Eu inicio esse texto com a seguinte questão: por que quando duas pessoas se amam por inteiro elas não podem ficar juntas? Por que o destino quase nunca é generoso com quem decide viver o amor? Nessas últimas semanas esses questionamentos não saem da minha mente e eu me entristeço ao saber que o amor não está sendo generoso comigo e nem com a pessoa que eu amo, mas ao mesmo tempo eu consigo compreender o que ele quer de nós. Ele exige que sejamos pacientes, fortes e corajosas. Ele exige, acima de tudo, que tenhamos uma à outra nessa luta contra nós e contra o mundo. Mas, até aqui, eu não estou cumprindo com as exigências desse sentimento caloroso que inspira os grandes apaixonados.
Às vezes me dói o coração saber que nós, talvez, nunca teremos a chance de sermos felizes como os demais casais. Assusta-me pensar que se um dia quisermos viver o nosso amor teremos que vivê-lo escondido, que não poderemos andar de mãos dadas ou sentar em qualquer lugar sem os olhares julgadores. É doído, para mim, saber que teremos que brigar pelo respeito e pela aceitação dos outros.
Mesmo sabendo e entendendo o que o amor exige, eu tenho medo e não sei se estou preparada para viver tudo isso e, com total certeza, a minha alma está quebrada e o meu coração afogado em lágrimas. Eu perdi a direção e sinto que estou indo na contramão, mas eu não sei o caminho de volta e nem como ter o controle sobre tantas peças pregadas a mim. Eu já sei o que o amor quer de mim, mas e quanto à vida, o que ela quer de mim? Que eu, provavelmente, enlouqueça com tantos pensamentos e questionamentos, que eu me afunde na escuridão do meu quarto e me perca na imensidão do amor que sai de mim em direção a ela, mas não a encontra porque ele se perde nos vilarejos existentes em meu subconsciente.
Eu nunca quis ninguém, sempre me escondi de todas as formas e jeitos do amor. Nunca quis ficar vulnerável a ninguém. Jamais cogitei a possibilidade de me apaixonar perdidamente por alguém, porém, os nossos caminhos se cruzaram, nossos beijos encaixaram e a conexão foi tão forte que não deu para fugir ou se esconder. Em um ano e dois meses eu vivi 21 anos sendo completamente feliz e experimentando as melhores sensações graças a ela que me abraçou quando eu estava destruída por dentro; que foi o meu lar quando eu estava me sentindo completamente sozinha e abandonada; que acreditou em mim quando nem eu mesma acreditava; que tampou todas as rachaduras existentes em meu ser com o seu carinho.
A verdade é que ela me salvou, trouxe cores para o meu mundo, coloriu a minha vida e cuidou do meu jardim, deu vida e aromas doces e calmos a ele. Ela também me ensinou a ser leve, me ensinou que eu preciso ficar acordada enquanto o mundo dorme e dormir enquanto ele acorda, me ensinou que amar alguém é se despir de si, mas nunca se esquecer de quem és e do que queres; ensinou-me que quem ama sonha e quem sonha vive, respira e transborda. E o mais importante, ensinou-me que a felicidade é simples e humilde. Ela nunca quis nada de mim e talvez seja por isso que eu a quero por inteira. Eu a amo por demais e não sei o que devo fazer para sofrer menos com a ausência do físico dela aqui comigo, me acalmando e me fazendo sorrir das coisas mais bizarras e sem graça que existem. Ela me ensinou a ser forte e eu estou tentando por ela. Se um dia alguém ler isso eu preciso que saibam que o meu primeiro, verdadeiro e único amor foi, é e sempre será uma garota de cabelos cacheados com as pontas esverdeadas e atende por nome de MRS ou também por Cabeção.
Linda, talvez em outra vida eu consiga ser a sua garota e também o amor que você tanto merece. Desculpa por até aqui eu não ser forte o suficiente para lutar por nós, pelo nosso amor que tanto clareou essa cidade e pela nossa felicidade que tanto incomodou a todos. Enquanto a outra vida não chega, eu fico te amando, admirando e respeitando muito nessa, fico também respirando o seu cheiro todos os dias e admirando as nossas fotografias por todo canto do meu quarto.