vince sorriu e assentiu com a justificativa alheia. era grato por sua relação com a ruiva ser tão amigável, uma vez que tinham uma filha juntos, mas não eram um casal, uma situação que tinha muito para dar errado, mas felizmente, dera certo, ainda que com suas peculiaridades. “acredito que ela terá essa sorte, sim… mas adoraria que os cachos dela permanecessem iguais aos meus.” ele fez graça, abrindo mais o sorriso. a afirmação sobre bicicletas o fez franzir o cenho, surpreso, até duvidando um pouco, antes de afirmar “pois bem… então aí está a minha chance de passar meu legado! na verdade, posso ensinar vocês duas, se quiser… mas em dias diferentes, por favor. tenho só dois braços e sou um só, não dou conta de impedir simultaneamente que as duas caiam.” brincou, não fazendo daquilo grande evento para que a ruiva não se constrangesse. afinal, era raro encontrar alguém que não soubesse andar de bicicleta! o sorriso então alargou-se, e as lágrimas quase visitaram seus olhos emocionados mediante o comentário “jura? ela fala mesmo? que tipo de coisas?” e, para não deixar-se emocionar bem ali no meio da calçada, apelou para a brincadeira “só coisas boas, espero… não a ensinou sobre minhas gafes e defeitos, né?” apesar de orgulhoso, não ficara surpreso, de fato assentindo por lembrar-se daquele fato “claro, claro que lembro! e que bom que finalmente conseguiu! sabe que sempre torci por você, para que corresse atrás de seus sonhos!” e, realmente, parte da ajuda não era só para giulietta, mas sim para que antonella também pudesse ter uma vida, ainda que sendo mãe tão cedo. surpresa cintilou em seus olhos com a revelação da universidade, por não saber ao certo como sentir-se em relação àquilo: adoraria ter a ruiva por perto, é claro; mas ao mesmo tempo temia que não fosse o melhor para ela, não só por temer que august king a encontrasse, mas também por saber que a gossip girl estava faminta por novidades… e o passado secreto dele com a ruiva era certamente um prato cheio. ainda assim, se limitou a esconder toda aquela incerteza em um sorriso, franzindo o cenho “columbia?! não acredito! sim, é a mesma! não acredito que vamos nos cruzar por lá também… quer dizer, é difícil com toda a correria e desencontro de horários, mas… enfim, fico feliz que tenha sido aceita lá! é sem dúvidas uma ótima universidade, e tem peso no currículo.” alívio lhe percorreu finalmente com a concordância dela, e a isso, ofereceu um sorriso agradecido. “falarei com ele, juro.” garantiu-a. novamente, alívio, ao que soltava a respiração em um suspiro por ninguém saber, pelo menos assim garantindo mais segurança àquela informação, e também a giulietta. “se tivesse me avisado, eu poderia ter te ajudado e…” foi automático dizer, porém parou ao perceber que ela tinha dado conta daquilo sozinha. não precisava dele, ainda que estivesse disposto a ajudá-la. não era algo que revelava a ninguém, mas por mais que amasse a filha, sentia-se um tanto culpado por ter tornado a ruiva mãe com tão pouca idade, e ainda por cima, por não ter feito seu papel paterno de perto. sentia-se eternamente em dívida. “quero dizer, acho ótimo que tenha conseguido! sabe, sempre que precisar, pode deixá-la comigo! assim, podemos recorrer à babá só quando nós dois não pudermos. por favor, é uma ótima chance de recuperar um pouco do tempo perdido com ela…” pediu, e era sincero naquilo. com a filha tão perto, ele não pouparia esforços para realizar seu desejo de ficar ao lado dela o máximo possível, de ver cada mínima evolução tão preciosa que sabia estar por vir. “obrigado, juro fazer sua confiança valer… e juro acertar as coisas em breve.” agradeceu e jurou, por fim, dando-lhe sua palavra. “mas me conte mais! você disse que está trabalhando… onde? alguma livraria?” questionou num palpite relacionado à literatura, querendo divergir do assunto que lhe deixava tenso.
Criada sob um teto muito religioso e tradicional, sempre passara pela mente de Antonella que um dia fosse se tornar mãe. A ideia lhe agradava, gostava de pensar em ter uma menina, alguém que pudesse embonecar e cuidar com todo o amor do mundo. Se fosse montar o cenário ideal no qual se tornaria mãe, porém, este seria bem diferente do que aconteceu. Mãe aos 19, solteira, sendo expulsa de casa, não era nada parecido com o que imaginara. Ainda assim, era muito grata por Vincent ser como era, tornando tudo muito mais fácil e agradável. “Com certeza ela terá os seus cachos, não tenho dúvida disso.” Garantiu, alargando o sorriso. Juntou as sobrancelhas em seguida, ainda receosa. “Tudo bem... mas ela usará un casco! E aquelas coisinhas para proteger joelhos e cotovelos.” O indicador estava erguido em exigência, mas a ruiva sorria. Era bom poder compartilhar momentos assim com ele. “É claro que fala! Ela costuma dizer que “mio papà è molto bello” e sempre dá risada quando ouve você falar. Ela gosta do inglese. E aquela bambola que você comprou é a favorita dela.” Sorria enquanto falava, sempre gesticulando para complementar o que dizia. Falar sobre Giulietta era uma das coisas que mais gostava de fazer, e poderia passar horas e horas a fio tagarelando sobre a filha, sem nunca reclamar. “Acho que ela ainda é muito novinha para saber sobre seus defeitos.” Provocou, sorrindo de canto. “Jura que no vai te atrapalhar?” Perguntou, querendo confirmar uma última vez, mas o apoio recebido a fez relaxar, mais tranquila. Não queria de forma alguma que seu sonho atrapalhasse o de Vincent, ainda que precisasse daquela estadia longe da Itália mais do que qualquer outra coisa. “Sì, vamos nos ver mais! É um lugar molto largo e acho que vou me perder lá dentro, mas estou muito felice com isso.” Sorriu sem graça, as bochechas um pouquinho coradas numa mescla de vergonha e alívio. Assentiu em um agradecimento silencioso sobre ele conversar com o pai; o que mais queria era deixar tudo resolvido. Riu da fala dele, assentindo mais uma vez. “Tudo bem, Vicente, sabe que pode ficar com ela quando quiser. Vou precisar de sua ajuda também para arrumar um pediatra novo para ela. Inclusive...” Olhou para os lados, buscando garantia de que não haviam olhos curiosos repousados sobre os dois. Ao constatar que aparentemente estavam seguros, voltou-se para ele, sorrindo. “Quer ir vê-la agora?” Sugeriu. “Te conto tudo no caminho, mas estou trabalhando em una caffetteria. No consegui em uma livraria, mas tudo bene.”