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Print das notas - provavelmente do ano passado
Porque a cidreira brotando florzinha no jardim da minha vó que eu peguei um dia desses quando fui lá me lembra duas coisas
1 uma planta que tinha na casa de dona maria, ao lado, que dava bem pra rua e as flores mais lindas que já vi na minha vida. quando perdi a timidez, perguntei a alguém que ali morava qual o nome daquela planta, mas não souberam me dizer
2 thiago me mandando foto de um galho bem assim, de cidreira, com flor brotando, mais de dez anos atrás. falando a verdade, nunca havia visto pessoalmente um pé de cidreira, foi ali na foto que vi e fiquei também na dúvida, porque a flor era muito parecida com a de dona maria
Mas não era a mesma flor

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Essa semana eu chorei ou quase chorei pensando em você
Luto eu não sei lidar nem lutar contra
Me perdi agora lendo coisas que escrevi há dez anos atrás sobre alguém que nem conheci, e você me veio no pensamento, mas não porque chorei essa semana pensando em você
Ou quase
Mas porque lembrei do céu na varanda da minha vó
Lembrei do seu carinho, amizade, leveza e de como você veio num momento turbulento e me lembrou de como eu gostava e gosto daquela varanda de noite
No sereno
Silenciosa
Minha rua onde cresci
Nas notas
this image is so raw and real. ive been thinking about it for weeks

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Notas desenhos do celular. O primeiro foi um sonho. O segundo uma brincadeira.
Morrer dormindo
O tanto que eu tô dando e meu esgotamento que, na real, não se esgota. O ser humano pode passar 42 dias sem comida, 17 noites sem dormir e algumas horas sem água*. Uma gota sempre vai ser o suficiente para arrastar o corpo até o próximo pedaço de comida e o sono, de barriga vazia, quase sempre se faz presente. Na claridade, no escuro, no frio e no quente, só precisa fechar os olhos e rezar para que, de alguma maneira, uma gota não seja mais suficiente para chegar no próximo pedaço de comida
*dados inventados tirados do meu
ABC-Bilderbuch - Wilhelm Hey, Mathilde Coester - 1905 - via Staatsbibliothek zu Berlin

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fraquezas sem sentido tomam conta de mim. digo sem sentido, entenda, porque vem de um lugar tão distante, praticamente inalcançável. teriam me dito, eu sei, sobre a era de escorpião que se faz presente. e, sem muitas metáforas, nos leva a tatear por entre as sombras qualquer coisa que possa nos ferir. parece, ao meu ver, que a situação em que me encontro não há saídas, explicações, motivos, descobertas e nem tampouco um novo ciclo que seja repleto das coisas com as quais anseio.
se choro, me desespero. se me desespero, me perco ainda mais nisso tudo. o desequilíbrio parece apertar meu pescoço, me faz refém das coisas que estão no escuro prontas para emergirem ao primeiro toque. não me escondo do que sinto. sinto feio.
sonhei que teria uma vida diferente. aqui, na terra, rodeada de tudo isso, eu conseguiria (com muita força) passar e estar presente. sempre sonhei, sempre sonhei. e agora, numa onda de saturno cansado, eu vou me afundando cada vez mais. sei que lá embaixo, mediante olhos curiosos e uma sede de respostas, podemos encontrar novidades das mais instigantes. poderia passar pela sombra, como herói forte, chegar até a quase morte, voltar-me para o mundo como o que ele é. ultrapassar a dor do desespero e a confusão mental em pleno mês de novembro para, então, entender tudo aquilo que um dia me foi distante e frio.
não me resguardo. me afasto. ser ermitão pode ser algo recorrente em minha trajetória até então, mas sei que atrás da sombra há praticamente o oposto, me convidando a ser herói forte e enfrentar o mundo com a bravura que não só beneficia outrem, como a mim mesmo. pretendo, um dia, colocar em prática tudo isso e com o entendimento que me foi concedido como epifania, magia, misticismo ou premonição, emergir além.
me canso, me desespero. eu choro com a frequência que as estações mudam. eu me fecho entre folhas de ervas daninhas. eu abro um olho e mantenho o outro no sonho. eu sonho para fazer viagens astrais e fortalecer minha armadura de herói.
Carta a um amigo
Sonhei com você hoje. Como tenho sonhado em tantas outras noites. Sonhei com você e um monte de gente. Sonhei com seu cabelo raspado. Sonhei e você estava com a energia de sete crianças num sábado de tarde. Tudo estava normal.
Um sonho desses poderia muito bem me embalar em tristeza e inconformação, mas tô aqui te contando para registrar e para dizer que o sol voltou a aquecer, as flores estão lindas, o mar gigante e salgado me envolveu ontem, o céu na sexta-feira estava roxo e laranja, dei gargalhadas espalhafatosas e lembrei de você como quem lembra da infância que, em algum momento, foi gostosa e um pouco mais leve do que essa vida de trabalho que temos que levar.
Vai funcionar toda inspiração que me traz. Vai funcionar as lembranças reafirmando que para lidar com certas coisas, é só sentir um suco gelado descendo pela garganta, contemplar o céu na hora que o sol se põe, estar no mar ou perto dele e amar os amigos com todo o carinho que couber. Do jeito que te amo e aprendo, quero te ver em sonhos ou no coração.
Um ótimo domingo pra gente.