“Eu sei que você conseguiria se defender muito bem no torneio, mas não gostaria que você participasse. É perigoso, Brutus.” Lily respondeu, com a cabeça apoiada em uma das mãos. Parecia que agora havia virado o seu lema panfletar contra a inscrição de seus amigos no Torneio Tribruxo, mas aparentemente todos eles eram malucos e queriam entrar. “Eu não sei de quem foi a ideia de criar isso em primeiro lugar. Quem em sã consciência inventaria uma competição tão perigosa que os diretores são obrigados a esclarecer que você pode morrer nela?” Rolou os olhos, balançando a cabeça em negativo. Hogwarts era o lugar mais seguro do mundo, aham. “Ela pode não gostar que você está aqui, mas eu gosto. Se você estivesse em Beauxbatons ao menos esse torneio teria uma vantagem, na verdade… Você viria pra cá de qualquer jeito.”
Aproveitando o clima festivo da chegada as duas outras escolas, sentar-se à mesa da Sonserina, ao invés da costumeira Grifinória, tivera um único propósito: Brutus, alto como um poste, tinha avistado uma travessa grande de bouillabaisse de longe e acima das cabeças dos colegas. A comida típica francesa era uma que sentia falta — estava, inclusive, havia meses tentando convencer Kipsy a aprender a receita, mas o elfo se mostrava relutante em ouvir pitacos de estranhos à respeito de seus dotes culinários. De todo modo, o corpo largo do meio-gigante agora se encontrava ao lado de Lily no banco extenso. Se ia confraternizar na mesa do inimigo (palavras do sensei Fred Weasley II, não suas), ao menos havia de ser esperto o suficiente para ocupar o assento mais favorável. À preocupação dela, Brutus abriu um sorriso divertido.
“Vocês tên uma arvorrè que espanca qualquerr um que passe porr perto, um poltergeist solto nos corredorres e uma florresta prroibide’ cheia de crriaturras mágiquês selvagens que, inclusive, é o destino de algumas detençons. Sobrreviver em ‘Ogwarts é perrigoso, Lilly.” De fato, os primeiros dias naquele castelo tinham sido desafiadores, especialmente quando se vinha de uma escola refinada como beauxbatons. Mas não achou de bom tom mencionar aquela parte em particular; estava lá por vontade própria, não estava? então que se adaptasse. “Sem falarr nas escadarrias que se movem, perrigosíssimes!” ele continuou, dando ênfase a seu ponto num tom, àquela altura, mais brincalhão do que sério. “De quem foi a ideia eu non sei, mas certamént faltava uns parrafusos nos brruxos da idade média. Você já ouviu falarr de um jogo chamado ‘rracha-crrânio’?” Ergueu as sobrancelhas, curioso. Quanto ao último comentário dela, o coração do grandalhão aqueceu-se de imediato. Especialmente após notar o desconforto nítido nas expressões de alguns Sonserinos na mesa (se pelo vermelho de suas vestes ou pelo status mestiço, realmente não sabia). Ter tornado-se mais próximo dos Potters e Weasleys havia sido um dos pontos altos de sua transferência, sem dúvidas — um que superava qualquer dificuldade de acomodação. “Também gosto de estarr aqui, Lilly, apesarr de tudo...” brincou mais uma vez, abrindo um sorriso largo. Sentia formigação ligeira nas bochechas. “Sérrio, obrrigado por serrem ton receptivos comigo. E agrradeço a prreocupacion, mas algo como o torneio t-rribrruxo é importante demais parra deixar passar. Esperro que entenda.”