lxveau:
⠀⠀⠀ ❛ — Oh céus… — O suspiro que escapuliu de Prudence denunciava seu cansaço precoce daquela conversa que ela tinha certeza que lhe fadigaria. Anos de convivência com Faize, para o bem ou mal, fez com que ela já bem estivesse ciente do quão ávida a amiga poderia ser, ainda mais se tratando de si. A conexão das duas parecia até astral, como se de fato ambas estivessem predestinadas, tal como a típica lenda japonesa do laço escarlate. Por isso, esquivar-se de tratar sobre os próprios sentimentos e conflitos com a outra era quase impossível, pois ela sentia como se Faize lesse cada fragmento de seu ser, como se de fato tivesse parte de sua alma consigo, e vice-versa. — Cassiopéia. — Verbalizar aquele nome não era tão doloroso como foi na noite quem descobriu tudo, haviam se passado alguns dias, mas o luto ainda parecia querer culminar Prudence. — A mataram, Faize. Aqueles mortais nojentos… — Os punhos se semicerraram, e Prudence precisou tomar uma longa lufada de ar para que conseguisse estabilizar-se. Não iria mais chorar. Não mesmo. — Tiraram mais uma de nós. E o que o conselho faz? Nada. Novidade seria se eles se posicionassem sobre algo, afinal. — Prudence ficava irada só de falar sobre aquele bando de covardes escondidos sob uma faceta falsa de anarquismo. Ugh.
A noite renunciara Faize. Sonhos pertenciam a aquele que reinava absoluto nas dependências oníricas, não a ela, mas ansiava pelas revelações que obtinha através deles como se o dom fosse além do humilde presente divino. O primogênito estava certo, afinal. A ruína da bruxa poderia ser a conduta frente o tamanho poder que desenvolvia. Os deuses a colocariam no devido lugar. Há tempos, sinos tibetanos soavam no universo anímico para a despertar no meio da madrugada com apenas um assunto em mente. Supremacia sobrenatural. Esquivar-se de algo que a persegue por existir resultaria no que mais doía, ceder. A voz do irmão, enfatizando o ensinamento dos anciãos sobre convivência pacífica, denunciava os erros contidos no pensamento vingativo. Já os relatos de Prudence e outros alunos embalsamavam a angústia suscitada pelo tio. — Mais uma. — Repetiu atônita. Niyati foi mais uma. Antes de falar a primeira palavra, dar o primeiro passo e completar a primeira volta na Terra. Virou número. — Desculpe, Prudence, você me contou sobre tantos casos parecidos que a cada vez sei menos o que falar. — O coração se comprimia, destilando fel. — Se nós agíssemos....










