Theodore ouviu as palavras de Draco, a voz melódica e decidida do loiro falando palavras que Nott realmente queria ouvir. Ele queria que eles se resolvesse, claro que sim, mas não era fácil assim. Nott não queria se envolver em algo que ele sabia que não tinha sem saída, e mais do que isso: ele não era ninguém comparado a Harry Potter. E depois de anos observando Draco ser obcecado por Potter, ele sabia que não tinha a mínima chance.
Na verdade, tudo o que fez foi se iludir, achando que ele tinha alguma chance com o loiro. Soltou uma lufada de ar pensando nisso, e como ele sabia que inevitavelmente voltaria a amizade com Draco. E como seria difícil encará-lo como amigo depois de tudo o que passaram juntos.
Uma coisa era certa: se a situação não fosse tão tensa e Theo não estivesse tão triste, provavelmente teria uma hard on com o gesto de Malfoy. Silenciosamente, deixou sua cabeça ser guiada pela varinha de Draco. Observou silenciosamente por alguns segundos as feições do amado.
Maçãs do rosto altas, poderiam cortar o dedo de um desavisado, mas não mais do que suas palavras ácidas. Jawline esculpida por Afrodite em pessoa, que não poupou esforços em seus olhos azuis, nada parecidos com a água verde e escura do lago. Não. Esses olhos azuis lembravam Theo do cheiro de mar do México, quando visitava a casa de sua família. Era um cheiro de casa e familiaridade. No momento, estavam intempestivos e cheios de emoção reprimida, algo que comoveu Nott e fez seu cérebro entrar em curto circuito.
O que ele havia dito mesmo?
“Nós estamos em treinamento para sermos Comensais da Morte, estamos prestes a entrar na Câmara Secreta. O que você acha que eu estou falando, Draco?” A voz de Theo era baixa e suave, amolecendo no nome do outro como fez no último verão. “Além do quê, eu sei que você voltou com o Potter. Eu não vou gastar palavras condenando isso, mas eu não achei… Não achei que você faria isso.”
Theo desabafou, sentindo-se desprezado e jogado de escanteio. Não mencionou no conteúdo de suas palavras a homofobia óbvia do meio onde viviam, mas não precisava falar. Draco sabia disso. Todos os seus amigos sabiam, aparentemente.
O tom de Theodore foi primeiramente inesperado, pegando-o desprevenido. E sua mente demorou mais do que deveria para processar a acusação. Ele abaixou a varinha automaticamente, primeiro veio o desgosto atual do sabor amargo que todas memórias que envolvessem Potter traziam.
Mas então o absurdo sobre ele estar com Potter, novamente, borbulhou garganta acima. Trazendo uma risada que ele não pode controlar, um misto de frustração, confusão e a ansiedade de toda aquela farsa acumulando de uma única forma. Fazendo Draco rir, e sem controle para parar. Droga. Ele sabia que ele precisava parar, imediatamente, mas uma coisa era saber daquilo, e outra era conseguir.
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Theodore nem sabia porque ele ainda tentava estabelecer uma conversa com Draco Malfoy. Olhar para o loiro era como sentir seu coração ser arrancado de seu peito novamente, reviver o sofrimento depois de descobrir que, durante todo o tempo que passaram juntos, Draco o trocou sem piscar.
Se lembrava das perguntas que ouviu Draco fazendo sobre o Potter, chamando-o de Harry. Harry. Só podia significar uma coisa, e Nott virou as costas sem sequer confirmar a informação. Ele não precisava de confirmação, não quando imaginava Draco de volta aos braços de Potter depois de tudo. Se Nott não fosse tão frio e coração de pedra, teria perdido a paciência ali mesmo.
“É, Malfoy, foi exatamente o que eu fiz. Eu não te ignorei, eu meramente dei a distância necessária para que algo pior não acontecesse entre nós. Não podemos nos dar o luxo de ter algo como vontade própria, ainda mais nessa situação.” Theo disse, e sentiu sua respiração falhar. Repetia a si mesmo como não devia chorar e como era absolutamente impróprio naquela situação. Como se ele nunca tivesse sentido nada pelo loiro.
Virou o rosto subitamente, sentindo seus olhos ficarem vermelhos, e enfiou a cabeça na mochila que carregava, checando os objetos. Contou tudo o que carregava novamente, reorganizando desnecessariamente. Não podia encarar Draco naquele momento, e odiava o fato de que estavam prestes a entrar na Câmara Secreta. Theo precisava estar em seu auge, e não precisava pensar em como a situação era péssima.
“Algo pior? Ah, por favor, esclareça, Theodore, que merda é o algo pior?” De novo aquela história de não ter vontade própria, bem não saindo da boca de Nott, essa era a primeira vez que Draco ouvia isso vindo dele, mas no geral? Entre todas as pessoas de seu círculo social? Parecia que ele não parava de ter que escutar isso. E ele estava cansado.
“Ah, mas esse é um luxo que eu vou conseguir, Theodore.” Disse num impulso, sabia que tinha que tomar cuidado com suas palavras e medí-las ao máximo, mas naquele momento era impossível. Draco era um poço de emoções reprimidas. Uma caixa de Pandora esperando para destruir sua própria vida.
Draco empunhou a varinha num movimento bem treinado, colocando a ponta no queixo de Theodore para forçá-lo a voltar seus olhos para ele novamente. “Focus on me, prick. You don’t throw this shite on me and leave.”
Disque #01 para seu personagem ajudar Draco a se livrar de um bicho papão depois dele travar ao encontrar um numa sala abandonada.
Disque #02 para seu personagem receber ajuda de Draco na redação sobre a origem de uma poção que é para ser entregue na manhã seguinte.
Disque #03 para seu personagem ter que aturar Draco em mais um de seus rants sobre o quão valiosos tecidos bem enfeitiçados sã0.
Disque #04 para seu personagem e Draco trocarem bilhetes durante uma das aulas.
Disque #05 para seu personagem desafiar Draco a um duelo dentro do clube (ou vice-versa).
Disque #06 para seu personagem descobrir a amizade improvável de Draco Malfoy e Murta-Que-Geme.
Disque #07 para seu personagem e Draco estarem fugindo de sua “cena do crime” para evitarem uma detenção. Draco culpa seu personagem, seu personagem culpa Draco.
Disque #08 para seu personagem e Draco encontrarem uma cobra nos jardins, agora eles precisam decidir como fazer para ela se tornar o mascote da comunal.
“Fuck off, bloody tosser.” Theodore chutou a parede de pedra com o coturno preto de couro de dragão em seu caminho para fora do dormitório. De todas as horas para Draco Malfoy perturbá-lo, tinha que ser aquela? Fulminava de raiva, descendo as escadas do dormitório com impaciência e uma cara de poucos amigos.
Estavam prestes a entrar no novo quartel general, a Câmara Secreta, e o grupo de amigos se organizava com a eficiência de um sonserino esticando as mãos para pegar o poder com suas mãos pegajosas. Tinha em suas mãos o espelho que trabalhara com Héstia, o protótipo da máscara, além de anéis e outros objetos amaldiçoados. Seu sobretudo estava recheado de objetos que possivelmente poderiam ajudá-los a atravessar pelo que quer que os esperava.
Ficou o dia todo terminando os preparativos, dedicando um tempo a mais para ajudar Cass a finalizar a chave-portal. Lembrou-se de empacotar a penseira com Vince. O que faltava? Ah, fuck. A facepalm foi imediata quando lembrou-se que iriam voando de vassoura para lá.
“Fuck me, Slytherin.” Lançou um olhar fulminante ao quadro do fundador, que retribuía com o riso de quem estava se deleitando em sua desgraça.
Procurou @ambitionzabini e @thprincss com o olhar, evitando o máximo possível cruzar o olhar com @draco-lm. Assim que encontrou os amigos, tratou de reclamar com Daphne.
“O único motivo pelo qual eu não estou indo com a máscara é por ter sido vencido pelo cansaço. A máscara funciona muito bem.”
durante todo aquele dia, daphne eloise era uma pilha de nervos a flor da pele. ( não que ela fosse o exemplo de calma em todos os outros dias ). não dormira aquela noite, se sustentando apenas com um cochilo de meia hora, antes de ser acordada por um pesadelo. saiu do dormitório assim que o sol nasceu, propositalmente evitando millicent porque não era dia de brigar. elas tinham um trabalho importante demais naquele dia para se permitirem perder tempo com a rivalidade natural delas.
os quinze marcados estavam prestes a montar seu quartel general ; a câmara secreta seria aberta pela segunda vez em menos de dez anos.
durante todo o dia, daphne passou as aulas pensando apenas na missão. ponderou a ideia de usar disfarces físicos, talvez arranjar uma peruca ou usar o uniforme de outra casa para camuflar melhor sua identidade, mas ela descartou a ideia. tinha enchido tanto a paciência de theo por causa da deia de usar máscaras que contar com qualquer coisa que não o feitiço de desilusão parecia não condizente.
ela não sabia o que esperar, então não empacotou nada. tinha sua varinha no bolso e uma runa de proteção na pele, e isso tinha de ser o suficiente. não é como se daphne pudesse levar algo além disso, de qualquer forma. sempre preferiu depender apenas de feitiços do que de qualquer outro meio. largou suas três leituras atuais ( um livro de romance, um livro avançado de clarividência e um livro sobre a história da política internacional mágica ) em sua cama perfeitamente arrumada, e ignorou a carta não respondida de seu pai.
esperar não fazia bem para seus ânimos. os cantos de suas unhas já eram inexistentes de tanto ela morder e tudo que ela queria era ir logo. entretanto, estar com seus amigos ajudava. daphne duvidava ( por mais que doesse seu lado independente ) de que seria capaz de fazer qualquer parte daquilo sem os amigos. ela se apoiava em blaise, draco e theo mais do que gostaria de admitir.
“ oh please, get over it, wanker !! ” daphne revirou os olhos com a insistência de theo naquela maldita máscara. “ eu já repeti trezentas vezes, theo : usar máscaras só vai atrair mais atenção para nós. se você quer tanto usar máscara, eu te prometo que eu mesma faço uma festa à fantasia para você se permitir esse kinky ” ela riu brevemente, mantendo o sorriso malicioso em seus lábios por uma fração de segundo antes de ficar séria. “ nós estamos com tudo pronto para ir ? falta algo ? ” a garota insistiu, rodando a varinha na mão esquerda distraidamente, dividindo a atenção entre os amigos.
Dos habitantes daquele dormitório, era para Draco ser o dramático, ele com certeza tinha o sangue para isso correndo em suas veias e justificativas o suficiente, mas sempre era interessante assistir Theodore reagir tão fortemente a ele, principalmente quando Draco havia aprendido à força a engolir suas emoções, por mais intragáveis que fossem. Ele aproveitou a privacidade momentânea para levantar a manga esquerda da camisa e prender o coldre de couro ao braço seguido da varinha. Pegou as abotoaduras herdadas para o momento, por mais que sentisse como se estivesse andando com uma espada sobre sua cabeça, ele ainda tinha que se vestir com intenção de orgulho ao menos. As aparências, elas que contavam.
A capa por cima era todo centímetro sonserina apesar de fora do uniforme, do verde lustroso às ouroboros gêmeas em fios de prata e ouro ocupadas com suas próprias caudas e hipnotizantes em seus movimentos circulares em seus próprios eixos de auto-destruição eterna. O tecido era feito com a intenção de absorção de feitiços, era uma capa de defesa, apesar da aparência forte de um capa de decoração. Junto ao anel da família um segundo para guardar venenos, este cujo Draco substituiu por ditamno. Não seria mais pego sem essa poção, pelo menos não desde a última vez que a precisou, mas não a conseguiu de pronto. As cicatrizes atuais não precisavam de mais companhia.
Pegou a vassoura guardada no malão com o feitiço de extensão, e desceu para a sala da comunal, juntando-se de Theodore e seu acesso de raiva muito bem apreciado, afinal se ele queria causar reações em Draco, era mais que justo que ele tivesse o mesmo contra ele. E Daphne, melhor apreciada por ser uma face mais amigável naqueles tempos que seus próprios colegas de quarto. Ignorou a história da máscara, como habitualmente apenas a mantinha arquivada na memória para caso alguma utilidade, mas não se meteria no meio daquela decisão sobre seu uso ser ou não melhor.
“Bom, estou aqui esperando o que quer que Zabini tenha preparado para nós, afinal, só temos uma parte do caminho com garantia de total omissão. Gostaria dessa mesma garantia até o fim.” Disse mais focado na própria varinha e vassoura enquanto transfigurava o apoio de pés para um que acomodasse caronas.
“Não se preocupa, vai dar tudo certo. Confia em mim, você já me viu entrar em alguma situação sabendo que eu ia perder? Não, você nunca viu porque isso nunca aconteceu. Claro que existe a possibilidade de alguém se machucar ou sei lá, mas não é como se ninguém aqui tivesse tomado um Crucio na vida, né? Tudo tranquilo, só mais um dia nesse sanatório.”
Draco fechou os olhos com o comentário da maldição, até então ele podia seguir tranquilamente como se todos aqueles eventos não o afetassem de forma alguma, mas ter que ser forçado a pensar sobre a cruciatus era algo que ele não contava para seus eventos diários, sejam eles envolvendo abrir câmaras secretas ou não. "Ah, sim, claro que você vai parar de me evitar para me fazer reviver adoráveis lembranças, né? O que é ficou entediado? Se você sente a minha falta, Theodore, é só dizer. Me ignorar esperando que eu saia correndo atrás de você não funciona."
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Blaise estava buscando uma forma de aumentar sua produção em poções. Tinha alguns livros nos braços e caminhava rumo à biblioteca alheio a correria habitual dos corredores. Estava focado em seus objetivos, mas não em sua capa. Foi em uma fração de segundos que alguém o colocou no chão, pisando em seu longo manto da sonserina. “Agradeceria se pudesse zelar pelo espaço das pessoas” reclamou pela proximidade, nem se quer tinha visto quem se tratava até que os cabelos loiros entraram em seu campo visual. “Draco! Poderia ter dito Olá” advertiu antes de estender a mão para que o ex-amigo o puxasse, e com a mão livre fez um feitiço para recolher seus pertences, os diminuindo e guardando na bolsa para evitar mais acidentes no percurso. @draco-lm
“Por que eu começaria agora? Já é tarde demais.” Draco considerou, ou fingiu o fazer, a falta de cumprimento. Decidiu que era perda de tempo. “Eu prefiro pular essa parte.” Jogou a maçã verde em mãos pro ar a pegando novamente farsante à distração, Draco preferia andar atento por Hogwarts, mas sabia que atenção demais seria suspeito pelos professores, ele havia aprendido cedo que os professores facilmente o puxariam para o lado e o dariam algum tipo de punição se ele respirasse na direção errada. Era isso que ele ganhava só por que não era da casa dos favoritos ou possuía um nome de infame dentro da escola. “Você precisa fazer a barra dessa capa, urgente, marcas de terra na roupa é tão… Muggle. Ou pelo menos enfeitice-a para o meu pé não ficar impresso nela até você notar mais tarde.”
Posição no Quadribol (caso jogue): Apanhador enquanto jogava no time do segundo ao quinto ano;
Matérias opcionais escolhidas: Alquimia, Runas Antigas e Astronomia;
Clubes que participa: Clube de Duelos e Clube de Feitiços;
Cargos e condecorações: Brigada Inquisitorial (quinto ano);
Divisão do dormitório: Flint, Nott e Zabini;
Animal de estimação: Sem contar os pavões da Mansão Malfoy, e as corujas da família, nenhum animal de estimação;
Varinha: Espinheiro branco, razoavelmente flexível e núcleo de pêlo de unicórnio;
Espelho de Ojesed:
Amortentia: Maçã verde, grama molhada e páprica;
Bicho Papão: varia entre Albus Dumbledore (depois da queda da torre de Astronomia) e Você-Sabe-Quem, desde o início de seu sexto ano, Draco só consegue associar os dois à morte, humilhação e fracasso, um resumo de seus maiores medos.
de todas as coisas que ainda não entendia, a quantidade de alunos em hogwarts ainda era uma delas. no seu primeiro dia no castelo, o mar de alunos foi o que a assustou logo na chegada — eram muitas pessoas em um único lugar. millicent achava que, com o passar dos anos, o número diminuiria. ledo engano.
o momento em que viviam não era a melhor das eras da escola, mas a quantidade de pessoas continuava extrema, excelente motivo para atravessar qualquer corredor com o rosto fechado, os pulsos cerrados e uma resposta na ponta da língua. “me faço a mesma pergunta diariamente! não entendo o motivo adorável que permite a convivência de todos os anos ao mesmo tempo. os quintanistas já são insuportáveis, imagine os que acabaram de chegar.” apesar de se dirigir a draco enquanto reclamava, o olhar curioso estava voltado aos primeiranistas — todos tão lúdicos e ingênuos, cercados de sonhos que não resistiriam aos próximos meses.
Admitiria que não havia considerado a separação entre os anos, sempre acreditava que havia uma barreira mental entre o sexto e sétimo ano e os demais, mas nunca pensou numa real separação física destes. O pensamento não era desagradável para si. “São bebês,” concluiu da fala de Millicent, o tom era o mesmo que usaria para reclamar de demais coisas, ou seja, seu tom mais habitual, afinal não havia uma alma viva ou morta que pudesse dizer de Draco como uma pessoa positiva. “Realmente, parece que o certo seria separar de vez nós das pestes. Com isso também quero dizer os grifinórios, setimanistas ou não, pois eu já tive minha cota deles, se eu nunca mais tiver que lidar com uma dessas criaturas ainda assim será tarde demais.”
Desnecessário falar que Theodore Nott já tinha tomado algumas doses de firewhisky e se esparramava confortavelmente no sofá. Alguns colegas pareciam nervosos, e verdade seja dita, ele também estava, mas havia algum tipo de confiança inabalável dentro do Nott que o fazia manter a calma nas piores situações.
Na verdade, era muito mais do que isso. Como todo bom mexicano, se a vida o dava limões, ele acrescentava rum, hortelã e fazia um mojito. A perspectiva de encarar o Lorde das Trevas causara nervosismo no garoto por várias vezes, e talvez a ficha não tivesse caído ainda, mas por enquanto o garoto encarava como se fosse um passeio no parque.
“Nossa, Malfoy, sua entrada triunfal saiu pela culatra. o que aconteceu, ficou preso na chaminé de novo?” Comentou assim que viu o outro chegar atrasado, algo que ele só fazia quando queria causar um impacto. Considerando a cara de inferi de Draco, não parecia ser o caso.
Draco afetou um sorriso nos lábios encostando-se contra o braço do sofá. "Sentiu minha falta tanto assim, Nott?" Sabia bem de sua pontualidade e quando escolhia a quebrar, mas realmente daquela vez havia sido impossível seguir com qualquer um dos dois. Não por ter algo de errado com a aparência de Draco, ele fazia questão de que esse não era o problema, principalmente considerando as cicatrizes que precisavam ficar escondidas magicamente todo o tempo. Acabava por prestando ainda mais atenção à própria aparência física que o normal.
"Bem, eu sou um homem ocupado com compromissos prévios, claramente." Disse num tom exagerado, para fazer a verdade soar como bullshit para qualquer um que entendesse o idioma pessoal do mais novo dos Malfoy.
Estalou a língua e sentou-se no sofá, empurando a perna de Nott para fazer mais espaço para si. "O que você está bebendo?" Perguntou com a intenção de encontrar algo para diminuir a tensão em si. Parecia repetir esse pensamento frequentemente, mas estava exausto de tudo a esse ponto.
Às vezes Cassius esquecia que nem todos davam a sorte de ter pais como os seus. Sorte, sim, uma sorte imensa, já que em alguma realidade, talvez eles sequer estivessem consigo; mas não conseguia imaginar isso. Pertencia aos Warrington, eles eram seus pais. "Ah, bem. É normal crianças serem assim. É chato quando acabam virando pra gente pra desejarem as inúmeras perguntas mas… somos os mais velhos aqui, então é meio claro que os primeiristas venham até nós.”
Draco não gostava de crianças, não as entedia e não procurava as entender em qualquer momento, entederia se fossem outras como ele. Mas quando divergiam em qualquer aspecto ele deixava de se importar "Mas porque eu, for fucks sake?" Insistiu. "Ser mais velho não significa porcaria nenhuma nesse lugar hoje em dia, você se sente mais sábio depois desses anos todos? Eu só estou mais cansado."
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"I plan on putting the most distance between myself and this wretched place." Ele se apoiou contra a parede e tragou o cigarro de artemísia. Salt the earth, era só o que ele conseguia pensar junto de sua eventual saída da escola, ele mal conseguia esperar, o final daquilo tudo tinha que estar próximo, ele não aguentava mais.
Draco não conseguiu deixar a risada ficar contida em si com a pergunta. Ele jogou a cabeça para trás por um momento, admirando o teto como se fosse o guardador de seu bom senso. "Não," disse firmemente. "E se eu pudesse apagar o último ano por completo eu apagaria sem hesitações," admitiu.
Daphne continha um sorriso quase divertido ao observar, de longe, Draco tentar se livrar do primeiranista. Ainda que fosse um grifinório, a Greengrass tendia a sentir pena do mais novo. Tinha certo apreço por crianças e aquele definitivamente não era um cenário saudável para uma de apenas onze anos. “Para que possam evoluir e se transformar em versões melhores, como nós.” Respondeu ao loiro quando este se aproximou, encolhendo os ombros. “Bem, aquele provavelmente vai evoluir para um grifinório tão obtuso quanto a maioria de seus colegas de casa, mas alguns outros conseguem se dar bem.”
"Você acredita mesmo nisso? Na melhor versão? Porque eu honestamente acho que ando decaindo a cada ano. O cabelo com gel para trás foi meu ápice e nunca mais voltarei a ele." Assimilou um tom melhor humorado do que se sentia, talvez se fizesse isso o bastante seu próprio humor se tornaria mais ensolarado do que era. "Eu não vou nem apostar, está tão óbvio o destino daquilo ali." Ele fingiu estremecer com o pensamento, ele já teve sua cota de grifinórios para a vida, e não ter que pensar neles lhe fazia milagres para a saúde mental.
Andava alarmado com a possibilidade de alguém do grupo ter descoberto através de Snape o segredo que guardava. Tinha se afastado dos colegas e os evitou nos últimos dias, acordou cedo quando todos ainda se encontravam apagados, dormia tarde porque assim os outros já estariam na cama; sua estratégia tinha funcionado até o momento em que encontrou Draco no corredor. "Ah, eu não sei. Você não foi uma criança cheia de perguntas e repleta de curiosidade?” mesmo aos dezoito anos, o próprio Cassius ainda era cheio de energia.
Franziu o cenho com a pergunta de Warrington. Pensava ser óbvio o que significava ser um Malfoy, mas claro, todos lá eram puro sangues, então talvez ele devesse ceder ao pensamento que não havia apenas uma forma de educação parental "Não" respondeu seco. "Eu não sei o que você está querendo dizer com isso."
No meio de um verão cansativo, como os meses que o precederam, os Malfoy conseguiram arranjar um jantar que deveria ter sido esperado por Draco. Os Greengrass eram os convidados de honra na mesa dessa vez, enquanto desfrutavam de vinhos caros e comida cara. Draco passou seu tempo durante o jantar assistindo o jantar, esperando pelo momento que seus pais finalmente declarassem que era para os mais novos — e o assunto de tal jantar — se retirarem para deixar os adultos conversarem.
Quando esse momento chegou ele não hesitou em levantar-se da sua cadeira e ir diretamente para Astoria, estendendo uma mão em convide para eles saírem de lá. O destino era o jardim dos pavões, onde era afastado o suficiente daquele cômodo para sentir alguma coisa como privacidade que não sufocasse.
"Eles estão montando um acordo deles sobre tudo isso. Nós poderíamos trabalhar o nosso próprio, isso é, se você não está planejando se rebelar contra sua família e abandonar tudo." Comentou pensando no caso da irmã mais velha de sua mãe, Andromeda, e de seu rosto queimado na tapeçaria. Draco tinha uma prima mais velha que si que ele ao menos conhecia, sabia o nome, mas mencioná-lo era proibido dentro daquela casa, então ele mantinha o silêncio sobre isso.
"Posso te garantir que abandonar tudo isso não vai ser nem um pouco fácil."
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O dia de Draco estava andando normalmente, perfeitamente normal. Obrigado. Então era claro que algum pirralho iria tentar estragá-lo. Ele olhou ao redor procurando por qualquer um que fosse o responsável pelo primeiranista da grifinória tentando falar com ele, até ele ver um rosto bem vindo e conhecido no corredor e se levantou imediatamente e foi até o colega de casa. "Por que crianças... Você sabe, porque elas existem desse jeito?"
Sentava-se na sua cama com as pernas cruzadas e as cortinas bem fechadas, um feitiço de privacidade feitio duplamente para garantir que nem mesmo o vento poderia ameaçar que as ações de Draco escapassem por de trás daquele tecido. Puxar uma de suas memórias era uma tarefa árdua, afinal havia colocado muito trabalho e foco para que sua mente não fosse acessível por forças externas, e as vezes isso significava ele mesmo em dias que ele realmente não queria colaborar com sua parte nesse espetáculo dos horrores. Mas ele tinha que ler suas frases e entrega-las aos gostos do Lorde ou seria seu corpo sem vida na mesa de jantar durante a próxima reunião.
Respirou fundo e se concentrou o melhor que podia para abrir algumas barreiras com segurança, puxou o ar com mais força quando a ponta da varinha se tornou gélida contra sua têmpora e se preparou para ser inundado pela memória que puxava para o papel, ele odiava essa parte:
TW: Tortura tratada como ensinamentos.
—
“Mais uma vez, Draco.” Bellatrix riu, apenas ela estava animada naquele cômodo, Draco apertou o maxilar e se preparou para mais um ataque mental de sua tia. Este não veio quando ele esperava e por pouco ele relaxou, apenas para senti-lo logo em seguida. Ela estava tentando o pegar de guarda baixa, mas eles dois estavam nessas aulas — ou batalhas — há meses, eventualmente Draco tinha que aprender que ele já havia perdido o direito de ficar de guarda baixa naqueles tempos. E Bellatrix Lestrange o subestimava, como habitual. Talvez a tia esperasse mais de um parente seu, esperasse mais da linhagem Black, ou dos Malfoy, por mais que ela parecesse desprezar Lucius a qualquer chance que pudesse ter, o nome tinha mais valor que as pessoas que o carregavam.
Dessa vez o ataque encontrou nada para usar contra Draco, e ele sentia seu corpo vibrar até nas pontas dos dedos com a vontade de soltar sua força de vontade, de deixar que a tia invadisse sua mente, afinal, era imensamente mais fácil a não-ação. Bellatrix foi expulsa de sua mente com um pouco mais de esforço e Draco estava exausto, se estipulasse pelo sol do lado de fora… Droga. Era algum horário misterioso pós-crepúsculo, então Draco precisaria de um relógio para confirmar quanto tempo os dois estavam naquilo. Tanto tempo que em algum momento sua mãe havia aparecido para assistir o treino, as mãos unidas atrás de si para esconder tiques nervosos. Draco sabia, ele havia puxado isso dela.
“Imperio!”
“Bellatrix!”
As duas vozes foram registradas por Draco quase instantaneamente, mesmo que se devessem terem sido ditas uma em protesto a outra, mas seu significado demorou para chegar, seu aviso. Um segundo a mais para processar e talvez ele pudesse se preparar para o que vinha. Mas sua mente foi jogada para o mais fundo de sua consciência, encarando o espaço enquanto perdia a conexão com sua carnalidade. Merda, sua tia o queria pegar desprevenido, e isso ela conseguiu afinal. Como ele não esperava algo do tipo era uma pergunta a ser feita mais tarde, por enquanto ele poderia se considerar morto.
Ele não conseguia enxergar a sala de chá da mansão em Wiltshire, apenas o vazio de sua própria mente, não sentia mais os dedos, nem podia dizer se havia acabado de chegar a esse estado ou se sempre esteve assim. Mas ele sabia que ele não podia se entregar para isso, jamais poderia, Draco lutava para sua própria liberdade, e mesmo que no momento essa era a única coisa que ele não tinha, ele ainda assim precisava conseguí-la de qualquer forma.
Ele se concentrou, então, na sensação nas palmas de suas mãos e como as correntes de ar circulavam pela mansão. Lembrou-se do cheiro exato antes de ser atingido pela maldição e se concentrou nele, buscou a sensação de sua varinha na palma de sua mão e quando a encontrou concentrou-se em firmar seu punho para que ela não escorregasse. Era aos poucos mas era uma grande diferença para ele. Conseguiu sentir os dentes pressionados uns contra os outros, conseguiu se fazer pensar na dor de cabeça que viria mais tarde por isso. Sentia seus músculos tremerem sobre a pressão de dois comandos opostos. Desta vez o campo de batalha era seu próprio corpo e mente e ele necessitava ganhar. Ele sabia que essa seria a última chance para ele.
Mordeu a língua. Mais forte.
Ao sentir o gosto metálico dentro de sua boca soube que estava pronto para o esforço final, e movimentando o pulso conseguiu grunhir por trás de dentes fechados “Estupefy!” com a varinha apontada na direção de Bellatrix e o feitiço, apesar de mal mirado, conseguiu distraí-la para quebrar a conexão da maldição.
Ele caiu de joelhos, seu corpo não tendo mais qualquer magia que o apoiasse de pé, não tendo a ordem da tia para que ele permanecesse no exato ponto que havia sido colocado, ele abaixou a cabeça e sentiu as têmporas latejarem com mais alguns ataques contra sua psiquê que foram defendidos pela barreira sólida da oclumência. Quando tudo ficou quieto novamente e ele não mais tinha as dores e agulhas, ele conseguiu registrar a mão de sua mãe em seu ombro o incentivando a levantar. Conseguiu sentir o ar vazio da sala apesar de seu corpo estar queimando com o seu próprio desgaste. Sua mãe o puxou para voltar a erguer-se e ele ignorou dignidade para deixá-la o apoiar até ele poder se mover novamente e subir as escadas para seu quarto.
Levou os olhos para a tia que tinha um sorriso maquiavélico no rosto que o fazia querer nunca mais abandonar seu quarto, mas ele teve que assentir com a cabeça em algum tipo de reconhecimento que ele havia registrado alguma satisfação em seu rosto. Nem que seja aquela de um gato brincando com sua comida antes a devora-la.
“Levou mais tempo do que eu gostaria de um Black, mas a barreira está sólida agora. Talvez você aguente um veritasserum agora, esse você até pode fazer sentado para descansar suas fragilidades, Draquinho.” Ela riu, ou cacarejou, Draco só ouvia sinos na sua cabeça.
“Já chega, Bella,” interrompeu Narcissa antes que isso escalasse para mais um teste.
“Mas quando mais poderíamos fazer isso? É necessário, ele ainda está naquela escola afinal de contas.”
“E você esteve na mente dele várias vezes, isso já é o suficiente.”
Tudo ficou silencioso por tempo demais para ser confortável, não houve passos de ninguém saindo para poder justificar o silêncio, então Draco engoliu em seco sabendo que ainda nada disso estava terminado.
“Você tem certeza que não quer tentar você mesma?” Bellatrix perguntou à irmã fazendo Draco levantar a cabeça rápido demais e grunhir com a vertigem imediata, do movimento súbito ou da insinuação do que a tia havia visto ele não saberia dizer “Com certeza tem coisas interessantes para encontrar por lá.” Concluiu e dessa vez ela ainda teve a audácia de piscar para Draco, ele estava completamente fodido se ele tivesse que ter alguma confiança em Bellatrix Lestrange com seu segredo mais bem guardado da família, um que no meio de tanto caos e escuridão não parecia tão terrível assim, mas ele ainda queria manter isso bem escondido consigo. Pelo menos até tudo aquietar de vez.
“Já chega, Bellatrix, você precisa voltar para seus deveres e nós precisamos voltar para os nossos.” Narcissa suspirou e Bellatrix deu de ombros, girando em um calcanhar para abandonar a mansão, os dois não se moveram até a porta da frente se abrir e fechar novamente, apenas para o elfo doméstico aparatar Draco para seu quarto, onde ele podia sentir o cheiro dos sais minerais e ervas vindo do banheiro da ensuite, o sono podia esperar ele não iria querer acordar ainda neste estado mais tarde.
—
Draco correu o final da memória mais uma vez, fazendo questão de conseguir cortar o final para não levantar curiosidades de qualquer um que fosse ver aquilo, realmente não seria nada demais, mas qualquer coisa seria usada contra ele. Se suas lições em oclumência o haviam valido qualquer coisa essa seria de guardar qualquer informação pessoal à sete chaves. Enquanto despejava a memória no papel, fez uma anotação mental de procurar por feitiços ou meditações para acrescentar armadilhas mentais à sua proteção, andava lendo sobre a criação de memórias falsas, mas juntar isso ao trabalho de ser um estudante comum de Hogwarts não era tão fácil quanto ele gostaria e realmente, praticar se tornava perto de impossível.
Teria que pesquisar, então, como fazer mais tempo.