“Nós não somos nem os opostos e nem os iguais. Somos um conjunto dos dois, e juntos formamos um só. Somos os opostos na paciência: eu sou tempestade, e ele é vento calmo e manso. Somos os opostos nas opiniões: minha personalidade é forte demais, e a dele também, e por isso, ás vezes entramos em desacordo. Somos os opostos: eu falo tudo e não escuto nada, ele não fala nada e escuta tudo. Eu sou a pressa, ele a calmaria. Eu sou o desânimo, o desalento, ele é a vivalma, o intento, a determinação. Eu sou o medo e ele a coragem. Eu sou a desistência e ele a esperança. Eu sou a dúvida e ele é a razão. Mas também somos os iguais: somos iguais no beijo sereno e macio, somos iguais nas paixões por praia, mar, céu, dias de sol. Somos iguais na comida preferida, no gosto musical, nas roupas, nos gostos. Somos iguais na comédia, na risada, nas bobeiras, nas brincadeiras. Somos iguais nos carinhos, na indecisão e na cama. Somos iguais no olhar puro que transpõe a criatura e escreve a alma. No olhar que brilha de admiração e afeição, um pelo outro. No olhar, que mesmo a boca se silencie ele irá gritar o nosso amor. No olhar que sorri, no olhar que acarícia, no olhar que conforta, no olhar que ama. Somos iguais nos pensamentos, nos ciúmes exagerado que demonstra o medo de perder. Somos iguais na chuva, no frio e na escuridão. Somos iguais na hora de perdoar, vemos quando estamos errados, pedimos perdão e tentamos nos redimir. Somos iguais nas brigas, elas são rápidas e fracas, e após pedirmos desculpas, nos abraçamos apertado com os corações amarrados. Somos iguais nas certezas. Somos iguais nos sonhos. Somos iguais na saudade. E contudo, nas diferenças e igualdades, nos completamos por inteiro. Somos iguais até no que temos de oposto. O que nos difere, nos completa. E o que nos iguala, nos une. E eu, acredito que, você foi feito por Deus, para mim. E hoje, somos um só.”
— Yngrid Vias, os opostos que são iguais.

















