Aquele momento único com Mason, Miguel era capaz de vislumbrar uma liberdade que nunca sentira antes, mil epifanias a percorrer por suas entranhas, a comunicação entre os corpos, seja física ou ainda que o contato tivesse cessado, era fluida, natural ao mesmo que transcendia a mera relação de um beijo despretencioso entre dois amigos. Ainda que houvesse a matadora vontade animal e instintiva de saborear a carne alheia, a simples proximidade dos corpos, a troca de olhares e sorrisos, já lhe despertavam uma euforia lasciva e prazerosa, como se ainda sem se tocar, ambos os corpos mantivessem uma conversa inconsciente, ao qual Miguel não percebia racionalmente, mas sentia em cada parte do seu corpo, como as coisas mudavam ao encarar o melhor amigo, o por do sol ganhava mais cor, a grama era mais verdejante, a brisa era fresca na medida certa e o cheiro da natureza era tão agradável, não sabia dizer o que havia sido liberado ali, mas o entrelace de ambas as auras parecia potencializar a beleza do universo, ou como se sintonizasse os dois em uma harmonia com as vibrações telúricas do planeta, a ponto de ver Mason como uma contraparte de si. Mas o que ele estava pensando? Ambos eram melhores amigos, claro que se completavam.
“É que, poderia ter ficado sem jeito de me negar, sei que me vê só como um melhor amigo e não alguém, sabe… que te despertasse algum desejo” confessou sem jeito, desviou o olhar, colocando o cabelo atrás da orelha, agora sua timidez passaria a ataca-lo até mesmo perto de Mason? Miguel não sabia o que estava acontecendo com o próprio corpo, como uma parte em si que ele ainda não conhecia mas que queria muito ser manifestada ali. Uma risada alta escapou por entre os lábios do mexicano que literalmente gargalhava, ele realmente teve a intenção de provocar o ego alheio e se divertiu ao ver que tinha conseguido, a risada completava o ambiente. “E você gostaria de ser mais do que só a entrada?“ perguntou em tom de humor, interpretando que era aquilo que o amigo queria dizer ao referir-se a si próprio como uma refeição completa. “O professor não gostou dos modos do aluno? Vai querer me dar alguma punição ou vai me mandar para detenção?” respondeu bem humorado. Embora a descontração tivesse mascarado a tensão, ela ainda estava ali, olhar para o sorriso de Mason lembrava-o do sabor alheio que ainda lhe parecia vivo em seu paladar que pedia pelo calor alheio, o cheiro de Mason ainda era pungente em seu corpo, seu corpo ainda mantinha o desejo de tocá-lo mais intimamente, de ouvir as interjeições de prazer do outro corpo.
Os pelos se arrepiaram, um calafrio percorreu por entre os ossos, um ruído sonoro semelhante a um gemido escapou por entre os lábios a ter o nariz do outro tocando seu pescoço, depositando ali além do toque um ar quente que provocava cada hormônio, cada ligação físico-química do seu corpo que emanava para mente o imenso desejo de saltar em cima do outro desligando todas suas inibições e deixando apenas o desejo e corpo falarem. Miguel retraiu os ombros, mexendo a cabeça involuntariamente, falou baixo, pois aquele era o único tom de voz que tinha no momento. “Não faz isso” pediu, era evidente que tinha gostado e pediu aquilo pois não seria capaz de se conter se Mason o provocasse um pouco mais.
O desejo de ser possuído pelo melhor amigo só se atenuou quando seu quadril foi capturado pelo palmo do moreno, teria sido tão bom para Mase, quanto foi para Miguel? Sentia que o melhor amigo desejava prolongar aquele contato tanto quanto ele, o elo quase palpável que os interligava pedia para que voltassem a se beijar e formassem um só corpo. Uma nova descarga de adrenalina lançou-se sobre o seu corpo com a frase alheia, aquele sorriso malicioso no rosto do amigo, arrancou-lhe um suspiro. Apertou mais forte a mão do melhor amigo devolvendo-o à pressão que ele exercia, “Então eu não vou me conter” murmurou quando os rostos já estavam próximos, antes de ter os lábios capturados pelo outro. Miguel não mentiu sobre não se conter, enquanto os lábios brincavam entre si a palma sobre a coxa de Mason, deslizou para parte interna da mesma e passou a pressioná-la, o mexicano agora se guiava pelo instinto desperto pela descargas elétricas que trocavam ao contato, os selares não eram suficientes para satisfazer a sede crescente pelo sabor do Salvatore, os dedos antes entrelaçado com os do melhor amigo se desprenderam dos dele, os dígitos foram até o inicio do tronco viril do outro moreno e foram deslizando para cima, pressionando seu toque contra o corpo alheio, levando consigo um pouco do tecido da camisa, despindo por um momento a base da barriga do outro, os dígitos apenas param de subir quando o palmo encaixou no pescoço alheio, pressionou levemente e rompeu o contato, empurrando o pescoço do melhor amigo para trás, admirou brevemente o seu rosto cuidadosamente desenhado, antes de mordiscar o maxilar dele trilhando o caminho até o pescoço, se inebriou do cheiro alheio deixando ali algumas caricias, desfrutando não só do aroma mas também do sabor quente da derme alheia, as caricias foram subindo, Miguel ofegava deixando o ar quente que esvaia dançar sobre a pele do outro homem até que seus lábios alçassem o ouvido alheio. “Só se vive uma vez, não é?” sussurrou a pergunta travessamente, deslizando a língua pelo ouvido alheio até findar mordiscando-o. A mão sobre os pescoço do amigo deslizou suavemente até a nuca do mesmo e abruptamente a puxou contra si, para voltar a selar seus lábios no dele num contato ainda mais tímido e intenso, a mão se prendeu a base do cabelo alheio, puxando-o contra si ainda mais, de modo que não houvesse mais espaço entre os corpos. Se anteriormente, o beijo de Miguel era mais tímido e contido, agora sua língua explorava de modo mais lascivo, ainda que não desesperado, a boca do outro de modo a capturar cada vez mais do viciante e inebriante sabor alheio.
Aquela deveria ser uma confissão despretensiosa, um desabafo de alguém que há muito se continha por pressões sociais. O momento de descoberta ganhou nuances quando diante do enlace de uma fortalecida amizade e um cenário que lhes permitia a vivacidade. Não haveria outro lugar, outro momento ou outras pessoas mais adequadas para aquele compartilhamento, simplesmente acontecia. E o simples e magnético ponto de conexão tornava tudo uma gostosa explosão de sensações positivas.
O olhos nebulosos pela excitação focaram no Garcia, incrédulos sobre o questionamento. Como Miguel poderia pensar que não era alguém desejável? Não com aqueles cabelos longos que poderia perder-se, com os músculos esculpidos que ansiava em tocar ou os lábios carnudos que dançavam o ritmo tão particular e novo que criavam. Seu único bloqueio anterior era a amizade e sua errônea percepção de heteronormatividade. Meneou a cabeça em negativa antes de pegar a mão dele com gentileza e arrastá-la até o cós de sua calça. Seus olhos permaneceram fixos nos dele por um tempo antes de encontrar as mãos unidas que estavam arriscadamente próximas do volume que se formava no tecido abarrotado logo abaixo. Palavras não eram necessárias para responder aquilo, por isso deixou aquele assunto para outro momento, apenas encantando-se com a leveza que eram capazes de criar mesmo diante de sensações frenéticas e febris como as que compartilhavam.
Quando a palma quente atingiu sua coxa deixando apertões no local tão próximo de sua virilha um gemido rouco foi expresso contra o pescoço dele. Diante do pedido para que não prosseguisse recuou um pouco seu quadril para buscar o reequilíbrio, mesmo que suas mãos ainda apertassem firmemente o quadril alheio. O calor que emanava dos corpos próximos somado ao lábio já inchado pela avidez de beijá-lo não contribuía para usar seu raciocínio, porém era seu melhor amigo ali. Não acharia adequado que ele tivesse uma primeira experiência daquela maneira. Suas unhas por fazer cravaram nas costas dele quando sua pele foi tocada, aquele era um sinal contraproducente ao pedido expresso há poucos momentos. Seu peito que subia e descia descompassado parou por um segundo, junto a sua respiração que prendeu-se. Não soube dizer se para desfrutar daquele delicioso formigar em lascívia ou sua tentativa sã de não ceder ao ímpeto de puxá-lo para mais perto. As mãos largas pressionando seu pescoço foram o ponto fraco para que o ar se soltasse em um suspiro abafado pelos dígitos. Seu braço direito usou de um pouco mais de força para enlaçar o quadril alheio e puxá-lo para seu colo, fazendo com que sua ereção agora mais visível roçasse no mexicano. Sua cabeça inclinou-se com o puxar dos fios, deixando os lábios avermelhados mais a mostra antes de serem capturados. Exibiu um sorriso maroto antes de mordiscar o lábio inferior de Miguel, o puxando com demora antes da língua gentilmente acariciar a boca apetitosa. Não voltou a beijá-lo no entanto, seu nariz deslizando contra o dele enquanto sua testa se colava para ampliar aquela conexão. Seu quadril se moveu devagar debaixo do mais alto, para que ele sentisse que o que estava prestes a fazer não era por não estar gostando daquele momento. Começava a escurecer e Mase sabia que Miguel teria muitas lembranças a se processar, assim como ele. Inspirou profundamente para tentar controlar sua respiração antes de sussurrar. “Respondendo a sua pergunta…” as palavras saíram falhadas antes de conseguir formular a frase em sua mente. “Sim você mereceria punições” tentou retomar ao tom de humor familiar, mas sua destra espalmou a bunda dele antes de soltar um riso breve. “Mas não estamos em um porno gay e está tarde…” seus lábios voltaram a se unir ao dele para dar um selinho demorado, mostrando que estava tudo bem e que apenas seria bom que se contagiassem com a cumplicidade, pois mesmo depois da troca de carícias e certas formas de afeto, ainda tinham momentos e um laço indivisível. Era isso que desejava tanto quanto o corpo alheio, ter a proximidade que tanto lhes fazia bem. “Você terá tempo para todas suas descobertas e eu…” as palavras baixaram um pouco ao sentir o desconforto da sua excitação. “Porra Miguel! Eu preciso de um banho e Grady que coloque heavy metal!” soltou um riso antes de levar a mão a dele entrelaçando os dedos para que pudessem se levantar.