Isso não é sobre uma história de amor.
Recorri ao tarot. À escrita. Me afundei no trabalho e nas coisas da faculdade. Pensei em desistir N vezes. Te odiei como nunca e te espaguejei pra meio mundo. Minha vontade é gritar pra todos tua falta de humanidade.
Corri pra análise. Uma hora falando sem parar. Vomitando as borboletas mortas. As pernas inquietas. O corpo tremendo. Dor. Medo. As fichas caindo. O desespero de quem acha que perdeu tudo. Depois o alívio ao saber o óbvio. Mas não adianta. É momentâneo.
Cortei o cabelo. Chorei no banho. Me obrigo a escrever pra te expelir de mim. Fiz minha mãe te odiar. Respirei fundo mil vezes só hoje. Chorei depois de rir. Tudo dói, mas eu finjo que não. Parece o fim do mundo, mas eu sei que é o só o começo.
Foste o rito de passagem mais doloroso e violento que poderia ter sido, pra eu poder ser quem preciso ser. Pra despertar totalmente a vontade das lutas que vou travar. Foste o que tinhas que ser.
Teu fantasma ainda está aqui. Mesmo ciente da tua podridão, parte de mim sente tua falta.
Eu fico esperando um sinal de volta, mas não deveria. Eu fico esperando um sinal de volta daquele que me esgotou emocionalmente e destruiu, com vontade.
Hoje eu sei que nunca foi amor. Sempre foi Síndrome de Estocolmo. Pura dependência.
Só queria te arrancar da minha memória e te limpar do meu corpo, porque agora tua existência me causa repulsa.











