13.
Eu sempre guardei nas palavras os meus desconcertos.

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Eu sempre guardei nas palavras os meus desconcertos.

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Mas enquanto eu tiver a mim não estarei só.
Faço poesia, pois dentre todas as coisas, ela é a única que sobreviverá além de nós.
Quanto mais você entende este mundo, mais destrói a si mesmo.
É por isso que os tolos são felizes, e as pessoas inteligentes vivem na solidão.

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Já que sou, o jeito é ser.
No milímetro que nos separa, cabem todos os abismos.
Nem tudo é política, mas tudo é político!
O livre-arbítrio talvez seja uma das ideias mais contraditórias já ensinadas pelas religiões. Afinal, até que ponto existe liberdade quando a escolha vem acompanhada de uma ameaça?
“Você é livre para escolher.” Mas, se escolher errado, será condenado ao inferno eterno.
“Você pode decidir por si mesmo.” Mas, se não adorar determinado Deus, será punido pelo próprio Deus que criou a punição.
Isso não parece amor. Isso não parece liberdade. Parece coerção. É como alguém apontar uma arma para você e dizer: “Você é livre para ir embora. Mas, se sair, eu atiro.”
Haveria liberdade nessa escolha?
Durante muito tempo, aceitei respostas prontas porque me ensinaram que questionar era pecado. Com o tempo, porém, percebi que a verdade não deveria temer perguntas. E foi então que comecei a notar que muitas crenças religiosas parecem sólidas apenas enquanto não são examinadas com honestidade. Pois algumas respostas sobrevivem ao questionamento. Outras dependem da sua ausência.

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Caetano Veloso, Chico Buarque, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Elis Regina, Gilberto Gil, Tim Maia, Maria Bethânia, João Gilberto…
Entre poesia, saudade e identidade —
É bom demais ser brasileira.
Dentro da perspectiva de diversos estudiosos espiritualistas, a ruptura com a ideia de reencarnação no século VI não se restringiu ao plano teológico; tratou-se, igualmente, de um fenômeno humano, político e profundamente emocional.
É nesse cenário que emerge a figura da imperatriz Teodora, consorte do imperador Justiniano I. Sua trajetória, marcada pela extrema pobreza e, conforme registros históricos, por uma juventude vinculada ao universo da prostituição e do entretenimento popular, não se apresenta, sob a ótica espiritualista, como objeto de julgamento, mas como chave interpretativa para a compreensão de determinados movimentos históricos.
Segundo essa leitura, Teodora não acolhia a doutrina da reencarnação, uma vez que esta pressupõe uma responsabilidade espiritual contínua. Para aqueles que carregavam um passado socialmente estigmatizado, a ideia de retorno à matéria para colher as consequências de atos pretéritos poderia soar mais como ameaça do que como consolo. Em contrapartida, a crença em uma única existência, seguida de absolvição ou condenação definitiva, oferecia uma ruptura mais confortável com o passado vivido.
No âmbito do Segundo Concílio de Constantinopla, realizado sob a forte influência política do Império Bizantino, foram oficialmente condenadas teses associadas a Orígenes de Alexandria, em especial a preexistência da alma — conceito que muitos reconhecem como fundamento do pensamento reencarnacionista. Para os espiritualistas, tal condenação ultrapassou o campo doutrinário, assumindo também um caráter estratégico.
Sob essa perspectiva, a influência de Teodora teria sido determinante ao reforçar, junto a Justiniano, uma orientação religiosa que suprimisse a ideia do retorno da alma à Terra. Tal direcionamento favoreceria não apenas a estabilidade emocional individual, mas também a consolidação de um modelo religioso alicerçado no temor do juízo final e na dependência da absolvição institucional.
Ao excluir a reencarnação, a Igreja passou a sustentar a noção de uma justiça divina imediata e eterna, afastando a concepção de um aprendizado progressivo do espírito. Para o Espiritismo, essa transformação implicou um empobrecimento da compreensão do amor divino, convertendo-o em punição definitiva, e não em um processo contínuo de educação espiritual.
Assim, sob a ótica espiritualista, a ruptura com a reencarnação não se configura apenas como um equívoco doutrinário, mas como o reflexo de escolhas humanas atravessadas pela dor, pelo poder e pelo temor do passado.
O fanatismo e a inteligência nunca moram na mesma casa.
A morte não é nada para nós, porque quando estamos vivos ela não está presente, e quando ela chega nós não existimos.
Porque se atribui a Deus uma perfeição absoluta e se o coloca como fundamento de toda a moral, como se fosse uma verdade superior ao próprio ser humano? Não seria essa ideia, em certa medida, uma construção criada para dar sentido à existência? Talvez — mas é justamente isso que a torna tão necessária para muitos.
Segundo Nietzsche, é possível compreender Deus não como uma entidade real, mas como uma criação humana. Para o filósofo, a ideia de Deus está ligada a uma moral que nega a vida, os instintos e a força natural do ser humano, valorizando, em seu lugar, a submissão, a obediência e a renúncia.
Nesse sentido, Deus pode ser entendido como um instrumento simbólico de controle, que orienta o comportamento humano por meio de valores específicos. Nietzsche argumenta que tais valores não surgem de forma neutra, mas são fruto de uma moral construída pelos mais fracos, como uma forma de se protegerem e, ao mesmo tempo, limitarem aqueles que expressam maior vitalidade e autonomia.
Com o tempo, essa concepção passa a moldar a forma como os indivíduos enxergam a si mesmos e ao mundo, levando-os a negar seus próprios impulsos em nome de algo considerado superior. Assim, Deus deixa de ser apenas um objeto de crença e passa a atuar como um princípio organizador da vida social e da moral.

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Alguns nascem para obedecer.
Alguns são amaldiçoados a enxergar.
Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Vem soleníssima,
Soleníssima e cheia
De uma oculta vontade de soluçar,
Talvez porque a alma é grande e a vida pequena,
E todos os gestos não saem do nosso corpo,
E só alcançamos onde o nosso braço chega,
E só vemos até onde chega o nosso olhar.
Vem, dolorosa,
Mater-Dolorosa das Angústias dos Tímidos,
Turris-Eburnea das Tristezas dos Desprezados.
Mão fresca sobre a testa em febre dos Humildes.
Sabor de água sobre os lábios secos dos Cansados.
Vem, lá do fundo
Do horizonte lívido,
Vem e arranca-me
Do solo de angústia e de inutilidade
Onde vicejo.
Apanha-me do meu solo, malmequer esquecido,
Folha a folha lê em mim não sei que sina
E desfolha-me para teu agrado,
Para teu agrado silencioso e fresco.
Vem sobre os mares,
Sobre os mares maiores,
Sobre os mares sem horizontes precisos,
Vem e passa a mão pelo dorso da fera,
E acalma-o misteriosamente,
Ó domadora hipnótica das coisas que se agitam muito!
Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Pé ante pé enfermeira antiquíssima, que te sentaste
À cabeceira dos deuses das fés já perdidas,
E que viste nascer Jeová e Júpiter,
E sorriste porque tudo te é falso e inútil.
Vem, Noite silenciosa e extática,
Vem envolver na noite manto branco
O meu coração...
Serenamente como uma brisa na tarde leve,
Tranquilamente com um gesto materno afagando.
Com as estrelas luzindo nas tuas mãos
E a lua máscara misteriosa sobre a tua face.
Todos os sons soam de outra maneira
Quando tu vens.
Quando tu entras baixam todas as vozes,
Ninguém te vê entrar.
Ninguém sabe quando entraste,
Senão de repente, vendo que tudo se recolhe,
Que tudo perde as arestas e as cores,
E que no alto céu ainda claramente azul
Já crescente nítido, ou círculo branco, ou mera luz nova que vem,
A lua começa a ser real.