O sorriso de Laurent se alargou quando ouviu a resposta da outra, surpreso por ela lembrar daquela maldita mensagem e mais surpreso ainda por ela acreditar que ele havia mandado aquilo em um momento sĂŁo quando foi exatamente o contrĂĄrio. â vocĂȘ deve receber poucos elogios, nĂŁo Ă©? para se apegar em um feito por um homem bĂȘbado e completamente fora de sua consciĂȘncia. â achava que era muito difĂcil que Narcisa recebesse poucos elogios, a garota era com certeza uma das mulheres mais bonitas que jĂĄ tinha visto e isso nĂŁo passava despercebido para os demais.Â
Ele ponderou sobre a proposta dela, uma semana sem o incomodo de Narcisa era pouco, muito pouco, mas tambĂ©m estranhamente gostava da dinĂąmica dos dois, era divertido fugir dela e lhe dar boas respostas, mesmo que ela soubesse como lhe retrucar, mas talvez uma semana de folga apĂłs matar um formigĂŁo fosse uma boa folga, o suficiente para Laurent se recuperar de todo o tempo desperdiçado com aquela discussĂŁozinha tola. â feito, eu aceito seus termos, mas vocĂȘ precisa cumprir sua palavra, Narcisa, uma semana sem me incomodar em nenhum momento do dia ou de qualquer forma, isso inclui mĂdias sociais e mensagens, entendido? â completou a aposta com seus termos, afinal, era muito fĂĄcil para que ela passasse uma semana sem lhe procurar pessoalmente, mas entĂŁo ficasse lhe incomodando a distĂąncia.Â
Toda aquela conversa tinha sido interrompida, por um momento ele tinha esquecido o objetivo dos dois no meio da mata e entĂŁo revirou os olhos para o modo como a garota reagiu com sua sugestĂŁo, afinal, ela estava com um chicote, podia muito bem segurar o bicho e deixar Laurent ganhar aquela aposta. Observou enquanto o Myrmeke a atacava, fazendo com que Laurent desse a volta e o atacasse pelo lado, proferindo um ataque com a espada contra a grossa casca do monstro e sentindo ela ricochetear em sua mĂŁo, um simples risco aparecendo no local onde a espada havia atingido. â droga! â xingou baixinho, a ideia de cortar as patas parecia ainda a melhor delas e por isso, o rapaz desferiu o golpe em um arco em direção a pata mais prĂłxima, arrancando-a com o gesto.Â
O barulho que ecoou do Myrmeke foi horroroso, Laurent deveria imaginar a dor que o monstrengo tinha sentido a ter a pata arrancada, mas ele ainda tinha outras cinco, o que significava que ele nĂŁo havia parado de atacar. Tinha acatado a sugestĂŁo de Narcisa e tentava distrair o bicho enquanto ela montava uma armadilha. O momento escolhido pela garota para montar a armadilha tinha sido pĂ©ssimo, mas tudo o que Laurent podia fazer era impedir que a myrmeke a atacasse.Â
NĂŁo demorou muito para ouvir Narcisa chamar sua atenção e do Myrmeke, como um passo de mĂĄgica a formiga preferiu rumar diretamente para a armadilha montada pela garota do que lhe atacar, foi quando Laurent observou o brilho dourado da joia no chĂŁo. Criatura tola que era atraĂda pelo brilho dourado de uma joia. No entanto, aquilo foi o suficiente para que ele se prendesse na armadilha e guinchasse com a surpresa, se debatendo de um lado ao outro pra se soltar. Laurent aproveitou o momento, colocou toda a força que tinha em sua espada e desferiu um golpe certeiro no meio do corpo do myrmeke, o dividindo em dois. Uma meleca amarelo esverdeada sujou a lĂąmina da espada de Dubois e caia da metade do corpo pendurado do monstro. Finalmente eles tinham o derrotado. Â
"Calma aĂ, garotĂŁo, vocĂȘ estava bĂȘbado ou nocauteado?" ela riu, ainda que afetada. Limpou a garganta. "Para o seu governo, recebo elogios o suficiente. Sem falar que as flores de papaverales se fecham na presença de gente feia, e elas nunca fecharam pra mim" empinou o nariz, como se aquilo fosse evidĂȘncia o suficiente. "espera aĂ, a gente ainda nĂŁo combinou o que eu ga... ah, dane-se. Fechado!" gritou ao que ele se afastava, nĂŁo tinha mais tempo para ser implicante. Quem sabe uma folga fosse mesmo bom para ambos, Laurent estava começando a entrar em sua cabeça.
Assim que o animal agitou a pinça na direção do colar, Narcisa, com o pĂ© apoiado na ĂĄrvore, deu um puxĂŁo na corda e essa se fechou nas patas restantes, derrubando-o de costas no chĂŁo com o impacto. Debatia-se irado, parecendo um asqueroso peru de ceia tentando se libertar. Laurent nĂŁo perdeu tempo, abrindo-o em dois com sua espada, e tampouco a Graves, rumando atrĂĄs de seu colar ao fim da cena. "Ew" proferiu, lutando para limpar numa folha qualquer a meleca presa na peça. Passou os dedos grudentos na calça. NĂŁo sabia dizer se estava contente com a vitĂłria da dupla ou decepcionada pela facilidade. Laurent estava intacto, pelos infernos. Deveria ser mesmo um espadachim tĂŁo bom quanto se gabava. Narcisa deliberou em silĂȘncio. Talvez pudesse feri-lo. Fingir descontrole, causar um pequeno incĂȘndio... quem sabe? Ouvira falar que teriam supervisĂŁo, o que significava que o tirariam dali antes que ele morresse, claro, claro. Talvez aquilo fosse estresse o suficiente para transformĂĄ-lo? nĂŁo custava tentar...
"oh, acho que estou... uh... acho que ele me atingiu..." pondo uma mĂŁo sobre o coração dramaticamente, fingindo um mau sĂșbito digno do framboesa de ouro, Narcisa foi cambaleando para trĂĄs e se encostou na ĂĄrvore, hiperventilando, aquecendo-se ao ponto de marcar sua silhueta na madeira. Mas felizmente, para Laurent, o ambiente foi tomado por um barulho que parecia crescer de todos os lados. Cissa se endireitou, acometida por um pensamento tĂmido no começo do dia, mas que agora brilhava neon em seu cĂ©rebro. Formigas nĂŁo andam sozinhas. E, assim, trĂȘs outros myrmekes surgiram da mata, rodeando-os, batendo as pinças num tom que, para ela, parecia bastante vingativo. fodeu, pensou ela, mas somente por uma fração de segundo, era bem verdade que gente como Graves via em tudo uma oportunidade. Seus olhos foram do formigĂŁo partido ao meio para o rapaz. "Devem estar com raiva porque VOCĂ MATOU O AMIGO DELES" encheu os pulmĂ”es para constatar o Ăłbvio, deixando bem claro quem havia dado o golpe, caso eles os entendessem. "Estou... fraca... nĂŁo posso te ajudar..." segredou-lhe com o rosto torcido em dor e uma pequena tosse, e deslizou molenga atĂ© sentar-se no chĂŁo. A mensagem era clara: Te vira!