, a tela, como muitas outras por ali, era um pouco maior que a capa de um caderno. Por isso, deixou de lado o dever, pegou a pintura e entrou em seu jipe. Estacionou há duas quadras da casa dela. Santo Deus, aquela ideia era ridícula, mas ele não conseguia mais aguentar-se. Durante anos a conversa pelas cartas e telefone haviam sido suficiente, mas após o encontro no Halloween, não podia deixar de desejar conversar com ela cara a cara. Ou quase isso. O saco de papel pardo foi cortado as pressas, isso era notado pelos cortes pouco regulares dos olhos. Digitou a mensagem para ela, avisando sua chegada, ainda que não exatamente combinada e esperou que a mesma estivesse em casa. Qualquer um que passasse na rua acharia que se tratava de um louco ou ainda pior. Mas com sorte, Barbie apareceu na porta da frente pouco depois de receber a mensagem. “Ei, acho que fiquei devendo de te entregar isso aqui.” Disse segurando a pintura na altura do peito. O saco de papel na cabeça abafava sua voz e era um pouco sufocante, mas ele ainda era inseguro demais que aquilo acabasse no momento em que se revelasse, por isso aguentaria aquilo tranquilamente. “Espero não ter te atrapalhado em nada. Só pensei que seria legal vir te entregar e quem sabe conversar um pouco enquanto estou com minhas melhores roupas.” Brincou apontando para o corpo, que trajava jeans e camiseta, ainda que ela provavelmente entenderia que se tratava do saco.
















