O carro balançava de um lado para o outro ao passar sobre as pedras, hora Dominik era jogado contra seu pai outra contra um oficial da Armada Britânica. Enquanto seu pai fazia perguntas e mais perguntas, o rapaz se recusava a respondê-lo. Tudo porque o culpava pelo que estava acontecendo. Dominik preferia ter morrido com honra na Alemanha a ser "exilado" em outro continente. Seu pai achava que era uma vantagem ter conseguido que internassem o soldado em um sanatório em Kentucky, já Gottschalk via apenas desgraça naquele ato. Principalmente porque em toda a sua vida, o rapaz nunca pensou que fosse deixar a Alemanha. Foi criado em um ambiente nacionalista e ele não se via fazendo outra coisa a não ser servir a nação que ele tanto amava. E agora ele estava mais longe disso do que pensava, e da pior forma possÃvel.
Ele foi arrancado de seu lar e levado para o Estados Unidos a força, como um criminoso. Fato evidenciado pelas algemas de metal presas em seus pulsos. O mais estranho da situação era que ele não estava relutante, não havia batido o pé ou sequer abrido a boca para dizer o quão hipócrita o pai era. Estava tão transtornado que o silêncio foi a medida adotada para expressar aquilo. Geralmente tinha o pavio curto e estourava por menor que fosse o motivo. Mas passar dias preso na Inglaterra havia testado seus limites e, talvez, aumentado sua tolerância. Por mais que estivesse se mostrando alheio a situação, ignorando qualquer tipo de pergunta ou comentário. O nazista nunca aceitaria o fato de estar sendo tratado de forma semelhante a um judeu imundo. Porque era assim que ele se sentia no momento. A única diferença era que eles realmente mereciam o tratamento que recebiam.
Quando o carro finalmente parou, Dominik inclinou-se para poder ver o que o esperava fora do carro. Depois que seu pai saiu do carro, o oficial praticamente empurrou o rapaz para fora do carro. E tudo o que Dominik fez foi encará-lo de forma ameaçadora. Então seu o senhor Gottschalk passou seu braço pelo ombro do filho enquanto sua mão livre segurava uma bengala. Ele apresentava um ar cansado e, se Dominik sabia ler o velho bem, decepcionado. Deixando um suspirou escapar, começou a guiar o filho em direção aos grandes portões de ferro, vigiados por guardas armados. O nazista encgoliu seco, não queria ficar preso ali, queria voltar para a Alemanha. Poderia até ficar preso lá, mas não queria ficar em Waverly Hills.
-- Você sabe que eu sempre penso no seu melhor, certo? Acredite, Dominik... ficar aqui é melhor que morrer. -- O homem começou com um sorriso fraco. E foi naquele momento que Dominik resolveu quebrar o silêncio.
-- É mesmo? Parece ser um lugar agrdável para se viver. -- E ali estava o sarcasmo presente na voz do loiro. -- Eu não quero ficar aqui.
Nisso, o pai do rapaz colocou se na frente dele. Agarrou seus ombros e sacudiu o menino. -- Pelo menos você não está indo para o inferno. -- Puxou o filho para um abraço. E talvez aquela fosse a única vez que alguém teria a oportunidade de ver uma lágrima, uma lágrima apenas, escorrendo dos olhos de Dominik.
-- Eu estou condenado de qualquer forma, passar o resto da minha vida aqui não vai me mandar para o céu. -- Com um tom frio, afastou-se do pai.
Dominik estava certo, chegar em Waverly Hills e receber acompanhamento psiquiátrico até que sua mente estivesse "curada" não mudaria o que ele já tinha feito. Nem mesmo o faria se arrepender dos seus atos. Apenas o condenaria a uma eternidade naquele lugar.