𝐞𝐥𝐞𝐨𝐧𝐨𝐫𝐚 𝐦𝐚𝐫𝐢𝐚 𝐦𝐢𝐜𝐚𝐞𝐥𝐚 𝐠𝐚𝐬𝐩𝐚𝐫 𝐝𝐞 𝐛𝐫𝐚𝐠𝐚𝐧ç𝐚. 𝐩𝐫𝐢𝐧𝐜𝐞𝐬𝐚 𝐫𝐞𝐚𝐥 𝐝𝐨 𝐛𝐫𝐚𝐬𝐢𝐥.
i follow the night; can't stand the light. when will i begin my life again? one day i'll fly away, when will love be through with me?
alto, quem vem lá? oh, é 𝐄𝐋𝐄𝐎𝐍𝐎𝐑𝐀 𝐌𝐀𝐑𝐈𝐀 𝐌𝐈𝐂𝐀𝐄𝐋𝐀 𝐆𝐀𝐒𝐏𝐀𝐑 𝐃𝐄 𝐁𝐑𝐀𝐆𝐀𝐍Ç𝐀, a 𝐏𝐑𝐈𝐍𝐂𝐄𝐒𝐀 𝐑𝐄𝐀𝐋 do 𝐁𝐑𝐀𝐒𝐈𝐋 de 𝐕𝐈𝐍𝐓𝐄 𝐄 𝐐𝐔𝐀𝐓𝐑𝐎 anos, como é bom recebê-la! está gostando da frança? tenho certeza que será muitíssimo bem tratada por nós aqui, sendo tão 𝐁𝐄𝐍𝐄𝐕𝐎𝐋𝐀 𝐄 𝐃𝐈𝐋𝐈𝐆𝐄𝐍𝐓𝐄. só não deixe transparecer ser 𝐑𝐈𝐆𝐈𝐃𝐀 𝐄 𝐂𝐑𝐈𝐓𝐈𝐂𝐀 que sua estadia será excelente. por favor, por aqui, estão todos lhe esperando!
𝐩𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐞𝐬𝐭.
𝐁𝐈𝐎𝐆𝐑𝐀𝐏𝐇𝐘:
Desde que entende-se por gente, Eleonora compreende que foi educada para se tornar um referencial de mulher, além de seguir os bons costumes. Sua vida foi estabelecida dentro de um ambiente convervador, às vezes um pouco restrito mas sempre carregado de amor com uma boa dose de surprestições religiosas. Não ser a princesa ascendente ao trono não significava que não deveria obter toda educação devida, pelo contrário, estar a altura de criar conexões necessárias para o seu país era o seu principal objetivo de vida.
Por conta da situação instável de seu país, embora este fosse rico em materias primas e outros países também dependessem dele, sabia que precisaria ser a ponte, se caso necessário, para estatuir alianças. Viu seus pais viverem em prol da dignifidade e necessidade de seu povo, logo, também estaria disposta a fazê-lo se alguma coisa pudesse depender de si, mesmo que para a garota, casamento e família estavam cem por centro atrelados a ideia de amor e devoção. Todavia, não podia deixar que seu povo vivesse a crise que outros países enfrentavam, não conseguia conceber a ideia de enfrentar o mesmo desequilibrio que via ao redor do mundo.
Graças a isso, sua visita ao país tinha um propósito, este que embora não a agradasse, sabia ser preciso. Alianças. Tudo na situação atual do seu país poderia ser resumido a necessidade de uma estabilidade. Embora a França não estivesse em uma situação favorável, também a enxergava como uma futura potencia, não vendo necessidade em colocar para baixo os seus em situações de crise. Eleonora estava disposta a dar apoio, mesmo que seu interesse também estivesse velado. Estava prestes a se casar por procuração e a seleção era uma desculpa para bisbilhotar mais de perto o seu prometido que também acreditava estar lá presente.
𝐇𝐄𝐀𝐃𝐂𝐀𝐍𝐎𝐍𝐒:
Pode ser considerada uma romântica incorrigível, às vezes beirando a insensatez por acreditar fielmente em almas gêmeas e predestinação.
É a quinta filha do rei luso-brasileiro.
Devido a sua criação, é bastante religosa e deixa suas crenças em evidência a todo momento.
De todas as coisas que foi obrigada a aprender para ser a esposa perfeita, costura é a sua favorita. Eleonora adora bordados e crochê.
Detesta ser chamada de Eleonora Maria, assim também como não gosta do nome do meio: Micaela.
Confia em poucas pessoas.
Fala muito pouco, e quando fala, sempre diz apenas o necessário.
Nunca teve muitos amigos, as damas de companhia eram as únicas que conseguiam atravessar a sua bolha.
Gentileza e educação é algo pelo qual preza acima de qualquer outra coisa.
Não se importa com títulos de nobreza. Sempre tratará a todos de forma igualitária.
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GELEIAS DE SÃO VALENTIM, em companhia de @elecnora.
Séraphine ergueu discretamente o rosto para ver quem se aproximava. Sabia que o ressoar dos passos vinha até perto de onde ela estava, quer o destino fosse a mesa da cozinha que ela ocupava, mais afastada das mesas lotadas por empregados atarefados, ou outro. Ela pôs de lado a laranja que descascava assim que reconheceu a princesa luso-brasileira, oferecendo a ela uma reverência e um sorriso gentil. Não imaginava o que alguém da realeza poderia desejar nas cozinhas se poderiam simplesmente ordenar um dos criados servirem a eles com o que queriam, mas não era a primeira vez que via um dos convidados estrangeiros ali.
“Vossa Alteza. Posso ajudá-la?”, perguntou, mantendo a postura impecável. Por mais que desejasse, não voltaria aos seus afazeres até que recebesse permissão para tal.
Havia descoberto certo apreço por andar pelo castelo. Observar a paisagem, e principalmente os jardins, era algo que a agradava. Em seu país, não tinha o costume de fazê-lo, seus pais a encarregavam de muitas tarefas, o que não a deixava tempo para outras atividades, mesmo as mais banais. Às vezes, costumava pensar em fugas, mas por ser disciplinada demais, dificilmente conseguia colocar em prática qualquer ação insubordinada. Algo que, nos últimos dias, andava pensando bastante a respeito.
Eleonora adorava cozinhas, assim como preparar qualquer tipo de alimento. Recentemente, tinha muito em sua mente e coração, por isso, sentiu saudade dos dias onde preparava algo para si e para os irmãos. Ou as longas conversas que tinham na cozinha do castelo. Ao se dar conta, acabou entrando no local, os pés a levando mais rápido do que o planejado. Acabou por avistar Séraphine, alguém com quem conversara poucas vezes. "Não quero atrapalhar." Informou, prontamente. "Só queria um pouco de distração... Será que posso ajudá-la no que está preparando?"
ficou em silêncio com a pergunta, não sabendo como respondê-la. era evidente que não estava bem, seja pelo corpo exausto ou pela conversa pesada, além dos próprios sentimentos e pensamentos antes deste diálogo. como poderia sintetizar tudo isso sem sentir vontade de chorar? a guarda precisou de um instante para se reprimir, desviando o olhar para o lado e respondendo numa voz controlada. "estarei melhor amanhã." não tinha garantia disso, de mais nada. se suas preocupações antes eram sobre suas ações e os sentimentos de eleonora, agora tudo era bizarramente maior. não dava para ficar magoada, mas também não conseguia evitá-la. "não sei, foi uma sugestão." deu de ombros. "não tenho muitas opções, eleonora. se descobrirem que sei dos seus planos e não reportei, estou encrencada. se descobrem que me envolvi com você, mesmo resultado. enfim, tudo será respingado em mim, querendo ou não. mas, não vou te abandonar por isso. você precisa de ajuda, creio que ainda somos amigas, então... vou ajudar." não era o melhor momento para questionar a amizade delas, mas quando viu, já deixou implícita a dúvida em sua fala. "podemos voltar para o evento? não sei se tenho energia para continuar essa conversa."
Embora reconhecesse Marjorie como uma pessoa evasiva, perceber a forma como ela fugiu da sua pergunta a deixou abalada. Eleonora sabia que a relação das duas não andava nos melhores termos, e com aquilo, apenas conseguia pensar que estava tudo indo de mal a pior. "Tudo bem." Concordou, mesmo que soubesse que tudo estava muito distante de bem. Não parecia correto questioná-la, ainda mais se levasse em consideração a maneira como havia se comportado nos últimos dias. "Talvez você seja punida se descobrirem que sabia de tudo. Mas fingir que não sabia de nada ainda pode funcionar. Eu posso escrever uma carta, se for preciso." Explicou, mesmo sabendo o quão arcaico seria aquela opção. "Acho que nós não somos mais amigas. Ou melhor, não somos apenas amigas..." Sabia que tudo havia desandado por tirar suas próprias conclusões. Mas quanto aquilo, enfim, sabia que não havia para onde fugir. Haviam ultrapassado as barreiras da amizade, era um fato. "Claro... Você ainda deve estar querendo aquele café." Balançou a cabeça, tomando a frente para voltarem a festa mesmo que não estivesse no clima para tal.
era difícil ouvir que o que fizeram era ruim, assim como bonito. gostaria de contrariar, mas sabia muito bem como a família dela e a própria eram religiosos. não estava com tanta disposição para desenvolver uma conversa desse tipo, portanto, apenas se calou. por mais que tentasse se apegar a parte que mais importava, sobre como ela se sentiu e faria novamente tudo de novo, marjorie não gostou de ouvir a primeira parte. egoistamente, não faria tudo de novo se tivesse chance; não se o final fosse aquele. ao menos era como seu lado racional pensava, não sabendo até que ponto se manteria naquela opinião. acabou cruzando seus braços, vendo a reação da outra e revirando seus olhos. não enfatizaria de novo que era amiga dela, então colocaria seu lado na mesa. "porque já estou ferrada, eleonora." dessa vez, não buscou por sinônimos mais brandos; não tinha como descrever sua situação de outra maneira se não essa. "não vou ser deserdada. no máximo, se descobrirem, perco meu emprego e serei a grande decepção da família. mas, isso era inevitável... cedo ou tarde, desapontaria eles." deu de ombros, sendo evidente o quanto já havia pensado nesse futuro. se não fosse desapontar com suas atitudes na frança, desapontaria com detalhes que fugiram do planejamento deles. "não é hora de você recusar ajuda, sabia? provavelmente, sou a única pessoa que poderia te ajudar com isso, então, apenas aceite." reforçou, direta e sem qualquer tentativa de eufemismo. se esse era o caminho escolhido, então ela precisava se preparar. "amanhã começamos a planejar como faremos isso acontecer."
Estranhando o linguajar, franziu o cenho. Não era sempre que via Marjorie perder a linha, portanto, começou a se preocupar com o quão cansada a mulher deveria estar. "Você está bem?" A pergunta lhe escapou sem controle, limpando os próprios olhos conforme percebia que havia finalmente conseguido controlar o ímpeto em continuar chorando. "Por que amanhã?" Ainda estranhando toda a situação, questionou. Não estava com pressa, no fim das contas. Porém, não conseguia entender o motivo pelo qual Marjorie estiva disposta a ajudá-la em tudo aquilo. Mesmo sabendo do contexto que tinham, da amizade que conservaram durante anos. "Eu só... Não quero te prejudicar. Mais do que já estou fazendo."
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"é. conhecer os lugares que normalmente nós não iríamos... se bem que, ouvi dizer que a frança não está no seu melhor momento." sua voz foi abaixando, como se estivesse contando alguma fofoca, quando, na verdade, todos sabiam disso. a diferença era que não poderiam falar abertamente, dependendo do status social. "mas, ainda deve ter alguns lugares para explorar." deu de ombros, despreocupado. "nem amizades?" fez uma careta. "acho que você está muito preocupada com o que os outros pensam, alteza. nós não somos os herdeiros... não é todo mundo que se interessa em colocar nossos rostos nos jornais." ao menos era isso o que acreditava. para eleonora, deveria ser mais fácil ainda fugir das regras por ter tantos irmãos. quase a invejou por isso. "parabéns pelo noivado." ofereceu um sorriso curto. "quer escolher a música?"
"Acho que as coisas estão se ajeitando por aqui, aparentemente. Com a Seleção e tudo mais." Deu de ombros, não sabendo como opinar a respeito. Mesmo porque, o país da luso-brasileira estava tão ruim quanto, senão pior. "Não com homens." Sabia que o conservadorismo da sua família era esquisito, mas não havia como fugir daquele tipo de discurso. Era a sua realidade, no fim das contas. "Não é exatamente assim... Mas entendo o que está querendo dizer." Não herdar o trono não fazia com que suas obrigações evaporassem. Era evidente que seu irmã sofria muito mais por sua herança, todavia, sabia como os pais conseguiam ser carrascos com cada um dos seus dez filhos. "Obrigada." Esticou os lábios em um sorriso amigável, ainda tentando manter as aparências e não fazer uma careta com a mais vaga ideia de um possível casamento. "Acho melhor não, posso acabar escolhendo algo clássico demais para a ocasião."
não sabia explicar o sentimento que aquela afirmação trouxe para si, mas aliviou minimamente sua angústia. racionalmente, ela não teria mesmo uma princesa para proteger; teria que encontrar outra pessoa para continuar com sua carreira. se dependesse dos seus pais, os outros irmãos de eleonora, e isso causava certo sofrimento para si. não queria ser guarda de outra pessoa; talvez nem gostasse tanto de ser guarda. por outro lado, sabia o que significava ser ainda sua princesa. sabia que não era questão de título de nobreza, mas algo muito mais pessoal e até íntimo. era algo amoroso e que sentiu falta nos últimos dias. nunca viu a amiga tão certa sobre algo e uma parte de si ficava feliz com isso, ao mesmo tempo em que se preocupava. se rebelar contra os pais era algo que certamente não esperava dela, mas se isso significava ser feliz, então apoiaria. quase riu com a menção do pecado imperdoável, disfarçando ao pressionar os lábios um contra o outro, desviando seu olhar por um instante, lembrando que estavam em público. parecia seguro ainda. "você pode ser minha princesa, mas não precisaria me pedir uma coisa dessas. eu escolheria." a corrigiu, continuando. "honestamente, pecados imperdoáveis nunca fizeram sentido para mim. contextos são essenciais para se analisar uma situação e nós não machucamos ninguém..." nos amando. desviou seu olhar, sentindo o rosto esquentar ao perceber o que quase dissera; até se perdendo um pouco. "existem pessoas fazendo coisas muito piores do que isso." murmurou, completando sua ideia. "não que um erro justifique o outro, mas o peso de cada pecado deveria ser avaliado antes de condenado." deu de ombros, não sabendo se era o melhor momento para ter uma conversa do tipo. "você não quer cancelar seu noivado e sair da família real?" ergueu uma sobrancelha. "eu vou te ajudar a pensar na melhor maneira de fazer isso." afirmou, a encarando. "será minha última missão para você, princesa."
Respirou profundamente, questionando-se por um breve momento se era mesmo tão difícil compreender seu ponto de vista. Com a saída de seu país, ou a convivência com pessoas diferentes de si, notou como era complicado visualizar as coisas por sua perspectiva. Não sabia até que ponto a religião havia colocado uma venda em seus olhos, mas todos pareciam pensar que estava ficando louca por pensar da forma que pensava. "Eu cresci acreditando na ideia de que ser traída ou trair era imperdoável, abominável. Não é só porque entendo os motivos pelo qual o fiz que automaticamente deixa de ser ruim." Explicou, ainda que tudo em sua cabeça estivesse embolado como um dos seus novelos de lã. "Não 'tô dizendo que o que fizemos é ruim. O que eu sinto por você é uma das coisas mais bonitas que eu já senti... Também não 'tô dizendo que eu me arrependa. Acho que é o que me atormenta. Saber que eu faria tudo de novo se tivesse a chance." Sentia-se mal em admitir os seus pecados em voz alta. Porém, Deus sabia que a mentira também seria um deles, logo, não poderia negar o que no fundo sabia ser a mais pura verdade. Automaticamente a encarou no momento em que ouviu sua proposta, os olhos mais abertos e expressivos. "Ficou doida? Por que você se arriscaria desse jeito? E se acabar sendo deserdada como eu?"
"tudo bem... mas, se algum dia mudar de ideia e quiser explorar a cidade de um jeito diferente, pode me chamar." deu uma piscadela, deixando claro que sua oferta continuaria em pé, mas sem qualquer pressão. sabia que poderia ser empolgado em alguns assuntos, porém, sempre se parava antes de sufocar as pessoas com seus interesses. "que tipo de fofoca, alteza? só consigo pensar em fofocas românticas, o que seria bem... não é você que está noiva? tem alguém aqui que está." estreitou os olhos, tentando lembrar qual das princesas era, mas tinha quase certeza que se tratava dela. "bom, independente disso... minha dedicação não seria pública. só você saberia que é para você, sabe? como um segredo nosso. e sem romance, claro."
"Explorar a cidade?" Franziu o cenho, bastante interessada naquela parte da conversa embora não pudesse admitir em voz alta. Explorar parecia algo que Eleonora estava disposta a fazer. Principalmente se isso englobasse outros lugares fora de Versalhes. "Eu não poderia ter uma amizade com você, por exemplo. Se esse tipo de fofoca surgisse, me causaria alguns problemas." Explicou, mesmo que soubesse que soaria como um total absurdo para o rapaz. "Sim, eu estou noiva." Sentia vontade de vomitar ao dizer aquilo, mas o fez mesmo assim. Ainda precisava manter as aparências. "Nesse caso, então não vejo problemas. Você pode ir até lá cantar."
mordeu sua língua para não a interromper, levando as mãos para a cintura enquanto andava de um lado para o outro em um espaço pequeno. a má interpretação de suas palavras, distorção e escolha de se fechar alimentava novamente a chama de sua irritação. como ela poderia pensar isso?! ela não lembrava de suas palavras exatas, mas sabia que não se incomodava com a ideia. por deus, a guarda realmente aceitaria ser amante?! por eleonora, sim. parou de andar assim que escutou a vontade alheia em não se casar, finalmente a encarando novamente.
por mais incomodada que estivesse com tudo, não conseguia a ver daquele jeito sem sentir minimamente triste. era visível o sofrimento da princesa, as revelações eram pesadas para si, imagine para ela. marjorie sentiu seu corpo vagarosamente sair do modo defensivo, enquanto soltava os braços e respirava fundo. "meus planos são você, eleonora." falou baixo, não querendo soar romântica, mesmo que pudesse ser interpretada assim. por esse motivo, se explicou. "a minha vida inteira fui instruída a servir você e sua família. eu não estava no palácio por diversão, mesmo que fosse divertido te ver, toda nossa amizade..." a lembrança arrancou um sorriso de si, frágil e triste. "minha missão é te proteger. o que eu sou... o que eu vou ser se você não é mais minha princesa?" não tinha pensado nisso antes, até porque nem sabia dos planos alheios. no entanto, pensar nisso agora era como voltar na estaca zero; meses atrás quando temia que eleonora fosse embora com seu noivo e a deixasse para trás. talvez fosse pior porque, querendo ou não, sabia que seus sentimentos eram muito mais profundos do que imaginava. agora tudo era pior. piscando rapidamente para conter suas lágrimas, deu um passo na direção dela, pela primeira vez alcançando uma de suas mãos para segurar, delicadamente. "não posso pedir para reconsiderar, mesmo que fosse parte de minha obrigação fazer isso. consertar, te manter focada em seu casamento, nessa aliança..." umedeceu os lábios. "mas, sou sua amiga. não quero te ver sofrendo... e sei que você está. só gostaria que tivesse me dito antes isso." lembrando do início da fala dela, retomou. "se tivesse me dito, eu poderia dizer que acho inadequado ser namorada de alguém comprometida. mas, isso não me impediria de continuar com você." finalizou, apertando a mão dela sem muita força, em seguida, a soltando. "enfim, precisamos de um plano."
Percebendo que torcia pelo pior, esperou ouvir algo muito diferente do que os ouvidos captaram. Os olhos marejados, rapidamente, encararam a guarda com uma expressão indecifrável, sentindo o nó na garganta se transformar nos batimentos acelerados dentro da caixa torácica, estes que ofuscavam todas as outras reações de seu corpo. "Ainda sou sua princesa, Marjorie. Independente do título que eu tenha, ou de onde eu esteja, sempre vou ser sua princesa." Sabia que para si aquelas palavras possuíam um significado muito mais profundo do que fazia parecer, todavia, no fundo, também entendia que aquela era a mais pura verdade. Seus pais até poderia deserdá-la, excluí-la, fingir que Eleonora nunca havia existido. Mas no fim, Eleonora seria eternamente a princesa do Brasil. Com a aproximação, os músculos do corpo tensionaram e por um breve momento pensou em se afastar, mas não conseguiu; deixando que ela segurasse suas mãos à medida que brigava consigo mesma para manter os olhos secos. "Nem mesmo se tentasse conseguiria. Estou segura da minha decisão, não pretendo voltar atrás. Eu não vou me casar com aquele homem." Eleonora era segura sobre poucas coisas na vida. Porém, naquele momento, estava convicta de sua decisão. "Marjorie... Eu jamais te pediria algo assim... Adultério é um pecado imperdoável." Falou, mas não tardou a abaixar a cabeça, rindo de si mesma por se sentir ridícula em ainda acreditar nas crenças que fora ensinada. Passou as mãos pelo rosto, soltar o ar dos pulmões. "Não adiantou muito, no fim das contas. Acho que já cometi o meu pecado imperdoável." Deu de ombros, arrumando os fios do cabelo sem desejar se aprofundar naquele pensamento. "Como assim precisamos de um plano?"
sentiu em sua garganta toda a frustração engolida, sobre especialmente a formalidade exagerada que se instaurou após questionar o termo namorada. formalidade e frieza. desejava nunca ter aberto a boca, voltar no tempo, talvez nunca ter aceitado viajar. era melhor ter se despedido de eleonora do que destruir tudo. somente a encarou quando sentiu ser puxada, acompanhando seus passos para um ambiente menos movimentado. não entendia mais sua amiga; não tinha nada para conversar, mas agora queria conversar. será que deveria a chamar de amiga? tentou acalmar seu lado mais inflamado, sentindo o primeiro choque ao processar o que era dito. "do que é que você está falando?!" falou com uma careta, sem entender, mais baixo. a falta de compreensão só a deixava mais impaciente, sendo visível a dureza em seu olhar. "por deus, eleonora..." bufou, voltando a passar a mão pelo seu rosto, tentando se conter, sem sucesso. "você mudou comigo. da noite para o dia, simplesmente... me afastou. como eu poderia pensar em outra coisa, senão que seu interesse por mim acabou? que ultrapassei os limites? que você apenas me tolera agora?" o cansaço venceu, deixando que o filtro ficasse para outro momento. tudo aquilo parecia insano demais para ser verdade. "não suporto a ideia de que nós... de que você não quer ser mais minha amiga." se corrigiu, seus olhos voltando a marejar. "e agora você me diz que vai abandonar o brasil? sua família? eu?" fez uma pausa, odiando se ouvir daquele jeito. fazia anos que não escutava sua voz tão... frágil. detestou mais ainda a possibilidade de eleonora nem ter cogitado contá-la sobre seus planos, a deixando para trás. "por que...? por que isso agora? por que você não me contou?" você é uma guarda, é evidente que ela levou isso em consideração. mas, eu sou sua amiga também. ficou em silêncio, a raiva e frustração dando mais espaço para a mágoa que crescia como uma bola de neve conforme o tempo passava. "isso é minha culpa? o motivo de você... querer se isolar? pelo que fizemos?"
Abaixou a cabeça no momento em que percebeu o tom usado pela guarda, fosse pela maneira como a voz escapava dos lábios de modo tão afetado ou o olhar lançado em sua direção. Tudo contribuía para que Eleonora se sentisse a pior pessoa do mundo, mordendo o canto dos lábios para conter o ímpeto de chorar. Poderia ser muito ingênua, mas já esperava aquele tipo de reação da mulher, e não a condenaria por isso. Mesmo que um enorme nó se formasse em sua garganta, a impedindo de expressar como se sentia, como tudo aquilo também a magoava imensamente. "Sei que não agi da forma mais adequada, poderia ter tomado uma atitude melhor sobre essa situação, mas já não sabia o que fazer. Você deixou claro que o nosso relacionamento era inadequado, me fez entender que se relacionar comigo, estando noiva de outra pessoa, era inapropriado." Mal conseguia findar a frase sem sentir o enorme peso da culpa. "Não sei até que ponto a minha posição te fez considerar tudo o que vivemos. Acho que sempre gostei de você e agora me pergunto se não influenciei todas as decisões até esse ponto. Mas não quero mais ser essa pessoa, eu não posso ser essa pessoa." Novamente, limpou as bochechas molhadas, respirando fundo. "Não, isso não tem a ver com você, tem a ver comigo. Percebi que não posso mais continuar desse jeito, eu não.... Não quero casar." Admitiu, em um tom de voz baixo, este que por mais que fosse doloroso, lhe causava extremo alívio por poder ser finalmente dito. "Eu... Eu sequer gosto de homens. Não posso continuar deixando os meus pais me usarem da forma que bem entendem. Eu amo a minha família mas não posso permitir isso." Aquela altura já não se importava mais em limpar os olhos, ou sequer conter o ímpeto de chorar. "Assim como também não posso pedir para que abandone o seu país ou os seus planos. Assim como não posso influenciar que deseje ser a minha namorada como eu desejo ser a sua. Não quero ser como os meus pais, Marjorie. Não quero usar o meu título ao meu favor."
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"oh..." isso era deprimente. achava que o brasil era um país mais alegre, mas pelo visto, a família real não compartilhava dessa mesma visão. "você deveria tentar um dia... não em um palco público, mas uma sala privada. chamar alguns amigos e soltar a voz." sugeriu com um sorriso gentil. "acho que coisas de príncipes e princesas não precisam nos impedir de experimentar coisas novas." era isso o que pensava, ao menos. o título nunca foi um obstáculo para si, pelo contrário, abria portas. mas, não tinha interesse em começar uma grande discussão sobre como eram privilegiados; todos sabiam disso. e do preço desse privilégio, é claro. "não? por que não? não seria uma música romântica, se é essa sua preocupação, alteza. só algo que você gosta."
"Sinceramente não sei se conseguiria, Alteza." Embora não pudesse ter certeza do que afirmava, ainda o fazia. Eleonora não parecia ter muitos talentos para ser artística, logo, não conseguia se imaginar em um palco nem mesmo que este fosse privado. Balançou a cabeça em concordância ao ouvi-lo, compreendendo perfeitamente as suas palavras. Ainda que soubesse que teoria era muito diferente da prática. Principalmente se tratando de sua família. "As pessoas podem pensar bobagens... Ah, não! Não! Nem considerei nada romântico. É que as pessoas criam fofocas com tudo mesmo." Sentiu as bochechas se colorirem em um vermelho quente, preocupando-se com o que o rapaz pensaria ao seu respeito ao dizer todas aquelas coisas.
reagan tinha medo de lugares pequenos desde quando saiu da prisão. se tinha mais pessoas ainda? horrível. ela sabia que era incompreensível não conseguir subir na roda gigante naquelas cabines apertadas, mesmo que tivessem aberturas e janelas... só que tinha outras coisas do evento para se distrair, e era o que faria. isso é, se não parassem de ser importunada com convites para subir lá. ❛ ― Hm ? Sorry, babe. ❜ colocou a mão no ombro de @you! tentando soar carismática e não deixar claro que estava suando frio. ❛ ― Eu tenho uma dessas na Inglaterra. Beeeem maior. Mais bonita, mais alta. Essa eu passo. Não prefere me acompanhar na barraquinha da pescaria ? ❜
"Ah, não! Não estou indo para a roda gigante!" Ao perceber que havia fugido tanto das pessoas a sua volta que, por mero acaso, se enfiara em uma fila sem sequer saber para onde esta dava, respondeu. Com um pedido de desculpas e um sorriso amarelo nos lábios, deixou seu espaço na fila para pessoa atrás de si, saindo de mansinho e bastante envergonhada, tanto que suas bochechas não só estavam mais pigmentadas como mais quentes. "Desculpe, estou muito distraída. Acho que não seria uma boa companhia na barraca de pescaria."
_ Ai, eu só queria que a princesa estivesse disponível, assim que poderia ganhar alguns ursinhos pra ela. - disse fazendo questão de aumentar a voz pra poder pegar em alguma das câmeras próximas.
"Acho que você ainda pode conseguir o ursinho pra ela e entregar depois." Sugeriu, mesmo que não houvesse sido convidada propriamente para aquela conversa. Eleonora apenas gostava da ideia de ter contribuído para uma interação romântica entre a princesa e uma das suas selecionadas. "Acredito que ela gostaria."
"sim, por um guarda mais qualificado." por mais que isso ferisse um pouco seu ego, precisava priorizar a segurança da outra e avaliar o quão decente estava sendo seu trabalho até então. com a quantidade de distrações nos últimos dias, talvez até semanas, não sabia se estava sendo a melhor opção; ainda mais quando o motivo de sua distração era justamente quem deveria proteger. no entanto, nada poderia a preparar para como eleonora estava falando consigo. ficou quieta, apenas encarando a mais baixa sem conseguir acreditar. quem a conhecia sabia que seus pedidos, ainda mais em horário de trabalho, eram raros. mais humilhante do que isso, somente ouvir que não tinha nada para se conversar. seus olhos ficaram marejados, precisando lutar para conter seus sentimentos, sua raiva, sua frustração, mas especialmente, sua mágoa. "me perdoe, alteza. se não temos do que conversar... então, não conversaremos." a voz saiu mais baixa, levemente afetada. "pode continuar com suas atividades. peço desculpas mais uma vez por interrompê-las." tudo saia sem um único contato visual, envergonhada. talvez precisasse repensar em seus planos, principalmente em relação a estadia no país francês.
Ao perceber a reação da guarda, se perguntou se havia dito algo inapropriado. Sabia que seu comportamento não estava dos mais adequados nos últimos tempos, mas não conseguia reagir de uma maneira esperada nem mesmo quando se esforçava para tal. Era a primeira vez que se via uma saia justa onde nenhum dos ensinamentos lhe cabia em nenhum cenário. Eleonora havia sido criada para apaziguar conflitos, para servir. Mas dentro do contexto que estava, nada lhe era útil. E o seu título como princesa, a todo momento, era o que lhe atrapalhava mais do que ajudava. Respirou com pesar, sentindo um imenso peso se ocupar em seus ombros. Já fazia um tempo que compreendia que precisava arrancar o band-aid que cobria a profunda ferida que havia sido feita por ela mesma, esta que nem mesmo com toda a atadura do mundo poderia ser sarada. Algo mais efetivo precisava ser feito, porém, Eleonora sentia um imenso medo de torná-la cada vez mais profunda. "Marjorie, você não precisa de tantas formalidades. Muito menos tantos pedidos de desculpa. Acho que nós duas sabemos que ultrapassamos limites o suficiente para saber que a nossa relação não é tão formal assim." Falou, piscando diversas vezes. Seu nervosismo dando as caras conforme lutava consigo mesma para manter a postura e não desmoronar a qualquer momento. A puxou para um canto menos aglomerado, buscando um pouco de privacidade. "Além do mais, eu não pretendo substituí-la. Esse nunca foi o plano, mas não posso interferir se for algo que você deseja." Olhou para cima, sentindo uma súbita vontade de chorar. Estava grata ao menos, a guarda parecia evitar contato visual e desse modo Eleonora poderia continuar fingindo que estava tudo bem. "As coisas tem sido mais complicadas do que aparentam e eu não sei até que ponto deixei a minha posição influenciar suas decisões mas isso não irá mais se repetir. Então, se for um desejo seu, pode dizer." Limpou a bochecha as pressas no momento em que sentiu uma lágrima peregrinar por elas. "Não tenho mais nenhuma pretensão de voltar ao Brasil. É possível que sequer continue sendo uma princesa, então, não poderia te prender a esse trabalho."
"Não entendi o que eu tenho que fazer." Confessou, cruzando os braços enquanto observava a grade cheia de cadeados à sua frente. "Eu coloco o meu cadeado nisso aí e faço um pedido? E a caneta é pra eu escrever o pedido? Que sentido faz essa merda?" Virou para o lado, esperando encontrar o colega da guarda real com quem conversava há alguns minutos, mas acabou se deparando com a princesa do Brasil. Irene limpou a garganta e ajeitou a postura, arrependida de ter soado tão informal. Se não fosse treinada para parecer o mais impassível em todas as situações possíveis, teria ficado vermelha. "Peço perdão, Vossa Alteza. Não a vi chegar."
"Não há pelo que se desculpar, não se preocupe." Assegurou, erguendo uma das mãos, o sorriso em seu rosto deixava evidente o seu tom amigável. No fim das contas, Eleonora também não havia entendido o propósito dos cadeados até que alguém houvesse lhe explicado. Achara linda a proposta, mesmo em sua situação atual. "Na verdade, o cadeado é para que você escreva sua inicial e a da sua pessoa amada. Acho que tem alguma analogia com eternidade. O fato do cadeado ficar pra sempre preso a grade... Bom, não sei ao certo. Mas muitos aqui me parecem ser casais apaixonados." Acabou por dar de ombros, sem saber o que poderia significar ao certo. Qualquer que fosse a explicação, a luso-brasileira ainda achava a ideia adorável.
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a paciência costumeira escapou por um segundo, deixando uma reação sincera aparecer ao encará-la. "sim." soou mais dura do que gostaria, e se arrependeu em pouco tempo; não gostava de falar assim com a amiga. antes que fosse atrás da bebida quente, na tentativa de continuar mais alerta, passou a mão pelo rosto, verificando se realmente precisava disso. se era apenas uma possível exaustão, então por que se sentiu mais miserável com o diálogo entre elas? breve e infeliz. precisava admitir para si que a falta de conversa entre as duas, a falta de resolução para o problema delas, estava lentamente a deixando pior do que deveria. café não ajudaria, talvez até piorasse. "esqueça." falou baixo, vasculhando o local em busca de um pouco de privacidade, notando que ninguém as olhava. "nós precisamos conversar. nem que seja para você me substituir de uma vez por todas... podemos?" dessa vez, não a chamou de alteza, até porque queria conversar com eleonora, sua amiga. "a roda gigante me parece um lugar privado o suficiente para colocarmos os pingos nos i's." sugeriu, dando uma olhada na fila que parecia menor, em seguida, a encarando. "podemos? por favor?"
"Substituir?" A reação da guarda a pegou tanto de surpresa que mal conseguia assimilar o que estava escutando. Sabia que grande parte disso era por sua culpa, visto que nos últimos tempos não andava tão disposta para conversas. Porém, não esperava que Marjorie pudesse considerar uma substituição apesar de tudo. "Marjorie..." Tentou cortar o assunto antes que ele se prolongasse, porém, acabou por ser interrompida por ela antes que concluísse sua linha de raciocínio. Sem muitas possibilidades para fuga, acabou por se sentir encurralada, não encontrando possibilidades do que poderia dizer em réplica. "Eu não tenho nada para falar, então não sei sobre que pingos nos i's você se refere. Mas posso ouvir o que você tem a dizer, se é o que deseja." Concordou, a contragosto. "Só acredito que a fila para a roda gigante esteja enorme."
"nem em karaokê?!" espantou-se com a informação, a encarando com os olhos arregalados. "mas, você não gosta ou?" pensou em questionar se era apenas timidez, mas pelo que conhecia da brasileira, poderia ser mais coisas. além de não gostar, embora achasse isso um desvio de caráter terrível. "para saber. talvez eu dedique para você? ou te chame para ir no palco comigo! vamos, vamos!" animou-se, sorrindo. "nós podemos cantar mal também lá! se aguentaram aquela pessoa, sem ofensas, podem aguentar qualquer um."
"Nem em karaokê." Não parecia muito diferente de qualquer outro momento, não para Eleonora. Costumava ser travada demais para se permitir dançar, muito menos se soltar em um karaokê. "Os meus pais sempre disseram que essas coisas não eram coisas de princesa..." Deu de ombros, sem se aprofundar mais no assunto. Sabia que partindo de seus pais, certamente soaria como uma absurdo para os que estavam em sua volta. Mas para ela era apenas um dia normal. "Eu posso assistir você cantando, mas não acho que seria adequado me dedicar uma música, alteza."