NĂŁo tinha sensação melhor para Oliver do que se jogar no sofĂĄ apĂłs um cansativo dia de trabalho, e foi o que fizera assim que chegara em casa. Aquela seria apenas mais uma das noites tranquilas do menino que as vezes se dava o luxo de ter; ficando em casa sozinho, comendo porcarias, vendo TV. Pegou seu celular para poder dar uma olhada em suas redes sociais, checar suas mensagens, porĂ©m logo foi interrompido por uma ligação de um nĂșmero desconhecido. Sua primeira reação foi revirar os olhos e bufar; provavelmente alguma atendente de telemarketing o ligando para oferecer um pacote de sei lĂĄ o quĂȘ, apenas o aborrecendo. Decidiu nĂŁo atender, recusando a chamada e logo largando o celular em seu colo para prestar atenção no jornal que passava no canal de televisĂŁo. NĂŁo que fosse tĂŁo interessante para ele, mas pelo menos uma distração. NĂŁo demorou cerca de um minuto para sentir o aparelho vibrando em suas pernas, o deixando irritado. Atendeu prontamente, jĂĄ prestes a xingar quem quer que estivesse o incomodando, quando sentiu sua pressĂŁo cair. Era uma ligação do Northwestern Memorial Hospital, avisando que Victoria tivera um serero ataque de gastrite e estava internada, ligando para Oliver pois ele era um de seus nĂșmeros de emergĂȘncia. Precisou piscar algumas vezes para tomar consciĂȘncia de tudo e avisar que estava indo atĂ© lĂĄ, limpando a garganta ao falar pois sentia uma bola formando-se na mesma. NĂŁo, nĂŁo de novo. A ligação fora encerrada e o moreno nĂŁo pensou duas vezes em pegar logo o capacete e a chave de sua moto, sem se preocupar em desligar tudo que estava ligado em sua casa ou trocar de roupa; nĂŁo podia perder mais tempo. Apenas de imaginar Victoria internada teve seu corpo tomado por uma sensação pĂ©ssima, sentindo um amargo em sua saliva.
Aquela nĂŁo era a primeira vez que a amiga - se Ă© que poderia a chamar assim - acabava naquela situação, porĂ©m Oliver era um dos Ășnicos que sabia do distĂșrbio alimentar que a menina tinha. Por mais que soubesse, ainda sim era um choque, afinal, o ocorrido nĂŁo acontecia a tempos e imaginava que ela havia melhorado, que estava bem agora. Se sentia um tolo; deveria ter prestado mais atenção, cuidado mais dela. Disparou para fora do prĂ©dio com a sua moto, nĂŁo se preocupando com farĂłis vermelhos e nem cruzamentos; provavelmente acabaria causando um acidente por seus atos, mas nĂŁo se importava. Sua mente estava preenchida apenas com uma coisa agora: o bem estar de Vick. Ficou agradecido pelo hospital nĂŁo ser tĂŁo longe assim de sua casa, e com a ajuda de sua motocicleta havia chego no local em apenas quinze minutos. Largou-a dentro do estacionamento do hospital, nĂŁo se importando muito em estacionar bem ou nada dessas coisas; assim que desceu da mesma, iniciou sua corrida atĂ© a entrada do local, direcionando-se a primeira funcionĂĄria que viu, perguntando pela morena. A mulher teimou e teimou, mas depois que checou seu nome pela terceira vez concluiu que o mesmo nĂŁo estava lĂĄ para brincadeiras. Finalmente foi informado de onde a garota estava, seguindo para lĂĄ sem pensar duas vezes.
O problema foi que, quando chegou lĂĄ, o mĂ©dico que cuidava da mesma nĂŁo o permitiu entrar pois ainda estavam realizando procedimentos mĂ©dicos nela e, de qualquer jeito, estava desacordada. NĂŁo queria aceitar nĂŁo como resposta, porĂ©m sabia que nĂŁo tinha outra escolha a nĂŁo ser esperar. Com remorso sentou-se no chĂŁo em frente a sala em que Victoria se encontrava, apoiando seus braços e cabeça em seus joelhos. Oliver nĂŁo era bem uma pessoa que se importava ou preocupava muito com outros, mas com ela.. era tudo diferente. Por mais que nĂŁo admitisse - nem mesmo a si prĂłprio - ele nutria um certo sentimento pela modelo, mesmo nĂŁo sabendo exatamente o que fosse. SĂł sabia que nĂŁo se interessava por ela apenas pelo sexo ou pelos amassos que davam em grande parte das noites que se encontravam; gostava de sua companhia e, em situaçÔes como essa, sentia medo de perdĂȘ-la. Victoria era uma das Ășnicas pessoas com quem ele conseguia ser agradĂĄvel, uma das Ășnicas que o conhecia fora de sua casca. NĂŁo podia deixar nada que ruim acontecer com ela, nĂŁo podia. Perdido em seus pensamentos e jĂĄ cansado de esperar por notĂcias, acabou cochilando ali mesmo.
Sentiu a mĂŁo em seu ombro, despertando suavemente. Seus olhos demoraram um pouco para se acostumar com as fortes luzes do corredor e sentia suas costas clamando por um remĂ©dio de dor pela posição que se encontrava. Em sua frente estava o mesmo mĂ©dico que falara anteriormente, avisando que Victoria tinha acabado de acordar e que podia vĂȘ-la.Olhou no relĂłgio e percebeu que jĂĄ passavam-se oito horas desde que chegara ali. Ainda um tanto grogue, agradeceu o homem se seguiu para dentro do quarto onde estava a morena. Ela estava com uma cara pĂ©ssima; pĂĄlida, parecia doente. Aquilo lhe trouxe um aperto no coração, odiava ter que vĂȘ-la daquela maneira. Se aproximou da mesma, sentando na ponta de sua cama para depositar um beijo em sua testa; um ato carinhoso, difĂcil de acontecer quando se tratava de Oliver, mas queria apoiĂĄ-la, e sabia que nĂŁo adiantaria gritar ou acusĂĄ-la de nada naquele momento. Afastou alguns fios de cabelo que estavam perto de seu rosto, acariciando o local em seguida. âEu fiquei preocupado com vocĂȘ. Vim assim que me ligaramâ confessou, baixando sua guarda ali.
Ser rejeitada nĂŁo era algo que Victoria estava acostumada a ser, afinal, sendo ela quem era, filha de Christine Hills, uma ex-modelo mundialmente famosa, as pessoas matavam e morriam para tĂȘ-la exibindo modelitos de suas grifes, desfilando em suas passarelas. Por isso, quando Victoria ouviu um ânĂŁoâ de um dos PR managers da Yves Saint Laurent, a morena nĂŁo conseguia acreditar. Desfilar para aquela grife sempre fora um sonho de Victoria, e quando fora convidada para fazer um teste, a modelo ficara extasiada, era como se todos os seus pedidos tivessem sido atendidos e todos aqueles anos de modelagem tivessem valido a pena. âExcuse me?â perguntou para a mulher, ainda estava chocada com a rejeição. âEu posso pelo menos saber o por que de eu nĂŁo ser contratada?â perguntou, mesmo que estivesse com um pouco de medo da resposta da outra. âSrta. Chadwick, vocĂȘ Ă© uma modelo talentosĂssima, mas vocĂȘ nĂŁo tem...â a mulher parou, mordendo o lĂĄbio e olhando ao redor, como se procurasse por alguĂ©m que pudesse ajudĂĄ-la a sair dali, daquela situação. âEu nĂŁo tenho...?â Victoria a pressionou, nĂŁo seria contratada, pelo menos saberia o motivo. âVocĂȘ nĂŁo tem o fĂsico que estamos procurando.â a outra falou rapidamente, corando e baixando a cabeça, claramente envergonhada por estar falando aquilo em voz alta. Victoria sentiu os olhos encherem-se de lĂĄgrimas e respirou fundo, nĂŁo desabaria ali, na frente de uma qualquer que basicamente havia chamado-a de gorda. âTudo bem, pior pra vocĂȘs.â falou em um tom ĂĄcido e se virou, marchando para fora do prĂ©dio, precisava sair o mais rĂĄpido possĂvel.
O caminho de volta para seu apartamento foi feito rapidamente, Victoria mal conseguia focar-se no caminho, tanto que quase bateu o carro duas vezes e quase atropelou um homem uma vez. Assim que chegou em seu prĂ©dio, a morena estacionou o carro em sua vaga e saiu, indo rapidamente na direção dos elevadores, jĂĄ que queria chegar logo em seu apartamento e trancar-se lĂĄ pelo resto do dia. A morena agradeceu mentalmente ao fato de nĂŁo ter nenhuma sessĂŁo de fotos agendada naquele dia, pois nĂŁo sabia se seria capaz de se concentrar e fazer um bom trabalho. O som do elevador anunciando que havia chego ao andar despertou Victoria de seus pensamentos e ela suspirou, pisando para fora do elevador assim que o mesmo abriu suas portas. Parou em frente a seu apartamento e tratou de procurar por suas chaves, suas mĂŁos tremiam tanto que por um momento achou que nĂŁo fosse conseguir achar as malditas chaves, mas conseguiu e suspirou de alĂvio, destrancando a porta e abrindo-a. Victoria entrou em seu apartamento e jogou a chaves e a bolsa em uma pequena mesa que havia logo no hall de entrada, caminhando atĂ© seu quarto afim de tomar um banho de banheira, relaxar e esquecer da situação constrangedora que havia passado hĂĄ menos de uma hora. A morena foi atĂ© o banheiro e abriu o registro da banheira, pegou sua bathbomb favorita e a colocou na ĂĄgua, observando a mesma enquanto ela se dissolvia e misturava-se a ĂĄgua. Checou a temperatura e acendeu as velas que sempre ficavam no banheiro, prontas para serem usadas em um dos rituais de descanso da modelo. Victoria voltou para o quarto e começou a se despir, parando na frente do espelho e encarando seu reflexo, de repente, as palavras daquela mulher inundaram a mente da morena. âVocĂȘ nĂŁo tem o fĂsico que estamos procurandoâ, ela dissera. O que diabos ela queria dizer com aquilo? Victoria tinha um Ăłtimo corpo, frequentava a academia quatro vezes por semana, fazia yoga, caminhadas e alimentava-se bem. Milhares de garotas matariam por um corpo como o dela, entĂŁo como Ă© que aquela mulher havia tido a audĂĄcia de dizer aquilo? Respirando fundo, Victoria forçou-se a olhar para qualquer outro lugar que nĂŁo fosse o espelho, pois sabia que se se encarasse mais um pouco, acabaria tendo uma recaĂda e aquilo era a Ășltima coisa que ela queria. EntĂŁo, a morena terminou de se despir e voltou para o banheiro, fechando o registro e entrando na banheira, um suspiro escapando de seus lĂĄbios quando sentiu a ĂĄgua morna tocar sua pele.
O banho durou cerca de vinte minutos, muito mais do que de costume, mas Victoria precisava relaxar e tirar aqueles pensamentos da cabeça. Apenas quando as pontas de seus dedos estavam totalmente enrugadas, foi que a morena decidiu sair da banheira. Pegou a toalha que estava no encosto da banheira e levantou-se, passando o tecido pelo corpo antes de pisar para fora da banheira. Enxugou-se e caminhou atĂ© a pia, onde pegou alguns cremes que costumava usar e passou no rosto e corpo, aquilo tambĂ©m fazia parte de seu ritual de beleza e era uma parte indispensĂĄvel. Quando terminou, voltou ao quarto e tratou de procurar uma roupa confortĂĄvel para vestir, jĂĄ que nĂŁo planejava sair mais de casa naquele dia, optou por uma camiseta branca e uma calça de moletom preta. Penteou os cabelos enquanto ia atĂ© a cozinha, estava morrendo de fome, pois nĂŁo comera nada alĂ©m de uma maçã antes de sair para a audição. Victoria pegou uma lasanha pronta no freezer e colocou no micro-ondas, ajeitando o tempo e ligando o eletrodomĂ©stico antes de ir pegar um prato e talheres. Enquanto esperava, a morena pegou o celular e começou a checar suas redes sociais mas nĂŁo estava com vontade de responder nenhuma das mensagens que havia recebido, e antes que pudesse se conter, estava procurando por imagens das modelos da Yves Saint Laurent. Todas eram consideravelmente mais altas do que Victoria, e, pelo menos, cinco quilos mais magras. Os olhos castanhos da morena estavam cravados na tela do celular, seu dedo deslizava a tela, mostrando vĂĄrias e vĂĄrias fotos das modelos nas passarelas e sessĂ”es de fotos da marca. O barulho do micro-ondas despertou Victoria de seus pensamentos, fazendo-a pular e largar o celular na mesa. âMerda.â praguejou em voz baixa e levantou-se da cadeira, indo na direção do micro-ondas para desligĂĄ-lo e pegar sua comida. Colocou o pedaço de lasanha do prato e sentou-se novamente, cortando um pedaço e colocando na boca, sem se importar com a quentura do mesmo. Mastigou, mastigou e mastigou, mas nĂŁo conseguia engolir. Quando mais revirava a lasanha na boca, mais se lembrava do acontecido e pior se sentia. Seu estĂŽmago se agitava e a conhecida sensação de nĂĄusea a atingiu, fazendo com que a modelo largasse os talheres e corresse na direção do banheiro. Assim que chegou no cĂŽmodo, Victoria ajoelhou-se na frente da privada e vomitou, seu abdĂŽmen se retesando enquanto ela fazia força para expelir tudo o que havia em seu estĂŽmago. A morena ficou cerca de dois minutos com a cabeça enterrada no vaso, uma de suas mĂŁos tentava remover as mechas de cabelo que teimavam em cair em seu rosto, sem sucesso. Quando jĂĄ nĂŁo havia mais nada em seu estĂŽmago que pudesse ser expelido, Victoria alcançou a descarga e a apertou, deixando seu corpo cair no chĂŁo, seu rosto quente contra o chĂŁo gelado. Vomitar sempre deixava a modelo exausta, e dessa vez, havia vomitado ainda mais do que o normal, entĂŁo a morena estava completamente esgotada. Ficou alguns minutos no chĂŁo, respirando fundo e tentando se recompor, mas sentia uma dor enorme em seu abdĂŽmen e estava tĂŁo fraca que mal conseguia se mover. Mesmo assim, Victoria forçou-se a levantar, escorando-se nas paredes enquanto andava na direção da sala de estar, pois precisava chegar ao interfone para ligar a recepção do prĂ©dio. âJames, Ă© a Victoria...â sussurrou, sua voz estava rouca por conta da força que fizera para vomitar. âSenhorita Chadwick, estĂĄ tudo bem?â o senhor perguntou, claramente preocupado. âChame uma ambulĂąncia, por favor. Preciso ir atĂ© o hospital.â disse, suas pernas tremiam e sentia que podia cair a qualquer minuto. âTudo bem, tudo bem.â James disse do outro lado da linha, sua voz parecia distante e Victoria precisou concentrar-se ao mĂĄximo para ouvi-lo. âMas preciso saber o que est-â A morena largou o interfone antes que o porteiro tivesse terminado de falar, sua cabeça girava e sua visĂŁo estava ficando turva. Victoria tentou segurar-se no sofĂĄ a tempo mas nĂŁo conseguiu e seu corpo atingiu o chĂŁo frio, e rapidamente, a morena fora engolida pela escuridĂŁo.
Foi um barulho agudo, irritante e incessĂĄvel que acordou Victoria. A morena forçou os olhos a se abrirem e instantaneamente se arrependeu, a luz forte invadiu suas orbes e a modelo gemeu, fechando os olhos fortemente. âSenhorita Chadwick?â uma voz feminina a chamou e Victoria colocou uma das mĂŁos na frente do rosto antes de abrir os olhos novamente, assim que eles se focaram na mulher que a chamara, Victoria escaneou as roupas que ela vestia e fez uma careta. Uma enfermeira. âSrta. Chadwick, como vocĂȘ se sente?â a mulher se aproximou, tirando um pequeno bloco de notas de um bolso e uma caneta de outra. âPĂ©ssima.â respondeu, sua voz estava baixa e rouca, sua garganta ardia e Victoria colocou a mĂŁo ao redor da mesma, esperando que aquilo pudesse ajudar a parar a queimação e dor. A risada da enfermeira chamou a atenção da morena, que a olhou bravamente, desde quando enfermeiras podiam rir do sofrimento dos pacientes? âEu vou chamar o Dr. Patricks, nĂŁo saia daqui.â a outra disse e saiu, deixando uma Victoria mal-humorada para trĂĄs. âClaro, porque eu pretendo sair correndo com esse monte de fios ligados a mim.â falou consigo mesma em voz baixa e revirou os olhos. A morena bufou e olhou ao redor, olhando o familiar quarto de hospital, jĂĄ estivera ali algumas vezes pelo mesmo motivo, mas essa era a primeira vez em meses que havia parado no hospital por causa de sua bulimia. A porta fora aberta e Victoria olhou para a mesma, vendo um homem bem mais velho entrando e sorrindo simpaticamente para ela. âOlĂĄ Senhorita Chadwick, eu sou o Dr. Patricks, mas vocĂȘ pode me chamar de Ben.â o senhor aproximou-se e estendeu a mĂŁo para a morena, que a pegou e balançou. âSĂł se vocĂȘ me chamar de Victoria.â respondeu, sorrindo para o doutor. âTudo bem entĂŁo, Victoria.â ele sorriu rapidamente antes de assumir uma postura sĂ©ria, cruzando os braços no peito. âVictoria, vocĂȘ teve uma crise de gastrite muito severa, nĂŁo sei o que poderia ter acontecido se vocĂȘ nĂŁo tivesse notificado o porteiro do seu prĂ©dio e ele nĂŁo tivesse ligado para a ambulĂąncia.â disse seriamente, fazendo com que a garota se encolhesse na cama, odiava levar sermĂ”es, mesmo que soubesse que estava errada. âNĂłs vamos precisar fazer mais alguns exames para ver se estĂĄ tudo bem, o que significa que vocĂȘ vai precisar passar essa noite aqui.â O doutor explicou e Victoria soltou um gemido de frustração. âEu nĂŁo posso, tenho uma sessĂŁo de fotos amanhĂŁ cedo e-â a morena tentou argumentar, mas logo foi cortada pelo doutor. âA Ășnica sessĂŁo que vocĂȘ vai fazer Ă© uma sessĂŁo cheia de exames, entĂŁo nem tente inventar desculpas. SĂł queremos ter certeza de que vocĂȘ ficarĂĄ bem, Victoria.â O Dr. Patricks falou em uma voz calma, apertando o ombro da morena levemente antes de se distanciar. Victoria observou-o caminhar e franziu o cenho quando o mesmo virou-se novamente. âAh, tem um jovem que estĂĄ aqui desde cedo, ele quis entrar e ficar aqui ĂĄ todo o custo, mas nĂŁo deixamos. Ele estĂĄ aqui na frente esperando para te ver, devo mandar ele entrar?â O doutor perguntou, um sorriso doce em seus lĂĄbios enquanto ele falava. âHum, claro.â respondeu, meio incerta. Victoria viu o doutor assentir e sair da sala, deixando-a sozinha com seus pensamentos novamente. Quem diabos estaria ali, acampado hĂĄ sabe-se lĂĄ quantas horas na sala de espera, esperando que ela acordasse. De repente, a porta fora aberta novamente e Victoria sentiu o ar sumir de seus pulmĂ”es assim que ela viu quem era. Oliver. O fotĂłgrafo era uma das poucas pessoas que sabia do problema da garota e sempre tentava ajudĂĄ-la a superar aquilo, entĂŁo sabia o quĂŁo desapontado ele provavelmente estaria. âOli...â murmurou, observando-o se aproximar. Aquele era um dos poucos momentos em que Victoria nĂŁo fazia ideia do que dizer, sabia que a culpa era exclusivamente dela, se ela tivesse sido forte o suficiente para lutar contra a vontade de vomitar, nĂŁo estaria naquele hospital e Oliver nĂŁo teria ficado horas esperando por ela. Victoria fechou os olhos e suspirou ao sentir os lĂĄbios do moreno em sua testa, nĂŁo sabia porquĂȘ, mas sentia-se melhor agora que ele estava ali com ela. âSeu nĂșmero Ă© um dos meus contatos de emergĂȘncia.â fez uma pequena careta ao confessar aquilo, nĂŁo sabia como ele iria reagir com aquela informação. A modelo ficou em silĂȘncio, apenas olhando para Oliver, inclinando o rosto levemente quando o rapaz o acariciou. NĂŁo sabia como explicar o que havia acontecido, havia deixado suas inseguranças e futilidades tomarem conta de si e acabara fazendo a Ășltima coisa que queria. âEu...â tentou falar, mas o bolo em sua garganta deixava tudo mais difĂcil. âMe desculpe. E-eu nĂŁo queria ter feito isso...â disse, deixando as lĂĄgrimas rolarem sem se importar com o fato de que estava chorando na frente de alguĂ©m.