se eu fosse você, tomaria cuidado, estou te esquecendo aos poucos.
não me faz faltas aos domingos, nem aos sábados.
talvez numa quarta à tarde eu me lembro do seu jeito mesquinho e sinta vontade de brigar.
ou numa sexta eu queira comer cachorro quente e dormir abraçado com as bochechas coladas.
talvez na segunda, eu procure você pelos cantos da rua esperando por uma ironia do destino nos trombarmos numa esquina e gentilmente pedir “perdão”.
se eu fosse você, não olharia meu Instagram, tik tok ou nem mesmo me procuraria no Twitter. talvez eu aparentemente esteja bem pelas redes e isso faria você ver que talvez, só talvez, você tenha ficado para trás.
mas se vasculhar, bem vasculhado, vai encontrar em alguma foto um olho meio inchado com um sorriso meio travado, no qual você sabe decifrar.
se eu fosse você, mantinha pra sempre todo essa casca inabalável de quem não tem nada a perder, ela te cai bem. não mostra sua vulnerabilidade, mas eu sei quem você é. e sei o que te assombra e tudo o que você é capaz de fazer pra ignorar.
talvez te esquecer, seja esquecer o impossível. é esquecer sentimentos inesquecíveis e indestrutíveis. eu simplesmente não consigo. mas eu também posso te deixar para trás, carregando comigo as memórias e pouco a pouco criando novas, com pessoas melhores que você.
você não é insubstituível, por mais que seu ego não deixe você enxergar isso.
e fingir que nunca me amou, te torna mais fraco que eu, que me derramei em prantos por você. qual o problema de sentir? isso vai te perseguir.
você não vai voltar, eu também não. e Deus queira que nosso caminho não esbarre de novo (por mais que meu corpo clame por mais uma vez). e se lembrar de mim, me esqueça.