Quando seus olhos se fecharam, quando as mãos tomaram o rumo ditado pelo inconsciente, quando o mundo em volta se calou para mergulhar na profundidade do vínculo, Mason lembrou-se da diferença. A linha tênue que dividia suas relações casuais das poucas oportunidades que se permitiu abrir chaves emocionais. O circuito de forças da reciprocidade com Miguel carregava um sentimento livre, vivido de valores sensoriais, que não estava relacionado à carências de ego ou uma busca desenfreada por sexo. Era uma ligação real, uma fonte inesgotável de prazer que ia além das terminações nervosas que respondiam à excitação, era uma sensação que aquecia seu peito e inundava sua mente.
Sentiu-se mais que satisfeito com a resposta dele. O principal motivo era ter sido uma bússola para guiá-lo por um caminho que poderia soar sinuoso, isso se não tivesse o farol de compreensão certo. Era especial para ele também participar de um momento como aquele, de plena confidência, envolvimento e troca. Por isso apenas assentiu com sinceridade, mas sua feição logo mudou ao ouvir a segunda parte. Primeiro com uma clara confusão por ele pensar que estaria sendo forçado, Miguel conhecia sua fama pela escola. Não conseguia imaginar um universo onde seria forçado à beijar alguém, ainda mais se fosse bonito como o moreno mais alto era. Sem mencionar que seria incapaz de incitar algo nele sem ser plenamente sincero. Acreditava veemente na conexão de almas, e no momento que se tornou amigo dele era como se tivesse selado um compromisso de agir com sua mais pura e sincera essência. “Eu não faço nada forçado Miguel, sabe bem disso.” fez questão de demonstrar que havia o beijado porque queria realmente ajudá-lo a se descobrir e não seria hipócrita, porque não iria viver com a curiosidade de como era beijá-lo agora que sabia que tinha a possibilidade de fazê-lo. Claro que preservaria a amizade acima de tudo, mas ainda era um adolescente que tinha seus anseios, como por exemplo ter o ego levemente massageado o que não ocorreu ao ouvir a provocação. “Desgraçado! Eu te dou um beijaço daquele e me diz que eu dou um caldo? Eu sou uma refeição completa embora tenha sido sua entrada” ele usou a metáfora do caldo para brincar e naquele ponto era impossível não rir. Empurrou um pouco ele antes de fazer uma careta. “Nas suas próximas descobertas seja mais gentil com seu professor” ele continuou com o tom de humor, embora desta vez os olhos estivessem presos na camisa dele que arriscaria dizer estar um pouco suada. Talvez pelo calor do sol poente, ou talvez pelos corpos estarem próximos. Ele próprio se sentia febril, ainda mais agora que os sentidos foram aguçados com o cheiro do creme que emoldurava os cachos e o suor que trazia certa virilidade. Sua cabeça deslizou até o pescoço dele para aspirar ali enquanto o nariz roçava com gentileza na pele bronzeada. Teve que se afastar novamente para não inebriar-se.
O calor da palma em sua coxa após um beijo tão entregue fez com que seu quadril instintivamente se movesse um pouco na grama indicando que desejava mais contato. Mason tinha uma sensibilidade aguçada que lhe permitia captar a energia não somente do ambiente, mas daqueles que mais se conectava. Com Miguel que era tão presente em sua vida era ainda mais fácil sentir que aquele toque que em outro momento seria apenas mais um sinal de proximidade de amigos, naquele significava uma expressão do desejo recém descoberto. Seus olhos recaíram sobre a pressão que escurecia os olhos nublados em reciprocidade. Sua mão que antes estava no peito desceu até o quadril dele para puxá-lo um pouco mais para perto de maneira exigente. Iria preservar a amizade e o momento que o mexicano atravessava com cautela, mas não poderia se negar aquela sensação quando explicitamente era expressa em palavras. “Então que se foda, não abra mão! Você já está fazendo isso há bastante tempo e só se vive uma vez!” sua resposta foi pintada com um sorriso travesso antes da destra pressionar mais os dedos dele contra os próprios, o entrelaçar das mãos unidas se tornando mais visceral quando seu rosto roçou uma vez mais no dele. Mordiscou o carnudo inferior antes de capturar a boca macia que facilmente poderia viciar-lhe. Alternou entre depositar selares contidos com carícias sutis ao sorver o gosto dos lábios do melhor amigo.
Aquele momento único com Mason, Miguel era capaz de vislumbrar uma liberdade que nunca sentira antes, mil epifanias a percorrer por suas entranhas, a comunicação entre os corpos, seja física ou ainda que o contato tivesse cessado, era fluida, natural ao mesmo que transcendia a mera relação de um beijo despretencioso entre dois amigos. Ainda que houvesse a matadora vontade animal e instintiva de saborear a carne alheia, a simples proximidade dos corpos, a troca de olhares e sorrisos, já lhe despertavam uma euforia lasciva e prazerosa, como se ainda sem se tocar, ambos os corpos mantivessem uma conversa inconsciente, ao qual Miguel não percebia racionalmente, mas sentia em cada parte do seu corpo, como as coisas mudavam ao encarar o melhor amigo, o por do sol ganhava mais cor, a grama era mais verdejante, a brisa era fresca na medida certa e o cheiro da natureza era tão agradável, não sabia dizer o que havia sido liberado ali, mas o entrelace de ambas as auras parecia potencializar a beleza do universo, ou como se sintonizasse os dois em uma harmonia com as vibrações telúricas do planeta, a ponto de ver Mason como uma contraparte de si. Mas o que ele estava pensando? Ambos eram melhores amigos, claro que se completavam.
“É que, poderia ter ficado sem jeito de me negar, sei que me vê só como um melhor amigo e não alguém, sabe… que te despertasse algum desejo” confessou sem jeito, desviou o olhar, colocando o cabelo atrás da orelha, agora sua timidez passaria a ataca-lo até mesmo perto de Mason? Miguel não sabia o que estava acontecendo com o próprio corpo, como uma parte em si que ele ainda não conhecia mas que queria muito ser manifestada ali. Uma risada alta escapou por entre os lábios do mexicano que literalmente gargalhava, ele realmente teve a intenção de provocar o ego alheio e se divertiu ao ver que tinha conseguido, a risada completava o ambiente. “E você gostaria de ser mais do que só a entrada?" perguntou em tom de humor, interpretando que era aquilo que o amigo queria dizer ao referir-se a si próprio como uma refeição completa. “O professor não gostou dos modos do aluno? Vai querer me dar alguma punição ou vai me mandar para detenção?” respondeu bem humorado. Embora a descontração tivesse mascarado a tensão, ela ainda estava ali, olhar para o sorriso de Mason lembrava-o do sabor alheio que ainda lhe parecia vivo em seu paladar que pedia pelo calor alheio, o cheiro de Mason ainda era pungente em seu corpo, seu corpo ainda mantinha o desejo de tocá-lo mais intimamente, de ouvir as interjeições de prazer do outro corpo.
Os pelos se arrepiaram, um calafrio percorreu por entre os ossos, um ruído sonoro semelhante a um gemido escapou por entre os lábios a ter o nariz do outro tocando seu pescoço, depositando ali além do toque um ar quente que provocava cada hormônio, cada ligação físico-química do seu corpo que emanava para mente o imenso desejo de saltar em cima do outro desligando todas suas inibições e deixando apenas o desejo e corpo falarem. Miguel retraiu os ombros, mexendo a cabeça involuntariamente, falou baixo, pois aquele era o único tom de voz que tinha no momento. “Não faz isso” pediu, era evidente que tinha gostado e pediu aquilo pois não seria capaz de se conter se Mason o provocasse um pouco mais.
O desejo de ser possuído pelo melhor amigo só se atenuou quando seu quadril foi capturado pelo palmo do moreno, teria sido tão bom para Mase, quanto foi para Miguel? Sentia que o melhor amigo desejava prolongar aquele contato tanto quanto ele, o elo quase palpável que os interligava pedia para que voltassem a se beijar e formassem um só corpo. Uma nova descarga de adrenalina lançou-se sobre o seu corpo com a frase alheia, aquele sorriso malicioso no rosto do amigo, arrancou-lhe um suspiro. Apertou mais forte a mão do melhor amigo devolvendo-o à pressão que ele exercia, “Então eu não vou me conter” murmurou quando os rostos já estavam próximos, antes de ter os lábios capturados pelo outro. Miguel não mentiu sobre não se conter, enquanto os lábios brincavam entre si a palma sobre a coxa de Mason, deslizou para parte interna da mesma e passou a pressioná-la, o mexicano agora se guiava pelo instinto desperto pela descargas elétricas que trocavam ao contato, os selares não eram suficientes para satisfazer a sede crescente pelo sabor do Salvatore, os dedos antes entrelaçado com os do melhor amigo se desprenderam dos dele, os dígitos foram até o inicio do tronco viril do outro moreno e foram deslizando para cima, pressionando seu toque contra o corpo alheio, levando consigo um pouco do tecido da camisa, despindo por um momento a base da barriga do outro, os dígitos apenas param de subir quando o palmo encaixou no pescoço alheio, pressionou levemente e rompeu o contato, empurrando o pescoço do melhor amigo para trás, admirou brevemente o seu rosto cuidadosamente desenhado, antes de mordiscar o maxilar dele trilhando o caminho até o pescoço, se inebriou do cheiro alheio deixando ali algumas caricias, desfrutando não só do aroma mas também do sabor quente da derme alheia, as caricias foram subindo, Miguel ofegava deixando o ar quente que esvaia dançar sobre a pele do outro homem até que seus lábios alçassem o ouvido alheio. “Só se vive uma vez, não é?” sussurrou a pergunta travessamente, deslizando a língua pelo ouvido alheio até findar mordiscando-o. A mão sobre os pescoço do amigo deslizou suavemente até a nuca do mesmo e abruptamente a puxou contra si, para voltar a selar seus lábios no dele num contato ainda mais tímido e intenso, a mão se prendeu a base do cabelo alheio, puxando-o contra si ainda mais, de modo que não houvesse mais espaço entre os corpos. Se anteriormente, o beijo de Miguel era mais tímido e contido, agora sua língua explorava de modo mais lascivo, ainda que não desesperado, a boca do outro de modo a capturar cada vez mais do viciante e inebriante sabor alheio.