Talvez um dia a gente se encontre, em um daqueles momentos que a gente não encontraríamos mais ninguém. Naquela noite iluminada, cheia de silêncio. Um respiro entre o caos da existência. Versos que o eco não ousa levar. Nas fotografias que o tempo desfoca — seus olhos ainda brilham, mas sem voz. No relógio parado da saudade, as horas são folhas mortas a cair. Na estação do talvez, o trem não parou. Você seguiu em frente, e eu desembarquei no passado. Nosso amor? Um postal sem destinatário.
Desencontramos como relógios sem corda:
Eu marco a lua, você conta o mar.
Mas nas noites de abril, quando a chuva desenha
Janelas, ainda busco teu rosto no ar. Restam os ecos do que quase foi nosso —
Um café frio, uma carta sem verso.
Amor que foi verbo no pretérito,
Folha seca presa no livro do universo.















