hyanayun:
Os lábios de Yun formaram um pequeno ‘o’ com os dizeres alheios, pensando que, de fato, fazia sentido. “Eu posso contar essa história para quando as pessoas perguntarem sobre o nome e, se perguntarem: ‘ah, sério?’ eu posso rir e falar que não, mas poderia.” Mentia quando era necessário, mas se recusava por motivos que eram evitáveis já que acreditava fielmente em como isso poderia acabar influenciando em sua existência futura. Acabara sorrindo com a forma entusiasmada com que o rapaz se apresentava para a barriga, agradecendo por não ser a única que se comunicava com a criança que se desenvolvia ali. Em alguns momentos, ainda que fosse uma prática de outras mães, sentia-se um tanto estranha. Os fios esverdeados, caindo sobre o rosto, acabara fazendo com que perdesse aquela pequena trava comum aos seres humanos. “Olha, eu adorei a ideia de você pintar o cabelo para o palpite. Não se se foi proposital ou só aproveitou o momento, mas adorei.” Entusiasmou-se. O famoso “mal conheço, mas já considero”. “Eu já pintei de roxo uma vez, mas ficou meio sem vida. O seu até parece bem hidratado daqui.” Estreitou os olhos. Acabara por rir logo em seguida. “Ah, não, eu não vou mesmo reclamar. Ela só vai seguir a mãe. Minha vida de balada só acabou porque Angela resolveu vir ao mundo, ou provavelmente teríamos nos conhecido como bêbada. Eu acho que sou mais divertida, inclusive.” Aquela energia que emanava de Yun era a mesma sóbria ou não. “Ok, contar a história da conceição é estranho, concordo com você.” Assunto delicado demais para ser tratado a mesa. Percebeu-se pensando em como agradecia aos seus pais por nunca terem falado daquilo diretamente para si. “Com base nessa história, faço aqui o compromisso de nunca contar para Angela como ela foi feita. A piada de Los Angeles faço com meus amigos. E sim, os hormônios mexem demais com a gente, mas até que a yoga tem me ajudado bastante com o pacote gestação.”
Devon ponderou. Certamente, seria extremamente divertido fazer tal tipo de brincadeira e por um momento ele desejou que fosse aquele a aplicar a piada. Claro, o pensamento fugiu a cabeça quando ele percebeu que pra isso precisava ter uma criança e isso definitivamente não estava em seus planos. Nem mesmo sabia se chegaria aos vinte e um anos inteiro. Isso não o impedido de rir diverrtido. “Vamos achar alguém para você falar isso agora, por favooooor”, arrastou a palavra nos lábios e brilhou os olhinhos na mais pura postura de cãozinho perdido, mas não passava de uma brincadeira. Não passava de um exagerado que só sabia reagir de formas grandiosas. Quando o assunto tratado passou a ser seus fios, ele inconscientemente deslizou os dedos pelas madeixas, sorrindo inconscientemente. “Você gostou? Que bom! Estava com medo de achar meio demais, sabe? Eu ‘tava morrendo de vontade de pintar, mas não sabia que cor, então uns colegas sugeriram isso. Não se preocupe, little girl, quando você nascer, vou fazer questão de ficar com o cabelo laranja por meses só para comemorar”, novamente, perdeu-se falando com a barriga alheia, como um idiota. Mas ele gostava de bebês, apesar de não ter muito jeito com elas. “Mas convenhamos, não precisa ser educada... Meu cabelo tá uma palha...”, abriu um sorriso e indicou que ela tocasse numa mexa verde mais a frente, caindo em seu rosto. “Eu pintei em casa, então ficou uma bagunça...”, e sua irmã/seu irmão queria matá-lo quando descobriu o que havia feito, mas estava vivo e tudo, então tudo ok. “Hm, acho que todo mundo é mais divertido bêbado, menos o Greg...”, Devon piscou lentamente, assustado ao se lembrar de seu antigo colega de corre. Depois que fora para a reabilitação, não ouvira mais falar do homem e isso o preocupava um pouco. “Greg ficava triste”, concluiu a mentira. Era ele mesmo que ficava triste e fazia algumas besteiras, mas isso tinha relação com o nível de bebedeira em que estava. “Você consegue fazer yoga grávida?”, os olhos cresceram de tamanho e Devon permaneceu chocado por um momento. “Além de baladeira, Angela vai sair daí uma atleta”, riu. Não deveria aumentar as expectativas sobre crianças por aí, não sabendo por conta própria que se elas não atingissem estas, seria triste, mas ele não conseguia deixar de imaginar as milhares de possibilidades que envolviam um ser humano mais novinho.














