GIOVANA CORDEIRO – Por Glinda e sua varinha mágica! Olha só se não é NARCISA GRAVES caminhando pelos corredores da torre DOS PESADELOS. Por ser filha de HADES & PERSÉFONE, é previsto que ela deseje seguir caminhos parecidos com o dos pais. Ao menos, é o que se espera de alguém com VINTE E SEIS ANOS, mas primeiro ela precisará concluir o módulo I (mocinhos), para depois se assemelhar como um conto de fadas.
Novo conto: Anya, a Sucuri.
Lírios. Calêndulas. Narcisos. Há quem diga que as flores de cemitério são a prova da estadia de Perséfone no mundo dos mortos. Outra dessas provas é Narcisa, sua prole, gerada e crescida nas cavernas do submundo. Mas durante os seis meses de primavera e verão, cabia apenas a Hades a guarda de seus filhos. Milênios separavam a última dos outros três, e como caçula, tornou-se o centro das atenções do deus, uma distração para o trabalho que tanto odiava.
Fantasmas que cruzavam o Styx eram cheios de histórias interessantes e, nos passeios de balsa junto a Coronte, Narcisa expressava toda a curiosidade pelo mundo de cima. A época era próxima àquela do grande golpe, e quando a vilania ascendeu e Zeus foi destronado e banido, Hades fez da Terra do Nunca sua nova morada; mas se Narcisa pensara que tal regalia seria oferecida a ela, quebrara a cara. Precaução, ele afirmava; Jamais poderiam baixar a guarda, se uma revolta estourasse, sua família estaria mais segura no submundo. Fora isso, precisava de gente de confiança lá em baixo, para manter tudo em ordem. Não importava que a mini deusa tivesse só sete anos. Não importava que não fizesse sentido. A palavra do deus era um ponto final.
Controle. Demorou a compreender que todo o amor de Hades se resumia a posse; que o submundo não era um lar, mas uma prisão. E até mesmo quando conquistara o direito de ir a Tremerra receber seu próprio conto, fora com uma condição: o acompanhamento de Callan. Não fazia mal. Sério, não fazia mesmo. Finalmente emergiria! Qual fora sua surpresa, então, ao assinar o livro dos contos e descobrir que seu destino estava selado ao de Anya, a Sucuri? Que estava fadada a morrer? Pelos Titãs do Tártaro, só podia ser palhaçada!
. Seu conto é um dilema. Antes supostamente imortal, se rói de angustia pela morte iminente, ciente não apenas de que sua liberdade tem prazo de validade, mas que voltará ao submundo como um dos espíritos ao invés da princesa que hoje é. Ao mesmo tempo, uma parte pequenininha de si acha tudo um pouco poético. Anya não possuirá suas memórias, mas ainda assim retornará para a verdadeira família no final da jornada.
. Seu primeiro ano em Tremerra foi também o primeiro em que estivera junto aos vivos, portanto, é sensato dizer que ainda está se adaptando aos novos costumes. Ao mesmo tempo que é sagaz e ligeiramente maquiavélica, sua pouca experiência a torna impressionável e ingênua. Num geral, é uma pessoa animada e pronta para viver, seja lá o que for. Tic tac, prazo de validade! Ela não tem muito tempo a perder.
. Gosta de jardinagem, por ser um dos poucos hobbies que possuía junto à mãe.
. Por segurança (alheia) costuma usar luvas de contenção de poder, que funcionam apenas na área das mãos.
Poderes: CORAÇÃO DE FOGO. Dentro de seu corpo corre sangue tão quente quanto lava, pois no lugar do coração arde uma brasa de fogo infernal. Isso faz a pele de Narcisa resistente a altas temperaturas, além de conferir capacidade de auto combustão, geralmente nas pontas dos dedos. Tem um corpo quente, mas relativamente suportável ao toque; entretanto, quando se descontrola emocionalmente, é comum que calor vaze pelos poros e seu cabelo acenda num azul ciano.
Daemons: Pyhhra, o dragão das sombras. Preta como piche, eclodiu há alguns meses e ainda é de médio porte. Costumava se camuflar em lugares escuros, para o dessossego de Narcisa, e às vezes dormia junto a ela como um pet, mas agora já não cabe mais em sua cama. Está com porte suficiente para montaria, mas ainda tem dificuldades em soltar chamas.
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Sair do portal foi como, literalmente, atravessar para outra dimensão. Instantes atrás, ele admirava as criaturas enquanto Lalotai tagarelava, acreditando servir um bom show para todos. No momento seguinte, sentia seu peito queimar e seus olhos arderem em fúria... Não, não era raiva, era inveja. Olhando para aquelas pessoas pela praia, algumas perdidas, outras em caos, Arkyn não podia deixar de notar o quão livre elas pareciam estar. Claro que a maioria delas estava se estapeando, ou cometendo atos libidinosos em publico, ainda sim, parecia não existir qualquer pudor em suas ações, era invejável quando ele vinha se contendo, ignorando atender seu chamado. Um suspiro correu dos lábios ao fitar a figura de Narcisa, ela sempre tivera tudo não é mesmo? O submundo, as almas perdidas, a diversão em ver dor e agonia. Era tudo isso que ele queria. Não tardou a ir em seu encontro, jogando uma conversa mole, apenas para garantir o que já pensava: por qual motivo ela pensaria naquele Zé ninguém? Admirava seu reflexo, presa e perdida, provavelmente pensando sobre o mesmo que ele, que ela tinha tudo. "Arkyn, na verdade. Mas não me surpreende que não lembre.", mais uma vez, por qual motivo lembraria? A inveja é capaz de cegar mais do que a raiva. "Sim, acabei de sair de lá. Mas não é isso tudo, Lalotai é péssimo anfitrião, eu seria melhor.".
O nome aos ouvidos provocou um vibrar diferente, uma onda de calor e memórias, como se aquela parte saudosa de sua mente brigasse contra o encanto do pecado. ── Ah, sim! Sim, tem razão... ── foi o mais perto que conseguiu de um pedido de desculpas, a expressão se tornando terna enquanto o fitava. Arkyn. Sim, ela lembrava agora. Os beijos, as juras, os passeios. Os olhos verdes se tornaram outra vez nublados. Seu Arkyn. ── Seria? ── Se ele era o melhor, era exatamente isso o que Narcisa queria, o que merecia. ── Melhor até do que eu fui pra você? ── duvidava. Não havia ninguém que conhecesse as maravilhas do Submundo melhor do que ela, que tivesse explorado cada canto, fosse por curiosidade ou por tédio. Julgava saber mais até do que o próprio Hades, cuja afeição ao lugar se assemelhava à de Scar pelo exílio em Shadowland. Mas estavam na superfície, e lá ela quase nada conhecia. Uma realização pareceu atingí-la como um baque. Por que Arkyn não tinha se disposto a mostrá-la tudo no momento em que a reencontrara? Por que parecia sempre tão hesitante em sua presença quando havia terceiros? Seria... vergonha? Dela? Impossível! ── Me mostre ── ordenou, o rosto fechado, a mão estendida para ser tomada. ── O reino de Lalotai, a ilha de Berk, qualquer inferno de lugar. Quero que volte para a festa de mãos dadas comigo ── era praticamente um desafio.
“Ai que horror, Narco” Chamou daquela forma de maneira provocativa, porque eles faziam isso o tempo todo, se provocavam, Henri espirrava as vezes e ficava com os olhos lacrimejavam, as vezes coçavam, mas ele sabia que era só a sua alergia a pólen que sempre carregava com ela quando ficava tempo demais no jardim. “Tem gente que gosta das minhas pernas, ok?” E poderia dizer alguns nomes, ou só um ou dois, mas só diria qualquer coisa se ela perguntasse e esperava que não. “Tive uma pequena reunião familiar, nada que vá destruir a festa de ninguém além da minha” Henri abaixou o tom da voz por um momento, o humor já não estava dos melhores, o que piorava quando pensava no que tinha escutado de seu pai mais cedo. “Talvez porque eu não queira me exibir, ou talvez eu queira me exibir de outra maneira” Falou em um tom maldoso, deixando o significado solto no ar. “E você? Gostando da festa? O seu pai veio também?”
franziu o nariz para o apelido horroroso. ── tenho certeza de que gostam, existe doido pra tudo! ── sorriu de ladinho, recordando-se no ato da carta de amor para gothel interceptada por ela e brynn. narcisa ergueu a sobrancelha, interessada pela tal reunião familiar. aquelas coisas detinham espaço em sua curiosidade mais do que se permitia dar crédito; a comparação de sua família com as dos demais ali em cima. se eram mais amorosos, mais presentes, suas tradições e ritos de passagem. o próprio ato de dar uma festa de aniversário lhe era ligeiramente vago até a presença de mégara em sua rotina, responsável pelo primeiro soprar de velinhas. antes dela, o mundo lá em baixo era meio... morto, apático, monótono demais para uma criança essencialmente agitada. ── uh, veio. e ainda bem que não o viu, está de matar. pra o bem dele, espero que pelos descoloridos sejam mesmo uma moda por aqui ── narcisa rolou os olhos, enfiando-se num cantinho junto a henri, empurrando suas pernas peladas para o lado com um nojo fingido enquanto esboçava riso. ── quanto à festa, é bom estar de volta. senti saudades. até de você ── suas palavras eram sinceras. ── o que houve com seus pais pra te deixar assim? porque, sabe, eu estou tentando te derrubar sem sucesso há meses... adoraria umas dicas ── usou do humor para dar mais leveza a seja lá o que tivesse lhe acontecido, referindo-se àquela competição divertidamente boba que pairava entre ambos.
Se fosse sincero Laurent não esperava aquela reação de Narcisa, pelo contrário, a garota era sempre tão segura de si que assustar-se com ele não parecia algo possível, mas ali estava ela, lhe dando a confirmação quanto ao medo que sentia. Sentiu seu coração bater um pouco mais forte diante da ansiedade que aquilo causava em si, sempre soube que era um monstro, mas não que era capaz de causar temor nas pessoas. " sinto muito. " foi a única coisa que conseguiu dizer, baixando o olhar e desviando dos olhos dela, não queria amedrontá-la, não mais do que ela já estava amedrontada. " não estava puxando uma briga. " respondeu com sinceridade, apenas queria saber os motivos que a levavam a evitá-lo por tanto tempo e agora ele sabia. “ também não quero atrapalhar sua festa. ” ‘ mas você me evitou por uma semana e não teve nada a ver com a aposta. ’ acrescentou mentalmente, mantendo as palavras ecoando em sua cabeça, mas sem proferi-las. Ele evitou continuar a falar, deixando que ela envolvesse seu corpo e levou as mãos até a cintura alheia, deixando que o ritmo da música conduzisse seus passos. " se você deseja assim. " concordou, puxando-a um pouco mais para perto e sentindo o perfume de Narcisa grudar contra seu corpo e suas narinas, estranhamente se sentindo confortável naquela posição.
Tinha a bochecha colada na dele enquanto dançavam, e o mundo parecia mais calmo com os olhos fechados. As pessoas ao redor na pista tinham virado burburinhos indistintos que se misturavam à música, a concentração ajudava também a não perder o compasso, pois possuía pouca familiaridade com danças lentas. Ademais, Laurent era um bom condutor. Sentindo as mãos trazerem-na mais para perto, Narcisa se permitiu enfim relaxar, enterrando os dedos nos fios da nuca, apoiando o queixo em seu ombro, segurando-o contra si. ── Obrigada. ── Disse em resposta. Aquela... vulnerabilidade era incomum e indesejada, mas nem de um todo desagradável. Estava cercada por Laurent, ciente da rigidez macia de sua pele mesmo através da fina camada de vestido azul, e a medida que seus batimentos diminuíam, que se sentia mais e mais confortável, o corpo regulava a temperatura à normalidade. ── Você... Se lembra? ── Indo contra seu próprio pedido, questionou com certa hesitação. Precisava saber. Aquela era a curiosidade restante de toda a experiência: Se alguma parte dele tinha gostado de rasgar-lhe a carne, de provar seu icor. Tinha nascido e crescido no submundo, cercada por demônios e fantasmas; Tinha passado temporadas no Reino de Breu em companhia de Inclementia, divertindo-se com os mais hediondos Pesadelos. Mas ninguém, jamais, havia ousado ferí-la. Ninguém, além de Laurent. O mundo de cima não seguia suas regras, não temia seu pai na quantidade correta, alguns sequer o cultivavam como divindade. Narcisa tinha passado a existência se sentindo acima da vida e da morte, mas cada dia em Tremerra desde o assinar daquele maldito livro mostrava que não, não era. E aquilo, talvez, fosse o que realmente a assustava.
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quando os olhos recaíram sobre a figura da graves, belladonna precisou esforçar-se para que o único sentimento que ficasse em exposição, fosse a alegria por vê-la; isso porque a deixava magoada que outrem tivesse retornado para a academia e nem esforçou-se em procura-la. havia ouvido alguns comentários na festa, mas não havia tido tempo de ir atrás da amiga, tampouco, imaginou que a festa acabaria daquele jeito. parou diante dela, as mãos na cintura para demonstrar sua irritação, embora o semblante fosse passivo e o tom de voz quase afetivo. ‘ como ousa retornar e não me procurar?!
Narcisa estava um caco. Olheiras, cachos mal definidos. Não era sua primeira ressaca, apesar da pouca experiência no mundo da superfície, mas certamente era a mais forte, instalando-se também na moralidade. Sentia-se... errada, de certa forma; como se tivesse cometido gafe atrás de gafe, indiferente às consequências. E tinha. Agora, porém, via-se acometida por uma hiper consciência alheia que chegava a ser desconcertante. Por todo o dia sentira os olhares sobre sua figura, mas, completamente drenada do surto de auto estima, preferiria ser capaz de se juntar às sombras exatamente como Pyhrra. Ao cruzar com Belladonna, entretanto, seu rosto se iluminou. Com ela, a história era diferente. Em carne, ossos e gostosura, caminhava em sua direção o motivo para o comichão da curiosidade sobre a superfície ter nascido numa infante Narcisa. A sua primeiríssima amiga! E ela parecia... deuses, parecia brava? Tentou vasculhar na memória qualquer interação desastrosa com ela durante a festa, não encontrando absolutamente nada, o momentâneo alívio saindo pela culatra assim que a voz da Grimhilde preencheu o corredor. Oh. ── Donna! Eu estava indo fazer isso agorinha mesmo, acredita? ── sua cara lavada não enganava ninguém. Tentou outra vez. ── Ontem a noite foi um pouco... intenso. Acho que perdi um pouco da noção da hora. Da língua. Dos convidados ── soltou um risinho nasal ── Pra ser sincera, acho que eu poderia ter parado a frase no noção ── avaliou-se, e a expressão crítica logo se transformou num tímido sorriso lateral, um silencioso e sincero pedido por desculpas. ── Mas estou tão feliz em te ver! ── Deu um passo a frente e a abraçou com força; um luxo que não tinham na infância. O pensamento trouxe outras recordações (fofocas) à mente. Afastou-se com as mãos em seus ombros, encarando-a. ── Soube que também se machucou na caçada, isso é verdade? Ai, ai, ai, hein! Nada de morrer enquanto eu estiver aqui em cima.
Perdeu o fôlego com a ousadia alheia, ao mesmo tempo que a tristeza parecia tomar conta dela. O que Narcisa tinha que Nemaya não tinha? Passou anos se perguntando se a mãe sequer pensava nela. Agora, tudo era mais claro: ela não a procurava porque já tinha uma filha, que não era ela. Narcisa talvez fosse a filha que ela desejava verdadeiramente, uma vez que Nemaya era a razão pela qual a mãe tinha ido embora. Aquilo apenas confirmava o que Hércules passou anos afirmando: era a culpada pelo desaparecimento de Megara que, naquele nível, parecia ter sido mais uma fuga. Não sabia os motivos de ter voltado para o submundo e ainda para Hades, que havia causado tanto mal na vida dela. Talvez fosse horrível mesmo e Narcisa fosse maravilhosa, o que fazia com que a inveja tomasse ainda mais conta dela. "Isso não pertence a você." Os olhos encheram-se de lágrimas de remorso, uma vez que sentia que a mãe havia sido roubada de si. Megara deveria ser apenas de Nemaya, mas não era o que tinha acontecido. Todo o relacionamento que poderiam ter foi roubado anos atrás, quando a mãe fugiu dela e da família que poderiam ter sido. Não queria ter sido um fardo daquele tamanho. "Não ligo. Continua sendo uma relíquia de família. Não te pertence, Cissa." As mãos, instintivamente, foram para a adaga na coxa. Antes mesmo que pudesse perceber, naquele banheiro, empurrou a outra na parede, a lâmina pressionada contra a garganta alheia. Mesmo que a proximidade deixasse ela um pouco desconcertada, naquele momento só estava cheia pela mágoa do abandono. Queria ser o suficiente. Aproximou o rosto dela, as lágrimas dos olhos ameaçando a sair a qualquer momento. "Me devolva." Foi praticamente um rosnado em direção a Narcisa, desejando aquele colar.
── Tudo me pertence ── Narcisa era oitenta por cento Perséfone, mas os vinte de Hades nunca tinham ficado tão evidentes quanto ali, naquele banheiro. ── Até você me pertence ── olhava para Nemaya de cima, posturada, penetrante, como se não estivesse contra a parede e com uma faca pressionada ao pescoço; como se pudesse lhe enxergar a alma, a qual se referia. Teria achado a coisa toda até que muito sexy, não fosse pelos desaforos. Relíquia de família, ela havia dito. O riso lhe escapou. ── Que família? Eu, em toda a minha bondade, perguntei se ela queria te mandar algum recado, mas sabe o que ela disse? Que não. Que não faria diferença. ── Também não havia sido assim que fantasiara contar a verdade. Nos devaneios de Narcisa, ela e Nemaya teriam uma conversa franca num dos campos da academia, repletas do aroma das mais diversas flores ─ camomilas, especialmente, pois o impacto seria grande ─ e tocaria numa de suas mãos ao confessar saber do paradeiro de sua mãe. Se colocaria disposta a arranjar um encontro antes que ela atravessasse o portal para seu novo conto, mesmo que aquilo fosse dolorosamente contra sua própria palavra, num exacerbado ato da tão bonita compaixão ali em cima descoberta. Estava tão certa de que seria o melhor para Meg, que eventualmente a perdoaria... Mas as preocupações com o bem estar alheio estavam longe, e aquele cenário parecia, mesmo, somente um devaneio, daqueles que se tornam turvos ao despertar. O que era aquela sensação deliciosa que ardia em seu interior? Se antes tinha passado dias hesitante, Graves não tinha mais medo, de nada, de ninguém. Era capaz de sentir o desespero na voz de Nemaya; achava mesmo que poderia feri-la com aquele pedacinho gelado de ferro? Patética. Agarrou-lhe o braço, as palavras calmas, eloquentes, ameaçadoras. ── Me solte agora, ou ficará sem a mão ── seu corpo começou a esquentar.
Havia uma aposta, claro, mas depois de uma semana com Narcisa sumida de sua vista, Laurent não esperava que ela lhe evitasse também na festa. No entanto, era compreensível. Ele não lembrava de muita coisa, mas recordava do momento em que toda a irritação e raiva tomou conta de seu ser e sua consciência desligou. Com o sumiço de Narcisa, ele não sabia o que havia ocorrido no dia do enfrentamento do Myrmeke, sequer sabia se havia machucado a garota, mas tudo levava a crer que sim. Uma pontada de vergonha ainda percorria seu ser e aquela era a oportunidade de colocar os pingos nos is, não fosse a tendência dela a lhe evitar. Estava pronto para responder a provocação alheia quando ela simplesmente lhe deu as costas. Sentiu o corpo dela esquentar sobre seu toque e por um momento temeu que fosse se queimar, seria um bom castigo considerando o que ele pode ter feito com a garota no outro dia. " não consegue me olhar nos olhos, Narcisa? " indagou mesmo já sabendo da resposta. O corpo dela movia-se contra o dele, os dedos entrelaçados aos seus, mas não era esse tipo de contato que ele queria, especialmente quando sentia o coração disparar no peito com ela daquela forma. " eles te assustam tanto assim? " dessa vez a pergunta foi proferida de forma baixa, diretamente no ouvido alheio, deixando que seu hálito tocasse a pele do pescoço da garota. Mais uma vez ele já sabia a resposta, de toda sua transformação a única coisa que restava de Laurent eram os olhos, por isso, ela os evitava.
A indagação certeira dele pegou-lhe desprevenida. ── O que você acha? ── Narcisa parou a dança, virou-se para encará-lo e sustentou o olhar, mesmo que para isso precisasse de respirações mais longas. Seu corpo estava tenso, e não do jeito prazeroso. ── Olha, Laurent, eu não quero brigar, tá bom? Juro, pela primeira vez na vida. Será que a gente podia só aproveitar a festa? ── suplicou-lhe, chamando-o pelo nome correto. Tinham muito o que conversar, mas da parte de Narcisa, não nutria por ele qualquer raiva. Laurent era uma fogueira brilhando na floresta, a qual tinha sido curiosa o suficiente para por a mão e queimara-se. Mas a fogueira não era má por essência, e ela sabia. Nas noites frias, seu calor era um alento confortável, e era esse calor que ela queria agora. Deu um passo a frente, abraçando-se a ele, voltando a dançar num ritmo mais lento. ── Vamos deixar o papo pra amanhã, tudo bem?
Mesmo sem vontade alguma de fazer isso, ergueu o rosto na direção de Narcisa. Seu semblante em nada mudou, mesmo que estivesse ciente do desgosto alheio em vê-la naquele lugar. "Não vi seu nome escrito aqui antes de sentar." Respondeu simplesmente, dando de ombros. A voz também seguia no mesmo tom, já que dava muito trabalho ficar discutindo, então dependeria dela se ofender ou não com Hazal. Não sabia se era a preguiça que a dominava ou simplesmente um traço de sua personalidade se tornando cada vez mais aparente, mas não pretendia mais temer os vilões. "Se me quiser saindo daqui, vai precisar me carregar, porque eu não pretendo mover um músculo, ta bom? Agradeço a atenção."
A audácia de Hazal arrancou de Narcisa uma descrente arfada. ── Ah, não? E se eu escrevê-lo bem na sua testa? ── mirou as unhas stiletto brevemente, todas pintadas de azul, o olhar semicerrado analisando a possibilidade. Não falava sério, mas poderia. ── Não seja por isso, fofinha. Vai sair daí é agora! ── foi para a frente da cadeira e puxou a Charming pelos braços, mas Hazal estava tão relaxada que parecia pesar o dobro! Depois de duas tentativas frustradas, urrando e esperneando, Narcisa endireitou a postura e arrumou o cabelo, ofegante pelo esforço. ── Comeu chumbo, garota? Isso não vai ficar assim! Não vai ficar assim! ── anunciou com o dedo erguido ao se afastar, ultrajada pela falta de educação e hospitalidade daquela mortal. Hazal Charming tinha acabado de entrar em sua lista de inimigos. E que engolisse a cadeira, deveria estar toda suada mesmo!
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Desde o encontro que haviam tido na biblioteca, Narcisa tinha aparecido muito na mente de Brynn. Não fosse ela estar tomada por uma onda de luxúria onde a única coisa que conseguia pensar agora era estar tomando os lábios da Graves nos seus, estaria se perguntando se ela gostaria de explorar a história dos fantasmas da biblioteca consigo. Quem sabe poderiam primeiro se pegar e depois resolver mistérios? Não parecia uma ideia ruim. Decidida, tinha um sorriso travesso no rosto quando se aproximou de Narcisa, a mão encontrando o ombro alheio, acariciando a região para chamar-lhe atenção. ❛ Cissa? ❜ tinha um tom de voz amaciado, seduzente. ❛ Você está muito ocupada ou poderia vir comigo até ali... ❜ apontou para um canto mais afastado, o sorriso tornando-se ladino. ❛ Para que a gente possa fazer o que você quiser, ou o que eu quiser, sem ser atrapalhado por ninguém? Eu prometo que dessa vez não seremos interrompidas por sombras aleatórias, e a única lamúria virá de você, depois que me deixar explorar seu corpo. ❜
Virou-se ante o toque em seu ombro, encontrando primeiro a voz doce e, em seguida, o sorriso que lhe enfeitava o rosto. Brynn parecia... diferente. ── O que eu quiser? ── indagou de sobrancelha bem marcada. Naquele estado, não era necessário muito mais do que a pura bajulação para arrancar de Narcisa um sorriso sincero. A ousadia de Brynn era cativante, e a proposta, muito tentadora. Esboçando um biquinho, seus olhos foram ao canto indicado. ── Será que você é mesmo capaz de me arrancar lamúrias, Red? ── desafiou-lhe, estendendo a mão para que fosse por ela guiada.
Os seios alheios chamavam a atenção de Nemaya, pois era uma parte que invejava muito no corpo alheio. Os olhos dela permaneciam neles, desejando e invejando. Será que eram mais macios que o da filha de Hércules? Provavelmente, o que fazia com que ela desejasse ainda mais tê-los para si. A vida dela seria tão mais fácil com os peitos alheios, balançando por aí, usando todos os tipos de decote. "Parecem naturais mesmo." A voz transbordava ironia, mesmo que fosse a verdade. Odiava que fossem tão bonitos e naturais. Estava prestes a fazer outro comentário quando os olhos voltaram-se para o colar alheio. Naquele momento, o que quer que fosse dizer, ficou preso na garganta dela. Era brilhante e estranhamente familiar. Tentou puxar da memória onde tinha visto ele, mas a mente está com uma névoa que impedia de pensar corretamente. Aproximou-se dela ainda mais, apenas alguns centímetros longe da outra. Os olhos dela permaneciam no colo da mulher, no entanto, os dedos da mão direita levantando em direção a joia. Quando tocou na peça com um rubi foi quando finalmente se lembrou de onde já tinha o visto: no pescoço de Megara. Anos atrás, mais do que pudesse lembrar. Por que Narcisa teria aquela peça? Como uma mulher como a filha de Hades poderia ter uma recordação da genitora de Nemaya que nem mesmo ela tinha? As questões pipocavam na sua mente e, quando levantou os olhos para a outra, havia uma clara confusão, misturado com um resquício de inveja. Queria aquele colar para si, pois pertencia a ela e não a Cissa. "O que você está fazendo com o colar dela?" Se a outra possuía a joia, provavelmente saberia de quem estava se referindo. O coração dela batia acelerado contra o peito, controlando o impulso de puxar o colar para longe daquela mulher.
o que era aquilo, sarcasmo? narcisa olhou para os próprios seios a fim de checar se nemaya tinha razão, apertando-os um pouquinho, sentindo o peso. ora, eram divinos! os peitos mais bonitos daquele lugar, tirando, talvez, só os de calithea. claro que nem tudo em si era realmente natural ─ o brilho e a firmeza da pele, por exemplo, vinham do consumo do manjar, assim como a total e completa falta de manchas ou cicatrizes. mas e daí, quem não tinha seus truques? qualquer um que comesse aquilo e não tivesse nas veias o sangue dos primordiais viraria uma sopinha de geleca, então o mérito continuava dela, muitíssimo obrigada. naquelas indagações, demorou a notar a aproximação até que o dedo já estivesse em seu colar. ── é meu! ── narcisa colocou uma mão protetora sobre a pedra e deu passos para trás. aquela era a gota d'água! esse tempo inteiro, tudo o que queria era a amizade de nemaya, a enxergando como uma espécie de parente perdida, mas se ela estava tão empenhada assim em dificultar as coisas, narcisa também não queria mais papo! ── ela me deu porque ela me ama ── proferiu as palavras devagar, cheia de soberba, esquecendo-se por um segundo da promessa feita a mégara. o arrependimento veio, mas foi anestesiado na mesma rapidez. a culpa não era sua. se meg não queria ser reconhecida, não tivesse lhe dado um colar reconhecível, oras!
@kiarakiiings said: I like to win. Is that so wrong? + passeio de cavalos marinhos
── Roubando é, sim! ── e daí que narcisa nunca tinha montado nem no próprio daemon, quanto mais num cavalo marinho? se tinha perdido, aquela só podia ser a única explicação! naquele estado exacerbado de soberba, parecia ter incorporado a auto estima do tio zeus ─ expansiva, folgada, perigosamente frágil. viu os olhares que estava atraindo, mas não gostou deles quando em posição de derrota. A ousadia de Kiara não passaria impune! Narcisa puxou as rédeas de seu cavalo marinho, que guinchou bolhas em protesto. ── Vamos de novo, exijo uma revanche!
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@iburnurhouse said: I know I’m stubborn, single-minded, and obsessive. But those are all traits of great writers… And serial killers. + lounge
Narcisa ponderou com a cabeça, concordando com a última parte. Conhecia alguns serial killers, a maioria deles era encantadora. ── E é por isso que eu te adoro ── segurou o queixo de Lector. Sentada de lado no colo dele, ambos sobre uma das poltronas do lounge aperolado, o riso ecoou. ── mas a resposta ainda é não. ── Seu colega de quarto era um gato, com e sem trocadilho, e em qualquer outro dia Narcisa talvez tivesse aceitado a proposta sem pestanejar. Mas, naquele, sentia-se especialmente... inalcançável. Feita unicamente para ser adorada, venerada, como a deusa que era. Afastou-se um pouco e relaxou as costas no braço da poltrona, balançando o pé esquerdo na frente dele. ── Quem sabe depois de uma massagem? ── Com um sorriso de malícia, a claridade foi abafada por dois pepinos previamente surrupiados do buffet.
@arkynhaddock said: "I have thought of you often. Have you thought of me at all? " + portal para lalotai
Ah, como gostara de ouvir aquelas palavras, de saber que sua presença havia sido marcante! Em outro momento, Narcisa teria dito a Arkyn que sim, é claro que havia pensado nele! O rosto do rapaz surgira em sua mente no instante em que pusera os olhos naquela praia, recordando com ternura dos dias compartilhados no submundo. Do toque dele enquanto amarrava seu bikini. Da maciez dos lábios em seu pescoço, da sensação de arrepio que a voz dele causava. Teria dito, sem qualquer vergonha ou pudor, que pensar nele tinha sido seu passatempo por anos, indagando para qual parte do mundo dos mortos sua alma fora mandada, se havia conquistado um mais que merecido espaço nos Elísios... E da decepção que sentira ao ver que o nome dele não constava na lista. Seu primeiro beijo, seu primeiro contato com o amor, Arkyn teria para sempre um espaço enorme reservado em seu ardente coração. Mas, naquela madrugada, naquela praia, naquelas condições, não pensava nele. Narcisa só pensava nela mesma. ── Oh, mas é claro… ── respondeu com condescendência ao finalmente parar de se admirar nas águas, sentindo ligeira dificuldade em lembrar o nome dele. Então estalou os dedos ──... Anakin! ── seu sorriso era largo, orgulhosa de si mesma. ── Que maravilha te encontrar aqui! Já foi no passeio? Ouvi dizer que é divertidíssimo.